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"Existe um debate histórico e político sobre a data oficial.
A Divergência de Datas: Os militares e defensores do regime costumam celebrar o movimento no dia 31 de março, data do início da rebelião em Minas Gerais.
No entanto, a maior parte da historiografia utiliza o dia 1º de abril, pois foi quando João Goulart deixou o Rio de Janeiro e o golpe se consumou.
O "Dia da Mentira": A escolha do dia 31 pelos militares visava evitar a associação da "revolução" (como eles a chamavam) com o dia 1º de abril, popularmente conhecido como o Dia da Mentira, o que poderia gerar ridicularização ou questionamentos sobre a legitimidade do ato.
Ato Final: Na madrugada de 2 de abril, o Congresso Nacional declarou a vacância da Presidência da República, mesmo com Jango ainda em território nacional (no Rio Grande do Sul), formalizando a tomada de poder.
Contexto: O golpe ocorreu em meio à Guerra Fria, sob justificativa de combater uma suposta "ameaça comunista" e em oposição às Reformas de Base propostas por Goulart.
Os militares anteciparam a data oficial para 31 de março,na tentativa de evitar chacotas e ironias.
A causa remota foi a renúncia do presidente Janio Quadros em agosto de 1961, enquanto seu vice, João Goulart, se encontrava em visita à China Comunista.
Enquanto uma interminável viagem de volta se realizava – para permitir o encontro de uma solução constitucional, já que os militares não aceitavam a rotina da lei - o presidente da Câmara (Ranieri Mazzili) assumiu o governo e foi preparada uma solução digerível por todas as partes.
Em 1963, foi convocado um plebiscito quando a maioria dos eleitores optou pelo “não” ao parlamentarismo e o país retornou ao regime presidencialista.
O mesmo o grupo de militares que tentou impedir a sua posse em 1961, teve seus objetivos facilitados por uma sequência de fatos que terminaram com a adesão de grupos indecisos-legalistas.
Nele, o Presidente anunciou o compromisso de implantação das chamadas “reformas de base”, assinou a nacionalizacão das refinarias privadas de petróleo e a desapropriação das margens das rodovias federais para efeito de reforma agrária.
A quebra da hierarquia – base da organização militar – representada pela revolta dos marinheiros ,liderada pelo famoso Cabo Anselmo, depois identificado como agente da CIA, as manifestações dos sargentos do exército (estimulados pelo deputado Leonel Brizola, cunhado de Jango e pré-candidato na sucessão presidencial) - foram elementos mobilizadores da insatisfação nas forças armadas.
O discurso proferido, na ocasião, pelo Presidente foi considerado “radical” pelo lider comunista Luis Carlos Prestes.
Jango preferiu exilar-se no Uruguai, de onde nunca mais saiu até morrer, em 1976.
Para justificar as violações de direitos que se seguiram, a junta militar baixou um Ato Institucional – aberracão jurídica não prevista na Constituição de 1946.Durante o mês de abril, foram instaurados milhares de Inquéritos Policiais-Militares (IPMs), chefiados, em sua maioria, por coronéis.
Em um texto indignado, comparei a Inquisição em Portugal com as torturas sofridas pelos presos políticos de 64, sob a batuta do torturador-mor, e ídolo de Jair Bolsonaro:Carlos Alberto Brilhante Ustra, foto acima.
Coronel do Exército, condenado em 2008 pela Justiça brasileira como torturador durante a Ditadura Militar (1964-1985).
Jamais deixaremos que este ser monstruoso seja esquecido.








