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| Hegel e seus alunos |
A relevância atual de Georg Wilhelm Friedrich Hegel encontra seu ponto alto no XXXVI Congresso Internacional de Hegel, a ser sediado na Universidade Roma Tre, na Itália, entre 1o e 4 de setembro de 2026.
O tema central, "Hegel Global", não é apenas um título acadêmico, mas um reconhecimento de que a dialética hegeliana é a ferramenta mais apropriada para dissecar o cenário internacional contemporâneo.
Nao pretendo focar na Fenomenologia do Espírito e "traduzi-lo" através de uma biografia humana,mas desejo mostrar como as mudanças na vida pessoal de Hegel e o contexto da época moldaram a transição de seu pensamento.
"O idealismo, enquanto corrente filosófica, tem raízes antigas, sendo Platão (427–347 a.C.) considerado seu precursor ("pai do idealismo") ao defender que a verdadeira realidade reside no mundo das ideias, não na matéria.
No entanto, o idealismo alemao, forma mais sistemática, foi desenvolvido por Immanuel Kant (iniciador) e evoluído por Hegel"
fonte do texto acima, em itálico, mundoeducacao.uol.com.br
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Antes de se tornar expoente do Idealismo Alemão, Hegel era um jovem metódico, extremamente estudioso e apelidado de "o velho" pelos seus colegas.
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Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stuttgart, em 27 de agosto de 1770, filho de Georg Ludwig Hegel, funcionário da Receita do Ducado de Württemberg.
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| Casa onde nasceu, hoje Museu Hegel |
Primogênito de três filhos,foi criado em um ambiente de alta religiosidade protestante.
Sua mãe,Maria Magdalena Louisa (nascida Fromm), que era bem educada, ao ponto de lhe ensinar latim antes mesmo de começar a frequentar a escola, faleceu quando ele tinha 11 anos.
Muito apegado à sua irmã, Christiane, que mais tarde desenvolveu um ciúme doentio da esposa de Hegel quando ele se casou aos 40 anos.
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| imagem criada por IA. Hegel menino |
E cometeu suicídio três meses após a morte dele. Hegel, profundamente preocupado com a psicose da irmã,desenvolveu ideias de psiquiatria baseadas em conceitos da dialética.
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Formação Acadêmica e Interesses
O Hábito de Colecionar: Desde cedo, Hegel desenvolveu o hábito de fazer fichas de tudo o que lia (o famoso Exzerpten). Ele não apenas lia; processava e organizava a informação em categorias.
No Gymnasium Illustre de Stuttgart, Hegel se destacou como um aluno exemplar. Foi ali que nasceu sua obsessão pela Sittlichkeit (eticidade) grega.
Ele via perfeição na pólis grega-modelo de cidade-Estado da Grécia Antiga, caracterizada por ser uma unidade política, social e econômica totalmente independente e autônoma. Diferente do ideal de harmonia que a modernidade havia perdido.
Também se interessava por botânica, física e matemática, mostrando que buscava uma compreensão total da realidade.
O Seminário de Tübingen (Stift)
Este é o período mais crítico para a "transformação" de Hegel.
Em 1788, ele ingressou no seminário teológico para se tornar pastor (vontade de seu pai), mas a teologia dogmática o entediava profundamente.
O Trio de Ouro: Hegel dividiu o quarto com Friedrich Hölderlin (o poeta) e Friedrich Schelling (o prodígio da filosofia). Essa amizade foi o motor intelectual de sua juventude.
A Revolução Francesa: Em 1789, a queda da Bastilha incendiou os corações desses jovens. Conta-se que Hegel, Schelling e Hölderlin plantaram uma "Árvore da Liberdade" em um mercado próximo e cantaram a Marselhesa.
O Perfil Discreto: Enquanto Schelling publicava obras brilhantes aos 19 anos, Hegel ainda era visto como alguém que "amadurecia devagar". Ele era o observador, absorvendo as crises políticas e religiosas da época.
"Mestre de Casa" (Bern e Frankfurt)
Após o seminário, Hegel não quis ser pastor. Ele se tornou tutor privado (Hofmeister). Esse período é frequentemente chamado de seu "silêncio criativo".
Crise e Religião: Em Bern, ele escreveu textos (publicados apenas postumamente) sobre a vida de Jesus, tentando entender como a religião se torna uma "positividade" opressora em vez de uma força de liberdade.
A Transição: Foi nessa fase que ele deixou de ser apenas um estudioso dos clássicos para começar a desenvolver seu próprio sistema dialético, tentando reconciliar a razão iluminista com a espiritualidade.
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Dorotheenstadt.
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