terça-feira, 7 de julho de 2026

Fernando Pessoa. um pequeno ensaio

IMAGEM GERADA PELA Inteligência Artificial GEMINI
.   
 
O centésimo post de meu blog, publicado em 2008. Este é o número1116.


************************************************



Dedico o texto abaixo à saudosa memória do Professor Catedrático da UFRJ José Carlos Lisboa,Mestre e Paraninfo, que me abriu as portas do universo pessoano.
O Professor Lisboa honrou-com sua generosidade,senso de justiça e bom caráter- a delicada missão de ensinar.

*******************


"O amor é que é essencial.O sexo é só um acidente.Pode ser igual ou diferente"

Três séculos e meio separam os maiores poetas da literatura portuguesa – o renascentista Luís de Camões (1524-1580) e Fernando Pessoa (1888-1935), introdutor do Modernismo em Portugal.

No entanto, a magnitude de suas obras lhes reservou um repouso comum no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa. 
Não existem indícios comprovados da sexualidade de Pessoa,apesar de ter escrito belos poemas homoeróticos em inglês, sua segunda língua. 
Jamais se casou embora tenha mantido um único romance epistolar em duas etapas: dois beijos em oito meses e, dez anos depois, alguns telefonemas durante 3 meses.

Frequentava o círculo transgressor, composto pelos amigos literatos e artistas e deixou 25.543 textos manuscritos e datilografados. 
Desde criança inventava alter-egos - os heterônimos - cada um com uma história pessoal e personalidade definida. 
Todos os heterônimos (oitenta e seis) possuíam um mapa astral feito pelo próprio Pessoa que, em virtude de dificuldades financeiras, chegou a pensar em ganhar a vida como astrólogo.
Em 1928, trabalhando como redator em propaganda, fez polêmica campanha de lançamento da Coca Cola, responsável pela interdição do produto em Portugal.
******************
Fernando Antonio Nogueira Pessoa, filho de Joaquim de Seabra Pessoa e de Maria Madalena Pinheiro Nogueira nasceu e morreu em Lisboa.

Órfão de pai aos 5, tendo a mãe se casado outra vez, em 1895, com João Miguel Rosa, consul português em Durban. 
A nova família mudou-se para a África do Sul onde nasceram seus outros irmãos e irmãs.
Ali, surgiram o primeiro heterônimo (Chevalier de Pas) e o primeiro poema, dedicado à mãe.
Toda sua formação básica foi em inglês, influenciada por Shakespeare e John Milton. 

Aos 17 anos,Pessoa voltou definitivamente para Portugal para ingressar na Universidade, mas, uma greve dos universitários, encerrou suas ambições. 
Nunca foi além de Sintra e Cascais, nos arredores de Lisboa, e fez apenas uma única viagem ao interior de seu país. 
Em 1908, começou a trabalhar para firmas comerciais como correspondente e alugou um quarto para morar sozinho.
A Editora Ibis
A morte da avó paterna lhe rendeu uma pequena soma em dinheiro que foi aplicada num projeto malogrado: a Editora Ibis. Tinha 20 anos e já estava falido.

Entre 1912 e 1915, quando o Modernismo dava seus primeiros passos em Portugal, o poeta era crítico literário das revistas 'Águia' - que fazia a apologia da Renascença Portuguesa - e 'Orpheu' - que congregava o grupo artístico mais importante da época: Alfredo Pedro Guisado, Armando Cortes Rodrigues, Mario de Sá Carneiro, Santa Rita Pintor, José Pacheco e Almada Negreiros, entre outros

Em 1918, a publicação do longo poema 'Antinous' (no mais refinado inglês) juntamente com os 35 Sonnets provocou questionamentos sobre sua sexualidade.
Escândalo nas Letras

Um verdadeiro escândalo foi desencadeado em 1915 com a publicação de O Marinheiro e Chuva Oblíqua e, como Alvaro de Campos, da Ode Triunfal e Ode Marítima, poesias consideradas homoeróticas.

Com apenas dois números publicados, a 'Revista Orpheu' fez o Modernismo chegar a Portugal e agitou a opinião pública durante meses. 
Nesta época, Pessoa estreita as relações com aquele que foi seu maior amigo: Mario de Sá Carneiro, que logo viajaria para estudar na Sorbonne, em Paris

A mínima convivência era compensada por uma frenética troca de correspondência. Pouco tempo depois, Sá Carneiro se suicidou, deixando um bilhete de adeus para o amigo.

