sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Grito que valeu- 9 de janeiro de 1822

  O “brado retumbante das margens plácidas do Ipiranga” do sete de setembro foi mais um simbolismo que marca, até hoje, a emancipação do domínio português"

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A volta de Dom João VI para a Europa, em abril de 1821, não foi em clima de tranquilidade. Em Lisboa, militares e a população exigiram obediência à nova Constituicão que seria elaborada pelas Cortes Portuguesas. 

Pressionado e com receio de perder o trono, Dom João retornou a Portugal e nomeou seu filho Pedro como príncipe regente do Brasil recomendando: “Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”. No dia 26 de abril, Dom João VI e sua comitiva de 4 mil pessoas finalmente embarcaram para Portugal, levando todo o ouro existente no Banco do Brasil enquanto manifestantes revoltados exigiam, no cais do porto, que o rei deixasse, pelo menos, as jóias e os bens do Tesouro. 

Pedro I
D João sabia que, mais cedo ou mais tarde, o Brasil se tornaria independente e para isso nada melhor que deixar seu filho e representante, à frente do governo. Esta solução - uma forma de manter a monarquia na antiga colônia - agradou em cheio aos aristocratas latifundiários que perceberam estar se delineando assim o processo de independência pacífica. 

  • Apoiando o príncipe, estariam desarticulando os abolicionistas e os já nascentes movimentos republicanos. No entanto, as Cortes * anulam o ato de posse de D. Pedro e D. João ordena que seu filho regente volte imdediatamente a Portugal.
Tem início um movimento popular liderado por Clemente Pereira, presidente do Senado, que consegue rapidamente oito mil assinaturas num documento pedindo a permanência de D. Pedro no Brasil. 

Em 29 de dezembro de 1821, Clemente Pereira, acompanhado de uma comissão, entrega ao Príncipe o abaixo-assinado. “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico”, declarou D Pedro, indo até à janela dar a notícia ao povo que se aglomerava em frente ao Paço Imperial, há 189 anos, em 9/1/1822. 

Este fato passou à História como o “Dia do Fico”. 

A decisão de D. Pedro de desobedecer as Cortes foi o início do processo de nossa independência de Portugal. 

Demitido o Ministério nomeado por seu pai, D Pedro escolheu um gabinete cem por cento brasileiro. 

José Bonifácio de Andrada ficou no Ministério do Reino e Estrangeiros, seu irmão Martim Francisco no da Fazenda 

José Bonifácio forçou D Pedro a viajar pelo país, justificando que “o Brasil não é o Rio de Janeiro” e, aliado a D.Leopoldina, levou o Principe a se rebelar contra os decretos que continuavam a chegar de Portugal. 

Foi o real articulador da Independência. A mulher de D.Pedro, Dona Leopoldina, arquiduquesa da Áustria e regente do Brasil em setembro de 1821, abraçou a causa e teve papel importante no episódio. 

Entre o Dia do Fico e o Grito do Ipiranga passaram-se menos de dez meses. O “grito que valeu” teria sido o da Praça XV. 

O “brado retumbante das margens plácidas do Ipiranga” do sete de setembro foi mais um simbolismo que marca, até hoje, a emancipação do domínio português . 

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*As Cortes eram os nobres e burgueses que dominvam o cenário português após o processo conhecido como “Revolução do Porto” : desejavam que o Brasil se mantivesse como colônia e apoiavam a autonomia política de Portugal em relação a Inglaterra. 

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