segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Revolução Russa -Outubro de 1917


Talvez o maior acontecimento político do século XX, a revolução russa -ou como desejam alguns historiadores- as revoluções russas , vigorou durante 74 anos (1917 -1991) trazendo não só a ruptura radical com o czarismo e expondo as feridas de sua fragilidade,mas a chegada do novo regime que concretizava as utopias socialistas muito fortes no início do século.
Em fevereiro de 1917 os problemas da Russia face à entrada na Primeira Guerra Mundial eram grandes: derrotas na Prússia Oriental com perdas de vidas nunca vistas ( 1 700 000 mortos e 5 950 000 feridos), motins nas tropas contra seus incapazes oficiais,armas não adequadas ao combate ,fábricas trabalhando de forma insatisfatória,rede ferroviária insuficiente.
A fome se instalou e as mercadorias eram poucas.A economia russa-antes da guerra uma das mais fortes da Europa- entrou em declínio
A Douma-base do Parlamento constituída por partidos liberais e progressistas se manifestou contra o Czar Nicolau II aconselhando a formação de um novo governo constitucional, advertência ignorada
Isolado no front,Nicolau II perdeu a noção da realidade do país. A impopularidade da Czarina, de origem alemã,agravou a situação.
Em dezembro de 1916, Rasputin, guru da imperatriz que havia se tornado eminência parda do governo, foi assassinado por um jovem nobre.
Em fevereiro de 1917,tudo estava configurado para uma revolta massiva:inverno rigoroso,falta de alimentos,profunda irritação da população que perdia maridos e filhos .
Começam as greves espontâneas dos operários das fábricas da capital Petrograd0-novo nome para São Petesburgo depois do conflito,
Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário moderno) , no Dia Internacional da Mulher,as mulheres da cidade se organizaram, pedindo comida.Os operários das indústrias aproveitaram para prolongar a greve.
Abaixo a greve,abaixo a autocracia
Depois de 3 dias ,o Czar manda que sua polícia reprima as manifestações.Uma parte dos soldados adere ao movimento.
Sem condição de governar,ele dissolve a Douma e nomeia um comitê de governo provisório e, no dia 3 de março, abdica em favor de seu irmão,o grão duque Mikhaïl Alexandrovich Romanov que se recusa ocupar o posto.
É o fim do czarismo.
Foi formado um governo provisório que propôs uma separação entre os partidos Menchevique e Bolchevique e o poder soviético ficou sob o controle do partido bolchevique.
Foi criada a União Soviética, o primeiro país socialista do mundo, que durou até 1991.

