quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Carnaval 3- Clóvis Bornay - Tributo


Pequena homenagem ao museólogo competente e ser humano da melhor qualidade que conheci quando já quase se aposentava-mas ainda trabalhava- no Museu Histórico Nacional, aqui no Rio.

Saudades, Clóvis.

Vencer concursos de fantasia nunca foi novidade para Clóvis Bornay que foi e continuará sendo sinônimo de Carnaval Carioca e símbolo da alegria da Cidade Maravilhosa. Ano após ano, sua imagem colorida e triunfal alegrava os espectadores do Sambódromo.

Caçula de doze irmãos, Clóvis nasceu em 1916 em Nova Friburgo (município da região serrana do Rio de janeiro), filho de mãe espanhola e pai suíço. 

Em 1928, ainda menino e frequentador dos bailes do Fluminense Futebol Clube, manifestou uma grande vocação de folião.

Em 1937, inspirado nos nos bailes de máscaras dos carnavais de Veneza convenceu o então diretor do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Silvio Piergilli, a instituir um Baile de Gala em que fantasias de luxo seriam premiadas. Diante dos deslumbrados membros do júri do concurso, Clovis se apresentou de “Príncipe Hindu” e ganhou o primeiro lugar.
Juventude, beleza e disposição não eram suficientes. Bom gosto e criatividade iigualmente contavam pontos. Mais tarde,as fantasias foram agrupadas por categoria: luxo e originalidade. Em 1953, com um original Arlequim, dividiu o prêmio com Zacharias do Rego Monteiro, que vestia um de seus belíssimos e tradicionais pierrôs.
O maior concorrente de Bornay no Municipal era, entretanto, o costureiro baiano Evandro de Castro Lima. Artistas como Jésus Henriques, Mauro Rosas, Wilza Carla, Marlene Paiva., Guilherme Guimarães, Flavio Rocha, Marcos Varella e tantos outros criaram, confeccionaram ou vestiram fantasias que eram verdadeiras jóias.
O baile do Teatro Municipal resistiu até 1972. A platéia era coberta por estrutura de madeira revestida de compensados e o piso ficava na altura dos camarotes. 

Ali brincavam cerca de oito mil foliões. No dia seguinte à festa noturna, acontecia o baile infantil, quando também era realizado um concurso de fantasias.
Os primeiros carnavais. 

A introdução do carnaval ao Brasil é atribuída às celebrações populares para comemorar a chegada da Família Real Portuguesa.

Os já festeiros cariocas saíram às ruas cantando músicas, usando máscaras e fantasias. 

O registro do primeiro baile carnavalesco no Brasil é de 1840, no Hotel Itália, por iniciaiva dos proprietários, que desejavam reproduzir aqui os grandes bailes de máscaras do carnaval da Europa.
O sucesso foi tão grande que muitos outros se seguiram. O carnaval era o espelho da desigualdade social na sociedade brasileira. Nos clubes e teatros estava a classe média emergente, nas ruas, ao ar livre a festa popular.
Um novo elemento foi agregado para abrilhantar a festa: o desfile dos carros alegóricos, depois incorporados pelas escolas de samba.O escritor José de Alencar foi o idealizador dos desfiles e um dos fundadores da Sociedade Sumidades Carnavalescas.

O ”Abre Alas” foi a primeira música especialmente composta para carnaval, por Chiquinha Gonzaga, para o Cordão Rosa de Ouro. O século 20 traz também os mascarados, o lança perfume, as batalhas de confete e os bailes infantis.

Em 1928, foi fundada a primeira escola de Samba “Deixa falar” e, logo depois, a Mangueira. Os primeiros desfiles começam em 29 e foram realizados na Praça Onze até 1942, quando passaram para a Avenida Presidente Vargas.

Carnaval do Quarto Centenário

A partir de 1963, as escolas assumem a posição de maior atração do carnaval carioca e, em 1965 - Carnaval do 4º Centenário - Clóvis Bornay surge triunfal fantasiado de Estácio de Sá, o fundador da cidade.
Os bailes de fantasia do Iate Clube (“Baile do Havaí”), do Hotel Copacabana Palace e os concursos de fantasia do Clube Federal, no Leblon e do Clube Monte Líbano, na Lagoa ainda resistiram por algum tempo.

