segunda-feira, 9 de março de 2026

Crimes que abalaram o Rio-1 Caso AIDA CURI.Feminicídio, Copacabana,1958 Isso te lembra algo ?



 
Antes do texto sobre este caso que impactou o Brasil, impossível passar batida nos fatos acontecidos ,recentemente, aqui no Rio : crime ocorrido em 31 de janeiro de 2026 chocou o país e gerou mobilizações nacionais.

Uma adolescente de 17 anos (mesma idade de Aida Curi em 1958) foi atraída a um apartamento em Copacabana por um ex-namorado e submetida a um estupro coletivo que durou cerca de uma hora.Quatro adultos tornaram-se réus e estão presos, incluindo o filho de um ex-subsecretário de estado. 
Um adolescente de 17 anos, apontado como mentor, responde por ato infracional.
 relataram terem sido vítimas do mesmo grupo, revelando um padrão de comportamentos. 
A gravidade do crime motivou manifestações em Copacabanaontem, 
no Dia Internacional da Mulher (8 de março de 2026).

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Seguinte ao crime,foi liberado o texto do exame cadavérico” equimoses, escoriações e vestígios evidentes de sevícias diversas, foi colhida e distendida em lâmina, para pesquisa de espermatozóide substância retirada dos condutos vaginal e ano-retal (fls. 60 v ) assim como foram examinados fragmentos de tecido de malha de cor negra.
 No dia primeiro de agosto os médicos legistas deram as conclusões das pesquisas : Negativo.(fls. 172”) ou seja: Aída morreu virgem

Suicídio? Homicídio?
O porteiro informou que “no mesmo insstante em que a moça entrou no prédio…caiu”
Quantos mais estariam esperando para participar dos ‘encontros amorosos” dos amigos?
Aída já estaria morta quando foi jogada do 12º andar ou apenas desmaiada?

O perito criminal Seraphim da Silva Pimentel excluiu a hipótese de suicídio.
Mais tarde, foi “afastado do processo e substituído por alguém ligado à família de um dos implicados”

Muitos fatos permaneceram sem explicação :os ferimentos profundos no seio e a não-apresentação das suéteres usadas pelos assassinos durante a luta com a vítima

Um dos agressores era enteado de alta patente das forças armadas e facilitou a fuga do porteiro, que ficou foragido até o crime ser prescrito.

Acobertada pelas mesmas pessoas influentes ,segundo a família,a estratégia foi deixar recair toda a culpa sobre o agressor menor de idade.

O Promotor Maurílio Bruno de Oliveira Firmo, que atuou no caso, falou de “um mar de lama” devido `a impronúncia dos réus por um dos juízes , após a condenação a grande pena pelo Tribunal do Juri, presidido pelo juiz Octávio Pinto.

Grande revolta popular fez com que o Curador João Baptista Cordeiro Guerra declarasse nula a Impronúncia.

Em novo juri,um dos implicados foi finalmente condenado a 8 anos de prisão e o enquanto o segundo não foi julgado por estar foragido.

Em 1975, dois anos antes de morrer,a mãe de Aída num lindo gesto de grandeza humana perdoou todos os assassinos, em nome de seus quatro filhos, Nelson, Roberto, Maurício e Waldir.
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Texto publicado no blog "Casos de Justiça" em 26/7/2004

casosparafina2004.zip.net

"Foi na tarde de 14 de julho de 1958 que Aída conheceu Ronaldo após sair do curso de datilografia em Copacabana com a amiga Ione Arruda Gomes. A conversa de "malandro" do Ronaldo funcionou. 
Ele dissera que levaria Aída na casa de um amigo para ela ter uma melhor visão da praia (Copacabana). 
Já que o amigo não encontrava-se no apartamento os dois desceram a rua Aires Saldanha que localiza-se atrás da avenida Atlântica, onde encontraram um amigo de Ronaldo chamado Monoel Antônio da Silva Costa.

