quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

" Resistência" editora: Nova Fronteira

Sobre resistir,sobreviver e recomeçar






O conteúdo e o sucesso do livro de Agnes Humbert, na que ficou 13a semanas da lista dos best sellers,pediram um bis da primeira postagem,quando do lançamento, em outubro 2008.
E vai junto outro  bis, na história da valente Oma(vovó,em alemão),referência que  sempre  me inspira nas horas duras de sofrimento. 


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Em 15 de abril de 1941,o mundo de v(Dieppe, 1894 - Paris 1963) ia bem, apesar da falta de notícias dos colegas judeus do Musée de l’Homme (em frente à Torre Eiffel) e dos abusos de poder por parte dos alemães invasores.
Agnes Humbert 
Ela escrevia um diário e já conspirava. O local dos encontros do grupo de resistentes era a Closerie de Lilás, em Montparnasse. Em março, o grupo começou a se dissolver e em abril, Agnès interrompeu a narrativa por ter sido presa.
Acabo de reler “ Resistência - A história de uma mulher que desafiou Hitler”, no original “Notre Guerre’’ Editions Paul Frères -1946, relançado em ótima hora pela Nova Fronteira ( 2008, tradução de Regina Lyra).
Uma vez que comecei, não deu para parar : li a segunda vez e a terceira 

. É uma fonte inesgotável de coragem, exemplo de vida e – mesmo - documento de História Contemporânea.
E um alívio para horas de sofrimento - quando a gente pensa que está passando por alguns problemas, basta ler Agnès Humbert para que a situação seja vista com a devida dimensão.
Assim como sempre me consolou nas horas difíceis a figura fortíssima de minha Oma (avó) paterna, que serviu por 3 anos e meio como escrava num único local de martírio: o campo de trabalhos forçados em Teresienstad, na atual República Tcheca, trazendo no pulso -até a morte - a marca de ser judia - um número no pulso. gravado a ferro, 

Eu a conheci aos nove anos a revi adulta, e pude visitá-la com freqüência até que morreu com quase 90 anos, lendo sem óculos. A resistente Oma sobreviveu e retomou sua lojinha de tecidos na Rathaus Platz, em Münden-entre Frankfurt e Hannover, cidadezinha medieval que ficou imune aos bombardeios aliados.
A trajetória de Agnés Humbert foi outra. Perambulou por várias prisões coletivas, e celas solitárias até junho de 1945, quando os americanos entraram em Wanfred e a libertaram tão magra que era chamada de “Ghandi”.
Estava quase cega pelas emanações de gases na Fábrica Phrix, em Krefeld, onde manipulava, sem luvas, ácido e viscose para produção de seda sintética. A descrição dos sofrimentos causados pelo sulfeto de carbono na pele sem proteção é de arrepiar.
Ela relata que brincava com varetas feitas de palha do colchão onde dormia e com uma bola feita de lã do cobertor e que as unhas ficaram tão crescidas que viraram armas. E que, durante dois meses, ficou com a mesma roupa e sem banho. A roupa limpa chegou em julho de 1942
Agnés Humbert, intelectual, historiadora da Arte, especialista em folcore, mulher generosa, com inegáveis qualidades de liderança era coerente.
Terminada a guerra, não quís retomar o posto no Musée de l’Homme - de onde seu grupo de amigos saiu para não voltar e onde foram impressas 4 edições do jornal “Resistência”.
Com Jean Cassou - outro sobrevivente - trabalhou no Musée d’Art Décoratif de Paris, criado em 1947.
A palavra “resistência”, no caso de Agnès Humbert, tem duplo significado. Ela desafiou um regime sanguinário pela força de vontade e determinação e sobreviveu com problemas de saúde, mas dignamente. Foi condecorada com a Cruz de Guerra em 1949.
Uma característica interessante do livro “Resistência” é o fato do diário ter sido escrito em dois tempos: em 1941 e , de memória, a partir do dia seguinte à sua libertação pelas tropas americanas.
Para que tudo ficasse fixado, sem as formas meio enfumaçadas que os acontecimentos costumam tomar no futuro, quando vistos com a perspectiva de “passado”.
E antes que o natural instinto de sobrevivência apagasse o lado horrivel da situação.
Após a guerra, passou morar com o filho Pierre Sabbag( que se tornou famosíssimo apresentador de  tv na França.)
Pierre era fruto do casamento da escritora com o artista George Sabbagh .
As sequelas do sofrimento não a deixaram em paz, mas Agnès continuou a cumprir a tarefa de escrever seus livros até morrer, em 1963.
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Conheça o site do livro:
http://www.novafronteira.com.br/resistencia
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