sexta-feira, 26 de maio de 2017

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Trilogia Detetives da Ficção 1- Miss Marple



Foi divulgada ontem a  morte de Roger Moore, o eterno 007 - James Bond. Embora espião, o personagemnão deixa de ser detetive. 
E embora tenha substitutos no papel de detetive charmoso através de meio século, James Bond  nos lembra tantos outros, dezenas deles, nascidos na literatura e popularizados pelas séries de tv e pelo cinema.

Neste  espaço virtual ,cabem três. 
 Ladies first.

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MISS MARPLE
personagem de ficção presente em doze romances e em vinte contos policiais de Agatha Christie. 

Da Wikipedia:


Miss Marple não se parece em nada com um detetive, mas para uma solteirona que nunca saiu de  St Mary Mead ela é surpreendentemente astuta.

 Jane Marple, resolve seus crimes de uma forma muito diferente de outros detetives, ela não faz interrogatórios, não procura pistas, só usa o seu conhecimento da natureza humana.

 Para criar Miss Marple, Agatha Christie se baseou tanto na vida real, como em suas próprias obra, pelo seu grande interesse por velhas solteiras, que mesmo vivendo em pequenas aldeias, possuíam um conhecimento extraordinário acerca do comportamento humano. 

 
Miss Marple fez sua primeira aparição em The Tuesday Night Club, um conto publicado na revista The Sketch, em 1926, já sua primeira aparição em um romance se deu em Assassinato na Casa do Pastor.
Na literatura ,Jane Marple protagonizou 12 romances e 20 contos, que iam desde a pitorescaInglaterra  rural de "Um corpo na Biblioteca"   até o glamour de  "O Caso do Hotel Bertran" e uma ilha em  "Mistério no Caribe"

Muitas atrizes interpretaram Miss Marple na TV e cinema: 

Gracie Fields foi a primeira, na versão  Margareth Rutheford interpretou Miss Marple em quatro filmes da MGM vagamente baseados na obra de Agatha, e também em The Murder Alphabet

Helen Hays, vencedora de dois Oscars,Joan Hickson   foi Miss Marple nas adaptações da BBC nos anos 90..

Finalmente,Geraldine McEwan     interpretou a detetive nas adaptações da ITV em 2004, sendo substituída,em 2009, por Julia McKenzie.

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A vida de  Lady Agatha Christie, Dama do Império Britânico,supera qualquer enredo:

Também da Wikipédia, este pequeno resumo:

Agatha Mary Clarissa Christie  (nascida Agatha Mary Clarissa Miller;(1890-1976)  popularmente conhecida como Agatha Christie, foi uma escritora britânica que  que atuou como romancista,contista,dramaturga e poetisa. 

Com  destaque no subgênero  romance policial  ficou conhecida como  "Rainha/Dama do Crime" ("Queen/Lady of Crime")  
Durante sua carreira, publicou mais de oitenta livros, alguns sobre o pseudônimo de Mary Westmacott.
 
Segundo o Guiness Book, Christie é a romancista mais bem sucedida da história da literatura popular mundial em número total de livros vendidos, uma vez que suas obras, juntas, venderam cerca de quatro bilhões de cópias ao longo do séculos 20 e 21 , números totais que  só ficam atrás das obras vendidas deWilliam Shakespeare e da Bíblia. 

 Segundo a organização Index Translationum, as obras de Agatha Christie já foram traduzidas, em levantamento recente, para mais de 100 idiomas em todo o mundo. 
Seu livro mais vendido, Ten  Little Niggers  (publicado no Brasil  como "E Não Sobrou Nenhum", ou "O Caso dos Dez Negrinhos"  1939, é também, com cerca de 100 milhões de cópias comercializadas em todo o globo, a obra de romance policial mais vendida da história, além de figurar na lista dos livros mais vendidos de todos os tempos, independentemente de seu gênero.
 
Em 1971, foi condecorada pela rainha do Reino Unido, Elizabeth II, com o título de "Dame" (Dama) do Império Britânico, uma honra que consiste no equivalente feminino ao sir

No total, escreveu setenta e dois romances, sendo sessenta e seis deles do gênero romance policial e inúmeros contos, reunidos em quatorze coletâneas. 

É constantemente referida por seus emblemáticos personagens, incluindo o detetive belga Hercule Poirot e a idosa detetive amadora Jane Marple, ou Miss Marple.

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domingo, 21 de maio de 2017

Freud em domínio público desde 2009



No dia 23/9/2009, completaram-se setenta anos da morte do Pai da Psicanálise.
Os direitos dos autores não são eternos e,na maioria dos países, passam a ser de domínio público nesse instante.


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A correspondência entre o fundador da Psicanálise e seu colega Dr.Wilhelm Fliess.
            
As 287 cartas trocadas entre Freud e seu colega Wilhelm Fliess, emtre 1887 e 1904 são um testemunho dos primeiros momentos da psicanálise e também sugerem que - com o tempo e a intimidade - algo mais aconteceu entre os dois médicos.
Em 1887, um mês depois do nascimento de sua filha Mathilde - quando decidiu usar a abstinência como método anti-concepcional - Freud conheceu Wilhelm Fliess (1858-1928).
A partir dali, teve início uma longa amizade, alimentada pela correspondência íntima e científica. 



A cura pelas palavras

Aos 27 anos e totalmente desconhecido pela comunidade científica, Freud era um jovem pesquisador da neuro filosofia (que corresponderia, hoje, à neuro ciência). Conseguia ouvir e perceber o não dito, inventava expressões (ego, Id, superego, ato falho, complexo, inibição, neurose, projeção, psicanálise, psicose, repressão, transferência), avaliava as entrelinhas e observava as incoerências. Assim, o grande Mestre e médico da alma iniciou a construção da sua obra e legou-a para todos os que, na qualidade de pacientes, são beneficiados pela “talking cure”, a cura pelas palavras. 


