quarta-feira, 29 de julho de 2015

Pagu, a musa modernista dos anos 30 e 40

Patrícia Rehder Galvão


(São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910 — Santos, 12 de dezembro de 1962)

Escritora paulista,poeta, diretora de teatro,tradutora,desenhista e jornalista , poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista e jornalista.
Militante comunista, foi a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas.

Eternamente Pagu é um filme brasileiro de 1988, o primeiro dirigido por Norma Benguell,com Carla Camurati no papel título.
Rita Lee a homenageou em "PAGU".onde declara que

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda

Meu buraco é mais em cima 

...sou Pagu indignada no meu tanque


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Na cidade natal existe um Memorial em sua homenagem.
PARA NÃO ESQUECER PAGU 

( por Sylia Rehder,prima de Pagu,para o Jornal Unidade , do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.)


"Quem foi Patrícia Rehder Galvão, ou Pagu, como ficou conhecida?
 A resposta fácil será : Pagu foi a musa do movimento de antropofagia e uma das mulheres de Oswald de Andrade. A menos óbvia: uma rvolucionária que teve na sua atividade poliítica seu maior algoz. 
A resposta inesperada e talvez a que melhor a defina é: Pagu foi uma grande jornalista. Uma mulher inquieta e atenta a seu tempo que optou pelo uso da palavra escrita para transmitir suas idéias e pelo jornal como meio de fazê-las chegar a um maior numero possível de pessoas.

Vários jornais do eixo Rio/São Paulo publicaram artigos, crônicas e reportagens de Pagu durante os seus 55 anos de vida. 

Jornais panfletários, alternativos, ou da grande imprensa da época. Cada um deles pode experimentar o texto ácido, de construção ousada e de conteúdo surpreendente. Por intermédio de Pagu, puro esforço de reportagem, alguns desses tiveram o privilégio de ter figurando nas suas páginas personagens como Freud, Kafka e Jove - esses dois últimos ainda praticamente desconhecidos do público brasileiro.


Pagu tomou gosto pelo ofício cedo, quando ainda era apenas Patrícia. Aos quinze anos, em 1925, estreou como colaboradora do Brás Jornal sob o pseudônimo de Patsy, um dou muitos que adotaria em toda sua vida. 


Da colegial exótica e de idéias surpreendentes descobertas pelos "antropófagos" em 1929, sobrou para a jornalista dosanos seguintes a bagagem literária adquirida sob a orientação de Oswald e Tarsília do Amaral. " 

Ela era muito jovem, sem lastro intelectual representativo. Por isso contou com a orientação dos modernistas mais velhos. Oswald fazia listas de livros para ela ler. 
Até então, Pagu se guiara pelo instinto, sempre teve um faro muito bom para descobrir coisas", lembra o jornalista Geraldo Galvão Ferraz, filho de Patrícia com o também jornalista Geraldo Ferraz, seu grande companheiro dos últimos anos de vida.


O Brás Jornal foi o início. Em 1929 editou com Oswald a Revista de Antropofagia, na chamada 2a dentição,fase em que a revista se torna mais radical e combativa, certamente fruto da interferência de Pagu. " Os textos mais atrevidos, insólitos e einsolentes, jocosos e inventivos são dela e não de Oswald. Pagu sempre foi maisousada que Oswald", declara Marcos Faerman criador do jornal alternativo Versus e um apaixonado pela vida de Pagu.

O Jornal Homem do Povo, editado em 1931 é mais uma parceria com Oswald e marcou o ingresso de Pagu no Partido Comunista.


Jornal panfletário, nele ela dirigiu a seção Mulher do Povo, sempre recheada de textospolêmicos, ácidos eextremamente ousados, sua marca pessoal. 
Com trechos como este, sobre a quebradeira da elite do café: " Os condes e fazendeiros comendadores da roleta quebraram o título. As festejadas e ilustres mamães de caridade desta vez despencaram das coleirinhas de veludo e brilhantes para o mofo da riqueza suja, quotidiana... E as meninas do Sion já são girls clandestinas".


Para Marcos Faerman, O Homem do Povo e Pagu foram precursores do que há de mais representativo naimprensa alternativa: " O Homem do Povo com certeza influenciou o Pasquim. E a Pagu foi uma jornalista com um texto tão vanguardista que até hoje ele seria contempórâneo. Ela poderia ter trabalhado com brilhantismo em qualquer publicação dos anos 60, 70, 80 ou 90.

