terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

História do Carnaval Carioca. #tbt

  



 A festa  de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.


Travestismo consentido

Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes, ou para assistir ao desfile dasSociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada.
Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira,

minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos

com rolha queimada, acompanha seus três irmãos

vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas,num travestismo consentido e estimulado pela sociedade


Ritual


O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos

portugueses no século 17, com o nome de entrudo,

festejo remanescente das festas daGrécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença.


O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data

móvel de sua celebracão é herança do momento

histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias.



A Quaresma, período

que vai da Epifiânia ( Dia de

Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o


profano ao sagrado.

O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando

a Igreja, em seus primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte.
 

Neste momento, as regras sociais eram invertidas:

os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores.
Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança.
Origem da palavra
Com a cristianização do calendário, as festas pagãs

foram rebatizadas.

Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”,

quando eram degustados pela última vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma.


Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada

da Páscoa.

Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos.

No século 13, a festa de rua já era chamada de

"carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle

Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas

fantasiadas.
Entrudo

A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "

entroidovieram do Latim

"introitu", que significava entrar na Quaresma e, por

metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval.

Mascarados, os foliões se aproveitavam do

anonimato para atitudes ilícitas e imorais. 


A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40

horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência

da festa, nem o terremoto que praticamente destruíu

em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas.

A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo.
As pessoas atiravam umas nas outras água em

limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.
O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de

Janeiro em 1840,organizado para divertir a Corte.


Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”,
grupo de foliões com bumbo e tambores.
A Maestrina Chiquinha

Gonzaga

(foto) [inovou os festejos

com seu“Abre Alas”(1899).
A partir daí, o Carnaval passou a ter composições

especialmente elaboradas :

marcha-rancho, o samba,

a marchinha, o samba-enredo e o

frevo, além da batucada
.
Com a chegada do automóvel, o

corso - desfile de carros decorados -

levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde


as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria

geral.

Desigualdade carnavalesca
Proibido pela violência que continha, o entrudo

evoluiu parabrincadeiras mais amenas com

elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve

Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo,

até renunciar em. 25/8/1961 - o lança-perfume era

elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim.
 


Mesmo ali prevalecia o

desnível social: os mais privilegiados usavam o

importado “Rodo

Metálico(foto), o

povão mais simples ia de “

Colibri”, em sua embalagem de vidro.
Totalmente permitido e até incentivado

como o travestismo do album de fotos

familiar, o “lança” era encontrado nas

matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de

gala,dando baratos

incríveis.
Crepes, brioches e
croissants
Na véspera do dia em que começava a proibição de

consumir carne e
gorduras durante a

Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas

usavam o que havia

restado de gordura em casa para festejar,

consumindo frituras e pães super calóricos.

Neste tempo do peixe contra a

carne e do comedimento contra

os excessos, o consumo de ovos

era igualmente interditado.

Assim, surgiu a crepe –
panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite.

Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake
Tuesday”, nos francofônicos o“Mardi Gras”, que
veio a dar nome ao festejo popular mais importante deNova Orléans.


Malhação do Judas e Rei Momo

A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei

do Carnaval -nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos

habitantes das cidades ao final das folias.
Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem

e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um "

Judas" é "malhado.

Com o correr dos tempos,as tradições que a gente encontrava nas 
fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram por transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo.

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Carnaval de Veneza 2026

 Neste ano, o Carnaval de Veneza acontece entre31 de janeiro e 17 de fevereiro  e o tema será: “Olympus: alle origini del gioco”, que em português seria “para as origens do jogo”, celebrando as origens das primeiras festividades hoje vinculadas historicamente ao Carnaval. (WIKIPEDIA)


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O carnaval da antiga Veneza


Sereníssima República de Veneza ( Serenìsima Repùblica Vèneta, em vêneto e Serenissima Repubblica di Venezia, em italiano), muitas vezes chamada apenas de Sereníssima, no nordeste da Itália, com capital na cidade de Veneza. 

Foi um Estado que existiu do século nono até 1797 quando, ao ser invadida por Napoleão Bonaparte, foi cedida ao Império Austríaco pelo Tratado de Campofórmio.

Na Europa medieval,especialmente em Veneza, o Carnaval era, igualmente, a festa da saciedade e da inversão.
A inversão de valores e de costumes vinha desde a quebra da hierarquia até ao que aborrecia ou atrapalhava: o empregado era servido pelo patrão, o pobre ironizava o poderoso, o homem se fantasiava de mulher, num travestismo consentido e incentivado. 

E o carnaval passou a representar o contrário do ritual codificado.
 

Distribuía-se comida aos pobres, para que ficassem saciados numa época em que,normalmente, passavam fome.

Todos esqueciam as mágoas e entravam numa espécie de país das maravilhas.

 Nas festas pagãs, os deuses e heróis eram motivo para ironia e os religiosos também participavam do clima, simulando brincadeiras obscenas.

Máscaras e fantasias


O primeiro registro do uso de máscaras e fantasias vem de uma lei do ano de 1268, que autorizava o porte não somente no carnaval mas, também, durante seis meses do ano.


O anonimato sempre foi uma árvore de sombra frondosa.

Atos fora da lei e atitudes transgressoras, subversivas e imorais passaram a ser acontecimentos comuns. 

E o cidadão veneziano incorporou, durante a metade do ano, o hábito de sair às ruas mascarado e agir como bem lhe aprouvesse.

Durante séculos, essa total impunibilidade adquirida no Carnaval, ao mesmo tempo em que contribuiu para a estabilidade econômica de Veneza, precipitou sua queda.
Cada pessoa desejava aproveitar a riqueza e os prazeres que ela podia comprar e multiplicar.
 


A festa pagã, que cada vez durava mais, fazia com que os dias da cidade fossem ficando, literalmente, contados.
 

Começando em outubro, o carnaval tornara-se a grande atração com bailes de mascaras e fogos de artifício, abusos sexuais, bacanais, orgias.
Vinha gente de toda Europa para aproveitar a transgressão consentida e regulada por decreto.


E todo mundo ganhava: os hoteleiros, os donos de restaurantes, os gondoleiros e os fabricantes de máscaras. 
Transformada em cidade das festas e prazeres, Veneza viu diminuir sua influência política.
Em 1608, uma lei declarava o uso de máscaras grande ameaça ao funcionamento do Estado.

Entre 1799 e 1806, já sob domínio da Áustria, o uso de disfarces passou a ser autorizado somente em festas particulares e assim, acabou o encanto.


Inspiração
 

O segundo governo austríaco (1815-1866) autorizou novamente as máscaras, mas o carnaval não era mais transgressão.Tornou-se uma parada de carros alegóricos ou um momento em que cada um tentava exprimir sua individualidade.
 

Apesar das mudanças - ou por causa delas - Veneza passou a ser o lugar preferido dos artistas.
Wagner compôs lá parte de sua ópera Tristão e Isolda. Georges Sand, Alfred de Musset e Byron viveram belos casos de amor. Rossini, Bellini, Verdi também ali encontram inspiração para suas obras.
 

Mas os venezianos já não suportavam a censura austríaca e, em 1848, Daniele Manin proclamou a República, um breve intervalo no jugo e tentativa frustrada de emancipação.

 Em 1866, Veneza se reintegrou ao Reino da Itália e, do carnaval da liberdade total, sobraram apenas as lembranças. 

A cidade continuou a ser um destino turístico disputado, mesmo no inverno rigoroso.

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História do Carnaval Carioca. #tbt

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