E nasceu a Psicanálise
 


No verão de 1883, Josef Breuer - médico de grande reputação em Viena - apresenta a Freud o caso de uma paciente histérica e bela, rica, educada, inteligente e infeliz.

A paciente sofria de um estranho distúrbio de fala após a perda do marido e entrara em depressão. Esperava estendida sobre o divã e apoiada numa almofada.Quando viu Freud gritou: ”não me toque,não diga nada, não se mexa! Expressou a vontade de falar sem ser interrompida e Freud consentiu. Numa carta à jovem noiva Martha, Freud conta que o Dr. Breuer lhe revela “certas coisas” sobre a paciente que não poderiam jamais ser divulgada e que enquanto ela contava suas lembranças, desapareciam, aos poucos, os sintomas e as alucinações. Mais tarde esta paciente - Bertha Pappenheim - apareceu para a história como um ícone da Psicanálise: ”Anna O”
                                    

A correspondência Freud - Fliess
 

A correspondência com Wilhelm Fliess cobre o período entre 1887 e 1904, quando um Freud apaixonado pelo trabalho que desenvolve (sobre a teoria e a prática da psicanálise) troca ideias com Wilhelm Fliess.


Este otorrino judeu berlinense fazia extensas pesquisas sobre a fisiologia e a bissexualidade e desenvolvia pesquisas sobre o papel do nariz na sexualidade: as doenças sexuais seriam causadas por distúrbios da mucosa nasal, da mesma fisiologia da vaginal.
 

Ao contrário de Freud, que dizia não crer em nada, Fliess era esotérico e apaixonado pela numerologia, sendo considerado o pai das teorias sobre a bissexualidade.
 


Freud comenta nas cartas suas hesitações, experimentos, erros e vitórias e - muito interessado no amigo - chama-o, em certas passagens, de seu “juiz supremo”. 
Essenciais no caso de um estudo mais profundo da obra de Freud, estas cartas estavam em poder um livreiro e foram achadas quase por acaso.
São consideradas a mais importante fonte de informação sobre os primórdios da psicanálise. Conhecemos só uma das mãos de direção: as cartas escritas por Fliess nunca foram encontradas.
 

Interpretacão dos sonhos


Em 1900, aos 44 anos, Freud começa a publicação em ritmo frenético de obras que mudariam os rumos da humanidade.


Passou do questionamento das elaborações teóricas ao dia-a-dia da clínica das doenças mentais e das ciências conexas. Com o trabalho de auto-análise, descobriu o papel dos sonhos na vida física. O livro sobre interpretação dos sonhos causou grandes mudanças em sua vida pessoal. 

A amizade apaixonada por Fliess - centro e a inspiração da autoanálise - foi esfriando graduamente até dar lugar a brigas violentas e destruidoras. 
Freud, até então, fazia de conta que não existiam diferenças gritantes entre seu pensamento e o de Fliess - que considerava um gênio. Costumava chamá-lo "meu alter ego"
 

Em determinado momento, no entanto, começa a se afastar e consegue perceber as falsas ilusões que nutria pelo colega e amigo. Muitos dos sonhos interpretados no livro do ano de 1900 mostram bem este estado de decepção.

A ruptura definitiva
Swoboda, paciente de Freud era amigo e colaborador de Otto Weininger, um teórico de idéias provocantes. Weininger publicou um livro contendo teorias muiro parecidas com as de Fliess sobre a bissexualidade, o que fez com que este acusasse Freud de quebrar o segredo, durante sessão com o paciente.

Plágio, fofocas, espionagem científica, venda de informações acabaram a amizade e macularam a história da psicanálise.

O fim da relação deixou Freud ferido e desapontado. Conscientizado de sua propensão por amizades passionais, passa a lidar com as pessoas com grande dose de desconfiança até encontrar Carl Gustav Jung, com quem reproduziria a mesma situação

Cronologia Freudiana

1856 - Filho de Amalia Nathanson e Jacob Freud nasce em Freiberg, Morávia, atual República Tcheca, “coroado” com o cordão umbilical - sinal de sorte, na época.

1881 - Termina o curso de medicina na Universidade de Vienna.


1883 - Apresentação do caso '”Anna O”, através de seu amigo Breuer.


1884 - Descobre as propriedades analgésicas da cocaína.


1885 - Como bolsista, trabalha com o Professor Charcot na Salpêtrière, em Paris. Assiste aulas e observa como os doentes da “galeria dos loucos” são tratados por hipnose.


1886 - Abre consultório em Viena e casa com Martha Bernays, após 4 anos de noivado. 1899 - Início da auto-análise e introdução da teoria do complexo de Édipo.


1908 - Primeiro Congresso Internacional da Psicanálise


1917/23 - Publicação de obras em ritmo impressionante e criação de um grupo de discípulos do qual faz parte Jung.


1923 - Publicação de “O id e o ego”


1935 - Sigmund Freud torna-se membro honorário da Honorary Royal British Medical Society. 1930 - Recebe o Prêmio Goethe.


1938 - Perseguida pela la Gestapo, a família Freud se exila na Inglaterra.