O Homem do Povo circulou apena oito edições. A polícia fechou-o após um artigo de Oswald criticando alunos da Faculdade de Direito "... cancro que mina o patrimônio do Estado..." . 
Na cobertura do episódio a imprensa da época execra Pagu e Oswald. Pagu seguiiu, de forma cada vez mais apaixonada, sua militância no Partido Comunista.


 Uma militância radical que lhe valeu flagelos físicos, frutos das sessões de tortura pelas quais passou durante diversas prisões, e moral, fruto da intolerância e incompressão do próprio partido. "Pagu fez inúmeros sacrifícios de individualidade para o bem do partido mas ela tinha uma personalidade forte demais para ficar presa ao esquema que ele impunha", relata Geraldo Galvão. 

Pagu conseguiu ser rebelde dentro de um partido considerado rebelde. O partido não perdoou e fez com que ela assinasse um documento onde se declarou " agitadora, individual, sensasionalista e inexperiente".

A decepção com o PC ainda não havia sido completa. Em 1933, a comunista Pagu resolve fazer sua "viagem redonda" por vários países incluindo Estados Unidos, Japão, União Soviética, Paris e China. 
A jornalista Pagu concilia a viagem com o trabalho. Vai como correspondente dos jornais cariocas Correio da Manhã e Diário deNotícias e do paulista Diário da Noite. Por onde passava, atenta a tudo, mandava notícias para abastecer osjornais e furos: uma entrevista com Freud feita a bordo do navio que a levava para a China, e a cobertura da coroação do Imperador Pu-Yi na Manchúria, única jornalista latino-americana a estar presente.


Em Paris, não se contentando com o trabalho de correspondente brasileira, foi como redatora do L'Avant-Garde. É em Paris que Patrícia Galvão sofre sua segunda prisão - a primeira havia sido em 31, durante um movimento de reivindicação de operários em Santos. 
Escapa de ser submetida a um Conselho de Guerra. Repatriada para o Brasil, em 1935, Pagu secretariou o jornal paulista A Platéia, mas por pouco tempo. 
Os próximos cinco anos seriam os mais angustiantes. Segue-se mais uma prisão que durou dois anos e a esta outra, já na vingência do Estado Novo, que roubou mais três anos de sua vida.


Cinco anos na prisão e muitas torturas. Pagu colecionou o triste título de primeira mulher a figurar entre os presos políticos do Brasil. 

Sai de cena a jornalista panfletária - Pagu havia se desencantado com a política - surge a jornalista madura, com uma vasta bagagem cultural adquirida nas suas viagens e nos muitos livros que leu no cárcere.

Mas o grande responsável por essa guinada na vida de Pagu - " verdadeiro salva vidas ", como afirma seu filho - Geraldo Ferraz. Ele recolheu os cacos e foi o apoio necessário para a nova fase de Patrícia que se seguiria. " A pessoa que saiu da prisão era sofrida física e mentalmente. 
A única coisa que ela poderia fazer para ganhar a vida era escrever como jornalista. E meu pai era um profissional muito disciplinado e prático que começou no jornalismo como tipógrafo", conta Geraldo Ferraz.

Passada a fase panfletária e de militância política, a história de Patrícia Rehder Galvão, ficou marcada pelo processo de profissionalização no jornalismo. Em 42 com o companheiro Geraldo Ferraz, foi redatora de A Manhã e de O Jornal, no Rio, e de A Noite ,em São Paulo. 


Sempre acumulando mais que um emprego, em 45 a jornalista trabalhou na agência de notícias France Presse, editou com a colaboração de Geraldo Ferraz a Famosa Revista e integrou a redação do Vanguarda Socialista. 
No Vanguarda publicou apena um artigo político e muitas crônicas literárias. " Naquela época , jornalista já não podia ter um emprego só". conta Geraldo Galvão. 

Ainda nesse período de 45 a 50, marcado por intensa atividade jornalística , Patrícia passou pelos jornais: o italiano Fanfulla, O Tempo, Jornal de São Paulo e Diário de São Paulo. Um furo que Geraldo Galvão dá para oUnidade: escreve contos políticiais de aventura e ação para a revista Detetive. " Este dado ninguém ainda deu. Só não vou dizer sob qual pseudônimo ela escrevia seus contos para revela-lo na biografia sobre minha mão que estou organizando".



