quarta-feira, 22 de maio de 2013

Stevie Wonder



A carreira do cantor/compositor,multiinstrumentista e produtor.começou aos 13 anos e ainda está fulgurante aos 63.
Em 1985,ganhou o Oscar de melhor canção por “ I just called to say I love you”,do filme “A dama de vermelho”“For once in my life”,'My Cherie Amour","You are the sunshine of my life","I just called to say I love you ","Superstition" e o maravilhoso canto pela igualdade racial  "Ebony and Ivory", com Paul Mac Cartney,ficarão para sempre.    

Um dos maiores ativistas mundiais dos direitos humanos,participou das grandes manifestações e shows contra o racismo em seu pais e para ajudar a combater a epidemia de Aids na África.  Sempre que chamado para causas humanitárias,é o primeiro a responder
O Presidente Obama,em entrevista à revista “Rolling Stone”,declarou que Stevie é seu herói musical.
Stevie gravou pelo menos 30 dos maiores hits da música americana no século 20 e está no Rock an Roll Hall of Fame e no SongwritersHall of Fame, igualmente.Vencedor (por enquanto)de 25 prêmios Grammy.

*****************

Stevie Wonder , Stevland Hardaway Judkins nasceu em 13 de maio de 1950 em Saginaw-Michigan,e nunca viu a luz do dia.

Problemas de oxigenação ainda na incubadora causaram a cegueira irreversivel.

 Em 1954, sua  família mudou-se para Detroit, onde ele entrou para o coro da igreja,ainda um menininho. Toca piano,sintetizadores,harmonica,guitarra,órgão,e clarineta e instrumentos de percussão,mas o grande sucesso é o piano e a habilidade vocal.

Ao se dirigir a um concerto na Carolina do Norte, um grande pedaço de madeira caiu sobre o carro em viajava . Wonder sofreu graves traumatismos no crânio e ficou em coma por quase uma semana
Tem sete filhos de vários relacionamentos e foi casado duas vezes: em 1970, com a cantora, Syreeta Wright e, desde 2001, com a designer de moda Kai Milla Morris.
A filha, Aisha Morris, foi a inspiração para o seu grande sucesso "Isn't she Lovely?".Aisha hoje é cantora e tem acompanha o pai em turnês e gravações,

No Brasil

Em 2006 ,foi um dos destaques no primeiro dia da 2ª Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora em Salvador,Bahia. Como deficiente visual, ele pediu “mais esforço dos países africanos e afrodescendentes na inclusão tecnológica de portadores de necessidades especiais e na divulgação da história da África" e declarou em seu discurso escrito  em braille

"Precisamos tornar a tecnologia mais acessível para aqueles que enfrentam dificuldades físicas.  Vocês, como líderes, precisam ensinar a importância de todos saberem, se envolverem e compreenderem a história da África e da diáspora. Atualmente, muita gente ainda não conhece e não valoriza a nossa história, dos reinos da África. 

Nós precisamos unificar nossas histórias." E lembrou parcerias com o cantor e então ministro da Cultura, Gilberto Gil, que gravou em português a música "I just call to say I love you"
***********************************************************

sábado, 18 de maio de 2013

As Mães da Plaza de Mayo


"Morreu nesta sexta-feira (17), aos 87 anos, um dos piores personagens dos anos de chumbo na América Latina: o general argentino e ex-ditador Jorge Rafael Videla.

Passaram-se 37 anos desde o golpe que levou ao poder Jorge Videla, em 1976. Nas reações à sua morte, havia a mágoa dos que perderam filhos, pais, mães. "Felizmente ele deixou a face da Terra. Era um genocida, um desumano", disse a presidente das Avós da Praça de Maio.
As mães e avós da Praça de Maio ainda buscam o paradeiro de bebês roubados por ordem de Videla para serem entregues a famílias de militares. Por esses crimes, o general havia sido condenado a 50 anos de cadeia, além de outras duas sentenças de prisão perpétua pela tortura, assassinato e desaparecimento de 30 mil pessoas."


Texto em vermelho do site d'O GLOBO
por Delis Ortiz,correspondente na Argentina

 História das mães que perderam seus meninos 

Entre 1976 e 1983,durante o sangrento regime militar que se instalou na Argentina, cerca de nove mil pessoas desapareceram. Segundo organismos de direitos humanos,este número sobe a mais de 30 mil. Ao sequestro dos opositores,seguia-se o assassinato.