1939 - Morre aos 83 anos, esgotado, após 33 cirurgias na tentativa de deter um câncer na mandíbula, diagnosticado em 1923.
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A edição das cartas em português pela Zahar Editora "Freud / Fliess -Mito e quimera da auto-análise" ,de Erik Porge,da Coleção Transmissão da Psicanálise e com tradução de Vera Ribeiro é de 1988 e não possui qualquer relação com a instituição do domínio público.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Fundação Eva Klabin- Concertinhos de Eva para o público infantil -Edição de Maio 2017

DUO BRETAS - KEVORKIAN
PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E ESTÁCIO APRESENTAM


CONCERTINHOS DE EVA
PROGRAMA PARA O PÚBLICO INFANTIL E SUAS FAMÍLIAS

DUO BRETAS - KEVORKIAN
Piano a quatro mãos

20 DE MAIO 
SÁBADO
16H

EVENTO GRATUITO [SUJEITO A LOTAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE SENHAS A PARTIR DAS 15H]

ESTE CONCERTO TAMBÉM SERÁ REALIZADO, EM HORÁRIO ESCOLAR, PARA ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO 


CELEBRANDO 20 ANOS DE ININTERRUPTA PARCERIA, O DUO BRETAS-KEVORKIAN - PATRÍCIA BRETAS & JOSIANE KEVORKIAN - É HOJE REFERÊNCIA BRASILEIRA NA MÚSICA PARA PIANO A 4 MÃOS E 2 PIANOS. 
DESDE SUA ESTREIA, EM 1995, O DUO MANTÉM O IDEAL DE DIFUNDIR A MÚSICA BRASILEIRA PARA ESSA FORMAÇÃO, ASSIM COMO VALORIZAR OBRAS DO REPERTÓRIO INTERNACIONAL QUE SÃO POUCO CONHECIDAS NO BRASIL.
FOI COM O 1º PRÊMIO CONQUISTADO POR UNANIMIDADE NO CONCURSO ARTLIVRE DE DUOS PIANÍSTICOS EM SÃO PAULO E AINDA COM A EXECUÇÃO DA VERSÃO ORIGINAL PARA 4 MÃOS DA SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA DE STRAVINSKY QUE O DUO-BRETAS-KEVORKIAN IMPRIMIU A SUA MARCA NO PANORAMA NACIONAL, ATUANDO EM IMPORTANTES SÉRIES E FESTIVAIS NO BRASIL, ASSIM COMO NA FRANÇA, INGLATERRA, REPÚBLICA TCHECA E ALEMANHA. 
COM   ESTILO MARCANTE NA EXECUÇÃO DO REPERTÓRIO PARA DOIS PIANOS E PIANO A QUATRO MÃOS, O DUO BRETAS-KEVORKIAN VEM SENDO CONVIDADO A FAZER ESTREIAS MUNDIAIS DE INÚMERAS OBRAS BRASILEIRAS, MUITAS DELAS A ELE DEDICADAS, SEMPRE COM SUCESSO ABSOLUTO DE PÚBLICO E DE CRÍTICA.
 O DUO TEM PARTICIPAÇÕES EM CDS BRASILEIROS, ALÉM DE SEU CD LANÇADO EM 2002 COM EDIÇÕES JÁ ESGOTADAS - "DUO BRETAS-KEVORKIAN", COM OBRAS BRASILEIRAS E A VERSÃO A 4 MÃOS DA "SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA" DE STRAVINSKY. EM 2015 LANÇOU UM NOVO CD, "PARES", COM OBRAS DE SERGIO ROBERTO DE OLIVEIRA (BRASIL) E MARK HAGERTY (EUA). 
PATRICIA E JOSIANE REALIZARAM  TURNÊS DE MUITO SUCESSO NA EUROPA (INGLATERRA, FRANÇA, ALEMANHA, BÉLGICA, LUXEMBURGO, REPÚBLICA TCHECA E HUNGRIA), APRESENTANDO A MÚSICA BRASILEIRA DE CONCERTO.


PROGRAMAÇÃO E PRODUÇÃO: NENEM KRIEGER
ORGANIZAÇÃO: MARCIO DOCTORS

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VISITAS COM PÚBLICO EM GERAL
Conversas com os educadores apresentando os diferentes ambientes, a coleção e a história da Casa-Museu. 

Dias e horários: terça a domingo, das 14 às 18h. Sem agendamento.

Ingresso:R$ 10,00
Estudantes e maiores de 60 anos: R$ 5,00
Gratuidade: crianças até 10 anos todos os dias e público em geral aos sábados, domingos e feriados.

Endereço:
Av. Epitácio Pessoa, 2.480 - Lagoa - CEP: 22471-001
Tels: 3202-8551 | 3202-8550

CULTURA@EVAKLABIN.ORG.BR

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domingo, 14 de maio de 2017

Niki de Saint Phalle,Cidadã do Mundo -- 15 anos de sua partida




A ARTE DE COMPARTILHAR BELEZA E SOLIDARIEDADE


No início dos anos 50 do século passado, quando começou a fazer sucesso na Europa,  Niki de Saint Phalle parecia ser um pseudônimo.
Mas a escultora, pintora, arquiteta amadora, modelo fotográfico, atriz, teatróloga, cenógrafa, estilista e designer, além de francesa legítima, carregava um sobrenome nobre.

Nki de Saint Phalle - Catherine Marie-Agnès Fal de Saint Phalle - nasceu em Neuilly-sur-Seine, cercanias de Paris, em  29 de outubro de1930 segunda dos cinco filhos de Jeanne Jacqueline Harper e André Marie Fal de Saint Phalle.
O pai era um  dos proprietários do banco da família. Com o colapso da bolsa em 1929, perdeu a sua fortuna e o negócio. 

 O grande crash da Bolsa de Nova York obrigou a família a emigrar para os Estados Unidos. Niki viveu até os três anos com os avós maternos.
Aos 11, infelizmente, foi atingida por uma tragédia somente mais tarde revelada: o abuso sexual, pelo pai.

Leitora sôfrega, seu interesse era voltado para  Edgar Allan Poe, Shakespeare e  os filósofos gregos. 
Atuava em peças escolares e escreveu sua primeira obra, “A peste”. 