O jornal Diário de São paulo viveu uma fase de pauta de alto nível, com a colaboração de Patrícia e Geraldo ferraz. O Suplemento Literário que editavam levava semanalmente até seus leitores autores inéditos, nada menos que James Joyce, Mallermé, Kafka, entre outros. " Patrícia escrevia uma biografia crítica e publicava trechos de cada autor. É a primeira vez que sai um texto de Ulisses no Brasil", conta Geraldo Galvão.


A Tribuna de Santos foi o último jornal pelo qual Patrícia passou e premiou com seu trabalho. Em 54, Geraldo Ferraz assume a secretaria de redação dojornal e Patrícia uma vaga na redação. A mesma qualidade de texto e alto nível das fontes que utilizava, foi transferida dos importantes jornais do eixo Rio/São Paulo , para a Tribuna. 
O jornal viveu período de grandes transformações como conta Clóvis Galvão, sobrinho de Patrícia, hoje editorialista da Tribuna: " O Geraldo era conhecido na imprenssa por sua bagagem intelectual e visão moderna do jornalismo. Ele foi convidado justamente para renovar o jornal, até então tradicional demais". 

Sintonia com a modernidade foi a marca deixada pela passagem de Geraldo e Patrícia pelo jorna santista. 
Clovis foi levado, do Estado para a Tribuna, por Geraldo e Patrícia nos anos 60. " O salário pago pela Tribuna era tão baixo que passeia morar com eles. Convivi de forma muito estreita com Patrícia nos últimos anos de sua vida. Ela foi jornalista até o fim, mesmo quando a doença já a consumia, não deixava de enviar suas crônicas para o jornal".


A Tribuna publicou o último texto de Patrícia Galvão, o poema Nothing. A jornalista morreu em dezembro de 1962 de câncer e com ela as diversas Patrícias representadas pelos pseudônimos com os quais assinava seus trabalhos: Pagu, Ariel, Patsy, Mara Lobo, Solange Shol ou simplesmente PT.

Patrícia Galvão talvez tenha sido individualista, como apontou o Partido Comunista, mas não era personalista".Pagu foi dona de uma irreverência honestam que é muito raro. Ela não é uma figura esquecida, mas misteriosa. 

O mistério faz parte do seu envoltório", declara Marcos Faerman.

Patrícia Rehder Galvão nasceu em São João da Bôa Vista. 
Sua mãe Adélia Rehder Galvão, era irmã de Jayme Rehder um dos patriarcas da família Rehder em Mococa . E Pagu, no auge de sua efervecência política e cultural, esteve em Mococa por diversas vezes visitando seus primos. Imaginar que a cidade àquela época pudesse compreender a dimensão de ter, mesmo por algumas horas, Pagu em su comunidade, seria exigir demais. 


O país não a compreendia. Mas vale lembrar a todas as mulheres inquietas, que a história da vida de Pagu merece ser conhecida. Como exemplo? Não. Pelo pouco que coneço dela, por intermédio de livros e entrevistas com parentes próximos, acho que odiaria isso.

Mas como referencial para aquelas que procuram não se curvar diante de imposições machistas, hipocrisia e mediocridade, e demonstraram isso mesmo em pequenos atos e escolhas.

Sempre foi um ícone para a família. E muitas vezes fiquei intrigada por que mesmo os mais conservadores, como seu pai, devotaram a ela uma grande admiração. Hoje compreendo. É impossivel não admirar uma mulher tão forte e corajosa. 

A matéria publicada agora na Folha do Pardo, foi escrita por mim

para o Jornal Unidade , do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.Poder realizar esse trabalho, foi um dos grandes prazeres que a profissão me deu até hoje."
Sylia Rehder
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domingo, 26 de julho de 2015

150 anos da publicação de "Alice no País das Maravilhas"


                                              (1832-1898)

 Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll, foi um romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo, matemático e Pastor anglicano britânico. 
Lecionava matemática no Christ College, em Oxford.

