terça-feira, 4 de novembro de 2008

Três livros imperdíveis

Eu li,reli ,li outras vezes-que é como faço quando gosto-e recomendo vivamente (maio 2008)
1-Cartas de Uma Imperatriz (Editora Estação Liberdade ,2006)

Compilação de 315 cartas de Maria Leopoldina Carolina de Habsburg,Imperatriz do Brasil entre 1817 e 1826.As cartas cobrem alguns estágios da vida da imperatriz,desde os 14 anos-ainda princesa da corte vienense até os dias anteriores a seu falecimento no Rio de Janeiro, aos 29 anos.Leopoldina teve participação ativa nos acontecimentos que anteceredam a Independência em 7/9/1822.Foi,com José Bonifácio,articuladora do movimento.Era regente quando D Pedro I se ausentava.Os destinatários das cartas encontradas neste volume foram o marido D Pedro I,o pai,Imperador Francisco I da Áustria, a irmã e confidente Maria Luísa( mulher de Napoleão Bonaparte), pessoas da família,D João VI e D.Carlota Joaquina,os sogros,a José Bonifácio e a Maraia Graham,preceptora da filha mais velha de Leopoldina, D Maria da Glória, depois Maria I de Portugal.

Algumas cartas são tão ternas que podem sugerir um envolvimento afetivo com a amiga.Mas devemos considerar que, na época e mesmo hoje,a amizade entre duas mulheres costuma conter muita ternura e declarações de admiração e respeito. A seleção e transcrição das cartas foi feita por Bettina Kann e Patrícia Souza Lima, a tradução é de Guilherme Teixeira e Tereza Souza Castro.Coordenação editorial de Angel Bojadsen/ Existem artigos preliminares que focalizam Leopoldina em todas as facetas de sua personalidade,inclusive um perfil psicanalítico por Maria Rita Kehl .Trecho de uma das cartas `a irmã,em 17/9/1826,pouco antes de morrer.”Nós,pobres princesas , somos tais quais dados ,vírgula que se jogam e cuja a sorte ou azar depende do resultado”
 

2-Minhas Queridas,(cartas de Clarice Linspector para as irmãs Tânia e Elisa) Editora Rocco/2007 O livro mostra uma Clarice totalmente desconhecida para seus leitores e admiradores.As cartas.foram es critas durante um período muito fértil de produção literária, acompanhando o marido Maury Gurgel Valente, diplomata,em seus postos no exterior:Lisboa,Roma,Nápoles,Florença,Berna,Paris,Torquay (Inglaterra)e Washington.E cobrem o período entre 1944 e 1957 Foi uma espectadora privilegiada dos momentos finais da segunda guerra mundial e dos esforços para reconstruir o mundo,a partir daquele conflito. Da introdução de Teresa Monteiro’”Clarice registrou praticamente mês a mês seu cotidiano no exterior,a feitura dos romances, a dificuldade para publica-los,como repercutiam os comentátios dos críticos, os museus que visitou,,os filmes ,nascimento dos filhos” e todo o contexto histórico”

O mais curioso é o modo da escritora se dirigir `as irmãs:mesmo sendo a caçula se considerava mãe de Tânia e avó de Elisa ee assim também assinava a cartas.. A relação com Tânia era quase de paixão.Escritas `a mão ou `a máquina e em papel especial, num tempo em que não havia computador ,nem internet,essas cartas viram relíquias. Trecho de uma carta para Tânia Berna, 16 de julho, 1948 “Tânia,minha querida,minha flor,minha boneca Como estou amolada de não ter escrito mais frequentemente! Minha irmã pequena,minha florzinha do campo,minha adoradinha,como é que você se sansa tanto? Querida única,minha filhinha e minha mãezinha,Deus te abençoe e te faça ver as coisas com justeza.Não quero que você esteja cansada,não quero carta escrita quase `a meia noite.Minha Tânia,minha boneca única,como te adoro!Você é minha filha.”

Trecho de carta para Elisa Nápoles ,18 de dezembro de 1944 "Elisa queridinha Querida, eu lhe peço:cuide-se extraordinariamente,pense que isso é também para mim,eu lhe peço.E,pelo amor de Deus,veja nas minhas palavras mais do que minhas palavras.
Aquela sua carta em que você diz que temos a intimidade que devíamos ter,é certa de algum modo.E se você em suas cartas não é tão íntima comigo, eu no entanto adivinho e perdoo ao acaso e `as circunstâncias o fato de termos uma espécie de pudor,uma em relação a outra”  


3-Correspondência entre Mario de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa Da intensa correspondência trocada com Pessoa, restaram as de Mario para Fernando, que ocupam 456 páginas do livro editado pela Companhia das Letras, com organização e adaptação de Teresa Sobral Cunha e comentários do tradutor Paulo Henriques Britto, na orelha da edição.
As cartas contidas no livro foram encontradas entre os pertences de Pessoa,depois de sua morte, em 1935 (e mais 5 rascunhos dele para Sá Carneiro). Os amigos discutem a vida literária em Portugal, trocam idéias sobre os heterônimos de Pessoa, a criação da revista Orpheu e, nos dias finais, Mário pede dinheiro obsessivamente e incumbe o amigo da difícil tarefa de passar o chapéu entre os camaradas e de procurar a antiga babá implorando que ela lhe envie as últimas economias e um colarzinho de ouro (foram enviados).

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