As duas fases da Revolução
A Revolução de Fevereiro (março de 1917, pelo calendário ocidental), que derrubou a autocracia do Czar Nicolau II da Rússia, o último Czar a governar e estabeleceu em seu lugar uma república com ar liberal.
A Revolução de Outubro (novembro de 1917, pelo calendário ocidental), quando o Partido Bolchevique, liderado por Lênin, derrubou o governo provisório e impôs o novo regime.
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A linha do tempo mostra a tomada de poder pelo partido bolchevique,um intermezzo de democracia e, em seguida, a ação determinante da minoria agitadora que -atendendo as aspirações de paz, da propriedade de terras e da ascenção do proletariado- governou por um tempo, antes da situação desembocar em décadas de ditadura cruel.
( a fonte dos textos e fotos abaixo é o site do Jornal do Commercio)
Foto: Reprodução
Líder da revolução bolchevique, Lênin ajudou a fundar a União Soviética. (Foto: Reprodução)
Vladimir Lênin (1917-1924)
Vladímir Ilitch Ulianov foi um dos principais líderes da Revolução Russa de 1917, que derrubou a dinastia dos czares russos. No poder, Lenin passou a distribuir terras a camponeses e transferiu a representantes dos operários o controle das indústrias. O Exército vermelho reprimiu as várias forças de oposição e garantiu a criação, em 1922, da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), reunindo os territórios que pertenciam ao Império Russo sob o regime comunista.
Foto: Reprodução
Josef Stalin comandou um regime totalitário no país. (Foto: Reprodução)
Josef Stalin (1924-1953)
Ióssif Vissariónovitch Stalin foi o líder máximo da União Soviética de 1924 a 1953, quando comandou a era do Stalinismo, quando transformou o país em uma potência mundial. Durante seu governo, Stalin perseguiu duramente os seus opositores, promovendo fuzilamentos em massa. Seu exército teve participação decisiva na derrota da Alemanha nazista ao final da Segunda Guerra Mundial. Stalin investiu pesado em habitação, educação, saúde, e esporte. Morreu em 1953, de hemorragia cerebral.
Foto: Reprodução
Nikita Khruschov foi muito criticado em seu governo até ser deposto. (Foto: Reprodução)
Nikita Khrushchov (1953-1964)
Nikita Sergueievitch Khrushchov chegou ao poder com a morte de Stalin, em 1953. Em seu governo, deu prioridade à fabricação de bens de consumo para a população soviética. Foi deposto em 14 de outubro de 1964, acusado de erros políticos graves e desorganização da economia soviética. Morreu em 1971.
Foto: Reprodução
Leonid Brejnev governou a União Soviética por 18 anos. (Foto: Reprodução)
Leonid Brejnev (1964-1982)
Leonid Ílitch Brejnev comandou a União Soviética por 18 anos. Ele sucedeu a Nikita Khrushchov como Secretário-Geral do Partido Comunista em 1964 e ficou no poder até 10 de Novembro de 1982, quando morreu. Durante seu governo, Brejnev teve de equilibrar a estagnação econômica da URSS com os gastos com a corrida armamentista contra os Estados Unidos. Também comandou a repressão ao governo reformista da Checoslováquia, em 1968, e a invasão ao Afeganistão, em 1979.
Foto: Reprodução
Yuri Andropov ficou pouco mais de um ano no comando da União Soviética. (Foto: Reprodução)
Yuri Andropov (1982-1984)
Yuri Vladimírovitch Andropov foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética de 12 de novembro de 1982 a 9 de fevereiro de 1984, data de sua morte. Andropov foi o primeiro chefe da KGB, a polícia secreta soviética, a ser indicado para comandar a URSS. Ficou pouco mais de um ano no poder, quando morreu vítima de problemas renais.
Foto: Reprodução
Chernenko esperou tanto para chegar ao topo do poder e ficou só um ano. (Foto: Reprodução)
Konstantin Chernenko (1984-1985)
Konstantin Ustínovitch Chernenko dedicou sua carreira política ao Partido Comunista, tendo grande importância durante o governo de Stalin e Brejnev. Perdeu a disputa pelo poder com Andropov, mas foi eleito o secretário-geral do partido com a morte do colega em 1984. Coordenou uma reforma educacional na União Soviética e uma reestruturação burocrática do estado. Chernenko ficou apenas um ano no poder. Com problemas de saúde, morreu em 10 de março de 1985.
Foto: Reuters
Mikhail Gorbachev foi o responsável pela abertura política e econômica da URSS. (Foto: Reuters)
Mikhail Gorbachev (1985-1991)
Mikhail Sergueievitch Gorbatchev foi o último secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética de 1985 a 1991, ou seja, o último líder da era URSS. Conduziu o fim da Guerra Fria com os Estados Unidos e seu governo marcou a perda de poder do Partido Comunista, e a consagração de um projeto de transparência política e reestruturação econômica do país. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1990. Chegou a ser deposto do cargo em uma tentativa de golpe em 1991. Acabou renunciando em 25 de dezembro do mesmo ano.
Foto: AP
Boris Yeltsin comandou a transição do socialismo para o capitalismo. (Foto: AP)
Boris Yelstin (1991 a 1999)
Boris Nikolaievitch Yeltsin foi o primeiro presidente da Rússia em 1991, após o fim da União Soviética, e o primeiro eleito democraticamente na história daquele país. Yeltson comandou a transição do socialismo para o capitalismo, e seu governo foi marcado por transformações econômicas e políticas na Rússia e em outros países da ex-união Soviética. Renunciou ao cargo em 31 de dezembro de 1999 Nascido em 1º de Fevereiro de 1931, Yelstin morreu nesta segunda-feira, 23 de abril de 2007, vítima de problemas cardíacos.
Foto: Reuters
Vladimir Putin é o atual presidente. (Foto: Reuters)
Vladimir Putin (desde 1999)
Vladimir Vladimirovitch Putin assumiu interinamente a presidência da Rússia em 31 de dezembro de 1999, com a renúncia de Boris Yeltsin, e foi eleito presidente em março de 2000. Putin desenvolveu um a política de modernização do país e integração da Rússia à Europa. Internamente, é acusado de controlar os meios de comunicação e as ONGs. Foi reeleito em 2004 com mais de 70% dos votos. Neste mesmo ano, recebeu críticas após o massacre de 186 crianças em uma escola invadida por terroristas chechenos em Beslan.
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3 comentários:

