quarta-feira, 1 de outubro de 2014

a seguir> exposição MADE BY..FEITO POR BRASILEIROS

Invasão criativa  na "Cidade Matarazzo",antigo conjunto de pavilhões de hospitais abandonados- na valorizada área da Bela Vista - SP

domingo, 28 de setembro de 2014

Exposição "Pérolas" na FAAP e Kokichi Mikimoto-minibiografia nos 60 anos de sua morte




"Como parte do Ano da Cultura Qatar-Brasil 2014,  o Museu de Arte Brasileira da FAAP   realiza, a partir de 20 de julho, a exposição “Pérolas”, organizada por Qatar Museums .
A mostra reúne mais de 200 peças – entre joias e obras de arte - mostrando a grande variedade de cores e formas de pérolas naturais e cultivadas. A exposição apresenta o uso das pérolas ao longo dos séculos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, como um símbolo de prestígio e riqueza, as variações de gostos em diferentes culturas e as mudanças no design de joias com pérolas.
A primeira parte da exposição é   sobre a história natural das pérolas. Discorre sobre a pesca e comércio no Golfo Pérsico, Europa e Ásia, desde a Antiguidade aos dias atuais e exibe uma coleção de pérolas raras e de moluscos portadores de pérolas e revela  os perigosos métodos de trabalho dos mergulhadores de pérolas e mostra as práticas comerciais dos negociantes. juntamente com exemplos de equipamentos necessários para a pesagem e a valoração de pérolas.
A segunda parte é sobre  a utilização das pérolas em joias e destaca as mudanças do design ao longo da história.  O visitante aprecia   o processo de cultivo das pérolas e sua produção em escala industrial, iniciada por Kokichi Mikimoto, no Japão. 
 Ano da Cultura Qatar-Brasil 2014
O Ano da Cultura Qatar-Brasil 2014 é um programa de intercâmbio cultural de um ano de duração dedicado a conectar as pessoas do Estado do Qatar e da República Federativa do Brasil por meio de cultura, comunidade e esporte. Através de um ano de inovadoras atividades de intercâmbio cultural, indivíduos e instituições de ambos os países criam parcerias duradouras e fortalecem as relações bilaterais ".
(divulgação)
**********************************

Kokichi Mikimoto (御木 本 幸 吉)   

 * 10 de marco de 1858
 † 21 setembro de 1954) 

Empresário criador  da primeira pérola cultivada (Akoya),no início de 1920,quando desenvolveu  a indústria desta joia.
Conjunto Akoya
Recebeu patentes para o cultivo das pérolas e  autorização para   colocá-las no mercado. 
Na comemoração do centésimo aniversário da empresa (1985), foi selecionado como um dos 10 maiores inventores do Japão.A marca da empresa  classificada como um das  mais luxuosas da WWD e Mikimoto Kokichi foi considerado um dos melhores líderes financeiros japoneses do século 20
Recebeu,postumamente, o Grande Cordão da Ordem do Também é conhecido como o fundador da Mikimoto Pharmaceuticals, uma especializada em produtos de beleza contendo pérolas de cálcio. 

*******
Filho mais velho de um casal proprietário restaurante de udon (macarrão com caldo japonês)   deixou a escola aos  13 anos,para complementar a renda de sua família como um vendedor de vegetais e estava destinado, como primogênito, a continuar o negócio da família.
Tentou várias alternativas e atuou em vários mercados, até que a observação dos mergulhadores de Ise despertou seu fascínio por pérolas. 

 UME

UME

Em 1888,recebeu  um empréstimo para abrir a sua primeira fazenda de pérolas cultivadas ajudado pela esposa Ume que sempre apoiou e trabalhou ao lado do marido e o abençoou com o   seu apoio e trabalhou fielmente ao seu lado através de sua experimentação, ensaio e erro e decepções.
 No Memorial a Mikimoto existe um quadro onde um jovem casal examina uma concha de ostra que  comemora o instante em que Ume, no dia 11 de Julho de 1893,  abriu a ostra que contém a primeira pérola cultivada com sucesso (na foto abaixo). 