Aviões partiam lotados de presos , que eram atirados ao Rio da Prata. Sem notícias de seus filhos ,mães desesperadas percorriam delegacias,igrejas e prisões `a procura de um simples sinal de vida. A partir de abril de 1977, todas as quintas-feiras `as 15 .30,as mães de alguns destes desaparecidos começaram a se reunir na Plaza de Mayo em frente `a Casa Rosada, sede do governo.

A Praça foi escolhida como ponto de encontro porque, segundo a líder Hebe de Bonafini, “ lá todas as mães eram iguais,todas haviam percorrido os mesmos caminhos na mesma busca,não havia nenhuma diferença e nenhum tipo de distanciamento”
Começava ali um movimento de protesto e solidariedade unindo estas mães que perderam seus meninos.
 A intenção era sensibilizar o então presidente Jorge Videla,para que ele interviesse no processo e lhes fornecesse notícias dos filhos.Exigiam, ao mesmo tempo, punição para os assassinos.
  
“Os filhos mortos pariram as mães”

 No início eram 14 mães ,mas o grupo se expandiu, chegando a contar com milhares de participantes. Seguindo uma tradição, as mães argentinas guardam algumas fraldas de seus filhos como lembrança.

As Mães da Plaza de Mayo passaram a usa-las,então, como marca registrada.

 Cada mãe portava um pano branco na cabeça com o nome de seu filho desaparecido.
As mães passaram a ser chamadas “loucas da Plaza de Mayo”
Muitas mulheres adoeceram e morreram,foram repudiadas,perseguidas, abandonadas por seus maridos. Em dezembro de 1977,Azucena Villaflor De Vicenti, a primeira líder das mães, foi seqüestrada e assassinada pelos organismos repressivos da ditadura militar.

Durante a Copa do Mundo de 1978,realizada na Argentina,a imprensa internacional que cobria o evento tomou conhecimento da existência da ação das Mães, que a ditadura tentava abafar por todos os meios
Houve o recrudescimento da repressão e,num gesto de coragem e revide, as mães criaram oficialmente sua Associação em 22/8/1979

Novamente o futebol foi usado como anestesia geral: A Argentina sediou o Mondialito de 1980, articulação da ditadura para desviar atenção do problema. Incansáveis, as Mães voltaram `a Praça e criaram seu primeiro boletim .
Nesse momento a opinião pública internacional já estava conscietizada do drama dos desaparecidos. 
Perante a omissão do governo argentino um grupo de apoio foi criado na Holanda.

 Este grupo custeou as despesas de instalação do primeiro escritório da Associação.
 Em 1981 freiras acompanharam as mães num primeiro jejum coletivo de protesto
A Guerra das Malvinas ,em 1982, foi outro momento importante de ação.
As Mães se declararam solidárias com as mães dos soldados argentinos.
Surgiram o primeiro jornal,as equipes de assistência psicológica e jurídica.

“Enquanto houver um só assassino pelas ruas, nossos filhos viverão para condená-lo por nossas bocas.” Hebe de Bonafini.

1985 ficou marcado como o ano da “Marcha das Mãos Dadas”.O movimento foi encampado pela opinião pública no exterior.
Depois, milhares de mãos argentinas se uniram na Avenida de Mayo e na Praça, pressionando o governo a dar uma solução final ao drama.
Uma segunda manifestação comovente,a “Marcha dos Panos Brancos” ajudou a apressar o que foi chamado de “Ponto Final”:nos primeiros meses do Governo Alfonsin começaram a chegar telegramas, dizendo em que cemitérios estavam enterrados os jovens desaparecidos. Algumas receberam restos humanos como se fossem de seus filhos .
As mães se recusaram a aceitar a tortura moral das exumações sem que os assassinos tivessem sido punidos.

 O governo ofereceu ressarcimento econômico e homenagens póstumas.
As mães recusaram o dinheiro e as honras,mas continuaram a luta Em
1986,o grupo se dividiu entre as lideradas por Hebe de Bonafini e a Linha Fundadora, liderada por Maria Adela Gard de Antokoletz.O local que deu nome ao movimento nunca foi abandonado.

