Depois de formar-se em arquitetura em Roma, muda-se para Milão e trabalha no escritório do arquiteto Carlo Pagani. Abre o seu próprio escritório, que, porém, é destruído durante os bombardeamentos dos Aliados em 1943.
Neste mesmo período inicia uma intensa atividade como ilustradora e redatora: colabora com Gio Ponti na revista Lo Stile, sendo, ainda, redatora nas revistas GraziaBellezzaVetrinaL’Illustrazione Italiana. Em seguida torna-se, com Carlo Pagani, vice-diretora de Domus e de Quaderni di Domus até a suspensão da revista, em janeiro de 1945, por ordem da República de Salò.


Com o fim da guerra, Lina viaja pela Itália como correspondente de Domus, com Pagani e o fotógrafo Federico Patellani, documentando e avaliando o estado de destruição do país.




É um dos fundadores do “Movimento Studi Architettura”, núcleo milanês de reconstrução racionalista, e participa do “Primeiro congresso nacional para a reconstrução”, denunciando o desinteresse da opinião pública pela questão.
Durante estes anos, prossegue com a sua atividade editorial: funda com Pagani e Bruno Zevi a revista semanal ‘A’ – Attualità, Architettura, Abitazione, Arte (editada em Milão) e colabora com o jornal Milano Sera, dirigido por Elio Vittorini.
Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi – 1947 Fotografia: Diario de São Paulo
Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi – 1947
Fotografia: Diario de São Paulo
A ligação com o Brasil (1946 – 1992)
Lina em São Paulo: a arquitetura, o design, o jornalismo, o ensino\
Em 1946
muda-se para Roma e casa-se com o renomado jornalista, galerista e crítico de arte Pietro Maria Bardi.
Viajam para o Brasil, onde conhecem o jornalista e empresário Assis Chateaubriand
que convida Pietro para fundar e dirigir um Museu de arte. Mudam-se definitivamente para o país
e, no dia 2 de outubro de 1947,
cuja primeira sede é restruturada segundo um projeto de Lina.
Em 1948 Lina funda com Giancarlo Palanti
o Studio de Arte e Arquitetura Palma, dedicando-se ao design de interiores.
Durante este período realiza o projeto da Bowl chair.
Continua no Brasil a sua atividade editorial,
com a criação da revistaHabitat – Revista das Artes no Brasil e a direção dos seus primeiros 15 números.
No Brasil, Lina Bo Bardi encontra a sua felicidade criativa
e, em 1951, obtém a naturalização.

No mesmo ano projeta e constrói a “Casa de Vidro”, \
onde viverá para sempre com seu marido.
Um edifício modernista e ainda hoje atual, cercado pela mata no Jardim Morumbi, em São Paulo, é hoje sede do Instituto Lina Bo e PM Bardi, que abriga e promove o precioso trabalho de Lina.
Casa de Vidro 01 – Vista externa -1951 Fotografia: Peter Scheier
Casa de Vidro 01 – Vista externa -1951
Fotografia: Peter Scheier
As suas obras arquitetônicas mais importantes durante os anos em São Paulo são:
 a segunda sede do MASP, projetada a partir de 1957 e inaugurada em 1968
 e a Casa de Valeria Piacentini Cirell.
Em São Paulo também dedica-se ao ensino: depois de fundar e dirigir com o marido
a Escola de Desenho Industrial do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), passa a ensinar na
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Lina em Salvador
De 1958 a 1964, Lina muda-se para Salvador, na zona mais pobre e desamparada do Brasil.
Convidada pelo governador, dirige o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM BA)
 e projeta a reforma do Solar do Unhão e a sua adaptação para museu.
Em 1963 funda o Museu de Arte Popular do Unhão, que também abriga
o Centro de Estudos e Trabalhos Artesanais e a Escola de Desenho Industrial.
É o primeiro exemplo de museu-escola, onde produzir e promover
 um design atento às tradições populares e artesanais do país.



Solar do unhão – Inicio, 1959
Solar do unhão – Inicio, 1959
Em 1964 o MAM BA é invadido pelos militares. Lina demite-se e retorna a São Paulo.
Mais de vinte anos depois entrará novamente em contato com Salvador,
ao ser convidada pela prefeitura para elaborar o plano de recuperação do centro histórico,
 não inteiramente concluído
 mas do qual foram realizadas algumas obras independentes.
SESC Fábrica da Pompéia, 1977 Fotografia: Rômulo Fialdini
SESC Fábrica da Pompéia, 1977
Fotografia: Rômulo Fialdini

Os últimos anos em São Paulo
Em 1977 começa a projetar – com André Vainer
e Marcelo Ferraz – o centro recreativo SESC – Fábrica Pompeia, que será realizado na área de uma fábrica desativada.
O projeto é concluído apenas em 1986.
 Este complexo arquitetônico de extraordinária força expressiva recebe em um mesmo núcleo múltiplas atividades sem organizá-las hierarquicamente, misturando pessoas de idade
, interesses e classe social diferentes, em nome da convivência entre diversos.
Outras obras arquitetônicas
 importantes nestes anos são a Igreja do Espírito Santo do Cerrado (Uberlândia)
 e o projeto de restauração
 do Palácio das Indústrias, que abrigará a nova prefeitura de São Paulo.
Durante toda a sua vida, Lina surpreendeu com
o seu ecletismo, exercendo ainda uma intensa atividade decuradora, estilista e cenógrafa.
As suas obras nunca se caracterizam pelo esplendor ou pelo predomínio da tecnologia, e sim, pelo forte desejo de romper as barreiras entre a arte e a vida, o artista e o público.
Morreu no dia 20 de março de 1992, na “Casa de Vidro”.

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