Rapidamente, Ronaldo afastou-se de Aída e perguntou a Manoel sobre Cácio Murillo Ferreira da Silva que era parente do síndico de um prédio próximo. 
Geralmente Cácio emprestava as chaves de um terraço para onde os rapazes levavam as meninas para namorar.
 Manoel pediu a Cácio a chave e obteve como resposta :sim (Cácio emprestou-a). Devido à inocência de Aída, ela não fazia idéia do que estava para acontecer.
Ela subiu com Ronaldo pelo elevador social do prédio, mas logo desceram, pois as chaves que foram emprestadas por Cácio só abriam pelos fundos do edifício. 
Ao descerem Aída e Ronaldo encontraram Cácio no andar térreo do edício. 
Cácio levou-os até o último andar, 12º, em seguida subiram uma escada para a cobertura. Logo em seguida ele apagou o isqueiro que usou para guiá-los até a cobertura escura e fingiu descer as escadas novamente. 
O rapaz apertou o botão para o térreo, mas não foi, pelo contrário, ele escondeu-se em um canto para observá-los. 
Era senha para que o porteiro Antônio João de Souza subir à cobertura.
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Caso Aída Curi
Noite de 14 de julho de 1958,Avenida Atlântica,Copacabana,Rio
Um corpo que cai

 AÍDA JACOB CURI ,filha de Gattás Assad Curi (falecido na época do crime)e de D.Jamila Jacob Curi, imigrantes vindos de Saydnaya, na Síria,nasceu em Belo Horizonte e tinha quatro irmãos.

Ao ficar viúva, D.Jamila veio morar no Riachuelo ,bairro da zona norte do Rio. 
 Aída estudou como interna num colégio de freiras espanholas do bairro,o Educandário Gonçalves de Araújo

Aos 17 anos,saída do colégio,estava se preparando para começar a trabalhar , fazendo um curso de datilografia na Escola Remington,filial Copacabana,na Rua Miguel Lemos.

Ali ,havia um grupo de rapazes das chamadas “melhores famílias”,a "Turma da Miguel Lemos”, já bem conhecida por suas façanhas, entre elas ter ateado fogo a um morador em situação de rua que dormia,mas o caso foi abafado,sem registro policial.

A abordagem

Aída e uma colega de curso(de 36 anos), esperando ônibus para voltar à casa, foram abordadas por 4 jovens, entre 16 e 22 anos.

Um deles, tomou seu estojo com os óculos e, em seguida, sua bolsa.
A moça se recusa também a beijar o desconhecido,condição para que os objetos fossem devolvidos.

Segundo os autos do processo(”( fls. 516), a colega se afastou e Aída tentou recuperar seus pertences, seguindo os rapazes já perto da porta do Edifício Rio Nobre.

Lembro ao leitor que o Túnel Rebouças, que une as zona norte e sul da cidade, só foi construído na década de 70,assim sendo, havia anos-luz de distância entre um jovem da praia de Copacabana e uma menina do Riachuelo. 

A “curra”(violação sexual) era prática não muito rara.

A violência física começou no hall social ,com a facilitação do porteiro do prédio ( com 27 anos,na época).
Duas testemunhas. que preferiram o anonimato. declararam ter ouvido gritos dentro do elevador.

Chegando ao 12º andar,os jovens entram no apartamento 1201, ainda em construção,sem luz e com entulho da obra.

Aída começou a ser agredida ,tropeçou nas esquadrias de madeira(fls 241 do processo) e desmaiou após lutar com os agressores.
Foi levada à cobertura, colocada sobre o peitoril e jogada.

Momentos depois, surgiram ,ao lado do cadáver,os objetos (bolsa,óculos,etc) .

A anágua (espécie de saia engomada para “armar” a vestimenta) e o soutien estavam rasgados.(fls 363 dos autos.)
Durante o processo,os réus declararam que Aída disse poucas palavras:
"Me deixem ir embora" e "Eu sou virgem".

No dia
Copacabana à época do crime
"Enquanto a jovem Aída deslumbrava-se com a vista, Ronaldo tentou agarrá-la, ela lutou e deixou-o mais agressivo. Os outros dois outros, Cácio e Antônio ajudaram Ronaldo a espancá-la. 
Os três arrancaram a saia de Aída e tentaram estuprá-la. Aída continuou resistindo até desfalecer (desmaiar).
Então ,os três decidiram fazer uma simulação de suicídio, porque pensaram que ela estava morta. 
Jogaram-na da cobertura do edifício. O corpo dela chegou ao solo em menos de 3 segundos.
Após o crime, Ronaldo foi submetido a três julgamentos, até ter sua pena definitiva fixada em oito anos e nove meses de prisão por homicídio e tentativa de estupro. 
O porteiro Antônio foi absolvido após o segundo julgamento e fugiu. 
Cácio, que era menor de idade na época do crime, foi encaminhado ao Serviço de Assistência ao Menor. 
O assassinato de Aída Curi ficou marcado como o acontecimento 
que representou o fim da inocência do bairro de Copacabana."

