domingo, 26 de dezembro de 2010

Top 5 do blog ***** Haiti,açúcar amargo-Um sofrimento que nunca termina

Os 5 textos mais clicados em 2010 Obrigada aos assinantes, aos seguidores,aos leitores que visitam o blog, obrigada pelas sugestões de pauta e pelos comentários e críticas-sempre construtivos. ************************************


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"Jamais,nunca mais, nossos irmãos e irmãs serão vendidos para que seu sangue se transforme em açúcar amargo”
Jean Bertrand Aristide em discurso na ONU, setembro 1991,quando tudo eram flores
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O jornal francês "LE MONDE" ,de 29.08.09 , informou que entre 21 e 23 de agosto passado, em Porto Príncipe, aconteceu um seminário internacional cujo tema foi “ A revolução haitiana e a universalidade dos direitos do homem”
O colóquio era para ter acontecido em 2004,ano do bicentenário da independência daquele pais,mas as manifestações violentas contra a partida para o exílio do ex presidente Jean Bertrand Aristide impediram.
“A revolução haitiana foi um momento chave na História da humanidade”, disse o sub diretor da UNESCO Pierre Sané,por ter dado uma cara ao ao conceito da universalidade dos direitos humanos”
A primeira república negra tornou-se catalisadora do desejo de libertação das colônias.E,continua Pierre Sané,”trouxe a primeira contribuição concreta do nascente combate mundial contra o racismo'
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A revolta dos escravos em Santo Domingo,a mais rica das colônias francesas, foi considerada uma aberração da História pelos poderosos do século 18,porque colocava por terra os 3 fundamentos do sistema econômico que estava em jogo:a plantação de cana de açúcar, tão importante para o comércio internacional de então como o é a do petróleo em nosso século 21, a escravidão e o comércio negreiro. Era voz corrente que a abolição da escravidão provocaria a falência da economia francesa.Acreditando que o desejo de liberdade é contagiante (e é mesmo) colocaram a nova jovem república na lista negra das nações. Durante o simpósio de agosto de 2008, foi pensada até a transformação do Haiti em Patrimônio da Humanidade, como símbolo da resistência `a escravidão
Um pouquinho de ontem para compreender a situação de hoje
Na época da insurreição,as imprensas americana e européia se encarregaram de construir a imagem de uma revolução selvagem e sanguinária e os historiadores mais comprometidos com o status quo negaram ou,pelo menos,minimizaram seu impacto.
De acordo com a história oficial, o corpo expedicionário enviado por Napoleão Bonaparte para restabelecer a escravidão na colônia de Santo Domingo (nome dado pelos franceses)foi dizimado pelas epidemias.
O Haiti ainda não entrou na modernidade e é, hoje, é um dos países mais pobres do planeta, cula ordem muito frágil é mantida por uma força tarefa de cerca de 9000 soldados estrangeiros,entre eles cerca de 1.300 brasileiros. Dezenas de milhares de crianças –os restaveks, (corruptela do francês reste avec =fica com)- são escravos domésticos e trabalham em condições quase sub-humanas. E ,embora a instrução seja obrigatória,essas crianças não podem ir `a escola porque a situação econômica de suas famílias não permite. Quando Colombo chegou `a ilha de Ayiti em 1942,os habitantes eram os Arawaks,rebatizados como índios e tornados escravos que não suportavam essaa condicão.Um padre espanhol sugeriu que fossem importados escravos da África,que se tornaram os ancestrais da população haitiana de hoje. Transformado em Patrimônio da Humanidade,país simbolizaria resistência `a escravidão Costumava-se dizer que ‘o Haiti é um pedaço da África encravado no Caribe” Logo após a Revolução Francesa, os escravos de Santo Domingo se revoltaram, abateram o exército francês e o general Jean-Jacques Dessalines criou a bandeira que se conhece,tirando a faixa branca do símbolo tricolor Não pretendo contar aqui a História do país,mas é importante citar figuras como Toussaint l’Overture. Financiado pelos ingleses e espanhóis, inimigos dos franceses, conseguiu que negros e mulatos se unissem sob sua liderança. Toussaint concebeu o Haiti como um estado associado à França revolucionária.Trouxe de volta os ex-escravos à lavoura do país devastado e preparou um projeto de constituição. Um dos generais de Toussaint, o ex-escravo analfabeto Jean Jacques Dessalines, continuou a rebelião e expulsou as tropas francesas, proclamando a independência em 1º de janeiro de 1804.Nomeado governador,Dessalines se proclama imperador como Napoleão e unifica a ilha. Dois anos depois, é deposto e morto. O país tem o controle dividido entre Henri Christophe que funda um reino ao norte, e Alexandre Pétion que liderauma república ao sul, e volta o leste aos espanhóis. A unificação só acontece em 1820 sob Jean Pierre Boyer, que governou como ditador até 1843. Veio a intervenção Americana,mais um século de instabilidade . Em 1957, após eleições meio estranhas foi eleito o intelectual negro François Duvalier,médico sanitarista com prestígio mundial, devido a suas ligações com o movimento negro e luta contra a malária. Era chamado de Papa Doc(papai médico-foto). O santo virou demônio, o regime montou um aparato de repressão militar que perseguiu seus opositores, torturando-os e assassinando muitos deles. A repressão era encabeçada pela milícia secreta dos tontons macoutes / "bichos papões". O Papa Doc morreu em 1971, após ter promulgado uma constituição (em 1964) que lhe dava um mndato vitalício e ter feito seu filho mais novo Jean Claude Duvalier, o Baby Doc , ditador que assumuiu o poder aos 19 anos, deu continuidade ao regime de terror do pai. Baby Doc governou até 1986, quando foi deposto por um golpe comandado pelos militares, que assumiram o poder por vários anos A esperança de redemocratização surgiu em 1990, quando ocorreram eleições livres e a população elegeu o ex-padre salesiano Jean Bertrand Aristide (* 1953) ,expulso da Igreja devido às suas posições alinhadas com a extrema esquerda.para presidente.(foto)] Aristide foi deposto por um novo golpe militar e a ditadura foi restaurada no Haiti. Em 1994, num jogo do vai e vem característico das republiquetas,Aristide retornou ao poder, com auxílio do Estados Unidos. O ciclo de violência a corrupção e a miséria permaneceram. Em dezembro de 2003, ele prometeu eleições novas dentro de seis meses. Os protestos contra Aristide, em janeiro de 2004, fizeram várias mortes na capital do Haiti, Porto Príncipe. Em fevereiro, com o avanço dos rebeldes, o ex-presidente fugiu para a África e o Haiti sofre intervenção internacional pela ONU. ****************************