Heterônimos
O gênio multifacetado de Pessoa já havia criado alguns heterônimos fixos:

*Álvaro de Campos, engenheiro naval e poeta modernista, autor da Ode Marítima, Tabacaria e dos mais chocantes poemas de Pessoa

*Ricardo Reis,um médico monarquista e conservador exilado no Brasil que 'morreu' em 1919, autor de pequenas odes

* Alberto Caeiro, falso naïf e anti - intelectual, que escrevia sobre as coisas óbvias da vida 

*Bernardo Soares,contabilista,autor do Livro do Desassossego, mistura de aforismos, ensaios, sonhos e ficção que, publicado 50 anos depois de sua morte, trouxe-lhe a definitiva consagração mundial.

Estes alter-egos continuam sendo estudados por alguns psicanalistas, que os consideram 'manifestação esquizofrênica'. Mas, por outro lado, lindamente arrumada em formato de arte.

*****
A saudade da convivência com Sá Carneiro e o fechamento da revista Orpheu mergulharam Pessoa na maior solidão de sua vida. 

Durante o dia trabalhava como modesto escriturário e tradutor, à noite bebia e fazia poesia publicada em algumas revistas literárias, mas sem a menor repercussão.

Ophelia

Neste deserto de emoção apareceu uma brisa, na forma de primeira e única mulher que povoou sua vida sentimental - Ophelia Queiroz, 19 anos, igualmente funcionária do comércio. 
O romance, na primeira fase, durou poucos meses e, nas cartas,Pessoa começava a tratá-la como uma criancinha. 

Todos os críticos e estudiosos estão de acordo que este tom infantil não é inocente. Ophelia entra no jogo da 'infantilidade perversa' e da dupla personalidade, recebendo e respondendo cartas em que Álvaro de Campos a adverte que Fernando Pessoa não deveria ser levado a sério.

A mudança de Ophelia para o outro lado da Cidade, a morte do padrasto e a volta da mãe para Lisboa somados ao estado dos nervos do poeta, que se reconhece muito doente, arrefecem o pequeno entusiasmo que impulsionava a relação e, em 29 de novembro de 1920, uma lúcida e cruel mensagem encerra o namoro.

Estranho amor
Dez anos depois aconteceu uma retomada, agora usando também o recurso da voz: já existiam telefones em Portugal.

A última carta de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz é datada de 𝟏𝟏 𝐝𝐞 𝐣𝐚𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟑𝟎, marcando o fim da segunda e última fase da sua relação amorosa.
Nesta carta, Pessoa junta o 𝑃𝑜𝑒𝑚𝑎 𝑃𝑖𝑎𝑙, depois de obtida a devida autorização de Álvaro de Campos, o heterônimo que se intrometeu no seu namoro com Ofélia.

Bebé:
Obtida a devida autorização do snr. eng. Álvaro de Campos, mando-lhe o poema que escrevi entre as estações da Casa Branca e Barreiro A, terminando a inspiração, entretanto, na Moita.
Este poema deve ser lido de noite e num quarto sem luz. Também, devidamente aproveitado, serve para fazer papelotes para as bonecas de trapo, para tapar as fechaduras contra o frio, os olhares e as chaves, e para tirar medidas para sapatos a pés que não tenham mais comprimento que o papel.
Creio que estão feitas todas as recomendações para o uso. Não é preciso agitar antes de usar.
Até logo. Ibis

************
 
 Pessoa faleceu em 1935 e foi inicialmente sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. 
Seus restos mortais estiveram no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, ao lado do túmulo de Camões. ´

"A grande mudança ocorreu precisamente 50 anos após a sua morte, em 1985. Foi nesse ano que o escultor português Lagoa Henriques projetou o monumento funerário que receberia os restos mortais. 