Em 27 de janeiro de 1896 saiu  a patente de pérolas semi-esféricas  que   levou 15 meses: porque nunca ninguém tinha que  pedir patente relativa a objetos biológicos.

O busto de bronze e a pintura comemoram a fibra desta valente mulher que acreditou no sonho do marido.
Em 1899, a empresa  Pérolas Mikimoto abriu sua primeira loja em Ginza, Tóquio. 
O edifício-sede da empresa Mikimoto em Tóquio
A partir de então, o negócio se expandiu no exterior. 


  1911-Foi aberta a filial de Londres e o negócio prosperou tanto com o uso modernas estratégias de marketing aprovadas por Mikimoto que -antes da Segunda Gierra- já existiam as filiais de Londres,Nova York,Los Angeles ,Xangai, Bombaim e Paris.
  

Em 1954, depois de reerguer a empresa que havia sofrido grande baque durante a guerra, com a sensibilidade de aceitar novas 
estratégias de marketing,Mikimoto faleceu aos 96 anos.
O desejo de que "cada mulher do mundo tivesse sua joia de pérolas" foi realizado.
Até o final da vida,a importância da presença de Ume(que morreu aos 32 anos) na vida e no cultivo das ostras foi divulgada pelo viúvo.


 Mikimoto Pearl Island- A ilha das pérolas 
O visitante atravessa  a passarela conhecida como Ponte da Pérola para ser  transportado até um parque temático para os adultos com quatro pavilhões. 
Em frente a Toba,na província de Mie, ali é o local onde foram criadas as primeiras pérolas cultivadas do mundo.
Em meio à vegetação e no belo panorama da lagoa, está o Kokichi Mikimoto Memorial Hall.  
 Pintura a óleo no Memorial- descoberta da primeira pérola cultivada



*************************************************



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A instalação "Útero" na Bienal 2014 e aborto no Brasil




O coletivo boliviano Mujeres Creando-que não é uma ONG nem um movimento social, segundo sua fundadora Maria Galindo-  realizou uma 
procissão/ performance, pública  e participativa, contra  ditadura     do patriarcado sobre o corpo da mulher na inauguração da 31a Bienal de Artede São Paulo.

 A ideia é promover um ambiente de discussão e diálogo com a ajuda de um enorme útero ambulante que saiu da área Parque do Pavilhão da Bienal e agora se encontra logo na entrada do local do evento 

Em pauta estão as implicações do aborto, da colonização do corpo feminino e o que pode significar a decisão soberana, o livre-arbítrio e a liberdade de consciência em uma democracia 

contemporânea.
O  movimento feminista "Mujeres Creando" existe há cerca de 22 anos e acredita que nós, mulheres, estamos em permanente construção e vivenciamos diferentes estágios que têm sido fundamentais para esta construção porque somos oriundas de diferentes estilos de vida, culturas,faixas etárias e opções sexuais.

  
Louise Akemi,do Ninja assim descreve a instalação:  

"Uma estrutura de metal forma sete úteros, um deles é o principal, está no centro, no meio de duas pernas abertas, coberto por um tecido vermelho rendado. Em forma de círculo, cada útero possui um espaço que permite que as pessoas entrem dentro dele. Estamos na inauguração do maior encontro artístico do país e um dos principais da América Latina, é a 
Bienal de Arte "de São Paulo.

