segunda-feira, 13 de junho de 2016

Mestre Vitalino,o Gênio do Alto do Moura


Vitalino Pereira da Silva nasceu no Alto do Moura, vila -hoje bairro de Caruaru(PE) em 10 de Julho de 1909.
Aos seis anos, enquanto observava a mãe louceira (nome dado à mulher que fabricava artesanalmente objetos de barro), começou ele mesmo a utilizar as sobras do material para fazer pequenos animais: bodes, cavalinhos e bois que chamava de “loiça de brincadeira”.
Aperfeiçoando o trabalho pela repetição dos motivos, passou da “loiça” para a técnica figurativa a partir da peça “Caçador de Onça” logo vendida na Feira de Caruaru : um gato marajá assustado, sendo acuado pelo cachorro e o caçador apontando para a cena. 

Suas peças de massapê registravam o cotidiano do sertanejo: a Vaquejada, o Vaqueiro que virou cachorro, o Cortejo Nupcial, Enterro na Rede, Enterro no carro de Boi, Lampião a pé, Lampião e Maria Bonita.
Um retrato sociológico do sertão foi construído a partir da representação da
“família solidária”: o agricultor voltando da roça com a família, os Retirantes e a casa de farinha.
A vida urbana teve seu registro nas figuras profissionais do dentista, do advogado, da costureira, do padre e do fotógrafo. Vitalino ceramista, já usando produtos industriais na pintura de seus bonecos, começou a assinar com lápis passando, depois, a utilizar o carimbo com as iniciais VPS - sua marca registrada. Revelado para o resto do país pelo artista plástico Augusto Rodrigues, teve sua obra apresentada pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1945.
Expôs em Brasília e São Paulo. 

Vitimado pela varíola, morreu no dia 20 de janeiro de 1963, sem que seu talento fosse devidamente reconhecido, apesar das medalhas e prêmios que recebeu.
Deixou como herança 118 peças e a inspiração constante para cerca de 400 artesãos que se espalham nas ruas do Alto do Moura.


Após sua morte foi inaugurada a Casa Museu Mestre Vitalino, no local em que viveu e exerceu sua criatividade.


Os trabalhos são cada vez mais valorizados, especialmente os da 1a fase, aqueles em que os olhos dos bonecos não são pintados e, sim, vazados. 
Filhos, netos e bisnetos dão continuidade à sua obra. 

Mestre Vitalino foi, também, dotado com grande talento musical. Tocava pífano e zabumba, tendo montado aos 15 anos uma banda - a Zabumba Vitalino.
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