Embora o monumento tenha sido concebido e o processo iniciado em 1985 para marcar o cinquentenário de sua morte, a cerimônia oficial de traslado para o seu destino final acabou ocorrendo em 13 de junho de 1988, data exata do centenário de nascimento do poeta. "( fonte IA GEMINI
***************************************

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Festas Juninas e tradições. Texto 2˜

Imagem gerada por Inteligência Artificial

 
 Aqui abaixo, o texto do Padre Londoño Norbayro, P.S.S. 
A sigla P.S.S. refere-se à Companhia de São Sulpício (Sulpicianos), uma sociedade de vida apostólica focada na formação de padres.
***********************************


Os feriados em junho têm o poder mágico de reavivar as velhas tradições, para fortalecer nossos laços originais e recriar no presente, o caminho de nossos antepassados.  

Aliado ao magnífico espetáculo que a natureza nos oferece,  se tornaram um produto turístico mais atraente;  criam postos de trabalho que contribuem para o rápido crescimento da área onde  ocorrem.

O mês de junho, o tempo do solstício de verão na Europa, tornou-se o motivo dos ritos dq fertilidade necessária para o crescimento da vegetação, a abundância da colheita e mais chuva. 
 Esses rituais eram praticados em muitas culturas diferentes em todos os momentos e em todas as regiões do planeta.  
Mesmo a "era cristã" não conseguiu fazê-los desaparecer.  

A Igreja Católica, de forma inteligente, ao invés de condená-los, adaptou-os para a celebração da Festa de São João, que nasceu 24 de junho, o dia do solstício. 

Também sobreviveram desde tempos imemoriais, os costumes de acender fogueiras e tochas que permitiram a libertação de plantas e colheitas dos espíritos malignos que- acreditavam- poderiam dificultar a fertilidade.  

Os fogos de São João,  acesos na noite de 23 de junho, imedi
atamente antes da colheita,  eram em honra dos deuses para lhes agradecer por sua bondade, ou imediatamente depois, para purificar a terra. 

  
Em muitas cidades no nordeste do Brasil, onde essas tradições têm mais influência,  dizem que  verdade, o fogo está diretamente relacionada com o nascimento de São João Batista  

Segundo relatos, no passado,  grandes distâncias separavam as cidades e aldeias e luzes anunciavam as boas novas,como nascimentos

Zacarias, pai do Santo,acendeu uma fogueira para comunicar  aos parentes mais próximos a grande alegria do casal.
***
 


As festas juninas começam  a 13 de junho, dia de Santo Antonio. Este santo português nasceu em 1195,  foi membro da ordem franciscana, e morreu em Pádua, Itália, com a idade de 36 anos.  

Amplamente reverenciado no Brasil no início do século XX, tornou-se o padroeiro do Exército brasileiro.  

Na cultura popular,  é um santo casamenteiro, atendendo às promessas e orações de meninas que querem se casar. 
As festas em sua homenagem incluem   canto, peregrinações e procissões em todo o país, além de muitas crenças e superstições.
 *******************************
 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Festas juninas. Texto 1 Quadrilha


Imagem gerada pela Inteligência Artificial


 "O Solstício de Verão: Por volta do dia 21 de junho, diversos povos antigos da Europa — como os celtas, nórdicos, eslavos e romanos — celebravam o solstício de verão, que marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano. Era um momento místico, dedicado a honrar a força do sol e a vitalidade do planeta.

O Fogo como Símbolo de Poder: O elemento central dessas festividades era, indiscutivelmente, o fogo. As fogueiras, que até hoje aquecem e iluminam nossos arraiais, eram acesas com propósitos mágicos: acreditava-se que elas espantavam maus espíritos, afastavam pragas e purificavam as energias da comunidade.

A Celebração da Colheita e Fertilidade: Essas festas camponesas marcavam a transição das estações e o início do período de colheitas."

*************************************************


 

Quadrilha: grande momento das festas juninas

O que é, origem e principais características

A quadrilha é uma dança tradicional das festas juninas ,uma dança coletiva, que conta com a participação de vários casais vestidos com roupas caipiras. 

A dança é embalada ao som de músicas instrumentais típicas do interior do Brasil. A quadrilha é dirigida pela narração de uma pessoa (marcador), que faz brincadeiras e conduz os casais em cada momento.

De acordo com historiados e pesquisadores da cultura popular, a quadrilha surgiu na França do século XVIII. 

