quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nelson Rodrigues - Centenário de nascimento

 

 
"Toda unanimidade é burra".
 
"Ser tricolor não é uma questão de gosto ou opção, mas um acontecimento de fundo metafísico, um arranjo cósmico ao qual não se pode – e nem se deseja – fugir”.


"Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém."
   
“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”

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Fui criada -compartilhando o espaço com a família materna -num casarão de muitos quartos no Rio Comprido-zona norte do Rio na época isolado e sem túnel Rebouças- e sempre entendi perfeitamente o que Aldeia Campista ( bairro meio perto de Vila isabel que é meio perto do Rio Comprido) fez por e com Nelson Rodrigues.
Naquele momento da História,muitas famílias na zona norte do Rio moravam juntas e a elas somavam-se os agregados,os comensais,os parentes distantes que vinham passar férias eternas,etc.
As vizinhas eram patuscas, os episódios eram vistos por uma ótica muito dramática e quando sentavam no meio fio choravam lágrimas de esguicho e, depois, os padres viraram padres de passeata
  
 E vieram na coluna diária "A vida como ela é" no jornal carioca "Última hora"",campeã de leitura, personagens como Palhares, o canalha (oportunista sem nenhum escrúpulo), A grã-fina das narinas de cadáver (figura da alta sociedade), Sobrenatural de Almeida (sofredor das camadas menos privilegiadas)
  • A estudante de psicologia da PUC (mulher culta e politizada), A estudante de calcanhar sujo (jornalista pouco feminina e de mau humor), O idiota da objetividade (mentalidade sufocada pelos dogmas da ciência) e O gordo anônimo das três bochechas em cada lado do rosto (marido de grã-fina).
E a expressão óbvio ululante,que designava e designa até hoje-já fazendo parte do vernáculo-a verdade incontestável .

Era muito patrulhado pelas esquerdas por ser admirador do regime militar de 64 mas, mesmo seu filho Nelsinho tendo sido preso e torturado a mando dos mesmos generais por quem ele babava ovo, acontecia coisa muito rara:pai e filho se davam muitíssimo bem e se respeitavam humana e politicamente.

E com seu prestígio junto aos milicos ,Nelson salvou a pele de muitos subversivos jurando que os conhecia desde criancinhas.

Cereja do bolo, ouro sobre azul, sopa no mel (ou mosca no mel?) Nelson,gentilíssimo no trato com os semelhantes, jornalista,escritor,dramaturgo que reinventou o teatro brasileiro com "Vestido de Noiva",cronista esportivo -além de tudo- ainda era tricolor declarado,gente!

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Nelson Falcão Rodrigues nasceu da cidade do Recife - PE, em 23 de agosto de 1912, quinto dos quatorze filhos de Maria Esther Falcão e do jornalista Mário Rodrigues.
A família mudou-se 1916 para a cidade do Rio de Janeiro,mais precisamente para o bairro de Aldeia Campista.

Nelson trabalhou no jornal "A Manhã", de propriedade de seu pai,foi repórter policial durante longos anos, grande aprendizado para conhecer a alma humana e,depois, escrever suas peças a respeito da sociedade. 

A primeira foi A Mulher sem Pecado,mas o sucesso mesmo veio com Vestido de Noiva, puro realismo fantástico que trouxe, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista em nossos palcos.

Outros sucessos,embora considerados obscenos e imorais, transformaram-no na grande figura da literatura teatral do seu tempo

Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas
A história pessoal foi muito mais trágica do que qualquer de seus roteiros.
 

A obra de Rui Castro "O Anjo Pornográfico" editado pela Companhia das Letras, biografia de Nelson,é definitiva.



Ali você vai descer aos infernos particulares de Nelson,conhecer as poucas alegrias que a vida lhe ofereceu, e poderá compreender melhor esse gênio que nos deixou há 32 anos.
E "é só"
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