O grupo foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu muitos outros prêmios “Pela Luta”,”Pela Liberdade” “Pela Justiça”. e é reconhecido, internacionalmente, como uma das principais instituições civis de luta contra os crimes cometidos pelas ditaduras

As Mães e  as Avós da Plaza de Mayo conseguiram localizar crianças, filhos dos jovens mortos, e muitas obtiveram a custódia de seus netos.
Realizam viagens regulares `a Europa para reciclagem e encontros com os grupos de apoio, para priorização das metas a serem cumpridas a cada ano
O Jornal da Associação é traduzido em vários idiomas.
Existem,em muitos países, escolas,praças,ruas que receberam o nome “Madres de Plaza de Mayo” Foram editaram vários livros e 3 Poemários.

Mestrandos e doutorandos de todas as partes do mundo continuam agendando visitas `a Associação para enriquecer suas teses sobre o tema.

 *************************************************

sexta-feira, 17 de maio de 2013

17 de maio-Dia Mundial contra a Homofobia




Vade Retro,preconceito! 

Solidariedade ao Padre Beto, excomungado  dia 29 de abril de 2013 pela Igreja Católica por acolher homossexuais em sua  (ex)  paróquia em Bauru,interior de São Paulo e se alinhar `a modernidade.
E Roma ainda não entende porque as vocações estão minguando.

No dia  17 de  maio de  1990,  a Assembléia Geral  da organização Mundial de Saúde,órgão da ONU, retirou a homossexualidade de sua lista de distúrbios mentais,tentando liquidar mais de um século do que chamou “homofobia médica”

 Informa fonte do governo estadual: "Os boletins de ocorrência das delegacias do Estado do Rio de Janeiro contarão com a opção "homofobia" entre as possíveis motivações para um crime." A classificação desse tipo de violência pela polícia é fato inédito no Brasil.

Discriminar gays,lêsbicas e transgêneros e matá-los com o aval da lei ainda é fato considerado normal em muitos paises membros das Nações Unidas,se bem que  organizações encarregadas de cuidar dos direitos do homem – como o  próprio Comitê dos Direitos do Homem e a Anistia Internacional –condenem repetidamente discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero.

Enquanto gente morre de fome e inanição e  guerras absurdas e insufladas continuam acontecendo,cerca de oitenta países no mundo ainda aprisionam   pessoas cujo grande delito é que sentem atração pelo mesmo sexo

Nove deles punem com a morte este “tremendo pecado” :Afeganistão, Arábia Saudita,Emirados Árabes Unidos,Iran, Mauritônia,Nigéria,Paquistão,Sudão e o Yemen

 Em  2005, a  ILGA- sigla da Associação Internacional de Gays e Lésbicas-  entidade  que combate a discriminação e luta pela igualdade de direitos para a comunidade LGBT há 30 anos, liderou um movimento para criar um dia no calendário em que  fosse  exibido ,com prioridade, esse comportamento abjeto e absurdo .

Assim foi criado o  IDAHO-Dia Internacional contra a Homofobia,celebrado por mais de 40 países.

A importância da presença médiatica é tamanha que mesmo no Irã,onde gays são enforcados com a presença obrigatória dos pais(se não comparecerem ,também serão enforcados) a brutalidade governamental passou a ser discutida em blogs, sites e e/mails.
  
*******

Em 1785,Jeremy Bentham ,que hoje poderia ser descrito como um sociólogo,escreveu o primeiro documento  pró direitos dos gays conhecido ao pedir uma reforma de lei na Inglaterra, onde  eram sumariamente enforcados.Temendo represálias,o  seu trabalho pioneiro foi escondido até 1978.

Correntes emergentes do humanismo secular –que se opunham  a Humanismo religioso) imaginaram que  as idéias  de  Bentham  influeinciaram  a Revolução Francesa.e,quando a nova Assembleia Nacional  começou a esboçar as políticas e as leis da república nova em 1790, grupos de militantes, em Paris,pediram e conseguiram que a liberdade,igualdade e fraternidade fossem estendidas também aos que amavam diferente

Assim, em 1791, a França tornou-se a primeira nação a não criminalizar a homossexualidade
                      
Ulrichs

Em cada um de nós  que luta pela liberdade de expressão-inclusive e principalmente sexual- ,brilha um pouco da   chama que alimentou a vida e os ideais de  Karl Heinrich Ulrichs (1825-1895), advogado alemão, ativista da causa e teórico da homossexualidade é considerado o primeiro militante assuimidamente gay.
Em 1862, 105 anos antes dos enfrentamentos de Stonewall (1969) que deram origem aos movimentos pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos, Ulrichs revelou aos familiares sua opção sexual e foi compreendido,fato raríssimo ainda hoje..
  