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sábado, 7 de março de 2026

8 de março -Dia Internacional da Mulher.

  


  

 

Acrescento dados obtidos em pesquisas na internet para complementar e atualizar o meu texto original:

"Embora a data foque na luta histórica das 

mulheres, organizações de direitos humanos 

destacam que mulheres lésbicas, bissexuais e 

trans enfrentam camadas adicionais de 

preconceito, conhecidas como lesbofobia e transfobia.
 Cenário da Violência no Brasil
  • Crescimento Geral: O Brasil registrou um 
  • aumento de quase 40% na violência contra a 
  • população LGBTQIA+ em períodos recentes. 
  • Em 2024, o país teve quase 300 mortes 
  • violentas motivadas por LGBTfobia, uma alta 
  • de 8% em relação ao ano anterior.

  • Violência de Gênero: Em 2025, a média de feminicídios chegou a quatro mulheres mortas 
  • por dia no Brasil, reforçando a urgência de políticas de proteção integradas.

  • Invisibilidade: Durante o 8 de março, 
  • movimentos sociais denunciam que a violência 
  • contra mulheres que não seguem padrões 
  • heteronormativos é muitas vezes silenciada ou subnotificada.
Proteção Legal e Datas de Conscientização
Para combater essa realidade, o Brasil conta 

com marcos legais e datas específicas de   

mobilização"

AGORA, ABAIXO,MEU TEXTO













  











 


 

O livro Meninas Alfa (Alpha Girls- Barnes Noble

 

/2006),de Dan Kindlon,  psicólogo e professor da

 

Faculdade de Saúde Pública  da Universidade  

deHarvard, traz para o feminino uma figura usada

 

na biologia animal: o "macho alfa"- o líder,o mais forte

 

do grupo,o que coleta mais alimentos e ganha as

 

melhores fêmeas.



Kindlon, ele mesmo pai de duas adolescentes, reuniu entrevistas, estudos e estatísticas sobre a nova geração de meninas americanas, com idade entre 15 e 20 anos e tem certeza de que elas estão prontas para enfrentar o mundo.

*O filósofo francês Gilles Lipovetsky, autor de “A terceira Mulher (Companhia das Letras)” acha que "nenhuma transformação social de nossos tempos foi tão profunda, rápida e rica de possibilidades futuras quanto a emancipação feminina".
E completa: "a situação presente é marcada por tal defasagem entre as qualificações das mulheres e sua posição hierárquica que a pressão para o topo é quase inevitável". 
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A Lei número 11.340, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula em 7 de agosto de 2006, ficou conhecida como Lei Maria da Penha - uma homenagem à garra e coragem da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes ,que foi espancada pelo marido durante anos, até ficar paralítica.

A lei alterou o Código Penal Brasileiro e determinou que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada.

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No entanto,as teses de Kindlon e Lipovetsky e mais todas as conquistas e avanços continuados em seis séculos de militância feminista não conseguiram impedir, até hoje, o sacrifício de nossas irmãs nigerianas mutiladas na genitália para que não sintam prazer sexual. 

Nem que, segundo a lei islâmica denominada Sharia (Shari'ah ou Charia) e com o aval de um tribunal religioso, uma mulher considerada adúltera tenha sido condenada a ser enterrada até o pescoço (ou as axilas) e apedrejada até a morte pelos vizinhos e parentes da parte que se julga ofendida.

Uma campanha internacional capitaneada pela Anistia Internacional, da qual tive a honra de participar,reverteu essa barbaridade.
Sakineh Mohammadi Ashtiani. confessou sob tortura,foi condenada a 90 açoites por relacionamento sexual ilegítimo, sendo viúva. 