Projeto Brasil Haiti
O nosso Embaixador no Haiti, Igor Kipman , defende a permanência das tropas militares no país como forma de garantir a estabilidade Sem elas,diz o diplomata, "será impossível atrair investimentos estrangeiros". “A situação de segurança (no Haiti) é melhor hoje do que na República Dominicana, na Jamaica e em El Salvador, por exemplo. A situação está controlada, mas é ainda uma estabilidade frágil”, afirma Kipman. “Por outro lado, cerca de 70% da população está desempregada e a situação econômica é bastante ruim. Se retirar a missão da ONU, a segurança volta a se deteriorar.” O embaixador está diretamente envolvido em acordos de cooperação assinados com o governo haitiano. Há projetos se desenvolvendo em áreas como agricultura, infraestrutura e saúde.Além disso, o Brasil tem se mobilizado, diz Kipman (foto)]para evitar que a população haitiana morra de fome. "Desde que o país foi atingido por quatro tempestades tropicais, no ano passado, já foram distribuídas 500 toneladas de leite em pó, 15 mil toneladas de arroz nas escolas e diversos outros produtos. A Embaixada também comprou US$ 300 mil dólares em alimentos e mais US$ 50 mil dólares, só neste ano. “Numa mão ensinamos o haitiano a pescar e na outra, damos o peixe.

"As pessoas estão morrendo de fome. Não dá para esperar”, alerta Kipman, que assumiu a Embaixada em fevereiro de 2008, mas conhece a realidade haitiana desde 1995. Natural de Curitiba, o diplomata pertence aos quadros do Itamaraty há 27 anos. ( o texto em cor vermelha tem como fonte o site do Projeto Brasil –Haiti- http://www.brasilhaiti.com) **************

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