Depois de ter recebido a distinção de “hors concours”, que lhe concedeu o direito de se apresentar em qualquer concurso de fantasias sem ser julgado, a arte de Clóvis Bornay chegou à Passarela do Samba. 

Ele foi o carnavalesco da Portela em 1969 e 1970 e da Mocidade Independente em 1972 e 1973 .
A partir daí as fantasias de luxo foram para o asfalto, passaram a ser destaques, apresentadas por artistas e figuras populares da cidade.

Em 1974, o desfile das escolas de samba passa para a Avenida Rio Branco, por causa das obras do metrô. Fica lá até 1984, quando foi inaugurado o sambódromo, onde as escolas desfilam até hoje.

Museólogo - trabalhou no Museu Histórico Nacional e em outras entidades culturais – morador da Prado Junior, em Copacabana, esta doce figura era uma atração diária da paisagem carioca.

Suas fantasias, verdadeiras obras de arte são expostas constantemente pelo Brasil e algumas já pertencem ao acervo de museus na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1996, Clóvis Bornay recebeu da Assembléia Legislativa a Medalha Tiradentes, honraria concedida a personalidades que, de alguma forma, tenham prestado serviços ao Estado do Rio de Janeiro.

Ele nos deixou no dia 9 de outubro de 2005,aos 89 anos,vitimado por uma parada cardiorrespiratória.

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sábado, 30 de janeiro de 2016

Carnaval 2 - Pequena História do Carnaval




A festa  de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.


Travestismo consentido
Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir o desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada.
Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade
Ritual
O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença.
O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado. O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus
primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte.
( foto:máscaras/réplicas do Carnaval da Veneza medieval)
Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores.
Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança.
Origem da palavra
Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma.
Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.
Entrudo
A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. 

A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo.
As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret)
O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores.
A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) [inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada
.
Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral.
Desigualdade carnavalesca
Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim.
 


Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro.
Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala.
Crepes, brioches e croissants
Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans.


Malhação do Judas e Rei Momo
A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias.
Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado.

Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Carnaval 1- Os Clóvis no Carnaval Carioca

  

Série de textos "carnavalescos" do blog 


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O Prefeito Eduardo Paes assinou decreto que declara como "patrimônio cultural carioca" os grupos de clóvis (ou bate bolas) dos subúrbios do Rio.
O decreto saiu no dia 17 de fevereiro de 2012, no Diário Oficial
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Os "clóvis" no carnaval carioca,agora também nosso patrimônio cultural




Qualquer carioca na faixa etária a partir dos 50 , em algum momento de seus verões infantis,se apavorou com um “clóvis”.
Era durante o carnaval que o “bicho papão”,tão invocado na hora das punições e castigos, aparecia ao vivo e a cores.
 

Normalmente no final da tarde,porque o calor de fevereiro e o peso da fantasia não eram ( o calor continua sendo terrível) não eram de brincadeira:para ser um “clóvis”, o folião tinha e tem que ter uma saúde de ferro.
O nome desses personagens do carnaval carioca(`as vezes chamados de “bate-bola”)é uma corruptela de clown -palhaço,em inglês.


Com seus amplos macacões coloridos,usando perucas com franjas, vestidos de caveira,morcego,palhaço e nêga-maluca, sempre andavam em grupo.
As máscaras,importadas da Alemanha,feitas de malha e entretela,por serem muito quentes foram substituídas por outras,transparentes,produzidas com as meias de nylon das senhoras das família.
O orifício no lugar da boca era preenchido com uma chupeta ou um apito. 

Para assustar criancinhas,traziam uma bexiga amarrada a uma vara.
O som da bexiga arranhando o asfalto escaldante era de arrepiar os cabelos.
Oriundos de Santa Cruz,um município da Zona Oeste do Rio de Janeiro,e logo espalhados por toda a cidade,os “clóvis’ se assemelhavam aos arlequins,colombinas,dominós e pierrots medievais, que também usavam bastões para agredir e as bexigas de porco ou de boi,compradas em matadouros.
Todo um ritual era cumprido: quando um grupo encontrava outro grupo havia a“cruza” ou “roda-baiana” o momento de glória de um ‘clóvis (pedido de passagem)
Quanto maior a metragem de tecido usado no macacão,maior a roda.

