sexta-feira, 8 de abril de 2011

Realengo antes do massacre


Realengo,na zona oeste carioca, é um bairro localizado entre o Maciço da Pedra Branca e a Serra do Mendanha,onde se registram as mais altas temperaturas da cidade e noites frias no inverno,pela proximidade das montanhas.

Nomeia a 23a Região Administrativa carioca que envolve os bairros Deodoro, Jardim Sulacap, Vila Militar, Magalhães Bastos e Campo dos Afonsos.

Ali funcionou a Escola Militar do Realengo,criada em 1913 para o preparo de oficiais do Exército.
A Escola foi fechada em 1941 e substituída pela Academia Militar das Agulhas Negras, inicialmente Escola Militar de Resende,no interior do estado.
Os primeiros dirigíveis brasileiros foram construídos na região, também pioneira na aviação do Brasil.
Tudo indica que o nome do bairro veio da época colonial.
Eram as "terras realengas do Campo Grande" do germânico "realenga" significando tudo que estava longe do poder real, mas a tradição popular diz que é uma abreviatura de Real Engenho -"Real Eng°", nas placas dos bondes.


Pela Carta Régia de 27 de Junho de 1814, Dom João, ainda príncipe, concedeu em sesmaria ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro os terrenos situados em Campo Grande, chamados de realengos porque ainda não estavam incorporados formalmente ao patrimônio real.
Habitada por escravos e originários da Ilha dos Açores,que ali cultivavam cana e exportavam os derivados (açúcar, rapadura e cachaça) via porto de Guaratiba.
Ficou nacionalmente conhecido a partir da canção de Gilberto Gil "Aquele abraço"( O Rio de Janeiro continua lindo...Alô Alô Realengo, aquele abraço).

Gil era assim cumprimentado pelos soldados quando ali esteve preso num quartel, a partir do bordão do comediante Lilico, em programa de tevê que era exibido durante a ditadura militar.
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2 comentários:

Professor Feijó disse...

Que absurdo, Thereza! Parabéns pela sua postagem.
Como aluno, amigo e subordinado ao grande poeta Tasso da Silveira, pois fui seu Assistente de Literatura Portuguesa na UERJ, não poderia deixar seu nome ficar eternamente associado a essa brutal e incompreensível chacina.
Um forte abraço do
Feijó

Thereza Pires disse...

Obrigada por sua visita e comentáro,Professor.
Pena que por motivo tão triste.
Eu penso que Realengo vai ficar associado por muito tempo aos eventos de ontem -assim como a calçada nas cercanias da Candelária pelo massacre igualmente bárbaro dos moradores de rua.
Thereza