terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Alvares de Azevedo e o Romance Gótico


Para todos os efeitos, o romance gótico “nasce” no século 18 mas ,antes disso, as histórias que dão medo sobre fantasmas, lobo-mau e mortos que ressuscitam já existiam na “Odisséia”, na literatura chinesa e mesmo no Evangelho com seus anjos do bem combatendo demônios. 

Este gênero literário surgiu, sob a forma de romance, na Alemanha, França e, principalmente, na Inglaterra, que - de certa forma - formatou e mesmo “exportou” o modelo. 

Os modelos usados pelos os autores nas suas percepcões do mundo mudaram e estas mudanças tornaram-se novos gêneros literários. O “Castelo de Otrante”, de Horace Walpole ( 1763), é considerado como ponto de partida da literatura gótica. .

A vingança dos “espíritos” contra o senhor do castelo chegou ao limite do exagero do gótico. Mas, no prefácio da 1ª edição, o autor explica que sua obra é “uma tentativa de unir dois gêneros de romance : o antigo e o moderno”, com o objetivo de criar uma nova forma de expressão. 

O romance gótico acompanhou e refletiu as mudanças sócio-econômico-político- culturais ocorridas na Europa até 1848. 

Posicionado na contra-corrente dos acontecimentos, recuperou as figuras sobrenaturais para agitar as emoções e sacudir o desencanto reinantes. 





Álvares de Azevedo – o gótico em verde e amarelo. 

No século 19, os contos fantásticos de terror, paranóias e loucuras de Edgar Allan Poe (1809-1849), foram a grande influência do movimento gótico. 

Inspiraram nosso Alvares de Azevedo e, também, Rimbaud, Mallarmé, Dostoiévski, Apollinaire e Júlio Verne. 

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Manuel Antonio Alvares de Azevedo (1831-1852)(foto) traduziu para o francês uma antologia de poesia romântica e deixou, em sua vida breve, muitos poemas, contos fantásticos e peças teatrais com ingredientes que o tornam o mais representativo autor brasileiro do ultra-romantismo: a pessoa amada, sempre um personagem sensual, é um ideal difuso de paixão e desejo convivendo com a depressão, melancolia, delírio, satanismo, medo e desejo de morrer. 
A “Lira dos Vinte Anos” (1853) e os contos fantásticos de “A Noite na Taverna” (1855) - publicados após a morte do autor - são considerados o que há de mais gótico na literatura brasileira. 

A obra de Álvares de Azevedo, reflete sua intensa vida mental, a grande capacidade de assimilar e guardar conhecimento, uma apurada sensibilidade e como foi desmedido, obstinado e constante no amor.


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