NIKI,  Senhora Harry  Matthews
   
A casal mudou-se  para Cambridge, Massachusetts. Harry estudava  música na Universidade de Harvard e Niki produzia seus guaches e desenhos.
Belíssima, iniciou carreira de modelo e  suas fotos apareceram na Vogue, no  Harper’s Bazaar e na capa da revista Life.

As "Nanás" da Pinacoteca São Paulo
A 23 de abril de 1951, nasce a filha Laura e, no ano seguinte, a família passou a morar em Paris. 
Harry desejava ser maestro e Niki matriculou-se num curso de teatro.
Todo tempo disponível é dedicado a viagens.

Em 1953, no meio de uma profunda depressão, internada em Nice e  tratada com terapia da pintura, abandona os projetos teatrais e decide se tornar artista plástica.

O casal  Matthews regressa a Paris, onde divide uma casa com Anthony Bonner, músico e compositor de jazz americano. Nesse momento, Niki é apresentada ao pintor americano Hugh Weiss, que será uma das figuras mais importantes de sua trajetória.

Neste mesmo ano, acontece a mudança para a Ilha de Maiorca

Em 1955, nasce o filho Philip e Niki visita  Barcelona.
Esta viagem para estudar a obra de Gaudi fez mudar mais uma vez o rumo de sua  vida e carreira,  plantando a semente do que seria no futuro, o Jardim do Tarot.
A família nômade muda-se para em Lans-en-Vercors, nos Alpes franceses, onde, em 1956, acontece a primeira exposição das obras de Niki, na pequena cidade de Saint Gallen.
Ela começa a se aprofundar  no estudo das obras de Paul Klee, Henry Matisse, Pablo Picasso e Douanier Rousseau

 Tinguely,  Nanás , Tiros e Alexandre  Iolás

Ao conhecer e aprofundar um relacionamento  com   o artista plástico  suíço Jean Tinguely, Niki separa-se de Harry.
Mas a obra continua a crescer : surgem as assemblages e os quadros-alvo. Cria ex-votos e, em seguida, as Nanás (gíria francesa para “garotas) - mulheres gigantescas feitas com papier marché e poliester.
Hoje,  estão por toda parte : do  teto da estação ferroviária de Zurique à Paris, Nova York, Bruxelas, Tóquio, Amsterdã, Los Angeles, Hannover, Genebra, Lucerna e até mesmo na mansão paulistana de um ex-banqueiro.

Em 1961,  Niki de Saint Phalle vira celebridade com os “tiros” - performances durante as quais os espectadores atiram com carabinas e balas de plástico colorido em pranchas que servem como alvos.
Torna-se a única mulher a fazer parte do grupo dos novos realistas (com Arman, César, Christo, Gérard Deschamps, François Dufrêne, Raymond Raysse, Mimmo Rotella, Daniel Spoerri, Jean Tinguely e Jacques Villeglé) fazendo, segundo a crítica especializada da época, o papel de intermediária entre os movimentos avant garde americano e  francês.
Na estréia oficial dos Novos Realistas, na noite de 13 de julho, acontece um evento na  abadia de Roseland ( no qual participam todos os Novos Realistas)  encerrado com Niki fazendo uma sessão de tiros sobre uma replica da “Vênus de Milo”.

Explosão de Criatividade


A 13 de Julho de 1971, Niki de Saint Phalle e Jean Tinguely casam-se em Soisy e viajam ao  Marrocos.
É com Tinguely que cria  “ Cyclop”, em Milly-la-Forêt;  a fonte do   Château-Chinon, no Centro Georges Pompidou; o Jardim do Tarot, na Toscana e uma estátua monumental  no Museu da Cidade de Estocolmo (28 metros de altura por seis de largura e seis toneladas de peso): “A Maior Prostituta do Mundo” uma Naná deitada com o público ingressando pela vagina da matrona de poliester. Em seu interior, um bar e uma biblioteca.
Cerca de 2 mil pessoas visitavam,  por dia, a mais famosa e controvertida das “Nanás”.
Para que os leitores tenham idéia da magnitude da obra de Niki de Saint Phalle, em maio deste ano de 2007, no Grand Palais, em Paris,a exposição sobre Novos Realistas – com destaque para Niki, cartaz da mostra - dividia o espaço com uma outra, sobre a arte no Império Ghupta, no século V aC.


Ícone  mundial, pouco conhecida no Brasil

Alexandre Iolas, galerista, encantou-se com o trabalho de Niki, ao visitar a exposição da Maior Prostituta do Mundo, e tornou-se mecenas,  organizador  e divulgador de exposições.
Começa aqui uma longa e duradoura relação entre a artista e o galerista. Nos dez anos seguintes, Iolas dar-lhe-á apoio financeiro e organizará numerosas exposições dos seus trabalhos.


Em 1999,  aconteceram, entre nós, duas exposições patrocinadas pela AFAA (Associação Francesa de Ação Artística), uma em São Paulo (Pinacoteca do Estado) e outra no Rio : no CCBB e ao ar livre.

Num domingo lindo de sol, durante horas, na Praça Paris, totalmente art-nouveau, lá estavam Nanás, fontes giratórias e dois visitantes solitários : meu marido e eu.

Militância


1990. Ao começar a trabalhar pela primeira vez com bronze - para atender a uma encomenda de deuses e deusas egípcios, indianos e mesopotâmicos -  Ricardo Menon, seu assistente e de Tinguely , morre vítima da AIDS.
Niki produz um desenho animado, adaptado de seu livro “Não se pega AIDS segurando as mãos”, que é projetado no Museu de Artes Decorativas de Paris
Um texto com o mesmo título, publicado pela Agência Francesa de Luta contra a AIDS, é distribuído entre todos os estudantes de todos os níveis na França.

