segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"A subversão das imagens" lota o Centre George Pompidou



Para minha amiga fotógrafa Vera Vieira  com quem gostaria de ter dividido o prazer de ver esta exposição
  
A fotografia onipresente nas diversas correntes  surrealistas
   
            
(2 de novembro,2009)
  
 
"Pela força da imagem e ao correr do tempo,grandes revoluções podem acontecer"
                  André Breton
Muitas das  inovações formais da fotografia surrealista chegaram  no pós -guerra 1914-18
e foram muito usadas pela moda e -como ilustração-pela publicidade
No final da década de 20, muitos surrealistas haviam se rendido ao domínio da imprensa e das editoras.
Man Ray trabalhava para  Harper's Bazaar e Vogue, Dora Maar fazia ilustrações para uma empresa petrolífera e Claude Cahun para um livro infantil

Reinventores da criação artística,os surrealistas acoplavam a fotografia aos seus textos e a colocavam lado a lado com suas pinturas e objetos. 
As fotomontagens de Man Ray,Hans Bellmer,Henri Cartier Breton,Claude Cahun,Eluard e Artaud, até então pouco conhecidas,estão em exibição no  Centro George Pompidou neste  outono europeu,num percurso que inclui nove espaços,350 obras,mais de cem documentos e nove filmes (um deles, L:Age d'or-1930-60'-estava sendo exibido hoje)
Outra grande exposição no Beauborg homenageia Pierre Soulages, nascido em 1919, pintor, escultor e gravador francês.
Breton,falando pelos seguidores,também declarou que sempre acreditou mais na ação coletiva do que na individual.E,uma vez que o grupo inteiro não podia estar sempre junto,era representado,num certo momento, pela  fotomontagem,regularmente publicada nas revistas do Movimento,caracterizando-o como entidade solidária.
A fotografia,manipulada pelos surrealistas  René Magritte e Paul Nugé,dava vida à imagem e, distorcida,se afastava completamente da realidade 
"Real,Fortuito e maravilhoso " é o espaço da exposição em que os surrealistas fizeram de suas cidades  lugares de reencontro casual,seguindo a linha do "flâneur" de Walter Benjamin para quem a cidade era "terreno sagrado".

Manequins de loja transformados  em mitos modernos eram postos em evidência pelo olhar fotográfico e,  de objetos inanimados,passavam à vida  real.
A mesa de montagem

"Belo como o encontro numa mesa de dissecação entre a máquina de costura e um guarda chuva",era a fórmula dos surrealistas que se dedicavam a  formar assemblages ao  coletar imagens,fotos, cartões postais e com este potencial diferenciado montavam o inverso da hierarquia conhecida.

As fotomontagens de Dora Maar (uma das mulheres de Picasso) formadas por muitos retratos de homens e mulheres de olhos fechados  são o contrário da afirmação de Paul Nugé   que define o profissional da fotografia: "ver é um ato".
Talvez,mais que os pintores, os fotógrafos surrealistas   introduziram  o movimento na cultura popular.
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O Centro George Pompidou
Situado no local do antigo Mercado Les Halles,o 'Centre National d'Art et deCulture  Georges-Pompidou' foi inaugurado em 1977 e até hoje gera uma inacreditável controvérsia  nos círculos artísticos franceses,dada a sua enorme importância: é um símbolo da culura do século 20 ou da ausência dela?
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Um comentário:

Anônimo disse...

The, minha querida amiga de passeios culturais: muito envaidecida e agradecida pela lembrança e homenagem! Não foi desse vez mas algum dia será! "Quando dezembro vier...", ok? Saudades! Vejo que está tendo uma linda viagem. Aguardo sua volta para que me conte tudim com detalhes! Fique bem, amiga! Abraços!