Principalmente em Paris ocorriam danças coletivas, formadas geralmente por quatro casais, que tinham o nome de quadrille. Estas danças ocorriam em grandes salões palacianos e contavam com a participação exclusivamente de membros da aristocracia francesa.

A quadrilha chegou ao Brasil no final da década de 1820 e, assim como em seu país de origem, foi muito comum entre as classes sociais mais ricas da sociedade brasileira da época (principalmente entre os integrantes da corte brasileira residente no Rio de Janeiro). 

Foi somente no final do século XIX que a quadrilha se popularizou e tornou-se comum entre as camadas populares da sociedade. Porém, ao tornar-se popular, agregou diversos elementos culturais populares, principalmente os relacionados às tradições e modo de vida no campo. Ganhou também, neste momento, um caráter mais divertido, com pitadas de momentos descontraídos e engraçados.

A partir do início do século XX, as quadrilhas se espalharam por várias regiões do Brasil, sendo até hoje muito populares tanto nas cidades do interior quanto nas grandes capitais.  A beleza desta dança está justamente nestes aspectos populares e culturais múltiplos e diversos, que enchem a dança de cores, músicas e ricos elementos culturais.

Quadrilha junina na atualidade

Atualmente as quadrilha  são o ponto alto das festas juninas brasileiras. Ocorrem, principalmente, em escolas, empresas, clubes e associações culturais. Os locais  são enfeitados com bandeirinhas e balões, símbolos típicos das festas juninas. 

Em áreas abertas, a fogueira também costuma estar presente.

Os dançarinos se vestem com roupas caipiras antigas. As mulheres (damas) fazem maquiagem e os homens (cavalheiros) pintam bigodes e cavanhaques. O chapéu de palha também é um adereço quase que obrigatório para os dançarinos da quadrilha.

A temática mais comum nas quadrilhas atuais é a do casamento a moda antiga das áreas interioranas do Brasil. Com um tom cheio de comédia e marcado por exageros, o noivo é praticamente obrigado a casar com a noiva, sob a pressão do pai dela e do delegado da cidade"
***********
Existe vasto repertório de músicas juninas,mas a que me parece mais inspirada e delicada é

Noite fria de junho (Braguinha)
https://www.youtube.com/watch?v=qiSE1h2IcA

" os balões devem ser ,com certeza, as estrelas daqui deste mundo e as estrelas do espaço profundo são os balões lá do céu"  Lindo !


quarta-feira, 24 de junho de 2026

Escala Richter e o recente terremoto da Venezuela


 Um terremoto de cerca de 7 graus de magnitude libera a mesma energia que 47 bombas atômicas similares a que destruiu Hiroshima ,em 1945, ou a explosão de 946425 toneladas de TNT.

**************


A escala Richter  e a medição da magnitude de um terremoto





Charles Francis Richter (1900 — 1985) foi o sismólogo americano deu nome à escala que mede a magnitude dos terremotos .
Este trabalho foi desenvolvido em colaboração com Beno Gutenberg,em 1935.
RICHTER


A dupla trabalhava no California Institute of Technology (Caltech) e
apresentou a escala medindo a amplitude dos terremotos ocorridos a cerca
de 100 quilômetros, com um sismógrafo do tipo Wood-Anderson.

Esta medição só é confiável em curtas distâncias e,atualmente, se chama "magnitude local."
Em1936, Gutenberg e Richter (foto acima)trouxeram um novo conceito de magnitude,baseado nas ondas de superfície,para distâncias chamadas telesísimicas -distâncias superiores a um ângulo de 30 graus e por um período de 20 segundos.
Desenvolvida por Beno Gutenberg em 1945, esta magnitude é usada até hoje,com a abreviação MS.
Em 1954 e 1956,Richter publicou textos que se tornaram referência no estudo da sismologia.
*************************************

"A escala Richter aumenta de forma logarítimica, de maneira que cada ponto
de aumento significa um aumento 10 vezes maior.

No entanto, é importante


salientar que o que aumenta é a


amplitude das



ondas sismográficas e, não, a

energia liberada.