Aborto no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Aborto no Brasil
proibido na maioria dos casos
A lei sobre o aborto é igual em todo o país
Situação atual
Legalidadelegal em casos de risco de vida, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal, e proibido em todos os demais casos
Ano da lei1984
2012 (ADPF 54)
Penaspara a gestante: 1 a 3 anos
para o médico: 3 a 10 anos
Aborto ilegal
Abortos ilegais
(por ano)
729 mil a 1,25 milhão
Fonte: Ministério da Saúde
Mortalidade250 aproximadamente por ano
Fonte: Ministério da Saúde
História
Situações anteriores1824 - Constituição do país proibia o aborto em todos os casos
1940 - Constituição do país proibia o aborto em todos os casos, classificava-o como "crime contra a vida"
No Brasil, o aborto é considerado como crime  pelo Código Penal em vigor desde 1984 , prevendo detenção de um a quatro anos, em caso de aborto com o consentimento da mulher e de três a dez anos para quem o fizer sem consentimento. Não é qualificado como crime quando praticado por médico capacitado em três situações: quando há risco de vida para a mulher causado pela gravidez, quando a gravidez é resultante de um estupro ou se o feto for anencefálico   (desde decisão do STF pela ADPF, votada em 2012, que descreve a prática como "parto antecipado" para fim terapêutico).Nesses casos, o governo fornece gratuitamente o aborto legal pelo Sistema Único de Saúde.   Essa permissão para abortar não significa uma exceção ao ato criminoso, mas sim uma escusa absolutória,
Também não é considerado crime o aborto realizado fora do território nacional do Brasil, sendo possível realizá-lo em países que permitem a prática.
Existe grande esforço por parte da população considerada pró-escolha de tornar legal o aborto no Brasil como escolha da gestante, sendo um dos argumentos utilizados o de que manter a prática ilegal não evita que o aborto seja realizado mas faz com que as mulheres recorram a meios alternativos e inseguros de fazê-lo. A maior parte da população do país declara ser contra a prática, concordando com a situação atual.  
Um plebiscito para consultar a população já foi algumas vezes proposto como forma de decidir o que se deve fazer e existe também a opinião de que o aborto não é matéria para plebiscito mas sim, uma questão de saúde pública e que, como tal, deve ser decidida pelo Estado e não julgada pela maioria. Segundo Débora Diniz, em algumas cidades do Brasil, o aborto clandestino é a segunda maior causa de morte materna. 

**************************************************

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Trio Aquarius na FEK -edição de setembro dos "Concertos de Eva"


  __________________________________


A série "Concertos de Eva",dentro do projeto "Quintas com música na FEK",organizado por Marcio Doctors e com programação e produção da jornalista e agitadora cultural Nenem Krieger,   homenageia a  fundadora da Casa-Museu, Eva Klabin,nos 23 anos de seu falecimento.

  

  
 .
A Fundação foi oficialmente inaugurada em 1995.
********** 

O TRIO AQUARIUS 

Formado por  músicos premiados em diversos concursos nacionais e internacionais, é o resultado da união dos talentos de Flávio Augusto – pianista da Escola de Música da UFRJ; Ricardo Amado – spalla da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e violinista da Orquestra Petrobras Sinfônica; e Ricardo Santoro – violoncelista da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Sinfônica da  UFRJ 

(divulgação)

domingo, 21 de setembro de 2014

Primavera 2014 no Hemisfério Sul e o "Dia da Árvore"


 


As quatro estações-Vivaldi
PRIMAVERA


Com uma oscliação de temperatura muito louca aqui no Rio,  o Sol se prepara para entrar na estação das flores às 22 horas e 23 minutos deste   dia 22 de setembro,pela hora oficial do Brasil. Acontece o o equinócio (noite igual) , quando dia e noite terão a mesma duração


 