                         Um pensamento de ternura 

 *Para Harvey Milk, primeiro politico assumidamente gay, vítima de crime de ódio

*Mais uma vez e sempre pelos gays enforcados no Irã,pelos mortos por skinheads ou mortos por gays enrustidos assassinos

*Para Judy Shepard,mãe coragem que tenta superar,com ativismo pela causa da não homofobia,o desespero te ter perdido o filho Matthew Sheppard de forma brutal,

*Por cada um que já foi vítima de chacota,deboche e escárnio na vida social,escolar ou profissional  (eu,inclusve!!! por  conta de meu filho)e pelas  famílias que apoiam e  compreendem seus meninos e meninas gays,sendo-elas  mesmas -muitas vezes repelidas e discriminadas,em geral pelos parentes mais próximos.


*Por quem precisa viver "na clandestinidade" mesmo sem desejar e apela para casamentos de mentirinha 

*Para os excomungados da Igreja Catolica Romana e pelos excluídos nas  religiões fundamentalistas

*Para as mães que  que tentam militar em favor  da não homofobia-com boa vontade, é certo-mas não conseguem reinventar a maternidade pois,elas mesmas,são as primeiras a discriminar e não ousam reconhecer isso.

*Para travestis e transexuais- que me inspiram especial carinho e que são,`as vezes, discriminados pela própria comunidade LGBT
 ***********
Abaixo a opressão e a intolerância. Que a diversidade, em todas as suas formas, seja respeitada
.
**************************

 ***********************************************************************

domingo, 12 de maio de 2013

13 de maio- Abolição da Escravidão

125 anos da Lei Áurea


A abolição da Abolição Até o estabelecimento da agroindústria açucareira,do tabaco e do algodão nas Américas,a escravidão era uma consequência das guerras: os vencidos serviam ao vencedor e os seres humanos que excediam as necessidades eram vendidos. A escravidão no continente americano se destacou de todas as outras formas de servidão por ter sido organizada de forma empresarial. Trezentos e sessenta e dois anos (1526-1888) separam o início do tráfico negreiro no Brasil da abolição definitiva da escravatura, no papel e na pena. Vindos de diferentes partes da África, os negros ajudaram a tornar o Brasil uma potência agrária e aqui sofreram toda espécie de dominação e exploração sexual.
Corpos sem alma Durante a escravidão, os portugueses (e portuguesas) podiam exercer - sem nenhuma censura-qualquer espécie de manifestação de luxúria sobre o corpo dos escravos. O "direito de propriedade" era extensivo às emoções e aos sentimentos dos cativos. O processo foi "aperfeiçoado" com o tempo. Para satisfazer a necessidade de povoar um país tão grande, nada melhor do que a promiscuidade nos navios negreiros. Quando as negras engravidavam, o patrimônio de seus senhores aumentava porque, segundo as leis da época, o senhor não pagava pelo feto no ventre da mãe. Máquinas de fazer sexo O caráter lúbrico da escravidão existia na própria organização hierárquica: para preservar a honra das moças de família - futuras sinhazinhas - os senhores estimulavam a iniciação sexual de seus filhos com as escravas adolescentes.
As esposas brancas eram usadas apenas para reprodução, enquanto as escravas serviam para a satisfação dos verdadeiros desejos. Os mulatos gerados desta violência no calor tropical eram aproveitados na lavoura - 0 trabalho braçal era considerado algo desprezível pelos rapazes brancos. Os homens negros também eram mais atraentes e robustos que os pálidos sinhozinhos e muitas vezes serviam como solução para o problema carencial das sinhás. "CASA GRANDE E SENZALA" "Casa Grande e Senzala" de 1933, o clássico de Gilberto Freyre, é leitura fundamental para explicar o comportamento sexual do brasileiro do tempo da Colônia e do Império. "Nenhuma casa grande do tempo da escravidão quis para si a glória de conservar filhos maricas ou donzelões. O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do senhor - moço. Desejo? não, ordem". Gilberto Freire (1900-1987) conta que, nos mercados, os compradores examinavam a mercadoria (normalmente nua), para ver a dentição,o estado dos pulmões, o tamanho dos órgãos sexuais e a rigidez dos seios das negras. As mulheres brancas, para sublimar o abandono que sofriam dos maridos, costumavam exagerar na dose quando puniam escravos, de preferência as de sexo feminino. Algumas iaiás mandavam cortar mamilos das adolescentes, outras destruíam os dentes perfeitos da raça negra com o salto de suas botinas de couro legítimo, algumas tinham amantes negros.
Continente destruído
A chegada da família real portuguesa fugindo dos exércitos de Napoleão, em 1808, transformou a colônia em centro do Império: os portos se abriram para os navios do mundo, o país cresceu e a demanda por escravos aumentou. Dados estatísticos de 1850 falam de uma população de seis milhões de escravos vivendo no Novo Continente. Historiadores calculam que, dos 12 a 13 milhões de escravos transportados para as Américas, o Brasil recebeu cerca de 3 milhões e meio, dos quais entre 5 e 10 por cento morriam no primeiro ano depois da chegada.  
A repressão ao tráfico negreiro só foi iniciada no século XIX, quando a escravidão atingiu seu auge. Esta irrecuperável perda humana de centenas de gerações foi responsável pela situação de fragilidade em que se encontra,até hoje, o continente africano

