domingo, 19 de fevereiro de 2017

Carnaval de Veneza 2017

 De  11 a 28  de fevereiro



O carnaval da antiga Veneza


Sereníssima República de Veneza ( Serenìsima Repùblica Vèneta, em vêneto e Serenissima Repubblica di Venezia, em italiano), muitas vezes chamada apenas de Sereníssima, no nordeste da Itália, com capital na cidade de Veneza, foi um Estado que existiu do século nono até 1797 quando, ao ser invadida por Napoleão Bonaparte, foi cedida ao Império Austríaco pelo Tratado de Campofórmio.

Na Europa medieval,especialmente em Veneza, o Carnaval era, igualmente, a festa da saciedade e da inversão.
A inversão de valores e de costumes vinha desde a quebra da hierarquia até ao que aborrecia ou atrapalhava: o empregado era servido pelo patrão, o pobre ironizava o poderoso, o homem se fantasiava de mulher, num travestismo consentido e incentivado. E o carnaval passou a representar o contrário do ritual codificado.
 

Distribuía-se comida aos pobres, para que ficassem saciados numa época em que,normalmente, passavam fome.


Todos esqueciam as mágoas e entravam numa espécie de país das maravilhas Nas festas pagãs, os deuses e heróis eram motivo para ironia e os religiosos também participavam do clima, simulando brincadeiras obscenas.
Máscaras e fantasias



O primeiro registro do uso de máscaras e fantasias vem de uma lei do ano de 1268, que autorizava o porte não somente no carnaval mas, também, durante seis meses do ano.
O anonimato sempre foi uma árvore de sombra frondosa.Atos fora da lei e atitudes transgressoras, subversivas e imorais passaram a ser acontecimentos comuns. E o cidadão veneziano incorporou, durante a metade do ano, o hábito de sair às ruas mascarado e agir como bem lhe aprouvesse.

Durante séculos, essa total impunibilidade adquirida no Carnaval, ao mesmo tempo em que contribuiu para a estabilidade econômica de Veneza, precipitou sua queda.
Cada pessoa desejava aproveitar a riqueza e os prazeres que ela podia comprar e multiplicar.
E a festa pagã, que cada vez durava mais, fazia com que os dias da cidade fossem ficando, literalmente, contados.
Começando em outubro, o carnaval tornara-se a grande atração com bailes de mascaras e fogos de artifício, abusos sexuais, bacanais, orgias.
Vinha gente de toda Europa para aproveitar a transgressão consentida e regulada por decreto.
E todo mundo ganhava: os hoteleiros, os donos de restaurantes, os gondoleiros e os fabricantes de máscaras. Transformada
em cidade das festas e prazeres, Veneza viu diminuir sua influência política.
Em 1608, uma lei declarava o uso de máscaras grande ameaça ao funcionamento do Estado.
Entre 1799 e 1806, já sob domínio da Áustria, o uso de disfarces passou a ser autorizado somente em festas particulares e assim, acabou o encanto.






Inspiração

 

O segundo governo austríaco (1815-1866) autorizou novamente as máscaras, mas o carnaval não era mais transgressão.Tornou-se uma parada de carros alegóricos ou um momento em que cada um tentava exprimir sua individualidade.
Apesar das mudanças - ou por causa delas - Veneza passou a ser o lugar preferido dos artistas.
Wagner compôs lá parte de sua ópera Tristão e Isolda. Georges Sand, Alfred de Musset e Byron viveram belos casos de amor. Rossini, Bellini, Verdi também ali encontram inspiração para suas obras.
Mas os venezianos já não suportavam a censura austríaca e, em 1848, Daniele Manin proclamou a República, um breve intervalo no jugo e tentativa frustrada de emancipação. Em 1866, Veneza se reintegrou ao Reino da Itália e, do carnaval da liberdade total, sobraram apenas as lembranças. A cidade continua a ser um destino turístico disputado, mesmo no inverno rigoroso.


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Nesse ano de 2017, de 11 a 28 de fevereiro viajantes do mundo inteirc conhecerão a tradição das máscaras confeccionadas manualmente e os bailes tornam o carnaval veneziano moderno um espetáculo raro.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Carnaval 2 - Pequena História do Carnaval

 




A festa  de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.


