quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Padre Cícero Romão Batista e o marqueteiro

( 1844-1934 )
 

cero Romão Batista nasceu no Crato (Ceará), no dia 24 de março de 1844, filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana. Aos 12 anos, inspirado pela leitura da vida de São Francisco de Assis, fez um precoce e espontâneo voto de castidade.
Os estudos formais duraram apenas 2 anos (1860-62) em Cajazeiras, Paraíba, quando a morte do pai obrigou o adolescente a voltar para casa.
Joaquim Romão era um pequeno comerciante e sua morte causou forte impacto financeiro na vida familiar.

A volta de Cícero aos estudos, no Seminário de Juazeiro, somente se tornou possível com a ajuda de seu padrinho de crisma, o Coronel Antonio Luiz Alves Pequeno. Foi ordenado em 1870, quando retornou ao Crato.
Enquanto não recebia paróquia, ensinava latim no Colégio Padre Ibiapina, de propriedade do primo, Prof. José Joaquim Teles Marrocos ,

No Natal de 1871, visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro - então pertencente ao Crato - e aí celebrou a tradicional missa do galo.

O jovem padre visitante, 28 anos de idade, pele branca, cabelos louros e olhos azuis causou grande admiração nos habitantes do vilarejo.

Em abril de 1872, voltou para fixar residência no local - segundo alguns biógrafos, inspirado numa visão de Jesus Cristo e seus doze apóstolos, que lhe apareceram sentados como na última ceia de Leonardo da Vinci. Jesus Cristo, embora chocado com os desmandos da humanidade, resolveu dar-lhe uma última chance: voltando-se para Padre Cícero apontou uma multidão de famintos retirantes nordestinos e ordenou - “ Padre Cícero, tome conta deles!”

O padre logo tratou de melhorar o visual da pequena capelinha em honra a N.Sra. das Dores, comprando imagens com as dádivas dos fiéis. Em seguida, começou intenso trabalho com pregação, conselhos, visitas, uma dedicacão aos paroquianos como jamais se vira antes.

Tornou-se, rapidamente, uma liderança na comunidade, ao mesmo tempo em que moralizava os costumes desregrados da gente simples : prostituição e bebedeira.
Sua fama começou a crescer e, para reforçar o trabalho pastoral, mandou recrutar mulheres solteiras e viúvas, formando uma verdadeira comunidade leiga : as beatas,que agiam sob seu total comando e autoridade, 

Em 10 de março de 1889, a beata Maria de Araújo ao receber a santa comunhão das mãos de Padre Cícero engasgou-se, pois a hóstia consagrada se transformou em sangue. O fato repetiu-se em várias outras ocasiões e o povo, acreditando que se tratava de sangue do próprio Cristo, passou a tratar as toalhas que limpavam a boca da beata como verdadeiras relíquias.

O povoado tornou-se centro de peregrinação e dois médicos e um farmacêutico atestaram que o fato não tinha explicação científica.
O milagre, altamente noticiado na imprensa, irritou bastante o Bispo de Fortaleza, - D. Joaquim José Vieira - que determinou um rigoroso inquérito.

Os padres enviados examinaram a beata, tomaram depoimentos de populares e concluíram que tratava-se de milagre.
Nova comissão foi enviada,nova decisão foi tomada: não havia milagre.
Milagre ou não milagre, o episódio terminou com a suspensão da Ordem e todos os padres que atestavam influência divina foram obrigados a se retratar publicamente
 

Oração e Trabalho”
Quem terá sido o inspirado marqueteiro que, ao se acenderem as primeiras luzes do século XX, criou este slogan sucinto e direto ?
Proibido de celebrar, Padre Cícero ingressou na vida pública como primeiro prefeito de Juazeiro, em 1911.

Declarou em seu testamento, que assim fez para “atender aos insistentes apelos dos amigos e na hora em que os juazeirenses esboçavam o movimento de emancipação política”.

Em 1912, foi eleito Vice-presidente do Estado e, em 1914, participou da chamada Sedição de Juazeiro, quando se transforma em revolucionário

Com a vitória da Revolução, Padre Cícero reassume o cargo de Prefeito e seu prestígio cresce.
Passa a ser novamente procurado por políticos e altas autoridades. e se transforma na figura mais importante de Juazeiro.

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