quinta-feira, 14 de agosto de 2025

S O S Pirilampos

Foto : Gonçalo Lemos  para o National Geographic Magazine

Luzes artificiais ameaçam de extinção os charmosos insetos          

O site português MY PLANET  explica, no completo texto abaixo, o perigo que correm.
E disponibiliza mais detalhes curiosos e importantes, como grupos que se reunem para observá-los no mês de junho, o "mês dos pirilampos", em diversos locais do país.

*****************************************

" Os pirilampos tornaram-se símbolos de criatividade, inspiração e autodescoberta e sempre foram fascinantes para o Homem. 

Fascínio que levou tanto à criação de histórias, lendas e mitos, como a atividades mais invasivas e destrutivas, incluindo caçá-los. 

A verdade é que o charme luminoso dos pirilampos fez com que nunca tenham passado despercebidos.

Existem mais de duas mil espécies em todo o mundo, tendo sido identificadas dez em Portugal.

Das 128 espécies de pirilampos registadas na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), 11% estão ameaçadas, dividindo-se entre as classificações de Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável. 

Mas para 55% destas espécies não existem dados suficientes, o que revela uma grande necessidade de implementar mais programas de monitorização.

Na Lista Vermelha dos Invertebrados de Portugal, existem três espécies de pirilampos a ser avaliadas:  o Pirilampo-preto (Phosphaenus hemipterus), o Pirilampo-pequeno-de-lunetas (Lamprohiza mulsantii) e o Pirilampo-grande-de-lunetas (Lamprohiza paulinoi).

Destruição de habitats e excesso de iluminação artificial

Um grande estudo publicado em 2020 na revista BioScience, intitulado “Uma perspetiva global sobre as ameaças de extinção dos pirilampos”, apurou, por ordem de impacto, as ameaças que têm vindo a pôr em risco as populações destas espécies. 

A primeira é a perda de habitats, o que não foi surpreendente para os autores, já que é o que tem acontecido a tantas espécies, e não apenas de insetos. 

Por exemplo, um pirilampo da Malásia (Pteroptyx tener), famoso pela sua forma sincronizada de “piscar”, sofreu um grande declínio nas suas populações porque os mangais, o seu habitat natural, estão a ser destruídos para dar lugar a plantações de óleo de palma e explorações de aquicultura.

A segunda maior ameaça foi mais inesperada, até para os investigadores, pela dimensão do seu impacto: a luz artificial noturna.


 “Além de perturbar os biorritmos naturais – incluindo o nosso –, a poluição luminosa desorganiza os rituais de acasalamento dos pirilampos”, explicou Avalon Owens, coautora do estudo. Esta luz “inclui tanto a iluminação direta que afeta uma área localizada (…), como o clarão no céu, aquela iluminação mais difusa, que pode exceder os níveis da lua cheia e espalhar a luz muito além dos centros urbanos”.

A iluminação artificial das cidades, mais intensa do que a luz dos pirilampos, anula ou enfraquece o seu brilho noturno, condicionando o processo reprodutivo. 

“Para incentivar o acasalamento bem-sucedido dos pirilampos, que depende de sinais bioluminescentes, precisamos de reduzir a iluminação artificial noturna nos seus habitats e ao seu redor”, pode ler-se no mesmo trabalho.

A poluição química, pelos pesticidas usados na agricultura, vem em terceiro lugar na lista das maiores ameaças aos pirilampos. Uma lista que é longa e inclui ainda a poluição da água, o turismo, as espécies invasoras e as alterações climáticas.

Como e por que brilham?

A luz emitida pelos pirilampos chama-se bioluminescência, nome que se dá a todos os fenômenos em que uma reação biológica produz luz.

 A luciferina, uma molécula existente no organismo dos pirilampos, em contacto com oxigénio e sob o efeito da enzima luciferase, faz “acender” a luz que estes insetos emitem. 

Ou seja, dá-se a transformação da energia química em energia luminosa.

O mais extraordinário é que eles conseguem controlar essa luz, fazendo-a acender e apagar a um ritmo distintivo, próprio da sua espécie. 

Um verdadeiro código de sinais de luzes que permite que as fêmeas reconheçam um macho da sua espécie e pisquem de volta, demonstrando a sua disponibilidade para o acasalamento. A bioluminescência é assim determinante para a reprodução e continuação destas espécies.

Especialistas pensam que, para além do acasalamento, a luz é também usada como alerta para a presença de predadores e para defesa do território.


A observação de pirilampos


Estima-se que nos últimos anos mais de um milhão de turistas tenha viajado anualmente para locais específicos, em pelo menos 12 países, onde é possível fazer observação noturna de pirilampos

Apesar dos benefícios económicos para as comunidades e da crescente consciencialização ecológica, estas atividades podem ter um impacto negativo se não houver o cuidado de preservação dos habitats.

Em países como o México, a Índia, a Malásia, a Tailândia ou os Estados Unidos, este tipo de turismo aumentou de forma muito rápida e pode tornar-se uma ameaça, quer pela construção de infraestruturas que “invadem” os habitats, quer pela poluição luminosa e também sonora. 

“As pessoas envolvidas nestas iniciativas por vezes não se apercebem que há um comportamento certo para que não se prejudique a eclosão de uma próxima geração de pirilampos”, afirma a coautora do estudo Lynn Faust.

Na Europa, este tipo de turismo assume “uma escala consideravelmente menor”, segundo o mesmo estudo. 

O Parque Biológico de Gaia, com as suas Noites dos Pirilampos, organizadas há mais de vinte anos, é um dos exemplos indicados.

Etiqueta para observação de pirilampos

Se vai observar pirilampos, procure fazê-lo sempre com todos os cuidados, de forma a minimizar o impacto da sua visita. 

  • Não usar nenhuma luz artificial (nem lanternas, nem celulares nem sapatilhas com luzes)
  • Não usar máquinas fotográficas com flash
  • Permanecer sempre no percurso previsto
  • Falar em voz baixa
  • Não capturar os pirilampos nem alterar de nenhuma forma os locais onde se encontram
  • Não fumar, nem usar perfumes
  • Se houver necessidade de usar repelente, aplicá-lo antes da chegada ao local


Junho: mês dos pirilampos

Junho é o mês ideal para a observação de pirilampos. As Noites dos Pirilampos  ocorrem no Parque Biológico de Gaia e decorrem até ao dia 28.

 A inscrição prévia é necessária.


Onde vivem e o que comem?

Normalmente preferem zonas quentes e úmidas, onde haja água por perto – margens de rios, pastagens, florestas, campos agrícolas ou parques urbanos com lagos ou charcos. As larvas podem ser aquáticas, semiaquáticas ou terrestres e alimentam-se de caracóis, minhocas e outros organismos de corpo mole.

Um pirilampo pode viver entre um a três anos. 

A maior parte desse tempo corresponde à fase larvar. Depois da metamorfose, a fase adulta dura apenas três a quatro semanas, dedicadas sobretudo ao acasalamento."

 ******************************



CONTINUA

Nenhum comentário:

a seguir > Liberdade, o bairro oriental da cidade de S .Paulo. e bio de Louis Braille , ambos em elaboração

  Oi,querido(a)  leitor (a) Obrigada pela visita ! Necessária uma mini pausa. Voltarei em alguns poucos dias.

Textos mais visitados