Travestismo consentido
Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir ao desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada.
Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade .
Ritual
O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença.
 
Carnaval não era uma festa, mas um ritual.
 A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. 
A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado.  

 O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus
primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte.

Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores.
Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança.


Origem da palavra

Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma.

Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. 
Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. 
No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.
 
Entrudo
 
A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. 
Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. 

A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. 

A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo.
As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret)
O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores.
A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada
.
Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral.
 
Desigualdade carnavalesca
Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume.
 Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim.
 


Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro.
Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala.
 





 Crepes, brioches e croissants
Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans.


Malhação do Judas e Rei Momo
A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias.
Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado.

Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo.

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Carnaval 2 - Pequena História do Carnaval A festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas. Travestismo consentido Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir o desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada. Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade Ritual O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença. O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado. O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte. ( foto:máscaras/réplicas do Carnaval da Veneza medieval) Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores. Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança. Origem da palavra Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma. Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas. Entrudo A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo. As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret) O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores. A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) [inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada . Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral. Desigualdade carnavalesca Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim. Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro. Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala. Crepes, brioches e croissants Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans. Malhação do Judas e Rei Momo A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias. Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado. Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo. **************************************

  Pequena História do Carnaval




A festa  de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.


Travestismo consentido
Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir o desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada.
Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade
Ritual
O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença.
O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado. O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus
primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte.
( foto:máscaras/réplicas do Carnaval da Veneza medieval)
Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores.
Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança.
Origem da palavra
Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma.
Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.
Entrudo
A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. 

A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo.
As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret)
O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores.
A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) [inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada
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Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral.
Desigualdade carnavalesca
Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim.
 


Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro.
Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala.
Crepes, brioches e croissants
Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans.


Malhação do Judas e Rei Momo
A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias.
Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado.

Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Carnaval 1- Os Clóvis no Carnaval Carioca

 

  

Série de textos "carnavalescos" do blog 


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O então  Prefeito Eduardo Paes assinou decreto que declara como "patrimônio cultural carioca" os grupos de clóvis (ou bate bolas) dos subúrbios do Rio.
O decreto saiu no dia 17 de fevereiro de 2012, no Diário Oficial
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Os "clóvis" no carnaval carioca agora também nosso patrimônio cultural




Qualquer carioca na faixa etária a partir dos 50 , em algum momento de seus verões infantis,se apavorou com um “clóvis”.
Era durante o carnaval que o “bicho papão”,tão invocado na hora das punições e castigos, aparecia ao vivo e a cores.
 

Normalmente no final da tarde,porque o calor de fevereiro e o peso da fantasia não eram ( o calor continua sendo terrível) não eram de brincadeira:para ser um “clóvis”, o folião tinha e tem que ter uma saúde de ferro.
O nome desses personagens do carnaval carioca(`as vezes chamados de “bate-bola”)é uma corruptela de clown -palhaço,em inglês.


Com seus amplos macacões coloridos,usando perucas com franjas, vestidos de caveira,morcego,palhaço e nêga-maluca, sempre andavam em grupo.
As máscaras,importadas da Alemanha,feitas de malha e entretela,por serem muito quentes foram substituídas por outras,transparentes,produzidas com as meias de nylon das senhoras das família.
O orifício no lugar da boca era preenchido com uma chupeta ou um apito. 

Para assustar criancinhas,traziam uma bexiga amarrada a uma vara.
O som da bexiga arranhando o asfalto escaldante era de arrepiar os cabelos.
Oriundos de Santa Cruz,um município da Zona Oeste do Rio de Janeiro,e logo espalhados por toda a cidade,os “clóvis’ se assemelhavam aos arlequins,colombinas,dominós e pierrots medievais, que também usavam bastões para agredir e as bexigas de porco ou de boi,compradas em matadouros.
Todo um ritual era cumprido: quando um grupo encontrava outro grupo havia a“cruza” ou “roda-baiana” o momento de glória de um ‘clóvis (pedido de passagem)
Quanto maior a metragem de tecido usado no macacão,maior a roda.