Ser escravo no Brasil
Abolido legalmente em 1830, o tráfico só acabou,para vale,em 1850. O Rio de Janeiro era o principal ponto de distribuição dos escravos vindos do centro-oeste africano e da África Oriental. Enviados às províncias de Minas Gerais e São Paulo, trabalhavam em mineração e grandes plantações de café, que tomavam o espaço da floresta tropical. Os escravos chegados a Salvador abasteciam a economia, já decadente, do açúcar no Nordeste. A escravidão na produção agrícola foi, sem dúvida, a que sempre interessou os historiadores, mas a escravidão urbana era tão ou mais abominável. Os trabalhos domésticos, a fabricação de vestimentas e de instrumentos de uso diário tornavam muito íntimas escravos e seus senhores A prostituição também era liberada e estimulada nas grandes cidades: muitas escravas sustentavam assim seus senhores que, geralmente, também eram seus amantes. Algumas "felizardas" passaram do concubinato da senzala para as pratarias da sala de jantar, como Xica da Silva, cantada em prosa e verso. Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares (1655-1695), ícone do movimento negro, foi o pioneiro da resistência e o dia de seu assassinato, 20 de novembro, foi transformado em Dia Nacional da Consciência Negra. Um modelo novo de quilombo surgiu na fase final da escravidão : um esconderijo seguro de onde era possível organizar fugas e que permanecia quase em completo segredo. O Quilombo do Jabaquara, em São Paulo - um dos maiores do Brasil - era mantido por doações de simpatizantes da causa e administrado por Quintino de Lacerda, líder nato e articulador político.

As camélias do Leblon
José de Seixas Magalhães, industrial do ramo de malas de viagem estabelecido na Rua Gonçalves Dias (Centro do Rio), possuía uma chácara no então distante subúrbio à beira mar que se transformou no hoje meu charmoso bairro do Leblon. Na chácara de Seixas, existia uma floricultura onde trabalhavam escravos fugidos cultivando camélias, o símbolo oficial do movimento abolicionista. Nota para os leitores cariocas: a floricultura ficava localizada no terreno do Clube Campestre, imediações da rua Timóteo da Costa - Alto Leblon. Seixas, cabeça aberta e moderna, contava com a cumplicidade dos principais líderes da Confederação Abolicionista. Senzala vertical  

Ainda hoje existem resquícios da servidão do passado: trabalhadores escravos sustentam donos de terra que mandam matar agentes do INCRA e freiras americanas, o turismo sexual (principalmente nas cidades marítimas) que inclui no pacote uma mulher, geralmente negra, para também fazer o serviço doméstico. Mesmo em tempo de PEC das domésticas,nos apartamentos e casas dos condomínios de luxo, os quartos e banheiros de empregada minúsculos nada mais são que a senzala vertical que tanto surpreende os estrangeiros que aqui chegam. As madames, tocando sininho para chamar desajeitadas empregadas uniformizadas de avental e touca-como nas imbecilizantes novelas televisivas,são a versão atual das sinhás moças do passado.
******************************************************************************************************