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Em julho próximo, completam-se 150 anos da publicacão de "Alice no País das Maravilhas"
As 5 fotos de Alice que não foram destruídas-a pedido de Lewis Carrol- ilustram o texto que você vai ler quando clicar no link abaixo,em azul. E uma foto de criança nua, em plena era vitoriana.
Desde que me interesso pela figura do autor, a mesma dúvida também me intriga :muito estranha a ligação com meninas pequenas e mais as páginas arrancadas de seu diário pela família, o constante martírio da culpa,um mistério mesmo .

Recomendo a todos  a leitura de "Lewis Carrol, uma biografia", de Morton N.Cohen (Editora Record.1995),na excelente tradução de Raffaela De Filippis.

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 A postagem que reproduzo aqui é  a de

Márwio Câmara

Escritor, poeta e jornalista, pós-graduando em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Universidade Estácio de Sá. Pesquisador da vida e obra do escritor irlandês James Joyce e do ator norte-americano James Dean. Já foi premiado em concursos literários, na categoria Poesia. Dirigiu e produziu o documentário A Rua do Artista; e o curta-metragem Transição.
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http://homoliteratus.com/o-caso-lewis-carroll-e-alice-liddell-pedofilia-ou-mera-especulacao/


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 "Alice no País das Maravilhas"
Completo e dublado
 https://www.youtube.com/watch?v=y86oV44uyhw

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A maldição dos Hemingway- de pai para filho desde o século 19


 


Para ser um pai bem-sucedido, evite olhar seu filho nos primeiros dois anos de vida.”
  


Hemingway,aniversariante de 23 de julho
Com dezenas de filmes e peças teatrais baseados em suas obras, Ernest Hemingway, ícone da cultura norte-americana, tropeçou feio ao escrever esta pérola de desinteresse, somente explicável pelo desenrolar dramático de acontecimentos familiares .

Pensar nele é visualizar o caucasiano vermelhão vibrando nas touradas, o personagem tisnado de sol que lhe deu o Pulitzer de 1953 (“O velho e o mar”) ou o laureado intelectual Nobel de Literatura em 1954, pelo conjunto de obra. 

Segundo a biografia “Papa Hemingway” ( A.E.Hotchner), publicada no centenário de seu nascimento, teve uma relação complicada com o pai suicida. 
Diz o biografado: “Alguns anos mais tarde, pelo Natal, recebi um embrulho da minha mãe. Continha o revolver com que o meu pai se suicidara. Trazia um bilhete dizendo que achava que eu talvez gostasse de o ter, mas não explicava se era agouro ou profecia.” Ele mesmo não foi lá um monstro para seus filhos, como Pablo Picasso, mas poderia ter sido pai mais presente. 
Quanto ao respeito à liberdade de orientação sexual, era homofóbico, embora tivesse um filho transexual. Gregory - ou Gloria, filho do terceiro casamento - morreu na prisão em 2001 e, ainda criança, apresentou tendências ao crossdressing. 

O livro de Gregory/Gloria “Papá, Memórias Pessoais”, publicado em 1976, é revelador. Ao registrar o suicídio do pai, Gregory, que tinha 30 anos na ocasião, revela que guardou a imagem do "alcoólatra incurável" e confessa que sentiu o alívio de "nunca mais desapontar aquele grande homem”. Hemingway, por sua vez, já havia usado a figura e as características de Gregory para compor o personagem Andy, na obra “As ilhas da corrente” (1970) e desenhou alguns de seus personagens masculinos, com traços homos. 
Alguns biógrafos e amigas, como Gertrude Stein, contaram que Hemingway foi meio hesitante ao escolher parceiros na juventude. 

“Leis estritas, mentes estreitas”

Ernest Miller Hemingway nasceu em 23 de julho de1899 in Oak Park, subúrbio de Chicago, Illinois. Primeiro filho homem de Clarence Edmonds ("Doc Ed") Hemingway, médico rural e de Grace Hall Hemingway. O próprio pai (foto) fez o parto e tocou uma corneta na soleira da porta da frente para sinalizar aos vizinhos que havia nascido mais um macho na face da Terra - costume local. Dona Grace, evangéilca até o último fio de cabelo. era professora de canto, depois de perder a esperança de se tornar cantora de opera. 

