sábado, 5 de julho de 2014

Charles Darwin e as minhocas



Nos quatro vestibulares bem sucedidos aqui em casa, nos idos dos anos 80,
uma questão onipresente e intrigante pairava sobre todas as opções de carreira:  o sistema excretor dos anelídios, ou seja, as atividades intestinais das minhocas.



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"A Formação da camada superficial do solo pela ação de minhocas, com observações sobre os seus hábitos"  é o título de um livro de Charles Darwin ( primeira edição foi publicada 10 de outubro de 1881)um ano antes de sua morte e fruto de décadas de estudos sobre comportamento das minhocas, sua capacidade auditiva e visual,sensibilidade ao calor e sua interação com a estrutura do solo.

 André Jockyman escreveu para a revista online GALILEU:

"Sagradas lavradoras
O papel das minhocas como arados e adubos naturais

Quem vive da agricultura, sabe: terra que tem minhoca é terra boa. Tal sabedoria, construída no duro trabalho diário no campo, chega agora aos centros de pesquisa. 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, após análises realizadas no Sudão, África, concluiu que a grande fertilidade do solo do Vale do Nilo, no Egito, não se deve apenas à matéria orgânica e aos minerais depositados pelas cheias do rio, mas principalmente ao trabalho das minhocas, que transformam essas substâncias em adubo. 
Disso, a rainha Cleópatra já sabia. Ela considerava as minhocas seres tão sagrados quanto os gatos que venerava. Tanto que baixou um decreto real declarando-os animais intocáveis e impedindo sua remoção do solo.

O lixo que vira adubo

É o processo de digestão das minhocas que viabiliza a chamada vermicompostagem - a transformação da matéria orgânica em húmus, o adubo orgânico que é a mistura de suas fezes com a terra. Ao engolirem matéria orgânica, elas necessitam eliminar o excesso de cálcio presente nela, que lhes seria mortal. Essa eliminação se dá através de glândulas esofágicas, chamadas calcíferas, que transformam o cálcio em calcita, produto não assimilável pelo intestino desses animais e de fundamental importância para a fertilidade do solo. 
E não é só. 

Comparado com o solo do qual as minhocas se alimentam, o húmus tem cinco vezes mais nitratos, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e 11 vezes mais potássio. 

Para a bióloga Christa Knäpper, só o fato de as minhocas abrirem galerias na terra já ajuda na oxigenação e conseqüente melhoria da qualidade do solo. "Na vermicompostagem, as ações químicas e orgânicas se completam, equilibrando os nutrientes na terra", explica ela.

Essa era também a opinião de Charles Darwin, autor do primeiro tratado científico sobre minhocas que se conhece, o livro A Formação da Camada Vegetal Através da Ação das Minhocas, no qual ele registra:
O arado é uma das invenções mais antigas e preciosas do homem, mas bem antes que o homem existisse, a terra já era regularmente arada pelas minhocas. "


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