domingo, 21 de dezembro de 2014

O Natal pelo ângulo da vaca


 

(Minipresépio,adquirido na Feira de Caruaru,Pernambuco .
 
















 O Papai Noel, desfigurado por aquele refrigerante, não "colou" aqui em casa. 
.A vaca observa, discretamente. )
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Há alguns anos e fora da época de festas natalinas, li no Jornal do Clube de Criação do Rio de Janeiro, um texto de João Bosco-na época da agência Contemporânea- em que o autor/ publicitário e gente boa -ressalta o papel do cliente no sensacional e esfuziante universo da propaganda brasileira,onde (não) circulo como observadora distante há décadas.  
O articulista,pessoa sensata e realista,mostrava que o cliente pode e deve ser ouvido. 
Por vários motivos, até porque está pagando.  

Uma opinião sob outro ângulo sempre deve ser considerada,mesmo que-depois- seja descartada.  


João Bosco defendia sua tese usando o provável testemunho da vaca de presépio em Belém, para a qual o nascimento do bebê de 25 de dezembro foi um transtorno.

Inclusive, uma estrela super brilhante já tinha lhe tirado o sono durante várias noites.
Aí,ela viu a chegada do casal no burrico e quando percebeu a moça grávida e o marceneiro desempregado… gelou.
"Meu feno,pensou...meu leite..pensou..meu estábulo,pensou..". 
Acabara sua privacidade e os outros representantes da fauna local se acharam no direito de ocupar o espaço,sem a menor cerimônia.
Nascido o nenem,as noites continuaram a ser complicadas, todo récem-nascido chora e muito e tem as mamadas, as trocas de fraldas (já existiam fraldas??).
Quando as coisas estavam entrando nos eixos, ou melhor, quando a vaca do presépio começou a se conformar com a invasão do território ( a gente sempre se conforma), chegaram 3 visitas montadas em camelos.  

Um deles,aliás afrodescendente,trazia algo que fazia fumaça e era extremamente danoso ao sistema olfativo ('a vaca era alérgica'),embora com delicioso odor.
E assim segue o super criativo artigo,sugerindo que se ouçam todas as partes interessadas e- não- uma única opinião.
O fato mais importante dos últimos 2014 anos ficaria reduzido a nada se observado do ponto de vista de uma vaca ignorante e autorreferente.
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Na vida pessoal,orientei meus filhos e procurei ajudar a incutir na cabeça da neta( e tento agir da mesma forma -é difícil paca-24 horas por dia) a atitude de observar as situações com os olhos de meus semelhantes, para melhor entendê-los e não praticar injustiças nem julgamentos precipitados. 

Dessa maneira, posso minimizar momentos de revolta autêntica ao pensar nas pilantragens perpetradas pelos nossos representantes na Ilha da Fantasia ( (Brasília,DF,onde se encontra o Congresso Nacional, para os leitores de tantas partes do mundo que me dão a honra de sua visita).  

Também tento entender o consumeirismo absurdo dessa sociedade em que você se realiza ostentando um Rollex que o pivete vai roubar ali na esquina;depois fica na fila desde madrugada para comprar uma pochette francesa por milhares de reais, ou-pior- refém de uma concessionária à espera de um carrão pago em cento e tantos meses para impressionar os vizinhos, os cunhados,os colegas do trabalho,para segurar uma relação que se deteriora,para ganhar uma gatona (ou um gatão) e vai-se o limite do cheque especial.

E vai-se o CPF para o SERASA, aí.....fudeu.
Lembro o “Pequeno Príncipe” e, aproveitando a oportunidade,uma vez que o carneiro de Saint Exupéry tem meio visual de vaca,me permitam repetir as palavras aparentemente babacas -mas muito verdadeiras e lindas -que eram citadas,no passado, por cada Miss de concurso de beleza como prova de "sensibilidade' e "erudição":
"O essencial é invisível para os olhos.Só se vê bem com o coração "
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mafalda Cinquentona




A partir de hoje,quarta-feira (17/12) e até 28 de fevereiro de 2015, na Praça das Artes, em São Paulo, a exposição interativa “O Mundo Segundo Mafalda” ,personagem criada pelo  cartunista argentino Quino (Joaquim Lavado) está ”instalada na Praça das Artes, em São Paulo. 
A  entrada é gratuita e o horário, das 9h às 20 h. 