Girando o corpo,o “clóvis” conseguia imitar o movimento da saia de baiana inflada.
Se a permissão não era concedida,o tempo literalmente esquentava e as bexigadas se generalizavam
Talvez venha daí a hoje tão difundida expressão carioca “rodar a baiana”.
Os “clóvis” nunca falavam,se comunicavam por mímica ou pelo som do apito.Alguns usavam perfume na água da bexiga,para customizar o personagem.

 

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Para manter a tradição do carnaval de rua,a Prefeitura do Rio estimula a apresentação dos ‘clóvis” em vários bairos, oferecendo prêmios para os melhores grupos. 
Políticos,personalidades e pessoas benquistas (ou não) das comunidades ou acontecimentos de relevância continuam sendo os temas preferidos para as críticas.
Os próprios “clóvis” confeccionam suas roupas e preparam as coreografias.

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domingo, 24 de janeiro de 2016

Carnaval de Veneza 2016

 De 23 de janeiro a 9 de fevereiro



O carnaval da antiga Veneza


Sereníssima República de Veneza ( Serenìsima Repùblica Vèneta, em vêneto e Serenissima Repubblica di Venezia, em italiano), muitas vezes chamada apenas de Sereníssima, no nordeste da Itália, com capital na cidade de Veneza, foi um Estado que existiu do século nono até 1797 quando, ao ser invadida por Napoleão Bonaparte, foi cedida ao Império Austríaco pelo Tratado de Campofórmio.

Na Europa medieval,especialmente em Veneza, o Carnaval era, igualmente, a festa da saciedade e da inversão.
A inversão de valores e de costumes vinha desde a quebra da hierarquia até ao que aborrecia ou atrapalhava: o empregado era servido pelo patrão, o pobre ironizava o poderoso, o homem se fantasiava de mulher, num travestismo consentido e incentivado. E o carnaval passou a representar o contrário do ritual codificado.
 

Distribuía-se comida aos pobres, para que ficassem saciados numa época em que,normalmente, passavam fome.


Todos esqueciam as mágoas e entravam numa espécie de país das maravilhas Nas festas pagãs, os deuses e heróis eram motivo para ironia e os religiosos também participavam do clima, simulando brincadeiras obscenas.
Máscaras e fantasias



O primeiro registro do uso de máscaras e fantasias vem de uma lei do ano de 1268, que autorizava o porte não somente no carnaval mas, também, durante seis meses do ano.
O anonimato sempre foi uma árvore de sombra frondosa.Atos fora da lei e atitudes transgressoras, subversivas e imorais passaram a ser acontecimentos comuns. E o cidadão veneziano incorporou, durante a metade do ano, o hábito de sair às ruas mascarado e agir como bem lhe aprouvesse.

Durante séculos, essa total impunibilidade adquirida no Carnaval, ao mesmo tempo em que contribuiu para a estabilidade econômica de Veneza, precipitou sua queda.
Cada pessoa desejava aproveitar a riqueza e os prazeres que ela podia comprar e multiplicar.
E a festa pagã, que cada vez durava mais, fazia com que os dias da cidade fossem ficando, literalmente, contados.
Começando em outubro, o carnaval tornara-se a grande atração com bailes de mascaras e fogos de artifício, abusos sexuais, bacanais, orgias.
Vinha gente de toda Europa para aproveitar a transgressão consentida e regulada por decreto.
E todo mundo ganhava: os hoteleiros, os donos de restaurantes, os gondoleiros e os fabricantes de máscaras. Transformada
em cidade das festas e prazeres, Veneza viu diminuir sua influência política.
Em 1608, uma lei declarava o uso de máscaras grande ameaça ao funcionamento do Estado.
Entre 1799 e 1806, já sob domínio da Áustria, o uso de disfarces passou a ser autorizado somente em festas particulares e assim, acabou o encanto.






Inspiração

 

O segundo governo austríaco (1815-1866) autorizou novamente as máscaras, mas o carnaval não era mais transgressão.Tornou-se uma parada de carros alegóricos ou um momento em que cada um tentava exprimir sua individualidade.
Apesar das mudanças - ou por causa delas - Veneza passou a ser o lugar preferido dos artistas.
Wagner compôs lá parte de sua ópera Tristão e Isolda. Georges Sand, Alfred de Musset e Byron viveram belos casos de amor. Rossini, Bellini, Verdi também ali encontram inspiração para suas obras.
Mas os venezianos já não suportavam a censura austríaca e, em 1848, Daniele Manin proclamou a República, um breve intervalo no jugo e tentativa frustrada de emancipação. Em 1866, Veneza se reintegrou ao Reino da Itália e, do carnaval da liberdade total, sobraram apenas as lembranças. A cidade continua a ser um destino turístico disputado, mesmo no inverno rigoroso.