Jean Tinguely morre em Agosto de 1991 e Niki apresenta  a maquete de  seu “Templo Ideal”, concebido  em 1972, e descrito como “uma igreja para todas as religiões”,
Em seguida, muda-se  para os Estados Unidos, onde viveu, atuante e criativa,  até o final.
Em 11 de outubro de 2001, o Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Nice recebe a doação de 63 pinturas e esculturas,18 gravuras, 40 litografias 104 serigrafias  e muitos documentos originais.

Niki de Saint Phalle vem a falecer em 21 de maio de 2002,  em San Diego, Califórnia.
Havia voltado aos Estados Unidos, em busca de ares secos, para aliviar os pulmões devastados pelas emanações de produtos químicos usados para compor seus trabalhos em poliester.
A Fundação de Beneficiência e Arte NIKI,  em  Nice-França, continua o projeto de sua inspiradora: compartilhar beleza e solidariedade.




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sábado, 13 de maio de 2017

Hay Dia das Mães ? Soy contra!

 

 

Maternity   Gustav KLIMT

Por focar em cheio   o consumo de bens materiais em lugar de privilegiar ternura e carinho,o  Dia das Mães,no Brasil, é considerado pelo comércio um “ Natal em Maio” e  gera mirabolante frenesi  filial. 
Diariamente,fico perplexa com os anúncios de supermercado que oferecem costelinha suína,batata lavada, sabão em pó e amaciante,drumete-asinha de frango- e outros quetais- utilizando o apelo emocional gerado pela data.
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Ano após ano,de 1º de janeiro a 31 de dezembro, procuro ser a mãe presente e amiga de um filho de quem muito me orgulho, de uma filha  que seria também o orgulho de qualquer mãe- e é mãe dedicada - e adoro minha neta.
Penso que, do outro lado do balcão, não fui das piores: filha única, cuidei da Dona Anna com toda fidelidade e amor, na saúde frágil e na doença final, na alegria pouca e nas dores muitas, até que a morte nos separou, por enquanto.
Tenho certificado virtual ISO 9001 na categoria" nora", avalizado pelas insuspeitadas declarações de uma sogra que era implacável nos julgamentos.
E, otimista, ouso acreditar que todos os ex e atuais genros poderiam dar depoimentos favoráveis.
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Nada melhor para cutucar as dores do passado remoto do que uma boa data comemorativa centrada nas figuras das Veneráveis Matriarcas.
Heleninha, minha colega de curso primário, era órfã desde bebê e sobrinha da dedicada e incansável Tia Célia que substituía muito bem a irmã falecida.

Nas festas do Grupo Escolar, as mestras entregavam todo ano à pobre criança uma rosa branca, enquanto os demais alunos, reconfortados possuidores do abrigo dos regaços maternos, iam para casa levando, triunfantes, uma rosa vermelha - garantia de proteção e de segurança. Tremenda sacanagem!
Acho que em solidariedade à Heleninha começou o meu horror pelas emoções com data marcada.
 Meu terapeuta levantou, uma vez, a seguinte instigante questão: por que o Dia das Mães me afeta tanto, a ponto de (quando cito) ser sempre precedido do adjetivo famigerado ? Porque famigerado quer dizer que tem fama (boa ou má) e no meu caso específico, tem má fama, mau astral, dia ruim e de atmosfera pesada, que mexe ao mesmo tempo com dores abissais e sentimentos emergentes.
Mãe não é, necessariamente, sinônimo de abnegação, renúncia e despojamento. 
                **
Vide o caso notório de Brigitte Bardot, hoje setentona, mas que ainda é capaz de ir ao fim do mundo para salvar da extinção um mico leão dourado e compreendo que alguém tem que fazer esse trabalho.
 Dei uma repassada na autobiografia "Initiales BB" (Éditions Grasset  Fasquelle, 1996) para não correr o risco de ser injusta e mal informada.
         Ali, ela chama o filho Nicholas (que teve com Jacques Charrier) de "um câncer que foi extirpado" e  assume que largou o infante de lado e dedicou-se aos animais irracionais.
E vide semelhantes episódios anônimos de mães displicentes e não amorosas, presentes em todas as famílias. Existem as que vendem e as  que jogam seus bebês no lixo,por pobreza extrema ou mesmo vergonha.

Também merecem registro no dia:

* as mães que perderam seus filhos para a “indesejada das gentes” por doença, acidente, bala perdida,suicídio ou para a vida mesmo: aí estão o tráfico de drogas, os vícios incontroláveis.
* os filhos que perderam suas mães
*as frustrações das potenciais mães - biologicamente incapacitadas para a reprodução - que se submetem a qualquer coisa para engravidar e, muitas vezes, nem conseguem.
*a angústia das fisicamente aptas a conceber daqui a um minuto, mas que escolhem ( ou precisam) abortar e, sendo católicas, além do trauma, ainda enxergam o cutelo da Igreja lhes apontando direto a porta do inferno.
* mães presidiárias e as mães de presidiários nas casas de detenção e delegacias lotadas , aguardando julgamentos.
*as que ousam desobedecer leis ainda caducas e, corajosamente, usam a “pílula do dia seguinte” e as que guardam o cordão umbilical de seus bebês, porque melhor prevenir que remediar.
* as doadoras anônimas de óvulos que permitem o milagre da fecundidade.
*as mães adolescentes, que perdem seu futuro por falta de informação e de cuidado.
*as mães moradoras de rua que nada mais que um leite ralo pela desnutrição podem oferecer aos seus pobres frutos.
* as mães lésbicas que lutam por ou perderam a guarda de seus meninos e meninas porque ousaram pensar diferente.