E como desejava gêmeos, resolveu vestir Ernest e a irmã Marceline - um ano e meio mais velha - como se gêmeas fossem, com cabelos e roupas iguais.
 Referia-se aos dois como “as gêmeas” e passou chamar Ernest de Ernestine. Muitos trabalhos de Hemingway dissecam relações conturbadas entre homens e mulheres (“Hills Like White Elephants"), amores sem casamento ( "Now I Lay Me", "The Short Happy Life of Francis Macomber") e arranjos de elementos entre homens e mulheres, inclusive nos trabalhos postumamente publicados ( “The Sun Also Rises”). 

A mãe, a quem Ernest sempre atribuiu o suicídio do pai, o queria estudante de música. Mas, ele adotou os hábitos e hobbies paternos : caçar, pescar e acampar nos Grandes Lagos. Jogava beisebol, lutava box e era excelente aluno das aulas de inglês na Oak Park and River Forest High School, onde se graduou na turma de 1917 e onde seus textos apareceram impressos pela primeira vez no jornal Trapeze e, como editor, no anuário Tabula. 
Usava o pseudônimo Ring Lardner,Jr - homenagem ao seu ídolo literário Ring Lardner, escritor de pequenos contos e crítico esportivo.

 ‘Graça sob pressão”

Depois da high school, Hemingway se recusou a cursar universidade. Foi trabalhar como repórter no The Kansas City Star por seis meses. Logo perdeu a paciência com o novo trabalho, mas ali definiu a base de seu estilo como escritor: “Use frases curtas. Use pequenos primeiros parágrafos. Use um vigoroso Inglês e seja positivo, nunca negativo”. 

Contra a vontade do pai, deixou o emprego e se alistou no exército dos Estados Unidos para atuar no front da Primeira Guerra Mundial. 
Foi reprovado no exame médico e tentou a Cruz Vermelha, onde foi aproveitado como motorista de ambulância. Ferido durante uma ação (1918), foi para um hospital em Milão onde se apaixonou pela enfermeira americana que o cuidava.
 O relacionamento não deu certo, mas rendeu a primeira obra de ficção baseada em amor na vida real “”Adeus às armas” (1925). Recebeu medalha de mérito e foi o primeiro norte-americano ferido no conflito mundial 

Fase “Geração Perdida’ 

Voltou à cidade natal, Oak Park, e começou a trabalhar no periódico Toronto Star como freelancer e correspondente internacional. Enviado a Paris para cobrir a Guerra entre a Grécia e Turquia levou carta de apresentação para Gertrude Stein, que o introduziu no Movimento Modernista Parisiense, que se reunia em Montparnasse. 
Foi o início da fase “Geração Perdida”, epígrafe do romance “The Sun also rises”. Discípulo de Erza Pound, freqüentava a livraria de Sylvia Beach, a Shakespeare & Co, ainda hoje em atividade às margens do Sena e ponto obrigatório, para quem está no Quartier Latin. 
Depois das experiências francesas, casado com Elizabeth Richardson, com quem compartilhou grandes dificuldades financeiras, retornou a Toronto, onde nasceu seu primeiro filho, John, afilhado de Gertrud Stein. 
Em 1928, o pai Clarence, deprimido com problemas causados pela diabetes, suicidou-se usando uma pistola da época da Guerra Civil. Este episodio foi retratado no livro “Por quem os sinos dobram” – o pai de Robert Jordan reproduziu o Dr. Clarence. 

Fase Guerra Civil Espanhola 

Para Hemingway, a guerra civil espanhola foi uma espécie de reprise de sua atuação nos fronts pós 1ª Guerra Mundial. 
Mas, mesmo antes de partir para Espanha como correspondente de guerra, participou da luta pela implantação da República , no documentário Spain in Flames ao criticar abertamente o fascismo. A experiência de correspondente de Guerra (1937/38), deu origem à sua única peça teatral, The Fifth Column, e a um dos seus memoráveis romances, Por Quem os Sinos Dobram.
De regresso aos Estados Unidos, Hemingway manteve o apoio às brigadas internacionais que acompanhou, recolhendo fundos e fazendo a locução do filme de propaganda pró-republicano The Spanish Earth. 
O sucesso sempre vinha com tormentos : foi infeccionado por antraz, sofreu acidente de carro com seqüelas, teve hemorróidas e enxaquecas insuportáveis. 