Um projeto do  Museu Barrilete da Cidade de Córdoba-Argentina, a mostra  está dividida em 13 módulos e duas oficinas  que permitem refletir sobre os direitos humanos, os direitos das crianças, o vínculo com a natureza e o cuidado com o planeta. 

Além de Mafalda, estão na exposição os eternos amigos Manolito, Felipe, Susanita, Miguelito, Guille e Libertad.  

Foram recriados ambientes frequentados pela personagem, como a mesa familiar, a vitrola que toca as músicas de seus amados Beatles, uma antiga TV em preto e branco e outros objetos, como 
móveis comuns da classe média da época.

(divulgação)


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Serviço 


 O Mundo de Mafalda:


Praça das Artes. 

Av. São João, 281, 4º andar.

Centro- São Paulo-SP 

Próximo das estações Anhangabaú e São Bento do metrô. 

Centro.

Tel. (11)3241-1332.

De 16/12 a 28/2/2015 

(exceto nos dias 24, 25 e 31/12 e de 1º a 6/1/2015, quando estará fechada).

 De 2ª a dom, das 9h às 20h.
Entrada Franca.


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Mafalda cinquentona 


 
Nas páginas da revista semanal  argentina  Primera Plana que circulou entre 1962 e 1973, a super precoce Mafalda veio ao mundo,já com a idade de seis anos, no dia 29 de setembro de 1964. 

               Primera Plana

Primera Plana trouxe um novo estilo de jornalismo, com enfoque nos problemas estruturais da Argentina. 

Nos primeiros meses de existência, a Primera Plana já havia atingido uma média de 25.000 exemplares, cumprindo um papel importante no processo de "desestabilização" do governo democrático de Arturo Illia Umberto, que terminou em 1966 com um golpe de Estado do general Juan Carlos Onganía.  

Em 1966, vendia  uma média semestral de 50.000 exemplares.    Em 4 de agosto de 1969,um decreto da ditadura de Onganía proibiu a sua circulação.

 Reapareceu em 1970, atraindo leitores das elevadas camadas culturais de alto poder aquisitivo,influenciando o formato e as diretrizes da publicidade argentina da época.  

Lá entre o conteúdo das colunas,estava a icônica  Mafalda,  famosa personagem de história em quadrinhos criada por Quino.

                          Quino 




Joaquin Salvador Lavado Tejón, o Quino,nasceu em Mendoza, Argentina em 17 de julho de 1932, embora- nos registros oficiais- conste 17 de agosto. Logo ao nascer recebeu o apelido QUINO,para ser diferenciado do tio Joaquin Tejón, conhecido pintor e artista gráfico com quem, aos 3 anos de idade,descobriu sua vocação. 
Seus pais,imigrantes espanhóis, vieram da Andaluzia.
Em 1939,começou  estudos numa escola primária. Ficou órfao de pai e mãe num curto espaço de tempo .

1948-Aos 13 anos,começou um curso de Belas Artes,mas "cansado de desenhar ânforas" abandonou os estudos  para se dedicar à única profissão possível:desenhista de humor.
1960 foi o ano do casamento com Alicia Colombo,de origem italiana.
Entre 1950 e 1963, trabalhou em diversas revistas e jornais:de 1950 a 1963, o  "Esto es" e "Panorama", em 1954, "Rico Tipo", "Doctor Merengue" e "Tia Vicentaem 1959.Desde o lançamento de seu primeiro livro de desenhos, Mundo Quino, em 1963,  é considerado um dos melhores entre os artistas plásticos  e designers argentinos.
Criada em 1964, Mafalda, a série em quadrinhos , deu-lhe uma reputação internacional.Em 1973, com o sucesso da personagem,Quino deu prioridade ao desenho de humor.

Em 1981, veio o "Prêmio Humor Negro" pela sua coleção"A Mesa".
Em 1998 recebeu do o município de Buenos Aires o título de "Master of Arts", ao mesmo tempo em que a  "B'nai B'rith"- 
organização paralela à maçonaria regular cuja afiliação está 
lhe concedeu seu prêmio anual de "Direitos Humanos"exclusivamente reservada aos cidadãos de origem judaica -
                               Mafalda

“A Mafalda não é somente um personagenm de quadrinhos; talvez seja o personagem dos anos setenta na sociedade argentina. Se, ao defini-la, usou-se o adjetivo “contestatária”, não foi por uma questão de uniformização em relação à moda do anticonformismo a qualquer preço: a Mafalda é realmente uma heroína iracunda que rejeita o mundo assim como ele é"

Humberto Eco. 