Antigamente, o ano era dividido em duas estações básicas: VER,VERIS - o bom tempo, a estação das flores e das frutas e HIEMS, HIBERNUS TEMPUS - o mau tempo, a estação da chuva e do tempo frio.
VER foi rearrumado em 3 períodos:
1) o princípio da estação de bom tempo, chamado PRIMO VERE (mais tarde, a nossa primavera), que hoje seriam os dois primeiros terços desta estação.
2) a segunda parte do VER - o veranum tempus, origem de nosso vocábulo verão, final da primavera e início do tempo quente.
3) o final do tempo do VER, o AESTIVUM, raiz do vocábulo português estio e que correspondia ao final do verão dos nossos tempos atuais.
HIEMS, a estação do mau tempo, foi fracionado em TEMPUS AUTUMNUS (o outono) e TEMPUS HIBERNUS (o inverno )
Este modelo de cinco estações foi adotado até o século XVI: primavera, verão, estio, outono e inverno.
A partir do século XVII, foi estabelecido o atual sistema de estações, com o tempo dividido em quatro partes iguais, assinalados pelos dois equinócios - primavera e outono - e pelos dois solstícios - inverno e  verão.
“WINTER BLUES”,”SUMMER BLUES”
Muitas vezes fico pensando como deve ser maravilhoso viver o espaço de um ano com estas quatro estações bem definidas.
Nasci e me criei aqui na cidade do Rio de Janeiro - Latitude 22º 56' 36" Sul e Longitude 43º 09' 40" Oeste - o que significa, na minha suspeita opinião, conviver com 3 opções: forte calor, calor muito forte e insuportável canícula, o que impede uma vida civilizada.
Na região sudeste do Brasil, onde há a maior concentração populacional do país, chamamos de Primavera o fim da estiagem de inverno e o início da temporada de chuvas.
Apesar das as agressões à natureza, que mudaram totalmente as condições climáticas, ainda existe fora dos trópicos a seqüência verão-primavera-outono-inverno.
Mesmo sofrendo o risco da chamada depressão sazonal (seasonal affective disorder - SAD) e do “WINTER BLUES”,  uma forma mais suave da depressão sazonal, a vida interior ali tende a ser bem mais rica do que a de quem tem o marzão a perder de vista, se torra ao sol e se dissolve no calor úmido.
Mil perdões pelo texto comprometido com o tempo frio, mas tenho certeza que sofro de "SUMMER BLUES", que o digam os que têm que conviver com meu metabolismo alterado pela canícula insuportável e os que se surpreendem quando uso roupas ligeiras no inverno de São Paulo e suporto muito bem temperaturas baixas
A Estação do Amor
A glândula pineal ou epífise, que produz melatonina, foi observada pela primeira vez por Herófilo, da Universidade de Alexandria há dois mil anos e está presente nos animais vertebrados e invertebrados. Era considerada na Antiguidade apenas um músculo que controlaria o fluxo do pensamento. >
Galeno, médico grego do século II, demonstrou que a glândula pineal possuía um tecido diferente do cerebral.
O filosofo René Descartes (século XVII) expôs a teoria de que a pineal seria o centro da alma.
Em nossos dias, já muito bem estudada, ficou evidente que a pineal informa o organismo sobre as condições da iluminação do ambiente.
É através dela, ao liberar melatonina - cuja ação varia de acordo com a hora em que é liberada - que o organismo percebe se está escuro e diferencia o dia da noite .
Durante a primavera, os dias começam a ficar mais longos e as noites mais curtas. Neste período, a temperatura do ar começa a se elevar aos poucos até a chegada do verão.
Nos animais que se reproduzem de acordo com as estações do ano a melatonina pode estimular ou inibir as atividades sexuais.

