domingo, 5 de julho de 2015

Frida Kahlo



"Para que pés, se tenho asas para voar?”







Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em 6 de julho de 1907 em Coyoacán, México, do casamento de Guillermo Kahlo, de origem alemã e Matilde Calderón. Filha de fotógrafo, sabia utilizar a câmera, revelar, retocar e colorir, o que lhe seria muito útil na carreira.



Sempre soube como se posicionar - direcionava o olhar intenso para a câmera e mantinha os lábios fechados. Aos seis anos contraiu poliomielite, o que lhe afinou a perna direita.


Para ocultar o defeito físico, começou, muito jovem, a usar calças compridas e, em seguida, passou a vestir-se com roupas masculinas.


Estudante da Escola Preparatória da Cidade do México (1922), participou do grupo de vanguarda “Los cachuchas” interessado em literatura e nas idéias socialistas.


Fazendo moda de protesto, os membros escolheram, para se identificar, uma espécie de gorro, usado pelos traficantes. Destas fileiras, saíram muitos líderes da esquerda mexicana.





“Corpo rima com dor”



Em 1925, sofreu o terrível acidente de ônibus que marcaria para sempre sua vida.  A perna doente sofreu nada menos do que onze fraturas, três vértebras lesionadas jamais foram curadas e a dor era constante. Frida teve graves sequelas na área genital, tornando-se incapacitada para a maternidade. 
A medicina daquele tempo torturou seu corpo com 35 cirurgias: enxertos de coluna, trações, amputações de dedos, uso de coletes ortopédicos de gesso, couro, argila e metal. Durante a longa recuperação, a artista começou a pintar seus pequenos autoretratos

Como saía nas fotos, assim mesmo se pintava: sobrancelhas unidas e um buço desenhado meticulosamente, fio a fio. 
Primeiro, foi realista, pintando retratos de amigos e familiares. 

Depois, para exorcizar a dor no corpo destroçado, passou a usar imagens oníricas, muitas vezes brutais. 
Uma boa parte de sua obra é associada à Escola Surrealista. Perguntada sobre o motivo que a levou a ser a protagonista de sua própria arte, respondeu que passava muito tempo sozinha e era o modelo que melhor conhecia.  
 

Na Gringolândia  



Depois de 3 anos experimentando técnicas diversas, resolveu enviar algumas obras a Diego Rivera, que a encorajou a continuar seu trabalho.  Enquanto pintava, presa ao leito, continuava imersa na sua realidade social e compartilhava com o famoso muralista os compromissos com a Revolução Mexicana e a exaltação da mexicanidade, contra a americanização

Kahlo e Rivera casaram-se em 1929, divorciaram-se em 1940 para se recasarem pouco tempo depois.  De 1931 a 1933 Rivera – convidado para pintar um mural e Frida na tentativa de experimentar alguns tratamentos pioneiros - viveram nos Estados Unidos, a Gringolândia, como ela chamava. Foi uma estada malsucedida Ela não se vestia como as saudáveis norte americanas, usava calças compridas e fumava em público. O que, na época, era um tabu. 



Reinvenção da mexicanidade  


Ao adotar o traje típico de Tehuantepec, por sugestão de Rivera, não procurou disfarçar a deficiência física e nem se fantasiar com roupas folclóricas e cores locais para ir a um baile de carnaval. 
A opção pelo vestuário de índia tehuana, ao contrário do que pode parecer, não era um ato fútil: chegou no momento em que Frida desejava validar sua cultura e fazer parte dela. 
Era um figurino diário colorido, com acessórios exuberantes, anéis em todos os dedos, flores na cabeça e saias volumosas. 

Na pintura, este engajamento aparece nas representações dos “ex-votos” - quadros de formato normalmente pequeno, que o povo mexicano confecciona para agradecer os milagres da Virgem Maria e dos Santos. 



“Que a partida seja alegre “ 
Verdadeiro ícone no México, apenas uma vez teve sua obra exposta em seu país, na Primavera de 1953. Proibida de comparecer pelos médicos, mandou chamar uma ambulância e chegou ao local logo após a inauguração do evento, levada em maca. 