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Nesse ano de 2016, de 23 de janeiro 9 de fevereiro viajantes do mundo inteirc conhecerão a tradição das máscaras confeccionadas manualmente e os bailes tornam o carnaval veneziano moderno um espetáculo raro.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Caso Roswell,Novo México, 7 de julho de 1947


Os 20 anos do caso ET de Varginha,Minas Gerais (20-1-1996),fartamente relembrados na mídia hoje, remetem ao episódio acontecido em Roswell em 7 de julho de 1947.

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A queda do que se apresentou como um balão-sonda ou um ovni (objeto voador não identificado) nos arredores de Roswell,Novo México,Estados Unidos, em julho de 1947,  ficou conhecida como Caso Roswell.
Para grande número de ufólogos,o acontecimento prova    a visita à Terra  por uma civilização extraterrestre avançada.

 credito da foto:geospeak.com.uk
Para as autoridades militares e ufólogos céticos,trata-se de um mito mantido pelos mecanismos sócio-psicológicos deste tipo de fenômeno .

O governo americano explicou que se tratava da queda de um balão-sond ultra secreto (Mogul),que se destinaria a espionar as experiências nucleares soviéticas (era tempo de guerra-fria).

A primeira experiência russa aconteceu, realmente, en agosto de 1949.
Os adeptos da teoria ovnI sustentam que o pedaço   encontrado é,sem dúvida, de uma nave extraterrestre recuperada e "trabalhada" pelos militares para esconder evidências. 

Numerosos testemunhos apoiaram a hipótese ovni. 
O evento evoluiu para um fenômeno de cultura popular hiper-mediático e Roswell tornou-se uma das supostas manifestações extraterrestres mais célebres.

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( traduzi e adaptei verbete da Wikipedia-França)

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No dia 7 de julho de 2013,um Google Doodle lembrou os 66 anos do acontecimento.

clique aqui e assista à animação:

https://www.youtube.com/watch?v=PlX3Xe24oBQ 

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 Informações detalhadas sobre o incidente e dias que se seguiram


 http://arquivoconfidencial.blogspot.com.br/2005/10/1947-o-caso-roswell.html

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Os avanços tecnológicos acontecidos a partir do Caso Roswell 

 Será que o incrível avanço tecnológico entre 1947 e 2012 (por exemplo) tem a ver com as pesquisas a partir do que foi encontrado nos destroços em Roswell?
Pensemos  sobre isso..

 (em inglês)


 https://www.youtube.com/watch?v=32WkcG1MvH8

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Palhaço Carequinha - dez anos sem ele

Postagem  original em 6 de abril de 2006.A população cresceu --mas a roubalheira continuou. A população também aumentou consideravelmente.
Em 2015,por ocasião do centenário de nascimento do querido Carequinha, a FUNARTE organizou exposição comemorativa em Niterói e várias homenagens foram prestadas.

Saudades.

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"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós".
Antoine de Saint-Exupéry




Como você foi embora assim, deixando órfãs as nossas crianças interiores de quatro gerações???
Ah, Carequinha, tá errado, não tá certo, não. Podia ficar mais um pouquinho.

Porque, com você, se foram também minha inocência e meu derradeiro fio de ingenuidade.

Para matar as saudades, folheei de novo um exemplar muito antigo e raro da revista "Realidade" (Editora Abril, 1966) que existe aqui em casa.
Na reportagem "Este homem é um palhaço, este palhaço é um homem", você mostrava que sua pessoa física e sua persona estavam definitivamente coesas e fundidas.

Naquele momento da História, Carequinha, embora a gorilada estivesse mandando brasa e cometendo altas iniqüidades,palhaço era um artista que pintava o rosto, usava gola larga e calças boca-de-sino.

Carequinha era você, o palhaço amigo das crianças, que ensinava que o bom menino respeita os mais velhos.
Hoje somos todos palhaços, amigo, quase cento e oitenta milhões de palhaços.