BR disse...

Obstinado, eficaz, e, eventualmente, pragmático.

Talvez seja possível, nestas poucas palavras, resumir os principais atributos de Lênin como líder revolucionário.

Na qualidade de fundador --- e primeiro líder --- do partido bolchevique", organização por muitos desacreditada, Lênin, ao contrário, tomou o poder e deu origem à "ditadura do proletariado".

Com efeito, como já afirmado, sua obstinação era tamanha --- precisamente pela fiel crença em seus ideais --- que, em certas ocasiões, chegava, inclusive, a ser pragmático.

Note-se que, em 1921, adotou-se nova política econômica, ocasião em que, segundo alguns historiadores, Lênin a [nova política econômica] teria considerado tardia.

É bem verdade que, também consoante alguns estudiosos, Trótski havia, anteriormente, sugerido a adoção de tal medida.

Bem vistas as coisas, a NEP [Nova Política Econômica] reavivou determinadas medidas capitalistas, em vigor antes da chegada dos bolcheviques ao poder.

Restou permitida, v.g., a livre venda, pelos camponeses, de parte da produção agrícola.

Em sentido oposto, a produção, no período anterior, era, em sua totalidade, entregue ao Estado.

Em verdade, Lênin buscava observar o caráter concreto de situações concretas, como, a propósito, revelava uma de suas célebres frases: "O marxismo é uma análise concreta de uma situação concreta".

Bem vistas as coisas, Lênin mostrava-se diferente dos demais políticos, notadamente por suas pretensões revolucionárias, além da sólida formação teórica.

Como também já demonstrado, apesar de tamanhas qualidades, Lênin era capaz de reconhecer seus próprios deslizes, como, por exemplo, ao lamentar a tardia implantação do novo modelo político econômico [verão de 1921], o qual, segundo ele, fazia-se necessário bem antes.

Isto porque a economia do país sofreu com a imotivada extensão do sistema de requisições obrigatórias, marcante no comunismo de guerra.

Por fim, é sempre bom recordar --- apesar da partida eterna de Lênin em 1924 --- a histórica imagem da Praça Vermelha, em maio de 1945, repleta de populares e militares, todos a celebrar a rendição do comando nazista.

A aludida ocasião restou imortalizada como sendo "O Dia da Vitória", tendo Lênin, apesar de já falecido, tido participação significante para a sua existência.

BR

Thereza Pires disse...

BR

Sempre percebi o nível de sua erudição.Tio Elysio manda dizer que raros são os que conhecem a NEP..

Ele tem um site aqui à direita, o Marxrevisitado,dê uma olhada

BR disse...

Não se trata de erudição, mas, apenas, do gosto que sempre tive pelos fatos históricos/políticos e, sobretudo, da permanente procura por bibliografia complementar acerca dos temas mais palpitantes.

Falando em especial sobre a "NEP", tomei ciência, salvo engano, através de Eric Hobsbawn.

A propósito: quer dizer que Tio Elysio também tem um blog?

Sem dúvida, passarei por lá.

BR

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