Depois, veio a sentença de morte por apedrejamento.
  Sakineh continua viva por conta da militância dos direitos humanos com o apoio da comunidade internacional,mas até quando?
Muitas outras iranianas esperam sua vez de morrer.
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Cronologia do desejo de igualdade
1405 - Cristine de Pisan - viúva e mãe de 3 filhos, considerada pelas feministas como a primeira mulher a protestar de forma veemente contra o preconceito e descriminação - escreveu o livro "La Cité des Dames". A obra tentava reformular, em pleno século XV, o papel da mulher na sociedade.

1789 - A revolução francesa trouxe como novidade o uso das palavras "cidadão" e "cidadã" para simbolizar a igualdade.

1866 - Inspirado pelo economista John Stuart Mill, o feminismo se manifestou na Inglaterra através de ações de impacto (e muitas vezes agressivas) para a obtenção do direito de voto.

1899 - Nos Estados Unidos, algumas senhoras pertencentes a grupos anti-escravagistas participaram da primeira convenção pelos Direitos das Mulheres no estado de New York e formaram a primeira associação oficial de mulheres (International Council of Women).

*1903 - Emmeline Pankhurst fundou a União Feminina, Social e Política, cujas militantes, que atuaram até o início da Primeira Guerra, ficaram conhecidas como suffragettes.

Agosto de 1910 - Por iniciativa da jornalista alemã Clara Zetkin, mulheres de 17 nacionalidades reuniram-se em Copenhagen com o objetivo de criar um "Dia Internacional da Mulher, aglutinando assim os esforços na luta para obtenção do direito do voto feminino.

25 de Março de 1911 - Ocorreu a tragédia da fábrica de camisas Triangle, em Washington Place, Nova York. 
Cento e trinta e nove trabalhadoras, jovens imigrantes italianas e judias, morreram devido à falta de segurança nas instalações. 

Este fato dramático passou a fazer parte do imaginário coletivo e é sempre relembrado, desde que o Dia Internacional da Mulher foi oficialmente fixado em 8 de Março, pela Assembléia Geral da ONU, a partir de 1975.

1923 - O Japão, numa atitude simbólica, mas impactante, abriu as portas de suas academias de artes marciais às mulheres.

1960 - Surge o Novo Feminismo, congregando as militantes nas lutas dos negros norte-americanos pelos direitos civis e as do movimento contra a Guerra do Vietnã. A americana Betty Friedan funda a NOW (National Organization for Women), de onde se origina o Movimento de Liberação da Mulher.


1985 - É instalada a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São Paulo. Rapidamente, outras são implantadas em vários Estados brasileiros e a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei no. 7353, que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

*1988 - Mulheres brasileiras representadas por diversas feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, obtêm um importante avanço: através do "Lobby do Batom" é feita uma emenda na Constituição Federal, garantindo igualdade a todos os brasileiros e brasileiras perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

*1995 - O Congresso Nacional incluiu o sistema de cotas na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos políticos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres em suas chapas proporcionais (Lei nº 9.100/95 - § 3º, art. 11).
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Dr.Nelson Carneiro e a Lei do Divórcio

O grande responsável pela mudança do status feminino no Brasil foi um homem: o Dr.Nelson Carneiro (1910-1996-foto). 

Advogado especializado em Direito de Família que, comovido com as tragédias pessoais de suas clientes, dedicou sua vida a reverter este quadro.
É o autor de todas as leis que apoiam as mulheres brasileiras, inclusive a Lei do Divórcio e a que beneficia a companheira.
Cumpriu 3 mandatos de Deputado Federal e 3 de Senador, em 50 anos ininterruptos de vida pública honesta e limpa.
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Da solitária sonhadora Christine de Pisan na Idade Média à mais radical militante século do século 21 e às nascentes Mulheres-Alfa, todas expressam uma vontade comum de mudar a vida em geral e suas vidas em particular, redefinindo com consciência os fundamentos culturais e políticos da sociedade.
E termino com o que a revista The Economist publicou: "Esqueça a China, a Índia ou a internet. O mais poderoso motor do crescimento global são as mulheres".
Adoramos homenagens, mas continuamos desejando merecer respeito.
Parabéns para todas nós.
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