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Hay dia das Mães? Soy contra


                                          "Maternity" por Gustav Klimt

Por focar em cheio   o consumo de bens materiais em lugar de privilegiar ternura e carinho,o  Dia das Mães,no Brasil, é considerado pelo comércio um “ Natal em Maio” e  gera mirabolante frenesi  filial. 
Diariamente,fico perplexa com os anúncios de supermercado que oferecem costelinha suína,batata lavada, sabão em pó e amaciante,drumete-asinha de frango- e outros quetais- utilizando o apelo emocional gerado pela data.
         *********************************************

Ano após ano,de 1º de janeiro a 31 de dezembro, procuro ser a mãe presente e amiga de um filho de quem muito me orgulho, de uma filha  que seria também o orgulho de qualquer mãe- e é mãe dedicada - e adoro minha neta.
Penso que, do outro lado do balcão, não fui das piores: filha única, cuidei da Dona Anna com toda fidelidade e amor, na saúde frágil e na doença final, na alegria pouca e nas dores muitas, até que a morte nos separou, por enquanto.
Tenho certificado virtual ISO 9000 na categoria" nora", avalizado pelas insuspeitadas declarações de uma sogra que era implacável nos julgamentos.
E, otimista, ouso acreditar que todos os ex e atuais genros poderiam dar depoimentos favoráveis.
            *****
Nada melhor para cutucar as dores do passado remoto do que uma boa data comemorativa centrada nas figuras das Veneráveis Matriarcas.
Heleninha, minha colega de curso primário, era órfã desde bebê e sobrinha da dedicada e incansável Tia Célia que substituía muito bem a irmã falecida.

Nas festas do Grupo Escolar, as mestras entregavam todo ano à pobre criança uma rosa branca, enquanto os demais alunos, reconfortados possuidores do abrigo dos regaços maternos, iam para casa levando, triunfantes, uma rosa vermelha - garantia de proteção e de segurança. Tremenda sacanagem!
Acho que em solidariedade à Heleninha começou o meu horror pelas emoções com data marcada.
 Meu terapeuta levantou, dia desses, a seguinte instigante questão: por que o Dia das Mães me afeta tanto, a ponto de (quando cito) ser sempre precedido do adjetivo famigerado ? Porque famigerado quer dizer que tem fama (boa ou má) e no meu caso específico, tem má fama, mau astral, dia ruim e de atmosfera pesada, que mexe ao mesmo tempo com dores abissais e sentimentos emergentes.
Mãe não é, necessariamente, sinônimo de abnegação, renúncia e despojamento. 
                **
Vide o caso notório de Brigitte Bardot, hoje setentona, mas que ainda é capaz de ir ao fim do mundo para salvar da extinção um mico leão dourado e compreendo que alguém tem que fazer esse trabalho.
 Dei uma repassada na autobiografia "Initiales BB" (Éditions Grasset  Fasquelle, 1996) para não correr o risco de ser injusta e mal informada.
         Ali, ela chama o filho Nicholas (que teve com Jacques Charrier) de "um câncer que foi extirpado" e  assume que largou o infante de lado e dedicou-se aos animais irracionais.
E vide semelhantes episódios anônimos de mães displicentes e não amorosas, presentes em todas as famílias. Existem as que vendem e as  que jogam seus bebês no lixo,por pobreza extrema ou mesmo vergonha.

Também merecem registro no dia:

* as mães que perderam seus filhos para a “indesejada das gentes” por doença, acidente, bala perdida ou para a vida mesmo: aí estão o tráfico de drogas, os vícios incontroláveis.

* os filhos que perderam suas mães

*as frustrações das potenciais mães - biologicamente incapacitadas para a reprodução - que se submetem a qualquer coisa para engravidar e, muitas vezes, nem conseguem.
*a angústia das fisicamente aptas a conceber daqui a um minuto, mas que escolhem ( ou precisam) abortar e, sendo católicas, além do trauma, ainda enxergam o cutelo da Igreja lhes apontando direto a porta do inferno.