*os casais formados por duas mulheres que desejam - mas nem sempre conseguem - adotar uma criança órfã ou uma abandonada porque a sociedade hipócrita acha que vai fazer mal à cabeça dela ter duas mães em lugar de uma só.

Dia de entortar cabeças

Toda essa parafernália emocional que entorta muitas cabeças( a minha inclusa)se originou
quando a norte-americana Anna Jarvis, em 1910, começou sua cruzada no sentido de criar um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães, fortalecendo os laços familiares.
E, por tabela, cumprimentou com o chapéu dos outros, homenageando sua mãe,falecida naquele ano.
Em 26 de abril de 1910, o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o
Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado e, em 1914, a celebração foi unificada nos Estados Unidos, sendo comemorado sempre no segundo domingo de maio.
Em pouco tempo, mais de 40 países e suas associacões comerciais em todas as cidades adotaram a idéia.

Natal em Maio  
 Marcar um dia para o comércio faturar explorando as neuroses é uma tristeza mas, além da necessidade de lucrar na sociedade de consumo e das paranóias particulares, não se pode fugir do coletivo nem atravessar o calendário.
Até eu mesma reconheço, sendo tão contra a overdose maternal, de vez em quando é fatal a entrada no clima e sempre acontece um jantarzinho aqui em casa.

O fato consumado é que à meia noite de domingo para segunda vira-se a página e, aleluia!, só daqui a um ano a maluquice recomeça para as  Cinderelas por um dia nas filas dos restaurantes lotados e com a prole puta da vida por ter que participar do mico.

"Falo de cadeira",literalmente,porque já fiz parte da produção de um lance  desses em restaurante de shopping da zona norte do Rio,para assessorar e acompanhar minha filha que era responsável pelo  evento, circulando entre as mães sorteadas pela emissora de rádio.
Assim, matamos dois coelhos de uma só cajadada e pude validar minha nem sempre compreendida  opinião.

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sexta-feira, 12 de maio de 2017

13 de maio- Abolição da Escravidão

 

129 anos da Lei Áurea

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A abolição da Abolição Até o estabelecimento da agroindústria açucareira,do tabaco e do algodão nas Américas,a escravidão era uma consequência das guerras: os vencidos serviam ao vencedor e os seres humanos que excediam as necessidades eram vendidos. A escravidão no continente americano se destacou de todas as outras formas de servidão por ter sido organizada de forma empresarial. Trezentos e sessenta e dois anos (1526-1888) separam o início do tráfico negreiro no Brasil da abolição definitiva da escravatura, no papel e na pena. Vindos de diferentes partes da África, os negros ajudaram a tornar o Brasil uma potência agrária e aqui sofreram toda espécie de dominação e exploração sexual.
Corpos sem alma
Durante a escravidão, os portugueses (e portuguesas) podiam exercer - sem nenhuma censura-qualquer espécie de manifestação de luxúria sobre o corpo dos escravos. O "direito de propriedade" era extensivo às emoções e aos sentimentos dos cativos. O processo foi "aperfeiçoado" com o tempo. Para satisfazer a necessidade de povoar um país tão grande, nada melhor do que a promiscuidade nos navios negreiros. Quando as negras engravidavam, o patrimônio de seus senhores aumentava porque, segundo as leis da época, o senhor não pagava pelo feto no ventre da mãe. Máquinas de fazer sexo O caráter lúbrico da escravidão existia na própria organização hierárquica: para preservar a honra das moças de família - futuras sinhazinhas - os senhores estimulavam a iniciação sexual de seus filhos com as escravas adolescentes.
As esposas brancas eram usadas apenas para reprodução, enquanto as escravas serviam para a satisfação dos verdadeiros desejos. Os mulatos gerados desta violência no calor tropical eram aproveitados na lavoura - 0 trabalho braçal era considerado algo desprezível pelos rapazes brancos. Os homens negros também eram mais atraentes e robustos que os pálidos sinhozinhos e muitas vezes serviam como solução para o problema carencial das sinhás. "CASA GRANDE E SENZALA" "Casa Grande e Senzala" de 1933, o clássico de Gilberto Freyre, é leitura fundamental para explicar o comportamento sexual do brasileiro do tempo da Colônia e do Império. "Nenhuma casa grande do tempo da escravidão quis para si a glória de conservar filhos maricas ou donzelões. O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do senhor - moço. Desejo? não, ordem". Gilberto Freire (1900-1987) conta que, nos mercados, os compradores examinavam a mercadoria (normalmente nua), para ver a dentição,o estado dos pulmões, o tamanho dos órgãos sexuais e a rigidez dos seios das negras. As mulheres brancas, para sublimar o abandono que sofriam dos maridos, costumavam exagerar na dose quando puniam escravos, de preferência as de sexo feminino. Algumas iaiás mandavam cortar mamilos das adolescentes, outras destruíam os dentes perfeitos da raça negra com o salto de suas botinas de couro legítimo, algumas tinham amantes negros.
Continente destruído
A chegada da família real portuguesa fugindo dos exércitos de Napoleão, em 1808, transformou a colônia em centro do Império: os portos se abriram para os navios do mundo, o país cresceu e a demanda por escravos aumentou. Dados estatísticos de 1850 falam de uma população de seis milhões de escravos vivendo no Novo Continente. Historiadores calculam que, dos 12 a 13 milhões de escravos transportados para as Américas, o Brasil recebeu cerca de 3 milhões e meio, dos quais entre 5 e 10 por cento morriam no primeiro ano depois da chegada.  
A repressão ao tráfico negreiro só foi iniciada no século XIX, quando a escravidão atingiu seu auge. Esta irrecuperável perda humana de centenas de gerações foi responsável pela situação de fragilidade em que se encontra,até hoje, o continente africano