Acompanhada por uma multidão de jornalistas, cantou, bebeu, contou anedotas. Neste ano, a perna direita foi amputada abaixo do joelho, em consequência de gangrena.

A partir daí, Frida tornou-se deprimida, depressiva e tentou o suicídio várias vezes. 
A morte em 13 de julho de 1954 foi envolta em rumores de suicídio, sustentados pela ausência de autópsia. Suas últimas palavras, escritas no diário, foram: “Que a partida seja alegre e espero nunca regressar” . 
A fascinante Frida Kahlo, não tendo sido uma pintora extraordinária pela técnica, segundo os críticos, teve a capacidade de converter em arte sua própria vida.







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Duvido que você não se emocione.



quinta-feira, 2 de julho de 2015

Pedro Nava e a tragédia do relógio da Glória

 

Vida e morte do grande escritor e médico

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Uma nuvem de fumaça paralisante e um silêncio ensurdecedor pairavam sobre as redações dos jornais cariocas na noite de 13 de maio de 1984,após a divulgação de um suicídio ocorrido naquele domingo `a noite numa praça na Glória.
Um senhor de avançada idade e fisionomia bem conhecida foi encontrado morto perto de casa.
A Glória é um bairro de classe média e média-alta no Rio de Janeiro e deve seu nome à Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, uma das primeiras construídas na cidade no século XVIII, onde são realizados casamentos e batizados dos descendentes de Dom Pedro II.

Foi chamada “ Saint-Germain-des-Près” carioca, porque alifuncionavam hotéis de todas as tendências, frequentados por parlamentares em exercício ,antes da transferência da capital para Brasíla. 
À noite existia –e atualmente continua existindo- um tradicional ponto de prostituição,frequentado basicamente por travestis.
Era de Pedro Nava,o grande escritor e memorialista,médico consagrado e unanimidade em se tratando de bom caráter e retidão, o cadáver ali encontrado com um tiro na cabeça,num banco de praça,junto ao relógio da Glória ,um dos marcos mais expressivos do Rio de Janeiro na República Velha.

Nava e sua mulher ,dona Nieta, residiam na Glória,bem perto do relógio e, naquela noite, após repassar com ela o discurso que faria ao receber ,dentro de poucos dias ,o tíitulo de Cidadão Carioca na Assembléia Legislativa,o telefone tocou

Dona Nieta atendeu ,passou-lhe o aparelho.Nava ouviu em silêncio oque lhe disseram, ficou visivelmente transtornado e comentou “ “nunca ouvi nada tão obsceno”

Aproveitando pequena distração da esposa, apanhou um revolver calibre 38 ,saiu pela porta dos fundos do apartamento e perambulou durante horas pelo bairro.
Os travestis e prostitutas que ali faziam ponto perceberam os últimos passos do senhor triste e cabisbaixo, que `as 20.30 deu fim `a tão fecunda e ilustre vida.


As investigações

Zuenir Ventura,meu Mestre no curso de Jornalismo da UFRJ, na época editor chefe de redação a revista ‘Isto É” conta, num capítulo inteiro de seu livro “As minhas Histórias dos Outros (Editora Planeta,2005),que no dia seguinte,segunda feira,começou apuração mais substancial porque uma versão meio inconcebível circulava pelas redações.

Pedro Nava estaria sendo chantageado por um garoto de programa, o“Beto da Prado Júnior”.

As investigações ,que tiveram como fonte um reporter gay,levaram a um sujeito meio estranho,morando num “prédio horroroso,cabeça de porco,corredores enormes, umas quinhentas portas”
Nava passou a frequentar o local `as quartas feiras,quando, teoricamente, estaria na reunião do Conselho de Cultura.Sentiu desejo de ser voyeur e pediu uma terceira pessoa.
“Beto da Prado Junior” afirmava ter uma foto com o escritor e a estaria negociando com a revista “Manchete”.

Se a “Isto É’ desejasse a exclusividade, teria que pagar mais.

Amigos de Nava procuraram dissuadir a editoria de publicar a versão,alegando que o morto era um intelectual respeitado, tinha deixado viúva,parentes e amigos perplexas.
Assim,a repercussão foi abortada.

