sexta-feira, 26 de junho de 2009

Por que,Michael?

(1996-Michael Jackson grava clip no Morro Dona Marta,Rio)
                                            (26 de junho,2009)
Não quero chover no molhado e nem fazer laudatórios. Na cultura ocidental,depois que morre, a pessoa é santificada,mesmo por quem sempre a detonou ,como ouvi ontem .Declarações efusivas de um expert musical ,em entrevista gravada para noticiário de tv.
Michael Jackson estará para sempre em minha estante de Cd's e ,também, “na da torcida do Flamengo”,como a gente diz aqui no Rio,mesmo não sendo rubronegro.
Meus filhos cresceram dançando nas discotecas ao som de suas musicas,muitos de seus amigos tentaram fazer ,aqui na sala,aquele passo genial ,"moonwalk" (andar na lua), marca registrada, quando cantavam "Billie Jean" .Com certeza devem estar se sentindo meio órfãos hoje, e eu ..com muitas saudades dos pré adolescentes e adolescentes que eles foram,quando movimentavam a casa com alegria,música e...Michael Jackson
Desde sempre, amei o menininho que ficava `a frente do grupo de irmãos cantando “Abc abc, its easy ,Its like counting one, two three, or simple as do re mi, abc, its easy”. Não era fácil, né, Michael? A gente quase chegava a ver a presença daquele pai com fama de carrasco e herói/bandido nos bastidores.
                                             Por que?
De uns vinte anos pra cá, minha grande dúvida sobre o Rei do Pop sempre foi a mesma. Por que um ser humano vem do nada,atinge o apogeu, torna-se dono de fortuna estimada em um bilhão de dólares e, a partir de 1984, começa a derrocada,tanto na persona como na pessoa física? Na pessoa jurídica também, a que acatou a super idéia de seus agentes : comprar os direitos dos catálogos dos “Beatles”, para-depois- ter que revender meio a preço de banana. Por que?
Você perdeu o controle da Persona, Michael? Por que embranquecer no momento do apogeu da black music? Por que não se preservar dos escândalos?
Como estou começando um pequeno ensaio sobre Lewis Carrol (autor de "'Alice no Pais das Maravilhas" e também citado como pedófilo platônico, porque era presbítero e confessava masturbações noturnas nas páginas do diário que os irmãos esqueceram de arrancar depois da morte) as duas legendas,separadas por quase dois séculos, se juntaram no mesmo raciocínio,
A família Liddel não sacava a preferência? As fotos sexy de Alice, na era vitoriana, estão aí para quem quiser ver.
Vamos e venhamos:você aí,meu leitor ou leitora,deixaria seu filho/filha ou neto/neta passar, sozinho,uma tarde na “Neverland” ou dormir lá?E será que-os que o fizeram-não teriam tido o objetivo de processar e, depois, fazer acordos fora dos tribunais.? Os pais dos supostamente abusados não seriam tão ou mais envolvidos?
O amigo e psicólogo Marcelino Tomkowsky, que mora aqui `a esquerda, na minha lista de blogs favoritos, escreveu no início do mês sobre auto-sabotagem e foi até convidado a participar de programa na emissora TV Brasil (Atitude.com) para falar sobre o assunto. Curiosa e premonitoriamente, a produção escolheu para fundo musical um grupo cover do Jackson Five. .
Quem sabe esse não era seu problema,Michael?Talvez auto-sabotagem?
Aqui no Brasil,sua influência está até nos nomes próprios. Fazendo uma reflexão lembrei de tantos Maicons, Jonathans,Stéfanies (existem dezenas de formas de grafar listadas em cartórios) e a mistura de todos esses nomes, tantos. Jogadores de futebol, atrizes, crianças anônimas.
Além de grande performer, Michael era um filantropo,sempre envolvido nas grandes causas humanitárias, para as quais doou fortunas.
Palavras de Quincy Jones de 76 anos, que trabalhou com ele no álbum "Thriller" (1982), o mais vendido da história da música, "Estou totalmente devastado por esta trágica e inesperada a notícia . Ele tinha tudo:talento, graça, profissionalismo e dedicação".
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3 comentários:

VERA VIEIRA disse...

The, lindo seu texto. Também me sinto assim..."um tanto órfã". Mas sabemos que é rara a pessoa que se mantém forte, nos chamados 'trilhos da vida' quando certas avalanches insistem em sufocá-la, verdade? No meu coração viverá pra sempre o menino Michael. Beijos!

Pedro Luso de Carvalho disse...

Thereza,

Vim mais para agradecer o link do vídeo do Georges Moustaki com a música-tema do filme SACCO E VANZETTI, que já está postado no meu blog.

E também para transcrever minha resposta ao teu comentário, como segue:

"Thereza, é com alegria que recebo o teu comentário ao que escrevi sobre essa ignomínia que foi o julgamento de Sacco e Vanzetti, nos Estados Unidos.

Concordo contigo que esse julgamento só é comparável com o de Dreyfus, em Paris; pena que Sacco e Vanzetti não encontraram lá, entre os estadunidenses, um Émile Zola para lançar via imprensa o seu “J'ACCUSE” ('Eu Acuso!), que escandalizou os franceses quando souberam que alguns militares graduados, que não se conformavam em ter em suas fileiras um oficial judeu, o capitão Dreyfus, ardilosamente prepararam falsas provas de que ele havia traído a confiança da França. Zola mostrou-se mais forte que essas forças militares subterrâneas e acabou por livrá-lo da temível prisão, instalada na sua colônia aqui na América do Sul.

Thereza, conheço a balada do filme “Sacco e Vanzetti” interpretada por Joan Baez e também a interpretada Georges Moustakis, em francês, ambas da melhor qualidade.

Um grande abraço,
Pedro.

27 de Junho de 2009 15:33"

Tais Luso de Carvalho disse...

Realmente foi uma bela voz, um talento como artista. Pena, que tenha negado sua cor, feito inúmeras plásticas e não tenha conseguido manobrar os escândalos. O ser humano não agüenta tamanha exposição. É difícil e pior quando se é frágil.

Mas contudo devemos separar o artista do homem; sua obra, da sua vida. Uma se foi; a outra ficará. Não é sempre assim?

Penso que quando se morre, morrem os julgamentos. Que fique sua obra, o bem maior que deixou; nada vai acrescentar e nem desfazer. Tudo daqui pra frente não passará de especulações. Tem de permanecer o artista.

Beijão amiga, bela postagem.

Tais