Fase 2ª Guerra mundial 

Quando os Estados Unidos entraram na Guerra, Hemingway' alistou-se na Marinha, com a missão de afundar submarinos alemães nas costas de Cuba. Depois foi para Europa, como correspondente do Collier’s magazine. Testemunha ocular do DIA D, Hemingway formou seu próprio grupo de Resistência e participou da liberaçao de Paris, como oficial de ligação. 

Fase Cuba 
Em 1959, acompanhou os acontecimentos que depuseram o General Fulgencio Batista e culminaram com Revolução Cubana. Hemingway, que apoiava Fidel, resolveu ficar um pouco mais na ilha. Hemingway era observado pelo FBI desde a 2ª Guerra, por conta de seu envolvimento profundo com a Espanha e com os marxistas que lutaram na guerra civil contra Franco. 
Em 1960, quando deixou a ilha, o governo cubano declarou que ele estava ainda mais à esquerda que os próprios dirigentes. Em 2001, foi inaugurado um museu dedicado ao escritor. 

A maldição de ser um Hemingway_ 

Em 1959, Hemingway, eterno repórter, visitou a Espanha onde conheceu o famoso toureiro Luis Miguel Dominguín, ferido em uma corrida. 
Pensou em escrever um livro sobre toureiros mortos, mas, Dominguin se recuperou. 
Em 1960, foi hospitalizado na Clínica Mayo, em Rochester, para tratamento de depressão. 

Recebeu eletrochoques durante dois meses e teve alta no inicio de 1961. 
Em 2 de julho do mesmo ano, Ernest Hemingway cometeu suicídio com sua espingarda favorita, na residência de Ketchum, Idaho. 

 Clarence, pai de Hemingway e seus tios Ursula e Leicester também se suicidaram.

Assim como a neta Margaux Hemingway, atriz e modelo - com uma dose letal de soníferos, aos 41 anos. 

A terceira geração rompe a cadeia 

Em 2003, o escritor norte-americano radicado na Itália, John Hemingway, lançou livro em que conta a história do avô e de seu pai transexual..
John é casado, tem dois filhos, trabalha como tradutor e professor de Inglês e foi criado por uma tia.
 Não chegou a conhecer o avô, que morreu quando ele tinha apenas onze meses.  *************************************

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Concertos de Eva na FEK-edição Julho 2015



     




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"Concertos de Eva, série dentro do projeto 
"Quintas com música,é uma homenagem à fundadora da Casa-Museu Eva Klabin. 
Organizada por MarcioDoctors,com programação e produção da jornalista e agitadora cultural Nenem Krieger (fotos).

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domingo, 19 de julho de 2015

20 de julho -Dia do Amigo




In Memoriam

Victory Ignez Gajardo Gac e Lúcia Ferreira Reis,saudosas e queridas amigas-irmãs,presenças diárias no meu pensamento.
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"A amizade é um amor que nunca morre"
Mário Quintana
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"O Dia do Amigo foi adotado em Buenos Aires,com o Decreto nº 235/79,e gradualmente,em outras partes do mundo.


A data foi criada pelo sociólogo e filósofo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo.
Aos poucos a data foi sendo adotada e agora, em quase todo o mundo, o dia 20 de julho é o Dia do Amigo, quando as pessoas declaram sua amizade umas `as outras. No Brasil,o Dia do Amigo também é comemorado em 20 de julho"
Fonte:Wikipedia Portugal
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"Ninguém é substituível"
Nelson Rodrigues 