Ser escravo no Brasil
Abolido legalmente em 1830, o tráfico só acabou,para valer,em 1850.  
O Rio de Janeiro era o principal ponto de distribuição dos escravos vindos do centro-oeste africano e da África Oriental. Enviados às províncias de Minas Gerais e São Paulo, trabalhavam em mineração e grandes plantações de café, que tomavam o espaço da floresta tropical. Os escravos chegados a Salvador abasteciam a economia, já decadente, do açúcar no Nordeste. A escravidão na produção agrícola foi, sem dúvida, a que sempre interessou os historiadores, mas a escravidão urbana era tão ou mais abominável. Os trabalhos domésticos, a fabricação de vestimentas e de instrumentos de uso diário tornavam muito íntimas escravos e seus senhores A prostituição também era liberada e estimulada nas grandes cidades: muitas escravas sustentavam assim seus senhores que, geralmente, também eram seus amantes. 
Algumas "felizardas" passaram do concubinato da senzala para as pratarias da sala de jantar, como Xica da Silva, cantada em prosa e verso.  
Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares (1655-1695), ícone do movimento negro, foi o pioneiro da resistência e o dia de seu assassinato, 20 de novembro, foi transformado em Dia Nacional da Consciência Negra. Um modelo novo de quilombo surgiu na fase final da escravidão : um esconderijo seguro de onde era possível organizar fugas e que permanecia quase em completo segredo. O Quilombo do Jabaquara, em São Paulo - um dos maiores do Brasil - era mantido por doações de simpatizantes da causa e administrado por Quintino de Lacerda, líder nato e articulador político.



As camélias do Leblon

José de Seixas Magalhães, industrial do ramo de malas de viagem estabelecido na Rua Gonçalves Dias (Centro do Rio), possuía uma chácara no então distante subúrbio à beira mar que se transformou no hoje meu charmoso bairro do Leblon. Na chácara de Seixas, existia uma floricultura onde trabalhavam escravos fugidos cultivando camélias, o símbolo oficial do movimento abolicionista.  
Nota para os leitores cariocas: a floricultura ficava localizada no terreno do Clube Campestre, imediações da rua Timóteo da Costa - Alto Leblon. Seixas, cabeça aberta e moderna, contava com a cumplicidade dos principais líderes da Confederação Abolicionista.  
Senzala vertical  

Ainda hoje existem resquícios da servidão do passado: trabalhadores escravos sustentam donos de terra que mandam matar agentes do INCRA e freiras americanas, o turismo sexual (principalmente nas cidades marítimas) que inclui no pacote uma mulher, geralmente negra, para também fazer o serviço doméstico. Mesmo em tempo de PEC das domésticas,nos apartamentos e casas dos condomínios de luxo, os quartos e banheiros de empregada minúsculos nada mais são que a senzala vertical que tanto surpreende os estrangeiros que aqui chegam.  

As madames, tocando sininho para chamar desajeitadas empregadas uniformizadas de avental e touca-como nas imbecilizantes novelas televisivas,são a versão atual das sinhás moças do passado.
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

D.Pedro quase III

  O que poderia ter sido e não fo  

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"Num ímpeto difuso de quebranto, 
Tudo encetei e nada possuí...
 Hoje, de mim, só resta o desencanto 
Das coisas que beijei mas não vivi... 
 Um pouco mais de sol - e fora brasa, 
Um pouco mais de azul - e fora além. 
Para atingir faltou-me um golpe de asa... 
 Se ao menos eu permanecesse aquém". 

"QUASE" - Mário de Sá-Carneiro  
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 Acabo de reler  o belo livro da historiadora Mary Del Priore "O Príncipe Maldito - Traição e Loucura na Família Imperial" (Editora Objetiva, 312 páginas, 2007)
 Se antes de 13 de maio de 1888 o Império tivesse acertado com os senhores de escravos uma indenização por meio de títulos do Tesouro Nacional, resgatáveis a longo prazo, por exemplo, o Brasil poderia ter tido um terceiro Imperador.  
 D.Pedro Augusto

O que fez o Império desabar como um castelo de cartas foi o caos econômico e social que se instalou após a Abolição.

Como não havia um Código Civil elaborado, os escravos eram - ao mesmo tempo - objetos e pessoas. Pelo Código Penal, deveriam responder pelos seus atos mas, como propriedade privada, podiam ser vendidos, alugados ou trocados.
No livro, Mary del Priore relata histórias de agências de aluguel de escravos, como as de hoje, onde pessoas alugam por dia roupas para festas ou carros para viajar.
 

Os latifundiários, revoltados com a abolição sem indenização apoiaram a República e, também conta a lenda, pagaram para que Deodoro, doente, saísse de casa e atravessasse a rua (morava próximo do Campo de Santana, no centro do Rio, onde se deu o episódio histórico.

0s ex-senhores de escravos se sentiram espoliados e organizaram um movimento para exigir o ressarcimento.

O Conselheiro Ruy Barbosa, continua contando a lenda, mandou queimar toneladas de anuários encontrados no Ministério da Fazenda, com a genealogia e títulos de propriedade de oito gerações de escravos importados para o Brasil, prejudicando igualmente os membros do novo governo, já que também possuíam escravos.

Daí teria surgido a expressão "queima de arquivo".

  ERRO FATAL  

 O pequeno príncipe e seus pais


Rebouças, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e os demais abolicionistas achavam que libertar escravos era medida prioritária, seguida de reforma agrária e entrada dos trabalhadores no processo da oportunidade e da concorrência.


Os quase 800 mil negros agora livres ficaram ao acaso, sem qualquer tipo de apoio: nem escolas, nem hospitais nem um mísero pedaço de terra para que tirassem sustento. A senzala virou um casebre, depois um barraco de favela e, como percebeu meu primo alemão horrorizado, dependências de empregada mesmo em apartamentos de quarto e sala nos dias de hoje.