1962-o nome da personagem foi inspirado pela novela  Dar la cara (de David Viñas) para uma peça publicitária que seria publicada no jornal Clarin.  Rompido o contrato, a campanha foi cancelada
 A partir de 15 de março de 1965, a tira em quadrinhos começou a aparecer diariamente no "O Mundo" de Buenos Aires,permitindo que Quino pudesse opinar sobre as ocorrências com mais detalhes. 

As personagens Manolito e Susanita foram criadas nas semanas seguintes e a mãe de Mafalda estava grávida quando o jornal faliu em 22 de dezembro de 1967. 

Mafalda  promoveu campanhas sobre Direitos Humanos e, em 1976, fez um pôster para  ilustrar a Declaração Universal dos Direitos da Criança. da UNICEF.

                                    

                           Personagens

  fonte: blog português "Mania de Gibi "

"A adaptação aos desenhos animados aconteceu em 1993, na Espanha, quando foi produzida uma série de 104 episódios de um minuto.
Em Portugal a série surgiu em maio de 1970, por intermédio das Publicações Dom Quixote, que até 1975 editaram um total de 18 livros em pequeno formato.
Em 1972 a mesma editora apresentou o primeiro álbum em grande formato, seguindo-se diversos outros títulos (entre o final dos anos 70 e durante os anos 80 ), também em grande formato.
Dado o grande carinho com que os leitores portugueses acolheram a série, foi editado o  r. A Bertrand Editora apresentou em 2003 O Mundo de Mafalda, que corresponde a uma nova versão do título anterior e em 2005 surgiu Viagem com Quino e Mafalda, álbum editado pela Teorema.
Em 2001 a Fnac editou em exclusivo dois vídeos com mais de 100 episódios (de um minuto cada) de desenhos animados de Mafalda.

Personagens:

MAFALDA - Primeira aparição: 29 de Setembro de 1964.
Sobrenome: Quino nunca o mencionou, mas em uma das tiras, nas quais a sua professora corrige um desenho dela, depois do nome da Mafalda, aparece a letra M.
Idade: 6 anos em 1964; 8 no último livro.
Características: seus comentários e idéias refletem as preocupações sociais e políticas dos anos 60. Filha de uma típica família da classe média argentina, a Mafalda representa o anticonformismo da humanidade, mas com fé na própria geração. O que mais odeia é a injustiça, a guerra, as armas nucleares, o racismo, as absurdas convenções dos adultos e, obviamente, a sopa. 
uma avó,para quem mandou um cartão postal depois de umas férias.As suas paixões são os Beatles, a paz, os direitos humanos e a democracia.
Álbum de família: pai, mãe e um irmão, o Guille. Tem pelo menos 