Em termos gerais, a energia de um terremoto aumentaria um fator 33 para cada grau de magnitude, ou aproximadamente 1000 vezes a cada duas unidades'.
( Fonte Wikipedia)
MagEscala Richter e efeitos associados
1Não é sentido pelas pessoas. Só os sismógrafos registram
2É sentido nos andares mais altos dos edifícios
3Lustres podem balançar. A vibração é igual à de um caminhão passando
3.5Carros parados balançam, peças feitas em louça vibram e fazem barulho
4.5Pode acordar as pessoas que estão dormindo, abrir portas, parar relógios de pêndulos e cair reboco de paredes
5É percebido por todos. As pessoas caminham com dificuldades, livros caem de estantes; os móveis podem ficar virados
5.5As pessoas têm dificuldades de caminhar, as paredes racham, louças quebram
6.5Difícil dirigir automóveis, forros desabam, casas de madeira são arrancadas de fundações. Algumas paredes caem
7Pânico geral, danos nas fundações dos prédios, encanamentos se rompem, fendas no chão, danos em represas e queda de pontes.
7.5Maioria dos prédios desaba, grandes deslizamentos de terra, rios transbordam, represas e diques são destruídos
8.5Trilhos retorcidos nas estradas de ferro, tubulações de água e esgoto totalmente destruídas
9Destruição total. Grandes pedaços de rocha são deslocados, objetos são lançados no ar

A escala Richter é uma escala infinita ou aberta, podendo inclusive
apresentar números negativos.

No entanto, as forças naturais envolvidas
limitam o topo da escala em,aproximadamente. 10.
Teoricamente, não existe
energia em um
terremoto capaz de superar esta marca.
************

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Maracanazo. 16 de julho 1950. Brasil x Uruguai Final da Copa

 

A Memória e a Máquina

O texto que vocês vão ler  nasceu de um exercício inédito para mim.  

Tenho uma memória fotográfica (também)dos meus tempos de menina no Rio Comprido, mas queria traduzir o exato compasso entre o fato cru daquele dia e a emoção inocente da minha infância. 

Para isso, usei a Inteligência Artificial, não para criar a história - porque os fatos são rigorosamente meus, mas como uma assistente de revelação fotográfica.

 Entreguei os elementos reais: o dia 16 de julho de 1950, o bolo intocado da festa da prima , a ausência dos convidados que foram ao Maracanã e o fato do zagueiro e capitão da seleção ser meu vizinho de bairro. 

A tecnologia me ajudou a limpar os excessos e a moldar as palavras para que a emoção daquela tarde de silêncio ganhasse a luz exata.

 O resultado dessa parceria entre a mente humana e os algoritmos é a crônica a seguir.

          ************************************* 

 Enquanto o Brasil ia ao Maracanã

 

Uruguai 2x 1        

Começo contando que o Maracanã quase não existiu naquele local.

Na primeira Copa após o fim da Segunda Guerra Mundial, o debate na Câmara dos Vereadores era feroz. 

De um lado, Carlos Lacerda denunciava o projeto, dizendo que gastar aquela fortuna em um estádio num terreno caríssimo era um absurdo, apelidando a obra de "monumento à demagogia". 

Ele sugeria que a construção fosse em Jacarepaguá — que, na época, era considerada o "fim do mundo" em distância para muitos cariocas.

Do outro lado, Mário Filho usava as páginas cor de rosa do seu Jornal dos Sports (e as em preto e branco de outros veículos de comunicação) para convencer a opinião pública de que o subúrbio e o povo mereciam aquele templo. 

Foi uma verdadeira guerra de discursos, quase um Fla-Flu político antes mesmo da bola rolar.

Curiosidade: O próprio Mário Filho foi quem  


popularizou o termo "Fla-Flu" para dar mais emoção ao clássico. Após a sua morte, o estádio foi batizado oficialmente com o  seu nome.

****** 

Mário Leite Rodrigues Filho (foto) foi jornalista, cronista esportivo e escritor — e irmão do também genial Nelson Rodrigues. Até hoje, ele é considerado o maior jornalista esportivo que o Brasil já teve.

A construção do Maracanã envolveu  milhares de operários, que trabalhavamem ritmo de urgência para finalizar a grandiosa obra a tempo para a Copa do Mundo de 1950. 

Em alguns momentos, o canteiro de obras chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas entre engenheiros, operários e demais profissionais. 

As obras começaram em 2 de agosto de 1948, no antigo terreno do Derby Club (o antigo hipódromo), no bairro da Tijuca, zona norte do Rio. 