Muito menos você,minha querida amiga,que se foi tão depressa  que nem deu ainda tempo prá gente realizar a imensa e dolorosa perda que sua ausência física significa.
Pessoas como a pessoa que você foi não aparecem entre nós todos os dias,principalmente entre os seus colegas médicos, grande maioria de insensíveis, mercenários,incompetentes que siquer sabem administrar suas vidas,muito menos doenças e mortes alheias. 
Morta,morta,morta.Preciso repetir à exaustão que você está morta para compreender e explicar e me convencer que a sua serena figura majestosa não estará mais entre nós,pelo menos nesta dimensão,porque não foi cuidada como deveria ter sido no momento da emergência. 
Quando escolheram seu apelido -Queen-seus pais nem de leve poderiam imaginar a rainha que você viria a ser um dia. 
Lidando com criancinhas,você ficou ainda mais perto dos anjos e,ao doar aos seus semelhantes sua sensibilidade e seu coracão gentil,você abreviou o tempo necessário para virar anjo,literalmente. 
Suave,requintada,amante do belo,alto astral,positiva, amiga,irmã,tia e filha mais do que dedicada,piedosa,compassiva, apreciadora e incentivadora das novidades,ah,minha amiga querida,como a espécie humana vai ficar desfalcada com sua partida! 
Há uns poucos meses atrás você me encarregou de escolher e enviar uma orquídea para a equipe médica que lhe prestou serviços numa pequena cirurgia E como sempre,modesta e delicada,você me leu um lindo texto,em que agradecia a inestimável competência profissional e o grandes dons humanos dos colegas que lhe atenderam. 
Querida Vicky,"ninguém é substituível,"disse Nelson Rodrigues. Eu estava pensando como todos nós aqui em casa viveremos sem você .Como viver sem seus excelentes dons humanos e sua grande competência profissional? Os que lhe "assistiram" na hora final do aneurisma da aorta abdominal, disseram que suas últimas palavras foram "Quem vai cuidar da Clarinha?"
No momento final,você pensou na minha neta e sua cliente. 
Aí,como quando a gente está muito sofrida é mais simples pedir palavras emprestadas ,me lembrei de uns versos bonitos de Carlos Drummond de Andrade, que você lia e apreciava tanto:"você não morreu,acabou-se.Sua vida continua na vida que você viveu".
Beijos,saudades,admiração,respeito.
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(palavras que escrevi para a missa de 7º dia da Vicky)
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"Vamos brincar no céu, em alegre farândola" 
Tentando consolar,ao saber do fim próximo,Lúcia brincava com as dores que sentia e pensava na lacuna que deixaria na vida dos amigos,prometendo brincadeira eterna.Jamais lamentou ou mostrou fraqueza.
Impressionante como o tempo desde aquele 17 de agosto passou tão depressa.


Em certas ocasiões ainda me surpreendo pensando que coisa injusta para a humanidade foi a perda de alguém como ela,enquanto tem gente aí que só serve para dar despesa,desgosto e problema e que não acrescenta nada.


Era uma fonte quase inesgotável de brilho,sensibilidade e inteligência.
Finalmente, agora que terminou seu inventário,os desejos foram cumpridos,todas as pessoas que ela apontou foram amparadas e bem assistidas e meu papel foi desempenhado a contento. Tudo de acordo com sua vontade, acho que ela descansa em paz. 
Raras pessoas,durante a vida,tiveram a ventura de encontrar e identificar alguém com as qualidades de coragem moral que ela possuía. Com fibra,dignidade,pureza, retidão de caráter.
Foi paraninfa de várias turmas em que lecionou na ECo da UFRJ porque a alma era clara, os sentimentos explícitos e a bagagem cultural imensa.
Tivemos uma convivência intensa e sintonizada.Criamos uma profunda cumplicidade, a partir do pressuposto que estávamos nos reencontrando,para completar o tempo necessário que tinha faltado da(s) outra(s)vez(es).
Ela intuía ter sido minha mãe e,como tal,me tratava
Como não consegui doar os olhos de Dona Anna, por incompetência de quem deveria recebê-los,fez a extrema gentileza de,no dia seguinte,ir ao Instituto Benjamin Constant e doar os seus.
E,mais tarde,diante de seu cadáver e na presença dos que vieram retirar suas córneas,ela deu mais um presente à minha sensibilidade:participei do início da cerimônia quando me pediram para ler um lindo agradecimento à doadora e leram outro pra mim-por ter cumprido seu desejo. Ah,Lúcia....

Sim,qualquer hora aí nos encontraremos e,como combinamos, brincaremos ,lá em cima,"em alegre farândola".
Beijos e saudades,amiga.
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terça-feira, 14 de julho de 2015

14 de julho de 1789- A queda da Bastilha

 


O movimento popular que originou a Revolução Francesa 
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Construída em 1370 para ser prisão, a Bastilha ocupou este papel durante o reinado de Carlos VI.
No século 17 - durante a regência do Cardeal Richilieu - foi o local de detenção para presos mais sofisticados : adversários políticos, nobres, letrados ou simplesmente quem a Igreja julgasse adversário.
No Brasil de nossos dias, seria uma espécie de prisão especial para portadores de diploma universitário.
Sua tomada de assalto pelos parisienses, fez a Revolução Francesa partir numa direção irreversível. A importância da Queda da Bastilha está no fato de trazer para a revolução - já em curso - a presença das grandes massas, deixando de ser um movimento restrito ao Congresso

Enquanto os deputados elaboravam novas leis para eliminar o antigo regime, o povo tomou a iniciativa de agir com as próprias mãos.