FELIPE – Primeira aparição: 19 de Janeiro de 1965.
Sobrenome: desconhecido
Idade: 7 anos em 1964. Sempre teve um ano a mais do que a Mafalda.
Características: sonhador, tímido, preguiçoso e desligado; às vezes, romântico. É o oposto da Mafalda. 
É um fã das estórias de aventura, em particular daquelas do “Cavaleiro Solitário”. 
Odeia a escola e ter que fazer as tarefas para casa. Não parece concordar muito com a própria personalidade: “Justo eu tinha que ser como sou?”, se pergunta numa tira.
Álbum de família: seu pai nunca apareceu nas tiras, mas a sua mãe, com a qual se parece fisicamente, sim. De todos os personagens é aquele do qual se conhecem menos detalhes. Nem através da fofoqueira  Susanita conseguimos descobrir muitas coisas sobra a sua biografia familiar.
MANOLITO – Primeira aparição: 29 de Março de 1965.
Sobrenome: Goreiro.
Idade: 6 anos em 1964.
Características: bruto, ambicioso e materialista, mas, no fundo, com um grande coração.
 De todos os personagens, ele e a Susanita são os únicos que realmente sabem o que querem da vida. No seu caso, uma enorme rede de supermercados. Admirador de Rockefeller, as suas paixões são tão fortes como o seu ódio, como o que tem dos hippies – entre os quais inclui os Beatles – e da Susanita.
Álbum de família: filho de espanhóis. O pai, bruto como o filho, demonstra, às vezes, alguns brutos sinais de carinho. A família é completada pelo seu irmão, idêntico ao Manolito, que aparece pela primeira e última vez no livro n°1, quando acaba o serviço militar. A mãe é uma incógnita: só aparece a sua mão segurando um chinelo que ameaça o Manolito.
SUSANITA – Primeira aparição: 6 de Junho de 1965.
Sobrenome: Chirusi e segundo nome: Clotilde.
Idade: 6 anos em 1964.
Características: super fofoqueira, egoísta ao máximo e briguenta por vocação. Tem o seu futuro totalmente planificado: um casamento magnífico, um marido com uma boa condição econômica e muitos, muitos filhos. Essas as suas paixões.
 As coisas que odeia são mais numerosas: os pobres dão-lhe nojo, quase tanto quanto o Manolito, e detesta as reflexões da Mafalda. Obviamente, não está nem aí com o destino do mundo.
Álbum de família: a Susanita é o retrato vivo da sua mãe. Não tem só os avós, mas também uma bisavó de 83 anos (livro n° 5). Os seus pais, depois dos da Mafalda, são os que mais aparecem nas tiras.
MIGUELITO – Primeira aparição: Verão de 1966.
Sobrenome: Pitti.
Idade: 5 anos em 1964.
Características: sonhador como  Felipe, apesar de ser mais egoísta e muito menos tímido. A sua inocência é à prova de tudo e vive refletindo sobre questões sem importância. Detesta ter a idade que tem e não ser notado. É o centro do mundo e ninguém consegue convencê-lo do contrário.
Álbum de família: tem um avô fascista que fala maravilhas do Mussolini. O pai nunca aparece, a não ser através da sua voz autoritária em alguns quadrinhos. A mãe, ao contrário, é uma mulher gorda, cuja única preocupação é que o pavimento da casa esteja sempre brilhante.
Com certeza de esquerda, talvez por uma questão genética. Intelectual, crítica e perspicaz, Libertad ama a cultura, as reivindicações sociais e as revoluções. As pessoas complicadas a deixam nervosa. Ela, garante, é simples.


Álbum de família: o apartamento em que mora é tão pequeno como ela, mas tem espaço suficiente para um monte de livros e uns posters de Paris. A mãe, muito jovem, é tradutora de francês. 

O pai nunca aparece, mas se sabe que é socialista. Eles se casaram quando estudavam e conseguiram se formar com muito esforço.
LIBERTAD – Primeira aparição: 15 de Fevereiro de 1970.
Sobrenome: desconhecido.
Idade: talvez a mesma dos outros, mas com certeza, mais do que parece.
Características: um espécie de Mafalda em miniatura, apesar de ser menos tolerante. 

GUILLE – Primeira aparição: 2 de Junho de 1968.
Sobrenome: o mesmo da Mafalda.
Idade: nasceu em 1968.
Características: típico representante da idade da inocência, em que tudo está para ser descoberto. Dono de uma ternura marota, é o único personagem que cresce de uma tira para outra. A sua paixão são os rabiscos nas paredes, a chupeta on the rocks e a Brigitte Bardot.

OS PAIS – Primeira aparição: Setembro de 1964.
Sobrenome: desconhecido, assim como o nome do pai. Sabe-se qua mãe se chama Raquel.
Idade: o pai, 35 anos em 1967 e 39 no último livro. A mãe deve ter uns 36 ou 37 anos, porque a Mafalda a desmascara puxando um cabelo branco dela.
Características: um típico casal de classe média. 
Ambos são passivos, limitados e, até mesmo, levemente falidos. 
O pai trabalha num escriório fazendo contas para chegar no fim do mês. A mãe abandonou a universidade para formar uma família, coisa que a Mafalda critica sempre que pode. Ele ama as plantas; ela vive com o dilema do que cozinhar. Eles têm duas fraquezas em comum: os filhos e o Nervocalm."
Personagens Mafalda
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

D João VI Um príncipe entre dois continentes- Editora Nova Fronteira



As aparências enganam




Dom João VI (1767-1827), 27º rei de Portugal, subiu ao trono porque seu irmão mais velho morreu e a mãe ficou louca. 

