segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

República Islâmica - Violação dos Direitos Humanos-Representantes da AI detidos no Cairo

Dois representantes da Anistia Internacional foram detidos pela polícia militar do Cairo depois das manifestações do dia 3 de fevereiro (foto acima) e levados para local até agora ignorado. Pensar na situação do Egito nos remete aos acontecimentos que deram origem à chamada "República Islâmica" Vamos lembrar como tudo lá se passou,há 32 anos atrás,pois a História sempre fornece bons exemplos.
Em 10 de fevereiro de 1979
Cai o Regime Imperial,assume o Aiatolá Khomeini
Eu sou a maman brésilienne de um agora jovem senhor iraniano exilado na França, que conheci ainda adolescente e já órfão.
Alguns anos antes, Madjid,esse o nome de meu enfant iranien ,havia feito o caminho inverso ao do Aiatolá Khomeini, tentando fugir com a família após os desvarios cometidos pelo Xá Rehza Pavlev,cujo governo foi caracterizado pela corrupção e total desrespeito aos direitos humanos
E foi pela ótica desse querido moço que passei a acompanhar o processo acontecido há 32 anos,quando a queda da oligarquia corrupta resultou na criação da República Islâmica que também abriu “um leque de violações de direitos humanos” .
Pequena Cronologia
A República islâmica do Irã foi criada após um referendo nacional em 1º de abril de 1979 e outro referendo , em dezembro do mesmo ano, aprovou nova Constituição e confirmou o aiatolá Khomeini como chefe de governo.
Em 1º de fevereiro de 1979 ,o avião que transportava Khomeiny chegou a Teerã trazendo o aiatolá depois de 15 anos de exílio :primeiro nacidade santa de Nadjaf, no Iraque e,depois ,em Neauphle-le-Château,na França.Quatro milhões de pessoas o esperavam no aeroporto;.
Duas semanas mais tarde,caiu o governo do Xá e ele e a Imperatriz Farah Diba deixaram o pais
Durante seus 37 anos de reinado,o Xá foi visto como o ditador cruel que determinou centenas de execuções,deixou mais de 500 mil pessoas encarceradas e ordenou que dezenas de milhares de manifestantes fossem mortos pelas forças do regime.
O discurso do aiatolá -que fascinava o povo,exasperava o monarca. Nos protestos contra a prisão do velho religioso (em 3 de junho de 1963),dez mil manifestantes foram mortos.
Pouco antes de se exilar,em 1964.,o Aiatolá divulgou no célebre “Discurso de Qom” “A verdadeira modernização será formar homens que terão o direito de escolher e criticar,combatentes que saibam resistir à dominação,`a injustiça e à pilhagem do dinheiro púb lico”.
Sexta feira negra. Do exílio,Khomeini continuou a luta contra o Xá
Greves e procissões religiosas paralisaram o país. Em 1978,começou uma verdadeira insurreição popular e em 8 de setembro. em Teerã, o exército atirou nos manifestantes, causando milhares de mortes.É a sexta feira negra.A situação vai piorando cada vez mais e o governo não encontra bases de sustentação.
No dia 16 de Janeiro de 1979 Rehza Pavlevi e a Imperatriz Farah Diba partem para o Cairo.
Em 1º de fevereiro acontece o retorno triunfal do aiatolá Khomeini e dez dias mais tarde no “22 bahman”,data sagrada para os iranianos e que naquele ano caiu em 10 de feverieiro, o regime imperial se encerra.
Mudança que é mudança pra valer, em profundidade ?-não houve.
Continuaram prevalecendo a impunidade, detenções arbitrárias, tortura e outros maus-tratos e são corriqueiros o uso da pena de morte, a discriminação contra minorias étnicas e religiosas,perda dos direitos civis, cerceamento das liberdades de crença,associação, reunião e expressão.
E as leis seguiram tratando as mulheres como seres de qualidade inferior.
No dia 14 de fevereiro,de 1989 ,o aiatolá Khomeini edita uma fatwa ( um decreto religioso) mandando que os muçulmanos matem Salman Rushdie, autor do livro Versos Satânicos,que critica o governo..
Em 5 de junho de 1989,o aiatolá morre em Teerã e, no dia seguinte, o então presidente Ali Khamenei é escolhido para ser o novo líder supremo do país.
1997 - O reformista Mohammad Khatami é eleito presidente do país, com cerca de 70% dos votos.
A comunidade internacional continua observando o descumprimento das promessas de liberdade para seus compatriotas feitas pelo aiatolá -depois de uma aparente abertura no período da reforma,sob o governo do ex presidente Khatami -e reacende as preocupações desde que o novo presidente Mahmoud Ahmadinejad chegou ao poder. ***********
Por ocasião dos 30 anos da Revolução Islâmica, a Anistia Internacional pediu `as autoridades iranianas :
* Coloquem em liberdade todos os presos de consciência (pessoas encarceradas devido as suas convicções políticas, crenças religiosas ou outras convicções profundas, origem étnica, língua, origem nacional ou social, orientação sexual ou outra condição) que não recorreram nem promovem a violência ou o ódio.
* Instruam o governo, as autoridades judiciais e os responsáveis pela segurança para revisarem os casos de todos os presos encarcerados por motivos políticos. Isto inclui libertar todos os presos políticos que foram julgados de forma injusta nos anos anteriores, para que sejam julgados novamente em processos que cumpram as normas internacionais sobre imparcialidade processual.
Libertem aqueles que não foram julgados ainda, a menos que sejam julgados sem demora e de forma imparcial por delitos reconhecidos.
*Coloquem fim à impunidade pelas violações de direitos humanos, mediante investigação exaustiva dos abusos, como os homicídios em massa de presos políticos em 1988, fato conhecido como as “matanças nas penitenciárias”. *Comuniquem aos funcionários do Estado que não serão tolerados nem a tortura nem outros maus-tratos, e levarem perante a Justiça qualquer pessoa responsável por estes abusos.
*Reformem as áreas chave da administração de Justiça, a fim de garantir que nenhuma pessoa seja arbitrariamente detida nem submetida a julgamento injusto, assim como que provas obtidas sob tortura e outros maus-tratos não sejam admissíveis nos tribunais.
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A
tencão,colegas jornalistas:A Anistia International tem porta-vozes disponíveis para realizar entrevistas ou fornecer informação complementar sobre o Irã, em inglês, francês, persa e árabe.
Desejando mais informações, entrem em contato com Nicole Choueiry, encarregada de imprensa para o Oriente Médio e Norte de África, pelo telefone +44 7831 640 170 ou por e-mail nchoueir@amnesty.org 
 
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