* mães presidiárias e as mães de presidiários nas casas de detenção e delegacias lotadas , aguardando julgamentos.

*as que ousam desobedecer leis ainda caducas e, corajosamente, usam a “pílula do dia seguinte” e as que guardam o cordão umbilical de seus bebês, porque melhor prevenir que remediar.

* as doadoras anônimas de óvulos que permitem o milagre da fecundidade.
*as mães adolescentes, que perdem seu futuro por falta de informação e de cuidado.

*as mães moradoras de rua que nada mais que um leite ralo pela desnutrição podem oferecer aos seus pobres frutos.

* as mães lésbicas que lutam por ou perderam a guarda de seus meninos e meninas porque ousaram pensar diferente.
*os casais formados por duas mulheres que desejam - mas nem sempre conseguem - adotar uma criança órfã ou uma abandonada porque a sociedade hipócrita acha que vai fazer mal à cabeça dela ter duas mães em lugar de uma só.

Dia de entortar cabeças

Toda essa parafernália emocional que entorta muitas cabeças( a minha inclusa)se originou
quando a norte-americana Anna Jarvis, em 1910, começou sua cruzada no sentido de criar um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães, fortalecendo os laços familiares.
E, por tabela, cumprimentou com o chapéu dos outros, homenageando sua mãe,falecida naquele ano.
Em 26 de abril de 1910, o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o
Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado e, em 1914, a celebração foi unificada nos Estados Unidos, sendo comemorado sempre no segundo domingo de maio.
Em pouco tempo, mais de 40 países e suas associacões comerciais em todas as cidades adotaram a idéia.

Natal em Maio  
 Marcar um dia para o comércio faturar explorando as neuroses é uma tristeza mas, além da necessidade de lucrar na sociedade de consumo e das paranóias particulares, não se pode fugir do coletivo nem atravessar o calendário.
Até eu mesma reconheço, sendo tão contra a overdose maternal, de vez em quando é fatal a entrada no clima e sempre acontece um jantarzinho aqui em casa

O fato consumado é que à meia noite de domingo para segunda vira-se a página e, aleluia!, só daqui a um ano a maluquice recomeça para as  Cinderelas por um dia nas filas dos restaurantes lotados e com a prole puta da vida por ter que participar do mico.
"Falo de cadeira",literalmente,porque já fiz parte da produção de um lance  desses em restaurante de shopping da zona norte do Rio,para assessorar e acompanhar minha filha que era responsável pelo  evento, circulando entre as mães sorteadas pela emissora de rádio.
Assim, matamos dois coelhos de uma só cajadada e pude validar minha nem sempre compreendida  opinião.



**********************************************

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Música de Câmara na ABL- Edição de Maio 2013





Com entrada franca,mais uma edição do Projeto Música de Câmara no Teatro R Magalhães Jr. da Academia Brasileira de Letras.

 Na quinta-feira,9 de maio de 2013,`as 18 horas, o   Duo Patrícia Bretas e Josiane Kevorkian -piano a 4 mãos-e os percussionistas Rodrigo Foti,Leonardo Souza,Henrique Batista e Rafael Costa"Diálogos" interpretam a Sagração da Primavera,de Igor Stravinsky.

E mais :obras de Francis Poulenc,José Orlando Alves e Claude Debussy 
***********
A coordenação do projeto é do acadêmico,jornalista e musicólogo Luiz Paulo Horta.

A jornalista e agitadora cultural Nenem Krieger é responsável pela programação e produção artística.

*****************************

Patrícia Bretas

Nascida no Rio de Janeiro, graduou-se na Escola de Música da UFRJ com o grau “summa cum laude” e mudou-se para Paris, onde aprimorou seus estudos com Eliane Richepin, na Université Musicale Internationale de Paris (UMIP)

Na ocasião, participou com enorme sucesso dos Festivais Internacionais de Annecy em 1985 e 1986, merecendo diversos elogios da crítica. Fez também os Cursos de Verão de Épinal e Salzburg, onde destacou-se por suas atuações em todos os concertos promovidos.

