domingo, 27 de março de 2011

27 de março é o Dia de Homenagem ao Circo


Respeitável público...


“O circo é o único lugar do mundo onde se pode sonhar de olhos abertos” (Ernest Hemingway 1899-1961)

As perdas irreparáveis
Waldemar Seyssel, mais conhecido como Arrelia, morreu no dia 23/5/2005 aos 99 anos por disfunção múltipla dos órgãos na Clínica Santa Bárbara, em Botafogo, Rio de Janeiro.
Deixou grande saudade e fez com que várias gerações viajassem no tempo para lembrar o tempo em que, primeiro palhaço a se apresentar na televisão brasileira, estrelava, na Tupi de SP, o “Cirquinho do Arrelia”, que foi ao ar pela primeira vez em 1951.
Aqui do outro lado da ponte aérea, Carequinha (George Savalla Gomes) começou a trabalhar como palhaço aos cinco anos de idade e nunca mais parou. Filho de uma trapezista, nasceu num circo em Rio Bonito (RJ) e foi o primeiro artista circense a fazer sucesso na tv carioca. Ao lado do parceiro de cena Fred,participou de vários circos nacionais e internacionais.
Sempre envolvido com música, gravou 26 discos e fez vários filmes.
Em 2005,aos 90 anos e ainda em atividade, Carequinha nos contava que, quando seus shows eram anunciados em festas infantis, os adultos corriam para ficar nas primeiras filas
Logo em seguida, foi embora-levando o pouco que restava da minha inocência e-acredito- da de muitos outros brasileiros desiludidos com o que se passa no dia a dia..
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Hoje, os palhaços da TV foram substituídos por louras mais preocupadas em recolher os royalties dos produtos com suas grifes que com seu público infantil, este, por sua vez, vibrando já em outra sintonia.
Origens do Circo
Em torno do século VIII a.C, as Olimpíadas já apresentavam números circenses. No Império egípcio, os desfiles militares dos faraós exibiam os animais ferozes das terras conquistadas.
Na China, a acrobacia era uma forma de treinamento para os guerreiros, por exigir agilidade e força. Visitantes estrangeiros era homenageados com apresentacões acrobáticas durante os famosos Festivais da Primeira Lua.
Na Índia, nas festas religiosas, números de contorcionismo e saltos acompanham as danças, as músicas e os cantos. No ano 70 a.C., em Pompéia, havia um anfiteatro onde eram exibidos leões e paquidermes.
Os primeiros circos fechados foram, sem dúvida, os da Roma antiga. Ali, de acordo com os costumes da época, as platéias podiam apreciar confrontos de animais, escravos/atletas lutando até a morte por sua liberdade e números equestres. Construídos com madeira e, posteriormente em alvenaria, os circos foram se tornando cada vez mais suntuosos.
O Circus Maximus, conhecido pela suntuosidade, podia receber até 385 mil espectadores - foi destruído em um incêndio. Em 40 a.C., no mesmo local foi construído o Coliseu, com capacidade para 87 mil espectadores. Ali se apresentavam, para diversão do povo, além de animais exóticos, engolidores de fogo e homens louros e altos, vindos dos países nórdicos.
A perseguição aos cristãos transformou o Coliseu em cenário de atrocidades, diminuindo o interesse pelas artes do circo.
Os artistas passaram a se apresentar em feiras populares e nas praças públicas, apresentando truques de mágica e malabarismo.
No século 18, saltimbancos se apresentavam na Inglaterra, França e Espanha em exibições equestres, combates e provas de equitação.

Novo formato
O primeiro circo, com o formato que hoje conhecemos, foi organizado em 1770 pelo oficial de cavalaria inglês Philipp Astley e tinha o nome de seu criador. Acrobatas, palhaços, ursos amestrados e contorcionistas existiam bem antes de Astley, mas não estavam agrupados como uma companhia.
Especialista em comunicacão de massa, Astley começou a fazer publicidade de seus shows e logo ocuparia um anfiteatro na capital com um grande espetáculo de arte equestre.
Mais tarde, outros animais treinados vieram se juntar aos cavalos. Charles Hughes, concorrente de Philip Astley , tornou-se famoso não só pelo seu English Royal Circus, mas também como treinador de mágicos de primeira qualidade.
Seu discípulo John Bill Ricketts, trouxe o formato destas performances para as colônias da América do Norte com um programa abrilhantado por danças e acrobacias.
O anfiteatro Ricketts foi destruído num incêndio e ele e seu navio desapareceram numa tempestade na volta à Inglaterra.
Em 1852, foi construído na França o “Cirque d’Hiver” (circo de inverno), também chamado Cirque Napoleon, que podia receber 4 mil pessoas.
Hoje, por questão de segurança, a capacidade está restrita a 2 mil espectadores. Seu proprietário, Louis Dejean, também possuía o Cirqe d’Été (circo de verão), ou Circo da Imperatriz.
O mundo mudou e com ele mudou o circo, cada vez mais criativo e inovador. Com uma visão independente e capitalista o circo tornou-se business, sem apagar a chama da diversão e do sonho no mundo do entretenimento e no coracão das platéias.
Algumas grandes companhias de circo na atualidade
*Em 1982, surge em Québec o Club des Talons Hauts que, em 1984, realiza o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil.
*O Cirque du Soleil, companhia franco-canadense que tem profissionais do mundo todo em seu elenco, é o mais representativo do chamado "novo circo". É uma grande empresa do “show business” e, atualmente, tem 8 espetáculos em cartaz no mundo, empregando mais de 700 artistas.
*O Circo Oz, da Austrália, incorporou técnicas teatrais e críticas políticas aos números tradicionais com acrobacias e palhaços.
*O circo velho de Moscou , agora circo de Moscou- Nikúlin e o Circo Vostok são os mais conhecidos da Rússia. Seus espetáculos são tradicionais, com números de acrobacia, trapézio e palhaços.
*Na Suíça, o Circo Knie.
*Circus Oz (1978) na Inglaterra, com os artistas de rua fazendo palhaços, truques com fogo, andando em pernas de pau e com suas mágicas.
*A escola de circo Annie Fratellini (descendente da conhecida família de palhaços Fratelli) surgiu com o apoio do governo francês, em 1979.

O circo no Brasil
No Brasil, o circo chegou no final do século XIX com ciganos fugidos da Europa.
Viajando de cidade em cidade adaptavam seus espetáculos de acordo com o gosto local. Algumas atrações foram tropicalizadas, os palhaços falavam mais, cantavam e tocavam violão.
O público ia ao circo para ver números perigosos : trapezistas e animais amestrados.
Veículo da integração nacional, o circo fabricou ídolos e cimentou carreiras.
Um bom exemplo seria o cantor Vicente Celestino, conhecido em todo o Brasil em uma época em que não existiam nem o rádio nem a televisão.
O circo contemporâneo brasileiro
A arte circense também se aprende em escolas.
A primeira escola de circo que se instalou no Brasil foi a Piolin, em São Paulo (1977).
Em 1982, surgiu a Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro, onde jovens de todas as classes sociais têm acesso.
Depois de formados, alguns encontram vagas nos circos brasileiros ou estrangeiros ou formam grupos.
Retomando a tradição ancestral, trabalham em teatros, praças ou auditórios.
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Sucesso do palhaço Carequinha para alegrar nossas crianças interiores
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