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A tese de doutorado da professora francesa Monique LeMoing veio esclarecer tudo.Tornou-se um livro: “”A solidão Povoada” (Nova Fronteira,1996) que causou problemas com os descendentes de Nava mesmo tendo citado textos do prórprio autor.
Solidão Povoada”
Escreve Monique:

Pedro Nava acusava com violência os educadores, tanto os pais como os mestres, que consideram a sexualidade como ‘tema tabu’, criando complexos e até mesmo desvios sexuais; quando esta sexualidade — ele já verificara como ser humano e como médico — é o nó da vida, o elemento incontornável, que precisamos não somente reconhecer, mas aceitar e respeitar tal como é”.

Monique pergunta:

O que dizer das suposições emitidas depois da sua morte em relação a sua homossexualidade?” 
E tenta responder, com cuidado: 

“Sem dar o menor crédito às maledicências e pondo de parte as tagarelices[ não podemos deixar de constatar ao longo da obra e nas suas declarações aos jornalistas que Pedro Nava estava preocupado com este problema, que já tinha pensado nele e que estava chegando a certas conclusões; que para ele a homossexualidade não deveria ser considerada como desvio sexual, nem como tabu, visto que ela está latente em cada homem, e que acontece, que se manifesta de diversas formas nas relações humanas”. 



O próprio Nava escreveu: “No relacionamento de homem para homem, no estabelecimento de uma confiança, de uma simpatia, de uma amizade — entra muito do terreno neutro da sexualidade, de uma espécie, digamos, dessa homossexualidade subclínica que habita os confins de todos. [...] Todo mundo atravessa um período intersexual... a vida é foda: o resto é brincadeira”


Completa Monique;

 “Dizia-se que freqüentava certos meios homossexuais do Rio de Janeiro e ninguém acreditava que ele fora capaz de ter uma vida dupla, que tinha sido objeto de uma chantagem qualquer e compelido a um gesto de desespero”,


Biografiazinha despretensiosa

"Eu sou um pobre homem do Caminho Novo das Minas dos Matos Gerais”
Parafraseando Eça,assim começa Pedro Nava o seu “Baú de Ossos”

Nasceu em 5/6/1903 ,em Juiz de Fora-MG,fez seus estudos como interno do Colégio Pedro II (como conta no “Chão de Ferro”)e formou-se em Medicina pela (atual)Universidade Federal de Minas Gerais
Clinicou no interior de São Paulo e, em 1933, mudou--se para o Rio onde trabalhou em vários hospitais das rede pública e particular

Sua literatura médica está em.
*Território de Epidauro - Crônicas e Histórias da História da Medicina (1947) e
*Capítulos da História da Medicina no Brasil (1948).

Amigo de Carlos Drummond de Andrade e dos demais intelectuais 
mineiros,participou da edição de A REVISTA, publicação modernista.

Como poeta,teve seus trabalhos publicados na Antologia de Poetas Bissextos (1948,organizada por Manuel Bandeira.

Pedro Nava não deve faltar em nenhuma estante sensível

*“Balão cativo”(1932) recebeu o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro

*“Baú de Ossos” (1972)recebeu o Prêmio Luísa Claudio de Sousa do Pen Club
Nava foi escolhido “Personalidade Global de 1973”pela Rede Globo e jornal O GLOBO
Prêmio Associação Paulista dos críticos de Arte (1974)

Como memorialista publicou ainda Balão Cativo (1973), Chão de Ferro (1976), Beira-Mar (1978), Galo das Trevas (1981) e O Círio Perfeito (1983)e o incompleto “Cera das Almas’ que iniciou pouco antes do suicídio.  

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Com cerca de quatrocentas páginas cada um,eu já os li,reli,treli,quadrili e sei alguns trechos inteiros de cór.