Girando o corpo,o “clóvis” conseguia imitar o movimento da saia de baiana inflada.
Se a permissão não era concedida,o tempo literalmente esquentava e as bexigadas se generalizavam
Talvez venha daí a hoje tão difundida expressão carioca “rodar a baiana”.
Os “clóvis” nunca falavam,se comunicavam por mímica ou pelo som do apito.Alguns usavam perfume na água da bexiga,para customizar o personagem.

 

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Para manter a tradição do carnaval de rua,a Prefeitura do Rio estimula a apresentação dos ‘clóvis” em vários bairos, oferecendo prêmios para os melhores grupos. 
Políticos,personalidades e pessoas benquistas (ou não) das comunidades ou acontecimentos de relevância continuam sendo os temas preferidos para as críticas.
Os próprios “clóvis” confeccionam suas roupas e preparam as coreografias.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Carmen Miranda -pequeno ensaio


9 de fevereiro 2017 -107 anos do nascimento da Pequena Notável
Balangandãs
Em 2009, o maior evento de moda da América Latina, o São Paulo Fashion Week (SPFW), homenageou o centenário de nascimento de Carmen Miranda,celebrando os “Brasileirismos”com seus coloridos e irreverências. Carmen Miranda continua fashion.

Sapatos de plataforma, bijuterias, a barriguinha bem torneada aparecendo nas roupas exóticas continuam movimentando a moda feminina . A cantora Madonna declarou, recentemente, que suas roupas exóticas foram inspiradas no guarda roupa de Carmen.
Além de cantora,atriz de cinema (e de televisão que já estava a todo vapor nos nos Estados Unidos) ,é lembrada como a mais bem paga artista de todos os tempos em sua época e tornou-se ícone ainda em vida.

O smoking de lamê e a cartola da famosa cena das “Cantoras do Rádio” é de sua criação,assim como praticamente todo o guarda-roupa que usou em shows e na vida pessoal.Em Hollywood, ela supervisionava pessoalmente todas as peças que usava.

Carmen viveu 16 anos nos Estados Unidos e foi - durante muito tempo - a artista mais bem remunerada do país e a maior pagadora de imposto de renda ao leão do Tio Sam.

Jamais se naturalizou, mesmo tendo se casado, em 1948, com o norte-americano David Sebastian.
Criava e costurava suas roupas, idealilzava seus turbantes,seus acessórios.Por conta de Carmen,as mulheres passaram a usar bijuterias em ocasiões sociais e foi a inventora dos sapatos plataforma que não quís patentear –com a generosidade que a caracterizava.

O primeiro retorno

E,certamente,foi de sua autoria o croquis do tailleur verde e amarelo com que, em 10 de Julho de 1940,no cais da Praça Mauá, Rio de Janeiro.
Um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas registrou , no desembarque do “SS Argentina”, a pequena figura graciosa. Em seguida, em carro aberto, o desfile sob a chuva de confete e serpentina, Era Carmen Miranda que voltava ao Brasil para participar, a convite de Dona Darcy Vargas (mulher do Presidente Getúlio), de um show em benefício da “Casa das Meninas”, obra social dirigida pela, então, primeira-dama. Cinco dias depois, no Cassino da Urca, glamurosa e já com reconhecimento internacional é praticamente vaiada pela elitista platéia da época, sob a acusação de americanização e por ter incluído em seu repertório algumas canções em inglês. Desta estada, que durou 3 meses, ficaram profundas mágoas, traumas psicológicos e a gravação de diversas canções encomendadas pela cantora para comprovar a sua “brasilidade”.

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Infância e adolescência
Maria do Carmo Miranda da Cunha – Carmen, para seus familiares e depois para o mundo - nasceu em Marco de Canavezes, cidadezinha na região do Porto, a 9 de fevereiro de 1909, filha do barbeiro José Maria e da ex-tecelã Maria Emília.

Em 1919, já morando no Rio, os irmãos Olívia, Carmen, Mário, Cecília, Aurora e Oscar conseguiram vagas como alunos num convento da Lapa, no centro da Cidade, o que aliviou bastante a situação financeira da família.