A figura aparvalhada que aparece nas imagens oficiais é enganosa.
Agradeçamos a ele a visão de futuro que transformou o Brasil em reino unido, abriu os portos, fundou o Banco do Brasil, a Escola de Medicina, a Academia de Belas Artes, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e editou o Alvará de Liberdade Industrial, que permitiu uma relativa emancipação econômica no Brasil Colônia.
Entregou pessoalmente aos plantadores as primeiras mudas de café trazidas da
África, que veio a ser nossa principal fonte de riqueza durante o Império e a República Velha. E, num lance final de grande visão de marketing político, partiu para Portugal para reassumir o trono e agradar as Cortes ansiosas, deixando seu filho e herdeiro como regente.
É a D João VI que devemos, por tabela, nossa existência como nação-continental, sem os fracionamentos resultantes das guerras de libertação na América Espanhola.

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A seguir, texto e fotos do site da Companhia das Letras:



D. JOÃO VI - Um príncipe entre dois continentes


Jorge Pedreira
Estudioso das elites portuguesas na época moderna, é professor na Universidade  Nova de Lisboa 
Fernando Dores Costa
É pesquisador do Instituto de Sociologia histórica na Universidade Nova de Lisboa.  


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"O percurso de d. João VI fornece o fio condutor desta história, mas este livro é muito mais do que uma biografia do monarca português. A figura do rei - sobre a qual circulam uma série de imagens estereotipadas - adquire espessura em função da análise do seu lugar (e do lugar de Portugal) no xadrez político e econômico internacional. 

Trata-se de combinar, com o apoio de ampla documentação, o exame dos grandes panoramas diplomáticos com o das políticas comezinhas, que articulam vida familiar e atuação política, acordos públicos e intrigas privadas.
Os nove capítulos acompanham o percurso atribulado de d. João, que assume o poder numa Europa modificada pela Revolução Francesa. 

O posicionamento hesitante da monarquia portuguesa entre França e Inglaterra, somado às divisões internas de grupos sociais e facções políticas dentro do país e aos problemas (pessoais e políticos) provocados por sua esposa Carlota Joaquina conferem tensão ao itinerário do monarca, numa narrativa rica em informações, capaz de interessar o especialista e o público mais amplo.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dia do Tango- 11 de Dezembro





DIA DO TANGO - 11 DE DEZEMBRO 
Em 1977, a prefeitura de Buenos Aires instituiu o Dia do Tango, que logo se tornou um evento nacional e agora faz parte do calendário cultural de diversos países. 
A data foi escolhida para homenagear Carlos Gardel e o grande músico e compositor Julio De Caro



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Tango Argentino


Após a queda da ditadura militar, com o retorno da democracia, a Argentina viu o renascimento esplendoroso da sua música tradicional.

Em maio de 2008,flanando por Palermo e por puro acaso,recebi uma espécie de filipeta(um volante),chamando para uma noite de tango num pequenino espaço/ grande templo do tango, Café Homero, que você vê na foto,construído em 1927.
Lá se apresentou apenas naquela noite Ernesto Baffa, o Grande Mestre- já bem idoso e recém saído de uma cirurgia de catarata e tocando com venda nos olhos e o bandoneón pulsando apaixonado em seus joelhos de quase nonagenário.
Foi um momento mágico que jamais esquecerei.
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Em 1913, enquanto o mundo pegava fogo às vésperas da Primeira Guerra Mundial, o Arcebispo de Paris proibia os meneios e cruzamentos de pernas do dançarinos de tango recém-chegados aos salões da moda. Um Consistório - reunião de cardeais para tratar de assuntos urgentes da Igreja - foi convocado às pressas para deliberar sobre tão palpitante assunto.
No entanto, o sensato Papa Benedito XV (Cardeal Giacomo Della Chiesa, eleito em setembro de 1914) ao assistir uma exibição de tango por casal de profissionais considerou que se tratava apenas de uma novidade mais ousada e liberou sua execução.
Abalou Paris
Os oficiais e marujos franceses que aportavam em Buenos Aires na primeira década do século XX, tomavam conhecimento da dança sensual e erótica executada nos cabarés da zona portuária.
Deslumbrados, levavam nas bagagens partituras dos tangos mais populares.
De porto em porto, a dança virou uma sensação. Permanecendo em essência a paixão e a melancolia, o tango recebeu um tratamento coreográfico diferenciado na Europa, perdendo um pouco a sensualidade latina.
A dança se converteu em moda. A palavra "tango" virou adjetivo: batizou cocktails, tornou-se nuance de tecidos, sabor de chá e de bebidas. Tango virou sinônimo de transgressão.