E como o admiro! Pela elegância, criatividade,pertinência,abertura de mente,observação profunda do ser humano e pela enorme compaixão e misericórdia que,grande médico, teve ocasião de exercer pelos seus doentes.
Tenho a certeza que nos nossos dias,com os fenômenos mediáticos, Pedro Nava –geminiano de fé-certamente acolheria  a internet, os IPods, tablets,IPhones,whats'upp,SMs,mini cameras e etc .

E que, com os novos parâmetros sociais e advertências sobre chantagem,extorsão,calúnia e difamação agora tratados com atenção pelos órgãos de direitos humanos e da comunidade LGBT, as coisas poderiam ter terminado de forma bem diferente,
O chantagista teria sido capturado punido e execrado publicamente.

Meu feeling, entretanto, é que ,oitentão nos anos oitenta e carente e insone-como conta admiravelmente em um de seus livros,procurava algo meio em falta mesmo nos dias de hoje: colocar um pouco de cor e de luz  em sua vida.

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terça-feira, 30 de junho de 2015

Música de Câmara na Academia Brasileira de Letras-Edição de Julho 2015

Na próxima quinta-feira, dia 2/7, a Academia Brasileira de Letras apresenta na série "Música de Câmara na ABL" dois jovens e talentosos músicos que tocarão obras de;
Beethoven - Sonata Op. 69 n. 3 em LA maior;  
Villa-Lobos - Pequena Suíte;
Edino Krieger - a valsa Nina, que foi escrita para a neta quando ela tinha 08 meses, hoje ela tem 18 anos 
J. Guerra-Vicente - Cenas Cariocas. 

Sobre os músicos

Fábio Coelho vem de uma família de músicos, e iniciou seus estudos com seu primo e professor Marcus Ribeiro e, posteriormente, com Fábio Presgrave e Alceu Reis.
Bacharel em violoncelo pela Escola de Musica da UFRJ, na classe do professor Jorge Ranevsky.
É integrante do naipe de violoncelos da Orquestra Petrobras Sinfônica desde 2003 sob a regência do maestro Issac Karabtchevsky.

Daniel Sanches
Bacharel em Piano pelo Conservatório Brasileiro Música na classe da Professora Maria Teresa Madeira, pós-graduado em Pedagogia do Piano nesta mesma instituição.
 Foi vencedor do Concurso Nilda Freitas, X Concurso Nacional de Piano Souza Lima e obteve a colocação de Segundo Lugar no Concurso Nacional de Piano Art-Livre na Categoria Música Brasileira. Também foi premiado no Concurso “Jovens Solistas” da Bahia e Concurso “Jovens Destaque” do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ na Categoria Música de Câmara.
Recentemente, apresentou-se em concerto solo na cidade de Lisboa, Portugal, com repertório totalmente dedicado à música brasileira.

A Academia Brasileira de Letras fica na Av. Pres. Wilson, 203, Centro, e o concerto será realizado no confortável teatro R. Magalhães Jr., no primeiro andar, às 18 horas

 ENTRADA FRANCA.
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A abertura será feita feita pelo Acadêmico Marco Lucchesi e a  jornalista Nenem Krieger é responsável pela curadoria e  produção.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Raul Seixas e as mulheres

 




Aqui termino minhas homenagens pelos 70 anos dele, que teriam se completado neste último final de semana.


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Para complementar as homenagens pelo vigésimo aniversário da morte  de Raul Seixas,  em 2009,a
 assessoria de imprensa que cuidava da divulgação do livro "Metamorfose ambulante",preparou na época uma entrevista tipo ping-pong com Mario Lucena,explicando a forma como o cantor/compositor/grande figura via o universo feminino ao seu redor.  
O livro (ilustração da capa ao lado,é acompanhado por um CD da cantora portuguesa Carina Freitas) mostra uma face de Raul que os fãs não conheceram. Revelação que me surpreendeu:o arrependimento ao gravar "A maçã", considerada o hino dos liberais.









            "Mário Lucena diz que foi por causa de mulher que Raul Seixas conheceu Paulo Coelho. Raul não sabia viver sem um rabo-de-saia, mas nunca foi mulherengo. As mulheres que davam em cima dele perdiam a viagem...


P: O livro Metamorfose Ambulante que sai este mês nas bancas revela que as mulheres foram responsáveis pela aproximação de Raul e Paulo Coelho, é verdade?