Em 1925, os Miranda da Cunha mudaram-se para uma casa maior na Praça 15, proximidade do Arco do Teles. Dona Maria Emília alugava cômodos e fornecia refeições para comerciários. Para ajudar no sustento da família Carmen trabalhou como chapeleira na tradicional Maison Marigny, confecccionando chapéus e turbantes. Estas habilidades seriam muito úteis no futuro, quando sua imagem pública foi montada com roupas extravagantes e turbantes/salada de frutas. Cantando em festinhas de vizinhança, Carmen começou a interpretar tangos. O talento da mocinha foi percebido por um dos frequentadores da pensão que a encaminhou ao compositor Josué de Barros.

Com ele, ensaiou durante meses até que um disco com a cantora interpretando suas melodias foi gravado pela Brunwick, em 1929. Carmen assinou com a RCA Victor para um segundo disco, que muito impressionou outro compositor, Joubert de Carvalho, que criou “Taí” especialmente para ela.

As 35 mil cópias vendidas em um mês, transformaram Carmen em estrela de primeira grandeza.

Sucesso nas ondas do rádio


Nos anos 20/30 um eletrodoméstico veio revolucionar a vida dos brasileiros:o rádio. Em qualquer lar havia pelo menos um aparelho e a família se reunia diante dele como hoje diante da tv. A música popular brasileira entrou na moda e compositores como Ary Barroso, Noel Rosa e Caymmi criavam canções memoráveis.

Enquanto todos os cantores recebiam cachês por apresentação, Carmen foi a primeira cantora a assinar um contrato (de 2 anos com a Rádio Mayrink Veiga). Em 1935, o famoso locutor Cesar Ladeira batizou a nova sensação de "Pequena Notável”, por conta de seus 153 cm de altura.
O cinema falado era outra novidade. Carmen cantou com sua irmã Aurora em filmes como “Alô Alô Brasil” e “Alô Alô Carnaval”. Mas, a figura da baiana - que ficaria para sempre imortalizada como uma segunda pele da cantora - surgiu no filme “Banana da Terra” (1939) ao interpretar “ O que é que a baiana tem?”, do jovem Dorival Caymmi.

A baiana original, descrita em cada frase da música,é criação de Carmen


Patrocínio Polêmico
Não existe consenso sobre as razões da ida de Carmen Miranda para a América do Norte. Alguns registros falam na política de boa vizinhança entre o governo Roosevelt e a América Latina.
A simpatia do Brasil seria essencial naquele momento de esforço de guerra. Borracha, manganês, minério de ferro, cristais de quartzo, areias monazíticas e um ponto geográfico no nordeste para instalação de base aérea eram vitais para os Estados Unidos. Todo um programa cultural foi desenvolvido com esse objetivo. Intelectuais brasileiros foram levados aos Estados Unidos como profesores visitantes nas Universidades. Walt Disney criou um personagem, o Zé Carioca, papagaio malandro que apresentava o Brasil ao Pato Donald.
Outros biógrafos contam que Carmen viajou com passagem paga pelo empresário Lee Schubert e como se recusava a se apresentar com músicos estrangeiros (que não saberiam tocar o verdadeiro samba), pediu ajuda ao Itamarati, que pagou apenas 3 passagens do “Bando da Lua”.
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Carmen completou com seu próprio dinheiro as outras 3 passagens e embarcou, em 4 de maio de 1939, com o grupo completo, pelo vapor “Uruguai”. Brazilian Bombshell Carmen fazia muito sucesso no Uruguai e na Argentina, onde estrelava musicais sofisticados. Ali foi “descoberta” pelo empresário Lee Schubert, que a contratou para estrelar “Streets of Paris” no Broadhurst Theatre, em plena Broadway. Com um layout surpreendente para o povo americano, que nunca havia visto nada igual, cantava em português e se expressava com as mãos, olhos, pés e quadris. Logo, tornou-se a Brazilian Bombshell ( A explosão brasileira ). Passou a influenciar a moda quando as boutiques da Quinta Avenida que sempre exibiam criações de Chanel e Dior passaram a mostrar suas indumentárias, turbantes, sapatos e balangandãs. Gravou seus pés e mãos no Hall of Fame do Chinese Theatre e recebeu uma estrela de ouro com seu nome nas calçadas do Hollywood Boulevard. Jamais se naturalizou, mesmo tendo se casado, em 1948, com o norte-americano David Sebastian.
Segundo retorno