As finanças do Reino estavam um caos devido aos gastos excessivos com a nobreza, aos privilégios concedido ao Alto Clero e às enormes despesas com o envolvimento do país na Guerra de Independência dos Estados Unidos.


Uma paralela crise agrária, causada por meses de clima seco , trouxe miséria aos camponeses e causou graves problemas no abastecimento das cidades e grande retração no comércio interno

O Rei Luís XVI, informado da gravidade da situação, foi forçado a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, reunindo em Versalhes representantes da nobreza, do clero e do povo (leia-se da burguesia), com a intenção de aprovar novas leis que preservariam os privilégios da nobreza.

Os deputados logo perceberam que a situação pedia mais do que uma simples reforma nos impostos e no dia 9 de julho, a Assembléia se autoproclamou “Assembléia Nacional Constituinte”, iniciativa que desagradou ao rei e a seus aliados.

Mesmo fazendo concessões, Luis XVI pensou na possibilidade de um golpe de estado. Desde 24 de junho, regimentos suíços e alemães estavam acampados em segredo, nas proximidades de Versalhes. No dia 12 de julho, pressionado pela Corte, o Rei demite o Ministro das Finanças (o banqueiro Jacques Necker) que, apesar de ter colaborado para aumentar o deficit nacional, tinha muito bom conceito junto ao povo mais humilde.
Foi substituído pelo Barão de Breteuil.

Em Paris, um modesto contingente formado por artesãos e comerciantes começa a se mobilizar. Nos jardins do Palais-Royal, residência do primo do Rei, Camille Desmoulins, o mais famoso orador da época, instiga o povo que se aglomera, recordando a Noite de São Bartolomeu (24/8/1575)  quando os protestantes foram massacrados pela nobreza católica:

Cidadãos, vocês sabem que a nação pediu que Necker ficasse e o tiraram. Depois deste golpe, eles vão ousar tudo e podem até pensar em transformar esta noite numa São Bartolomeu dos Patriotas. “Às armas ! Às armas, cidadãos!”

Os guardas suíços e os Dragões do Exército Alemão encurralam a multidão no local onde hoje se encontra a Place de la Concorde. O povo começa a forçar as portas de alguns imóveis do local e Sr. de Flesseles, representante dos comerciantes, tenta acalmar os ânimos.

Esta ousadia lhe é fatal : acusado de esconder armas e de estocar grãos, é enforcado num poste de iluminação. No dia 13, as tropas aliadas tentam prender os deputados. Assume a antiga administração real um comitê permanente – a ”Municipalidade Insurrecta”, formado pelos eleitores que votaram para os Estados Gerais.
Na manhã de 14 de julho, os manifestantes se encontram no “ Hôtel des Invalides”. As portas são abertas e a multidão recolhe os 28 mil fuzis e 20 bombas ali existentes.

Gritos de “À Bastilha” levam o povo até a fortaleza medieval onde os 114 guardas que a defendem recebem reforços militares. Dois destacamentos franceses aderem aos rebelados e às quatro da tarde, depois de uma carnificina que  se seguiu a uma verdadeira batalha campal, as pontes levadiças da Bastilha são baixadas.
 A tomada do símbolo secular do Absolutismo muda a história da Humanidade.
Em Versalhes, o já ex-Luís XVI, parece que meio sem noção  ou ignorando a realidade- o que dá no mesmo-escreve em seu diário abaixo da data 14 de Julho de 1789 : ”Rien” (nada) 

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A Bastilha hoje 

"A Place de la Bastille é o ponto de partida, passagem e chegada de muitos eventos sociais, políticos ou sindicais. 
O simbolismo também é repetido no mesmo lugar durante a celebração das vitórias socialistas em eleições importantes. 

Este foi o caso, por exemplo, 10 de maio de 1981, após a eleição de François Mitterrand como presidente da República e 6 de maio de 2012, após a eleição de François Hollande."

( da Wikipedia Portugal) 

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