E o picadeiro é o Congresso Nacional, que deveria ser uma vetusta e respeitada instituição, mas serve de pano de fundo para uma deputada - que não honrou os votos de seus eleitores - dançar e bater palminhas festejando a absolvição de notório corrupto.
E ontem enquanto seu corpo - num derradeiro respeito da família à sua vontade expressa e aos seus admiradores - era enterrado à caráter, um advogado, ali no Congresso, desrespeitou a lei bíblica.

Ele serve a dois senhores, Carequinha: aos Maluf, pai e filho e ao PT, isso tá certo???
Enrolou a imprensa, hipnotizada pela possibilidade de uma coletiva, enquanto o ex Ministro da Fazenda, indiciado em escândalo, dava seu depoimento sem ser incomodado.

Tá certo, Carequinha??? Não, né???

Quantas saudades,pensando em nossos pais, nossos parentes,nosso passado.
E faço hoje esta homenagem simples a você,me solidarizando com sua companheira, seus filhos, netos e bisnetos.
Obrigada por passar tantos conceitos éticos, morais e respeitosos, que aprendi direitinho e pude transmitir a meus filhos e neta.

Até breve, logo nos encontraremos.
Quero que você me receba mexendo na gola da roupa e fazendo aquele olharzinho maroto, levantando e abaixando as sobrancelhas.

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 Centenário de nascimento

 http://g1.globo.com/globo-news/arquivo-n/videos/v/arquivo-n-lembra-o-centenario-do-palhaco-carequinha/4325086/

 O Bom Menino
https://www.youtube.com/watch?v=__SvstrWzYs

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"O palhaço típico morre comigo".

Carequinha

BIOGRAFIA DE GEORGE SAVALLA GOMES
(Fonte: Wikipédia, a Enciclopédia Livre)

Carequinha nasceu numa família circense, seus pais eram os trapezistas Elisa Savalla e Lázaro Gomes. Deu início à sua carreira aos cinco anos de idade, no circo de sua família. Aos 12 era palhaço oficial do Circo Ocidental, pertencente ao seu padrasto.

Em 1938, estreou como cantor na Rádio Mayrink Veiga no Rio de Janeiro, no programa Picolino.

Já na televisão brasileira teve como marco o fato de ter sido o primeiro palhaço a ter um programa, o "Circo Bombril" (posteriormente rebatizado "Circo do Carequinha"), programa que comandou por 16 anos na TV Tupi nas décadas de 1950 e 1960.
Nos anos 80, apresentou um programa infantil na extinta TV Manchete, até ser substituído pela apresentadora Xuxa. Na Globo, participou do programa Escolinha do Professor Raimundo.

Seu último trabalho na televisão foi na Rede Globo, com uma participação na minissérie Hoje é dia de Maria em 2005.

Aos noventa anos ,o artista morreu em sua casa em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. Durante a madrugada, ele queixou-se de falta de ar e dores no peito e morreu antes de receber atendimento médico.

Foi enterrado no cemitério de São Miguel vestindo roupa de palhaço, profissão que o marcou e a qual ele abraçou por 85 anos de sua vida.



ATUAÇÃO

Carequinha agitava a criançada com seu bordão "Tá certo ou não tá?". 

Por várias gerações levou alegria a milhões de espectadores. Ainda ativo, no alto dos seus noventa anos, continuava alegrando e educando com suas músicas. Natural da cidade de Rio Bonito, Rio de Janeiro, residia na cidade de São Gonçalo, também no estado do Rio. Iniciou sua carreira com cinco anos de idade e atuou em diversos circos nacionais e internacionais.

Carequinha foi o primeiro artista circense a fazer sucesso na televisão, sendo pioneiro (no Brasil) no formato de programas infantis de auditório que até hoje fazem sucesso.

Gravou 27 discos, fez filmes e colocou sua marca em diversos produtos infantis.
Seu vasto repertório musical, quase integralmente formado por cantigas de roda, constitui hoje, clássicos da música infanto-juvenil, folclórica e carnavalesca. Dentre elas, destacam-se "Sapo Cururu", "Marcha Soldado", "Escravos de Jó", "Samba Lelê", e dezenas de outros.
 

O palhaço Carequinha é considerado por muitos como um patrimônio da cultura brasileira. Suas músicas estiveram sempre entre os maiores sucessos muito no carnaval, como "Garota Travessa", "Carnaval JK", "O bom menino" (aquele que "não faz xixi na cama"), e tantas outras.