Após a estadia de 1940, a mágoa com o Brasil virou fixação e uma reportagem negativa de David Nasser (que havia se hospedado em sua mansão em Beverly Hills) transformou esta mágoa em certeza de rejeição.
A falsa impressão só se desfez em 1954 quando, em estado de profunda depressão e devastada pelo uso de pílulas para dormir e para se manter acordada e pela bebida, voltou ao Brasil trazida pela insistência da irmã Aurora, para certificar-se de que era amada e admirada.
No início, ficou isolada para tratamento numa suíte do Copacabana Palace. Em seguida,compareceu a homenagens em teatros e festas.
Matou as saudades de todos os amigos, foi reverenciada pelo público e retornou aos Estados unidos em 4 de abril de 1955, para dar continuidade ao trabalho intenso em Las Vegas, em Havana e na televisão americana.
Quatro meses depois, em 12 de agosto de 1955, passou mal `a tarde durante a filmagem de um programa para a televisão com Jimmy Durante ` A noite,recebeu amigos para jantar, cantou música brasileira, subiu as escadas jogando beijos para as visitas-como na última imagem gravada do show de Durante. Entrou no quarto,acendeu um cigarro,pegou um espelho para retirar a maquiagem e caiu fulminada por um colapso cardíaco, aos 46 anos de idade.
A volta definitiva
O corpo embalsamado chega ao Rio e é velado na Câmara de Vereadores. Nas 24 horas seguintes, mais de 60.000 pessoas desfilam diante do caixão.
O sepultamento de Carmen, no Cemitério de São João Batista, até então o mais concorrido em toda a história do Rio, foi acompanhado por cerca de um milhão de pessoas.
Dezenas de missas foram rezadas pela sua alma
Museu Carmen Miranda
Em 1976, o prefeito Negrão de Lima assinou a Lei nº 886, que cria o Museu Carmen Miranda, “para guarda, conservação e exposição do acervo da artista, doado pelo marido, e constante de sapatos, roupas, jóias e troféus”.
O Museu fica situado no Aterro do Flamengo, junto à Avenida Ruy Barbosa e acolheu as homenagens pelo centenário de nascimento,em 2009
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A mais completa biografia da artista é a escrita por Rui Castro (‘Carmen-Uma biografia”Companhia das Letras,2005)
Gostaria de destacar o trabalho da banda carioca 1E99 que apresenta novo enfoque do repertório da “Pequena Notável”,com uma pitadas de dadaísmo e som sampleado que linka passado e presente.
Participei, com os meninos da Banda, na produção das comemorações do centenário
Carmen é fonte inesgotável de inspiração.
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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Tributo a Moacir Santos


Arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro.

(1926-2006)

Linha do Tempo



*26 de julho de 1926
  Moacir José dos Santos nasceu em Bom Nome, interior de Pernambuco,filho de Julita- que faleceu quando ele tinha 3 anos e José, que se juntou aos "volantes".policiais que caçavam o bando de Lampião.
Teve 3 irmãs e um irmão, que foram "distribuídos" entre várias famílias do agreste pernambucano.
A madrinha Corina foi sua primeira tutora e, em seguida,ficou aos cuidados de uma família local, que o colocou na escola e o aproximou da Banda Municipal de Flores do Pajeú.
A natural curiosidade e muito talento o levaram a pesquisar e a aprender -sozinho- a tocar cada um dos instrumentos da banda : trompa, saxofone, percussão, clarineta, violão, banjo e bandolim.

*Aos 14 anos, passou a viajar pelos estados do Nordeste procurando trabalho e  acabou se fixando em Recife,onde conseguiu ,pouco a pouco, reputação como músico estiloso, exímio saxofonista,atuando  no programa Vitrine, de Antônio Maria e José Renato, na Rádio Clube de Pernambuco. 

*Década de 1940
Contratado pela  Rádio Tabajara, na Paraíba
 seguiu para João Pessoa, na Paraíba,  para o serviço militar, com idade presumida  de 18 anos  
No exército, Moacir logo se aproximou  da banda marcial. 