Tangano
Ritmo dos mais sensuais e envolventes, o tango é ensinado em
todas as escolas de dança do mundo. Segundo alguns pesquisadores, sua origem está na África - a dança Tangano, que foi difundida primeiro na América Central pelos escravos ali chegados.
Outras fontes citam a palavra tangó que significava um lugar de reunião dos escravos, algo parecido com nossos quilombos. Nestes locais eram usados apenas instrumentos de percussão. Os negros eram imitados (e ironizados) pelos "compadritos", imigrantes e colonos com hábitos gaúchos.

Receita eclética
Desta tentativa de imitação surgiu algo parecido - mas ainda distante - do que hoje chamamos tango. Foram acrescentados uns "toques" da habanera cubana, do candomblé africano, do flamenco andaluz, da canzone italiana e da milonga, vinda do folclore dos gaúchos argentinos. Assim, o tango virou um baile, evoluiu para gênero musical e, por fim, ganhou status de canção. Ajudada pela improvisação dos dançarinos cristalizou-se a forma do tango argentino, que até hoje inspira poetas, músicos, atores e diretores de cinema e teatro.
Chega o bandoneón

Dançado por pessoas das classes mais pobres e discriminado pelos ricos, a novidade recebeu um subsídio que a tornou popular entre toda a população: a orquestra típica com os primeiros grupos de "tocadores de tango", onde se destacavam o sons da flauta e do violão. Depois entraram o piano, o violino, contrabaixo e, finalmente, o bandoneon,híbrido de acordeom e gaita gaúcha. Estava formada a orquestra típica.
A música do subúrbio viajou até outros bairros de Buenos Aires, aos cafés da Zona Norte e ganhou o mundo.

Carlos Gardel
Gardel é sinônimo de tango Charles Romuald Gardés, nascido em 11/12/1890 , em Toulouse, França, cantor, compositor, ator continua sendo um ícone para os apreciadores da música em particular e para todos os argentinos em geral. .
"Mi Noche Triste", de sua autoria, está para o Tango como "O Barquinho" está para a nossa bossa nova: é o marco inicial do movimento.
Começou a carreira aos 17 anos, mas foi a formação de uma dupla com o uruguaio José Razzano e suas performances no cabaré Armenonville, em Buenos Aires, que o tornaram um fenômeno de vendas e de público.
Iniciou uma carreira solo em 1925, viajando constantemente pela América espanhola e Europa. Um contrato com a Paramount, em Hollywood rendeu atuações em vários filmes de sucesso.
Em 24 de junho de 1935 ,no esplendor da carreira, consagrado mundialmente, morreu em desastre aéreo em Medellin, Colômbia.

Astor Piazolla
Astor Piazzolla (1921-1992) nasceu em Mar del Plata e morou com a família nos Estados Unidos,onde estudou bandoneon com Bela Wilda e piano com Serge Rachmaninov.
No retorno à Argentina, a carreira deslanchou. Sempre buscando a perfeição, continuou os estudos de piano e harmonia e, em 1946, formou sua primeira orquestra típica. Aí começou a longa série de composições premiadas.O governo da França lhe concedeu uma bolsa de estudos para estudar com Nadia Boulanger.
Formou o famoso Octeto de Buenos Aires e sua Orquestra de Cordas, que revolucionaram a música argentina. Transformado em quinteto, o grupo correu o mundo. Piazzolla(foto) musicou versos de Jorge Luis Borges e formulou os conceitos do movimento "nuevo tango" usando contrapontos revolucionários, novas harmonias, arranjos audaciosos e muita intuição. No Montreux Jazz Festival de 1986, recebeu encomenda de obras exclusivas para Pat Metheny, Keith Jarret e Chick Corea.
Em 1989 foi considerado um dos maiores instrumentistas do mundo pela Down Beat, famosa revista especializada em jazz.
Durante seus últimos anos compôs mais de 300 obras. e cerca de 50 trilhas musicais para filmes
Astor Piazzolla morreu em 4 de julho de 1992.
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