quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A polêmica sobre o segredo de Hitler



 

Ao elaborar a resenha  abaixo, em 2004 , não imaginava que teria a grata surpresa de vê-la discutida até hoje em fóruns na internet.Com o tempo,novos personagens(de todos os matizes) vão se agregando aos debates.
Durante uma viagem,ano passado,revisitei a surpresa com a leitura de "A verdadeira história de Eva Braun",por Angela Lambert (Editora Globo,2007),primeira biografia da amante de Hitler feita por uma mulher.
Imperdível.
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Dois livros, um mesmo assunto, diferentes abordagens O homofóbico“The Pink Swastika: Homosexuality in the Nazi Party” (A suástica cor de rosa: homossexualidade no Partido Nazista ), dos americanos Scott Lively e Kevin Abrams (4a edição, 2002 ) e o documental “O Segredo de Hitler: a vida dupla de um ditador” do historiador alemão Lothar Machtan (Editora Objetiva, 2001), trazem à público uma bem guardada informação : Hitler era gay (!?) A suástica cor-de-rosa Ao ser publicado pela Veritas Aeterna Press em 1995, e nas sucessivas edições, o livro produziu o efeito de uma bomba nos sites gays da internet.Os autores mostram com “provas irrefutáveis” que a homossexualidade era o centro dos regimes nazista e fascista e que a elite nazista era constituída por homossexuais enrustidos.

 As diretrizes do Partido teriam sido traçadas em Munique – mais exatamente no Bratwurstgloeck, que seria conhecido nos dias de hoje como um bar gay.

 Muitos dos rituais e símbolos viriam de “organizações sodomitas”, entre elas a saudação “Sieg Heil” (Viva a Vitória!) e a logomarca dos SS.

 Segundo o livro, Hermann Goering caprichava na aparência, usando roupas exóticas e maquiagem pesada, mesmo sendo tido como um marido exemplar em seus dois casamentos. 

Rudolph Hess , seria conhecido no Partido como “Fraulein Anna”. Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris (1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”, onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.
 A orientação fundamentalista de direita do discurso dos autores deu origem a discussões sem fim que, até hoje, explodem aqui e ali, provocando um debate cujo conteúdo é surrealista.

Havia uma outra razão para que os nazistas prendessem e matassem homossexuais: eles desejavam apagar evidências “incriminatórias” contra seus próprios líderes.
 Scott Lively (advogado e presidente da Pro-Family Law Center - uma espécie de “TFP” norte-americana ), e Kevin Abrams (que se autodefine como “um psico-historiador” das leis) procuram destruir o mito de que os nazistas perseguiam homossexuais.

E que, na realidade, a maioria dos Nazistas e atuais simpatizantes (como os dirigentes dos modernos grupos nazistas americanos) também eram ou são gays.
E que os homossexuais foram os verdadeiros culpados pelo Holocausto, uma vez que Adolf Hitler e todos os seus comparsas eram gays.
 Uma versão completa online (em inglês ) de “The Pink Swastika”, com nota explicativa dos autores, está disponível em: http://www.mega.nu:8080/ampp/pinkswastika.hold/index.html

  O Segredo de Hitler

 Segundo Lothar Machtan, professor de História Contemporânea e do Tempo Presente na Universidade de Bremen, Adolf Hitler teve-ao final dos anos 20 - uma série de relacionamentos homossexuais.

Durante cinco anos, por exemplo,teria mantido uma relação com seu colega de caserna Ernst Schmidt.
 A partir de 1930, com a ascensão do partido nazista, ele se sentiu vulnerável e tentou por todos os meios apagar esta imagem "comprometedora".

A eliminação do chefe das SA Ernst Roehm, em 1934, foi diretamente ordenada por Hitler, como “queima de arquivo”.
O Coronel Roehm, homossexual assumido, detinha em seu poder documentos altamente comprometedores.
 Adolf Hitler teria ordenado a perseguição aos homossexuais para dissimular sua própria sexualidade.
 Destaque na feira de Frankfurt em 2001, a obra enfoca a pessoa humana que foi Adolf Hitler, dissecando especialmente um período sombrio que nunca havia sido explorado: sua juventude em Viena e o início da carreira político-militar na Alemanha.
 O Professor Machtan documenta os envolvimentos pessoais do ditador e seu caráter promíscuo (teria sido contagiado pela sífilis), explicando que só é possível tentar compreendê-lo se for considerado este aspecto de sua personalidade.

 A orientação sexual obrigou a cúpula do Partido Nazista a se restringir a um círculo que foi se tornando cada vez mais fechado. As nomeações para cargos de confiança seriam feitas não pela competência, mas pelo nível de discrição e fidelidade ao Führer.
As raras relações heterossexuais também são avaliadas: com a própria sobrinha Angela Maria (Geli) Raubal(Talvez ela tenha sido amante do Tio Adolf, talvez não.
A morte aos 23 anos foi anunciada oficialmente como suicídio, mas rumores garantiam, na época, que havia sido morta por Heinrich Himmler.

Quanto ao casamento “in extremis”, segundo Lothar Machman, Hitler teria se unido a Eva Braun pouco antes do suicídio para, com este gesto grandiloquente,“assegurar sua masculinidade perante a História” .
 Afirma também o autor que “a inclinação sexual de Hitler não é “A” chave para compreender sua vida, mas conhecê-la abre novas possibilidades interpretativas”

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