Dia da Árvore
O Dia da Árvore “original” foi criado por Julius Sterling Morton (1832-1902).
Morton, natural de Michigan mas jornalista e político em Nebraska, serviu como Secretário de Agricultura do Presidente Grove Cleveland, quando direcionou seu esforço para aprimorar as técnicas agrícolas existentes.
Cleveland, com arguto senso de oportunidade, percebeu que a economia de Nebrasca e também a paisagem seriam beneficiadas com um programa de plantio massivo. Assim, deu o exemplo, plantando em sua fazenda e propondo que um dia especial fosse reservado para conscientizar o povo sobre a importância das árvores.
Na primeira comemoração (1884) um sucesso surpreendente: mais de um milhão de árvores plantadas.
A partir de 1885, o dia 22 de abril (aniversário de Morton) passou a ser feriado estadual em Nebrasca.
O nosso Dia da Árvore, 21 de setembro, foi escolhido para cultuar as tradições de nossos povos indígenas, cuja época de chuvas corresponde à chegada da Primavera. Como somos um país-continente, também existe uma controvérsia na festividade, pois no norte e nordeste as chuvas são mais  freqüentes no final de março.
Lenda da Origem da Primavera
Fonte : “Somos todos um”
“É o mito que era celebrado na Antiga Grécia com as Iniciações de Eleusis. Conta a lenda que Demeter, a Mãe Terra, tinha uma filha, chamada Perséfone (Prosérpina para os romanos). Um dia ela colhia flores num campo quando, por uma fenda no chão, surgiu Hades (ou Plutão), deus do reino dos mortos, que a raptou e a levou para o seu mundo subterrâneo. Demeter ficou desesperada com a perda da amada filha, chorou e entristeceu, e a terra secou, não dando mais alimentos para seus filhos.  
Demeter retirou-se em Eleusis para chorar, enquanto os homens morriam de fome e tudo ficava escuro e frio. Zeus (ou Júpiter), com pena de Demeter, ordenou a Hades que devolvesse a filha amada à sua mãe.
Mas Perséfone havia comido uma romã enquanto estava com Hades, e tinha assim, simbolicamente, se ligado a ele. Para chegar a um compromisso, Hades e Demeter fizeram um acordo: Perséfone passaria seis meses na Terra com a mãe e voltaria ao mundo dos mortos durante os outros seis meses.
A volta de Perséfone à Terra marcaria assim o retorno da vida, da estação das flores e do tempo bom, com o início da Primavera. Esse mito nos lembra a promessa da ‘vida após a morte’, do eterno ciclo que faz tudo renascer continuamente, como num eterno carrossel.
O Inverno, então, seria o tempo em que os grãos estão debaixo da terra, na espera da Primavera para renascer, como nossas almas que passam um período de ‘inverno’ entre as várias encarnações.
Outras analogias podem ser feitas analisando o mito: a necessidade do compromisso e do acordo, o ciclo da vida e dos acontecimentos na terra e outros mais”

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Rio Comprido- a saudade falou mais alto nos 120 anos da Colombo






"Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar"
Paulinho da Viola
*****************************************************


 As comemorações 120 anos da Confeitaria Colombo,onde passei incontáveis tardes de minha infância/adolescência (tinha até conta-corrente lá...) esperando que o Avô teminasse de atender seus clientes para que voltássemos juntos para casa, trouxeram de volta saudades imensas.O consultório ficava no predinho de 3 andares, colado na Colombo.
************
Era para o endereço da Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido-Rio de Janeiro, que chegavam as cartas,telegramas,convites para casamentos,pedidos de empréstimo jamais pagos e jamais cobrados,amigos, amigos dos amigos,parentes,amigos dos parentes ,amigos das empregadas e parentes das empregadas e mais quem viesse.

