segunda-feira, 29 de junho de 2009

Centenário de nascimento de Dom Helder Camara,o"Bispo Vermelho"


 

           E dez anos de sua morte                              
               (fevereiro,2009)    
Doutor Honoris Causa pela Universidade de Saint Louis,nos Estados Unidos e  mais 32 títulos de diversas outras universidades brasileiras e estrangeiras:Alemanha, Bélgica, Canadá Suíça, Holandae  Itália.Cidadão Honorário de 28 cidades brasileiras e das cidades de São Nicolau na Suíça e Rocamadour, na França. Recebeu o Prêmio Martin Luther King nos EUA,o Prêmio Popular da Paz, na Noruega e diversos outros prêmios internacionais. Indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz. Todas o dinheiro que recebeu nas premiações foi doado para obras sociais.
Este é um pedacinho do currículo de Dom Helder Camara,cujo  acervo histórico  é mantido pelo Instituto  que leva seu nome,em Recife.   
Helder Pessoa Camara.nasceu em 7 de fevereiro de 1909,décimo primeiro  dos 13 filhos de João Eduardo Torres Câmara e  Adelaide Rodrigues Pessoa Camara. Perdeu cinco irmãos no mesmo mês, durante uma epidemia de difteria (crupe)  e, sobrevivente, aos 14 anos entrou para o Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza. Ali  fez os estudos preparatórios e estudou  Filosofia e Teologia
Foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1931, e logo nomeado diretor   do Departamento de Educação do Estado do Ceará.
Em 1936 veio para o Rio de Janeiro,onde-entre tantas realizações-organizou o  36º Congresso Eucarístico  Internacional(1954),fundou a Cruzada São Sebastião no hoje charmoso bairro do Leblon-então quase um deserto-para atender moradores das favelas cariocas e o Banco da Providência, destinado a ajudar famílias na faixa da miséria.
Este ano será realizada a  quadragésima nona edição da Feira da Providência, no Riocentro. 
Trabalhou  na Secretaria Estadual de Educação, no Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação e organizou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Episcopal Latino Americano (Celam). 
Dom Helder  foi sagrado Bispo em 20 de abril de 1952  e escolheu como lema "In Manus Tuas",entragando sua vida nas mãos de Deus.   
Em seguida,foi escolhido  bispo auxiliar do Rio de Janeiro. Durante 12 anos foi o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e, durante anos,foi delegado do Brasil no Celam e seu vice-presidente. 
Dom Helder foi uma  figura  destacada do modelo de igreja progressista ao optar por priorizar assistência à pobreza.    
No dia 14 de março de 1964,quando estava em Roma, foi indicado pelo Papa Paulo VI para ocupar a Arquidiocese de Olinda e Recife . Dom Helder voltou ao Brasil para assumir o novo cargo e, depois de discursar para milhares de pessoas,seguiu -num carro aberto-   para o Palácio  dos Manguinhos, residência oficial do arcebispo, na Avenida Rui Barbosa, bairro das Graças.
Dom Helder divulgou uma nota, afirmando que era "um nordestino falando a nordestinos com os olhos postos no Brasil, na América Latina e no mundo.Um cristão dirigindo-se a cristãos, mas de coração aberto, ecumenicamente, para os homens de todos os credos e de todas as ideologias. Um bispo da Igreja Católica que, à imitação de Cristo, não vem ser servido, mas servir".
À multidão, afirmou também que, a exemplo de Cristo, devia ter um amor especial pelos pobres,em especial  pela pobreza envergonhada e tentando evitar que a pobreza se resvale para a miséria. Disse que “a pobreza pode, às vezes, ser um dom generosamente aceito ou até espontaneamente oferecido ao Rei, e que a miséria é aviltante porque fere a imagem de Deus".
Antes de falar ao povo, o novo arcebispo pediu para não isolarem frases de seu discurso,  que o divulgassem por inteiro. "Só o conjunto da mensagem dá uma idéia exata da minha alma", explicou. 
Isso precisava ser compreendido por conta da situação política do momento - em 31 de março de 1964, aconteceu o golpe militar derrubando o presidente João Goulart e os governadores do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e de Pernambuco, Miguel Arraes. 
     Posse como Arcebispo
No dia 12 de abril de 1964,tomou posse como 30º bispo e 6º arcebispo de Olinda e Recife, em cerimônia na Catedral da Sé, em Olinda. Três dias após a sua chegada, recebeu o título de cidadão pernambucano, conferido pela Assembléia Legislativa. 
Em 27 de maio de 1969,uma tragédia: seu auxiliar mais próximo,o   sacerdote Henrique Pereira Neto foi barbaramente assassinado.crime que foi atribuído `a ditadura militar, de quem Dom Helder era considerado inimigo  . 
No dia 8 de julho de 1980. Recebeu do  papa João Paulo II, em visita ao Recife  o título de "irmão dos pobres” 
Em 15 de agosto de 1981 comemorou   o cinqentenário de sacerdócio. Ao completar 75 anos, em 1984,renunciou à Arquidiocese, que conduziu por 20 anos.  
Dom Helder desenvolveu uma linha de trabalho na defesa dos direitos humanos: a Comissão de Justiça e Paz ,defensora de presos políticos e perseguidos pela ditadura militar.Foi chamado " o  Bispo Vermelho",pela imprensa internacional,o que aumentou a repercussão de suas atitudes em defesa da liberdade e contra a intolerância e qualquer espécie de discriminação.
Uma curiosidade : Dom Helder também foi compositor. "Último Ato" (Sergio Malta-Helder Camara) 1962 , gravada por Rinaldo Calheiros Eu Agradeço a Você ( Helder Câmara-Roberto Mário) 1964,foi  gravada por Anísio Silva; "Se A Gente Morresse De Amor" (Lindolfo Gaya- Helder Camara),de 1968,foi gravada pela cantora. Márcia.  
O irmão dos pobres. morreu no dia 7 de fevereiro de 1999,aos 90 anos.
Havia escolhido morar na pequena Igreja das Fronteiras em lugar do Palácio de Manguinhos,sede  Arquidiocese de Olinda e Recife. Preferiu a simplicidade à pompa.
Esse era Dom Helder.
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2 comentários:

katia D'Angelo disse...

Tereza gostariamos muito de poder contar com sua integridade,veja minha história no meu blog. Luto pelas mulheres e suas familias no Rio de Janeiro. katiadangelonua.blogspot.com

http://www.youtube.com/watch?v=3STAwJcj2J4

katiadangelo@hotmail.com

Anônimo disse...
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