R: Não é uma verdade absoluta, mas é uma verdade pitagórica. Raul adorava revistas com mulher pelada e conheceu uma chamada A Pomba, editada por Paulo Coelho, que tratava de temas esotéricos, místicos, ufologia etc. Paulo atraía o leitor com ensaios de mulher pelada. Raul se interessou, mas acabou encontrando uma reportagem interessante sobre disco voador, e foi procurar o editor. Tomou o maior chá de cadeira, mas permaneceu no local a espera do futuro parceiro porque havia várias revistas de mulher pelada (e disco voador) para passar o tempo...

 P: Quantas mulheres passaram pela vida de Raul?

R: Contando mãe e prima (a primeira musa de Raul foi a “prima Vera”), cinco mulheres oficiais, três filhas e a assistente Dalva, temos 11 mulheres importantes na sua vida.

 P: Como Raul se relacionava com as mulheres?

R:   Raul só conseguia lidar com uma por vez, só sabia contar de uma em uma...

 P: Qual foi a mais importante?

R: Sem dúvida a mãe, pois Raul cantou eternamente seu desejo de voltar ao útero materno... Mas pulando essa fase e deixando para trás o amor platônico pela prima Vera, podemos dizer sem medo de erro que essa mulher foi Edith. 

O primeiro amor não foi só idealização, Raul tinha uma paixão infinita por Edith, tão grande que não conseguiu cantar esse amor, transformá-lo em versos. Era real, amor do dia a dia. Infelizmente a relação não sobreviveu a crise dos sete anos...

 P: Raul superou esse amor?

R: Nunca! Essa perda não foi elaborada por falta de tempo, pois conheceu Glória, uma cópia melhorada de Edith. Além de bonita, Glória cantava divinamente. Isso deixou Raul eufórico, pois a nova musa parecia entender suas loucuras e repetiu Edith dando um filho ao roqueiro. Foi tudo mágico e Raul não teve tempo para o luto, não amadureceu. Estar com Glória era estar com uma Edith renovada, mas sem o mesmo amor, a mesma paixão. Por isso durou tão pouco...

 P: Como Raul superou essa segunda perda?

R: A fantasia de Raul com as mulheres não tinha limites. Encontrou Tânia, sua mata virgem, apaixonou-se, mas logo se decepcionou, pois da mata não saía coelho! Raul queria fazer filho a qualquer preço. Seu desejo por um filho homem era imenso. Tinha duas meninas com as quais pouco conviveu. Queria um menino, e se a mulher negava ceder o útero para seu projeto paterno era o fim. Raul, se pudesse, teria 12 filhos como um bom nordestino...

 P: Raul era mulherengo?

R: De forma alguma. Era careta, não sabia ficar ao lado de uma mulher se não houvesse uma química que os unisse.

 P: Dessas mulheres, qual foi a mais importante?

R: A mais importante para o artista foi Ângela. O homem Raul teve Edith, mas o artista encontrou Ângela como quem encontra um anjo. E Ângela representou seu papel com perfeição. Podemos dizer que Raul teve um amor verdadeiro, Edith, mas nenhuma mulher o amou mais que Ângela. A força dessa mulher foi impressionante. Raul deve a ela dez anos de sua vida. A ela e a Vivi, a filha do casal. Foi com Vivi que Raul sentiu o gostinho de ser pai. As outras mulheres o abandonaram, não permitiram que exercesse a paternidade. Ângela foi um caso raro. Teria ido com Raul ao inferno se ele não a tivesse preservado. Uma mulher corajosa, guerreira, levantou o artista, deu fôlego para construir sua carreira.

 P: Teve mais uma mulher?

R: Com Lena Raul travou uma guerra no momento em que não tinha forças para lutar. Raul a atacou de todas as formas, publicamente, uma baixaria. Foi difícil para Lena, principalmente porque Raul não sabia o que queria, não era mais senhor dos seus atos, tardiamente sonhou com uma proposta de sexo liberal quando não se relacionava com nada... Só com a morte! "

(divulgação)