Carequinha atravessou várias gerações como ídolo infantil. 


Apresentou-se para vários presidentes, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, passando pelos generais do regime militar e recebendo condecoração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Charles Perrault - Era Uma Vez O Pai da Literatura Infantil

                                                    1628-1703 


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        Os seguidores de Charles Perrault

 

Hans Christian Andersem ,dinamarquês,1805-1875 
Os irmãos Grimm: Jacob (direita) e Wilhelm Grimm (esquerda) em uma pintura feita em 1855 por Elisabeth Jerichau-Baumann.
 
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Vivemos um tempo   em que as pessoas parecem anestesiadas,fora do mundo  e vidradas nas redes sociais em qualquer ocasião : usando celulares em elevadores,veículos, em casa e nas ruas , até mesmo morrendo na tentativa de fazer um "selfie" original.
Em boa hora,quem fez pesquisas no Google ontem se surpreendeu com o doodle criado pela designer  Sophie Diao  para marcar os 388 anos do nascimento do criador dos contos de fada  Cinderela, Bela Adormecida e Gato de Botas .

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Charles Perrault nasceu  em Paris,em 12 de janeiro de 1628,irmão gêmeo de François (morto aos seis meses de idade),  filhos caçulas dos sete  que tiveram Pierre Parrault,advogado que era membro do Parlamento francês e de Paquette Le Clerc.
Estudou no Colégio de Beauvais e se licenciou em Direito,seguindo a carreira literária ao mesmo tempo em que se envolveu na política e,com a influência do  irmão mais velho, funcionário qualificado das finanças do país,foi nomeado funcionário   público.Participou da criação da Academia de Ciências e da restauração da Academia de Pintura.
 

Dedicou  ao estudo, a imaginação- a princípio- não foi muito exigida. Como burocrata,escrevia  odes, palestras, diálogos, poemas e peças louvando o rei e os príncipes.
 

Foi secretário da Academia Francesa desde 1663, tornando-se o protegido de ministro das finanças francês Jean-Baptiste Colbert que ocupou. 
 este importante cargo, durante 22 anos no governo do rei absolutista Luis XIV .

Em 1665,nomeado funcionário particular do rei, começa a receber grandes vantagens. 
Torna-se comissário da Receita Geral, dirigoda por se irmão Pierre e, mais tarde,superintendente  das obras reais.   
Em 1671 acontece o casamento com Marie Guichon e a eleição para a Academia Francesa. eleito chanceler da Entre 1673 e 1678,nascem seus três filhos. A esposa  morreu após o nascimento do último. 

Em 1680, foi obrigado a ceder  sua posição privilegiada ao filho de Colbert.  

En 1683, morre   Colbert e seu substituto Louvois  retira de Perrault todas as mordomias. 
O funcionário privilegiado (por nepotismo, diríamos hoje) dá lugar ao  erudito,ao poeta.  

  Agora ilustre autor, escreveu um total de 46 obras, oito delas publicados postumamente, incluindo  livro de memórias. 

Com exceção das histórias infantis, todo o seu trabalho consistiu em louvar ao rei da França.


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Aos 55 anos,escreveu a maioria de suas famosas histórias de fadas,contos de fundo educativo recolhidos da tradição oral, que se tornaram leitura favorita das crianças.
  
Registrando fielmente os costumes e hábitos de sua época, os contos de Parrault marcam o início de um novo estilo onde a gente encontra  personagens  como fadas, ogros, animais falantes, bruxas e príncipes encantados e sempre um final feliz acompanhado  de ensinamento moral.


Charles Perrault, hoje aclamado como um dos grandes autores do século 17,é considerado o pai da literatura infantil.
Rue de L'Estrapade hoje

São de sua autoria as palavras até hoje usadas quando se começa a contar uma história: "Era uma vez" 

Morreu em no dia 16 de maio de 1703 em sua casa da Rue de L'Estrapade,em Paris.
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Aqui apenas alguns de seus contos infantis:


Chapeuzinho Vermelho
A Bela Adormecida
O Pequeno Polegar
Cinderela
Barba Azul
O Gato de Botas
As fadas
Riquet Topetudo
Pele de Asno
Desejos Ridículos 

Grisélidis 

Contos da Mamãe Gansa
 


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