Os senhores, sem indenização, proprietários de negros chegados depois da Lei Feijó (07.11.1831) tiveram de engolir o despacho de 14.12.1890, aquele que recomendava a queima na sala das caldeiras da Alfândega do Rio e uma inacreditável moção aprovada seis dias depois: "O Congresso Nacional felicita o Governo Provisório por ter ordenado a eliminação nos arquivos nacionais dos vestígios da escravatura no Brasil".


QUEM TERIA SIDO D. PEDRO III 
Da que soubesse como viviam as pessoas "normais", foi matriculado no Colégio Pedro II, onde era tratado como um aluno mais ou menos) comum.

Depois de formado em Engenharia, especializou-se em mineração e escreveu várias obras sobre o assunto.

Até os 1. Pedro III seria Pedro Augusto de Alcântara Augusto Luis Maria Miguel Rafael Gonzaga de Bragança Saxe e Coburgo Gotha, filho primogênito da princesa Leopoldina e de seu marido, Luís Augusto Maria Eudes de Saxe e Coburgo Gotha, nascido no Rio de Janeiro em 19 de março de 1866.




O neto carioca vivia na Áustria, de onde retornou na companhia dos avós aos 5 anos, quando perdeu a mãe.

Veio ser preparado, para suceder a tia, Princesa Isabel, que era estéril.


O irmão Luiz Augusto, que - mais tarde - se tornou oficial da Marinha, o acompanhou. Para dirigir os estudos dos dois netos foi escolhido Manuel Pacheco da Silva, médico, ex-reitor do Externato D. Pedro II e futuro barão de Pacheco.
O preceptor teve que lidar com o fato complicante de D. Pedro Augusto ter como língua materna o alemão. Muito parecido com o avô, teve dele carinhos, atenções e cuidados.

E, por muitos anos era considerado como legítimo sucessor, mas só depois que sua mãe, irmã de Isabel, faleceu, tendo deixado 5 filhos homens. 

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Isabel deu à luz uma menina, Luisa Vitória, que viveu poucas horas. Em 1875, nasce o esperado Príncipe do Grão Pará e, logo em seguida, outro filho homem, com o odiado Gaston, o Conde D'Eu , veio garantir a continuação da dinastia.



HISTÓRIA NÃO OFICIAL


Os bastidores da Família Imperial Brasileira, não ensinados nos bancos escolares e nem constantes da História Oficial, a tornam igual a qualquer família plebéia.


Disputas, conspirações, conflitos de ego, Príncipe moço louro e belo - diziam que parava gente na rua para vê-lo - lutando com a tia Regente e - sobretudo com o tio odiado pelo povo -, conspirando contra eles, sendo estimulado a isso por um grupo de nobres focados em seus próprios interesses.

A tia traiu o desejo expresso no leito de morte pela irmã, para que sempre cuidasse dos sobrinhos e, longe da figura angelical que as biografias traçam, alguns achavam que era invejosa, mesquinha, insegura, dominada pelo marido conde que mais tarde também espoliou os dois (Pedro Augusto e Augustinho) quando vendeu os bens da família real.
E foi ele que embolsou os 5 mil contos que o sogro deposto recusou como indenização para se instalar na Europa. Assinou recibo, inclusive.

Ruy Barbosa, quando advogado dos meninos ficou chocado com as maracutaias orquestradas dentro da família Imperial, sob a batuta do Conde D'Eu, notório explorador dos miseráveis a quem alugava quartos nos cortiços.

 

QUASE

Um grupo de liberais e republicanos desejava fazer a transição da Monarquia para a República, inspirado em Napoleão III, o Imperador Presidente.

Ninguém melhor que Pedro Augusto para encarnar este personagem que evoluiria entre o passado e o futuro. 

Mas numa época sem Prozac, Frontal, Anafranil, Pondera, Rivotril sua insegurança misturada com a depressão profunda própria de quem teve perdas atrapalhou bastante (diagnóstico rápido de Freud, que o visitou: "tristeza").


Perdeu a mãe, a família, a vida dos palácios europeus onde já era tratado como Majestade, herdeiro do trono imperial brasileiro; e viu seu primo Pedro de Alcântara, o ''mão seca'' ocupar um lugar que teoricamente lhe pertencia.
Com a Proclamação da República, o príncipe foi detido no Paço Imperial junto com o restante da família, depois de deixar sua residência, na atual Rua Ibituruna, no bairro da Tijuca.



MENSAGEM NA GARRAFA


O capítulo do livro "Príncipe Maldito" que descreve as últimas horas da família real em terras brasileiras e seu melancólico exílio me esclareceu uma dúvida antiga.
A pomba que foi solta assim que o navio se preparava para sair de nossas águas territoriais tinha vindo da cozinha, com asas cortadas, daí tendo caído ao mar logo em seguida, levando junto a palavra "saudade" escrita num cartãozinho.
 

Depois de ter tentado matar o capitão do navio, os surtos de Pedro Augusto se agravaram durante a viagem para a Europa. E screveu várias mensagens denunciando possível complô para eliminação de toda a família, colocando-as em garrafas. Uma foi dar em Maragogipe, no litoral de Alagoas.
 

Foi mandado para a propriedade de sua família paterna, onde ainda continuou a conspirar, já que havia, no Brasil, clima para a Restauração.

Esteve internado em hospitais psiquiátricos, tendo sido paciente de Sigmund Freud.

Aos vinte e sete anos, tentou o suicídio.
Morreu solteiro, sem filhos, sempre se identificando "Sou o Imperador do Brasil", aos 68 anos, num sanatório em Viena, em julho de 1934.


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