O objetivo era levantar o maior estádio do mundo, com uma capacidade original projetada para cerca de 200 mil pessoas. 
A estrutura foi inaugurada em 16 de junho de 1950 e,  após várias reformas , o estádio  pode receber ,hoje, 78.838 pessoas. 

         ****************

  

Aqui, uma pequena amostra do clima de já ganhou .

https://canalcurta.tv.br/filme/?name=barbosa

Neste curta, de 1988,um homem (Antonio Fagundes )viaja no tempo para impedir que a derrota aconteça.  

Ele se posiciona atras do gol de Barbosa e vai narrando os lances. Ao chegar o momento fatidico do 2a 1, ao ver Ghigia se aproximando para marcar, grita "BARBOSA !",o goleiro olha para o lado  e a bola entra.. 

Um primor de criatividade que mostra ser impossivel  mudar o destino marcado- em qualquer nivel.  

************

16 de julho de 1950 na casa do Rio Comprido

Na casa de minhas saudades e onde vivi muitos dos melhores momentos desta vida,um deles se destaca , justamente pelo anticlimax .

O ex-jogador e capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo , Augusto da Costa,na foto abaixo,manteve um apartamento pertinho, do outro lado da rua, no meu bairro do Rio Comprido,na zona norte do Rio,até o ano de 1994.

Ele esteve a poucos minutos de ser o primeiro brasileiro a erguer a taça mundial.

Conhecido pela garra e precisão na marcação,  também brilhou pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, sendo peça fundamental do famoso "Expresso da Vitória".

Ali, nas imediações do edifício, se aglomerava ,sempre,  multidão de fotógrafos e cinegrafistas que a gente acompanhava da janela da sala de visitas.

*********

16 de julho era o aniversário de uma prima e,por semanas, os preparativos corriam de acordo com as vitórias do Brasil naquela jornada.

Durante vários dias, a trabalheira da casa se concentrava na preparação do evento.

Viajar no tempo para uma festa infantil em 1950 ,é entrar em um mundo de simplicidade charmosa, tudo feito em casa e com sabores que marcaram gerações,

Os festejos pela vitória garantida da Copa inclusos.

Naquela época, as festas raramente eram contratadas; tudo foi preparado pelas mães, tias e avós nos dias anteriores.


Doces, salgadinhos e o centro das atenções:  um bolo alto, de massa de pão de ló, recheado com doce de leite, com formato da bandeira do Brasil.

Os dez moradores fixos e o batalhão de amigos e parentes partiram para o Maracanã.

Nós, crianças, ficamos sob os cuidados das 3 domésticas, com ordem expressa em não tocar em nada! 

O Rádio como Mensageiro

O primeiro sinal veio do rádio. 

A voz do locutor,  antes  em tom de festa, foi murchando , seguida por um silêncio ruidoso que vinha das 200 mil pessoas na arquibancadas do estádio. 

Na cozinha, as domésticas se entreolhavam; na sala, as crianças perceberam que algo muito grave havia acontecido. O Brasil não era campeão.

O Retorno do Batalhão

Quando os dez moradores e o grupo de amigos finalmente retornaram do Maracanã, o contraste com a partida foi absoluto:parecia que tinham voltado de  um velório.

O foco da cena se volta para o centro das atenções: o bolo de pão de ló com doce de leite, decorado com as cores do país. 

Ele, que havia sido preparado como o símbolo de uma consagração esportiva e comemoração familiar, agora parecia um monumento ao que não foi.

Cortar a bandeira do Brasil naquela noite de 16 de julho ganhou um peso solene, transformando a festa  em um triste registro  de como o Rio  viveu o trauma do Maracanazo

Trauma para a aniversariante  ? Sinceramente,não lembro. Bem possível que ela nem tenha idéia.Perdi contato.

No meu caso, foi um momento inesquecível,talvez a primeira de uma grande série de decepcões e ensinamento de como lidar com a realidade versus fantasias e planos talvez irrealizáveis.

  ***************************



Fernando Pessoa. um pequeno ensaio

IMAGEM GERADA PELA Inteligência Artificial GEMINI .      O centésimo post de meu blog, publicado em 2008. Este é o número1116. *************...

Textos mais visitados