Todos sempre muito bem acolhidos e considerados;jamais ficavam sem resposta , calor humano e tratamento dentário completo grátis. Casa grande,coração ainda maior. Nunca vi tanta generosidade e tanta solidariedade humana como nos meus queridos e gentis avós maternos.
À fidalguia gaúcha de bem receber somavam seus dotes inigualáveis de despojamento e bom caráter.
 Meu avô, médico pela Faculdade Mackenzie de São Paulo,foi para Filadélfia completar os créditos necessários para se graduar em Odontologia,na época uma especialidade da Medicina. Tendo chegado aos Estados Unidos em plena Revolução Industrial, imagino que sua mente aberta voou até alturas inimagináveis,sendo difícil,com certeza ,se readaptar à pequenina provinciana e esnobe cidadezinha do Rio Grande do Sul,onde a minha avó esperava por 14 anos.Sim, quatorze anos na espera.
Esta temporada no exterior marcou-lhe a alma e ,na volta,nunca mais deve ter sido o mesmo.
 Casou-se com minha avó,creio que só para honrar a palavra dada. Tirando as qualidades do coração, nunca vi duas pessoas tão diversas.Ele ousado e expansivo,ela tímida e tradicional;ele teósofo e arrojado,ela carolíssima e acomodada.
Apesar das diferenças ,ou por causa delas,entendiam-se maravilhosamente:a verdade é que jamais ouvi um aumentar de voz,uma querela,um desentendimento
Lá para eles a relação deve ter sido perfeita pois durou quase 50 anos,após os quais,vítima de leucemia,meu avô morreu em 3 meses,ficando pequenininho como uma criança.
Ele ,que a meus olhos ,era a pessoa mais forte, poderosa e invulnerável do mundo. E imortal.
Durante sua edificante e inesquecível vida entre nós o vovô teve a oportunidade de exercer muito frequentemente ,os papéis que mais lhe agradavam: o de host ,o de gourmand e o de gourmet .
Além da dúzia de moradores fixos,agregados,parentes de passagem hospedados em casa ou no Hotel Paysandu,onde ele "tomava"quartos e patrocinava as estadias,a casa era invadida aos domingos por comensais que vinham participar do almoço.
A função começava na sexta-feira,com as elocubrações sobre o cardápio.Coelho? Codorna? Coelho e codorna? Que tal um cordeirinho? Ou,quem sabe,espetinhos de rins ao bacon?E como acompanhamento?Um suflê de aspargos, talvez,ou corações de alcachofra? Ou tudo isso ao mesmo tempo,uma festa de Babette semanal que eu pude rememorar vendo o filme que me remeteu à infância.
Sábado pela manhã  a peregrinacão em busca do material escolhido para a comilança.Ao Lidador Casa Carvalho,O Rei dos Cabritos,Confeitaria Colombo,Cavé,Lalet,mercadinhos, aviários,tudo era virado ao avesso.
Em seguida a criadagem,a parentela e quem mais tivesse vindo apreciava o inesquecível espetáculo do depenar das aves,do vinha d'alhos,do cronômetro marcando o tempo exato de cozimento de cada legume. 
Essas tarefas eram executadas com a mesma perícia e pelas mesmas mãos competentes que tratavam canais e extraíam sisos inclusos.
Na bancada de mármore cinza,que ficava na copa,minha avó dava sua colaboração para o banquete.Caramelados, compotas de frutas,pudins,mousses,doces de ovos e o famoso pudim de claras. 
Altas horas da noite, acabada a trabalheira ,iam se deitar aliviados e de coração em paz. Podia chegar a infantaria que havia munição suficiente para a batalha.
Domingo ,finalmente ! Enquanto minha avó ia cumprir seu ritual eucarístico diário e após a igualmente sagrada leitura do Diário de Notícias ,do Correio da Manhã e do Diário Carioca, era chegado o grande momento. A cozinha fervia de ansiedade.
As oito bocas do fogão de lenha não davam conta das panelas,caçarolas,frigideiras,conchas, facões,escorredores, raladores de queijo ,coadores,peneiras e mais enorme quantidade de apetrechos.
 Usando tecnologia de ponta,competência culinária e genuína felicidade o banquete saía divino.
Nós,crianças ficávamos numa espécie de anexo da sala de jantar,não por comodismo ou falta de paciência ,mas para que pudéssemos ficar à vontade, sem nenhum adulto enchendo o saco. e controlando o consumo (industrial, diga-se de passagem)de garrafas de guaraná Caçula da Antártica ,Coca Cola,Grapette e Crush ,vindos em engradados do botequim da esquina de Barão de Itapagipe.
Na grande mesa da sala de jantar vinha primeiro o oleado, depois a toalha bordada da Ilha da Madeira, a louça inglesa, os talheres de prata, os copos de cristal e ,então,o momento esperado por todos . meu avô ,na cabeceira da mesa,feliz e realizado,vendo sua tribo reunida. 
No outro fim de semana tudo se repetiria, e no outro, e no outro e mais outro e no outro,até que vovô morreu, sem dívidas mas também sem nada deixar,nem teto próprio para abrigar a viúva porque o casarão era alugado.
Penso nele todos os dias,desde aquele sábado chuvoso e abafado em que nos deixou,mesmo porque sei que ele está muito mais perto do que imagina a nossa vã filosofia. 
Sua valiosíssima herança,pela qual ninguém briga, é o exemplo de dedicação ao próximo e a noção de que bens materiais são apenas bens materiais e,como tal, se esvaem.

E que lá do outro lado é que estão os verdadeiros valores.
*************************************************


*********************************