No Brasil, sob orientação de Maria da Penha, foi vencedora de importantes concursos nacionais e internacionais de piano, dentre os quais destacam-se os Concursos Arnaldo Estrella/1988 em Juiz de Fora, o Dell’Arte/1992, que conferiu-lhe uma viagem para a Itália, e o Sulamericano Artlivre/1995 em São Paulo – este último decisivo para o início de sua carreira pianística.

Em 1996 Patrícia Bretas concluiu o Mestrado em Piano pela Escola de Música da UFRJ com “A cum laude”, sob orientação de Myrian Dauelsberg e Gertrud Mersiovsky. Sua tese foi  a primeira, dentro da referida instituição, a ser traduzida para outro idioma, fazendo, hoje, parte da Biblioteca do “Max Reger Institut” em Bohn-Alemanha.

Professora de Piano na Escola de Música da UFRJ desde 1997, foi Diretora-Adjunta dos Cursos de Extensão de 1999 a 2003.
Paralelamente às suas intensas atividades acadêmicas, sua presença como concertista nas mais importantes salas de concerto tem sido cada vez mais constante.
******************

Josie
Josiane Kevorkian


  Josiane Kevorkian nasceu em Vitória - ES e desde muito cedo se dedicou à carreira de pianista. Seus estudos começaram com Graça Neves ainda no ES e professores Alfredo Cerquinho e Daisy de Luca em São Paulo, onde concluiu o Curso de Graduação em Piano com nota máxima.

  Em 1988 estudou com Pascal Rogé no Centre International de Formation Musicale em Nice e em 1991 concluiu Mestrado em Performance na City University em Londres, onde recebeu o 1º prêmio no concurso “Worshipful Company of Cordwainers”, que lhe valeu uma bolsa de estudos na Inglaterra passando a estudar com os professores Norman Beedie, Vanya Elias José, Richard Langham Smith e Erik Clarke. 

De volta ao Brasil em 1992 passou a receber orientação da pianista Maria da Penha no Rio de Janeiro. Josiane Kevorkian, além de desenvolver intensa atividade como solista e camerista, foi vencedora de importantes concursos nacionais e foi solista da Orquestra de Câmara de Vitória, da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo, da Orquestra Sinfônica da City University e da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Josiane é membro-titular da Academia Internacional de Cultura, recebendo em 2000 o prêmio "Troféu Mulher-2000"  e da Academia de Letras e Música do Brasil, ambas com sede em Brasília. 
É Diretora Cultural da Casa de Artes Paquetá, onde coordena o projeto Bem Me Quer Paquetá e Coordenadora Geral do Projeto Musical  e Artístico do Instituto Zeca Pagodinho em Xerém, trabalhando entusiasticamente pelo desenvolvimento artístico e cultural de crianças e jovens.

********************
    O  DUO
 O  Duo Pianístico Bretas-Kevorkian foi formado em 1995, com recitais no Brasil e no exterior. Recebeu em 1997 o 1º Prêmio do Concurso Artlivre de Duos Pianísticos em São Paulo.
 Em 2002 foi o convidado da Orquestra Sinfônica Brasileira para tocar o “Concerto para dois Pianos” de Francis Poulenc, sob regência de Roberto Duarte. 
Neste mesmo ano foi lançado o  CD “Bretas-Kevorkian” com obras inéditas brasileiras para piano a 4 mãos e para 2 pianos,  além da versão original para 4 mãos de A Sagração da Primavera, de Stravinsky.
 Em 2008, sob a regência do maestro Ricardo Rocha, tocou a versão de câmara de Carmina Burana com a Cia. Bachiana Brasileira na Sala Cecília Meireles, com sucesso absoluto de público.
 O Duo tem atuado em importantes séries e festivais no Brasil, assim como na França, Inglaterra, República Tcheca e Alemanha, onde foi muito bem recebido.
 Em 2010 o duo tocou na Índia e na Alemanha, dando prosseguimento a seu trabalho de divulgação da música brasileira de concerto no exterior.

*****
SERVIÇO

Projeto Música de Câmara da Academia Brasileira de Letras
Duo Pianísitico Bretas -Kevorkian e percussionistas
9 de maio de 2013 `as 18 horas
O Teatro fica na Avenida Presidente Wilson,203 -1º andar.
Castelo-Centro do Rio

Informações:(21) 39742500

 

 www.academia.org.br


******************************