*Depois de quase um ano e meio na tropa, Moacir foi liberado e voltou para Rádio Tabajara da Paraíba, como saxofonista solista. 
Em João Pessoa, ele conheceu também  Cleonice Santos que foi sua companheira pelas quase seis  décadas seguintes, 

*Abril de 1949  :nasceu o filho único do casal, Moacir Santos Jr
O casal se mudou para o Rio de Janeiro, quando Moacir foi contratado pela Rádio Nacional,brilhando entre os grandes maestros arranjadores de origem européia,  como Radamés Gnattali e Lyrio Panicalli.

*Aos 23 anos, começou a estudar Regência  no curso do maestro César Guerra-Peixe. 

Durante dois anos, morou em São Paulo,  como regente da orquestra da TV Record. voltando depois  para o Rio.

*Compôs  a trilha sonora de diversos filmes, entre eles "Ganga Zumba" (1963), de Carlos Diegues, "Seara Vermelha" (1964), de Alberto D'Aversa, "O Santo Módico" (1964), de Robert Mazoyer, "Os Fuzis" (1964), de Ruy Guerra, e "O Beijo" (1965), de Flávio Tambellini.  

* 1965 marca olançamento do primeiro disco : "Coisas",pela gravadora Forma 

*Tornou-se assistente do compositor alemão Hans Joachim Koellreuter e  foi professor de  Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes e outros importantes nomes da música brasileira.

*1967  Viagem a Los Angeles.  convidado para a estreia mundial do filme "Amor no Pacífico", do qual havia sido compositor. 

Fixou-se em  Pasadena, Califórnia, compondo trilhas para o cinema e ministrando aulas de música.
 (acima, Moacir e sua Cleonice e com a banda americana,na California) 


*Nos Estados Unidos,gravou quatro álbuns solo, três deles para o selo Blue Note, sendo um deles indicado para um Grammy  

  * Em 2001,foi lançado o album "Ouro Negro" ,com participações especiais de Milton Nascimento, Djavan, Ed Motta, Gilberto Gil, João Bosco, João Donato entre outros

*2005-  Lançamento de  um DVD com um show da "Banda Ouro Negro" gravado ao vivo no SESC Pinheiros em São Paulo, e um disco, pela gravadora Biscoito Fino, com várias composições do início da sua carreira, "Choros & Alegria".

*Em julho de 2006, ganhou o Prêmio Shell de Música.

*Poucos dias após completar 80 anos, em 6 de agosto de 2006,Moacir Silva faleceu em Pasadena,vitimado por um derrame.


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 Legado

* Considerado
 um dos maiores mestres da renovação harmônica da música popular brasileira (MPB).
*Foi parceiro de Vinicius de Moraes, e por ele foi homenageado na canção "Samba da Bênção", com Baden Powell: "Moacir Santos / tu que não és um só, és tantos / como este meu Brasil de todos os santos."


*Do site "Leia Já", em 2016,adaptado

"A Companhia Brasileira de letras (Cepe) lançou no Teatro de Santa Isabel, no Recife, um livro que resgata a obra e vida do sertanejo de São José do Belmonte, Moacir Santos. 

 Aberto ao público e com entrada franca, o lançamento contou com uma homenagem, numa noite de concerto com a Banda Sinfônica do Conservatório Pernambucano de Música e regência do maestro Marcos FM.

Com o título “Moacir Santos ou Os caminhos de um músico brasileiro", o livro revela a vida e a obra de Moacir Santos que, órfão aos três anos, sofreu intensamente com a pobreza e a discriminação racial. 

Tem autoria de Andrea Ernest Dias, doutora em flauta pela Universidade Federal da Bahia, com tese sobre Moacir Santos, e também idealizadora do Festival que leva o nome do músico." 
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 Informações sobre o songbook de Moacir Santos
http://www.freenote.com.br/produto.asp?shw_ukey=38651160936HUN460W
 http://www.freenote.com.br/produto.asp?shw_ukey=38651160936HUN460W

 Direto do Youtube 

*Clique nos links para ouvir as  obras completas :


 *Coisas (1965) Album completo
https://www.youtube.com/watch?v=RX-keWoDgcg 

*Ouro Negro-DVD completo- Show no Sesc  Pinheiros   2001
  https://www.youtube.com/watch?v=stqlIiCalHY

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*Informações sobre o songbook de Moacir Santos
http://www.freenote.com.br/produto.asp?shw_ukey=38651160936HUN460W