segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Muitas vezes favela

( foto tirada num trecho da comunidade da Rocinha com São Conrado à esquerda e,iluminada, a autoestrada que leva às luxuosas mansões e condomínios da Barra da Tijuca)

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Quando Werner,meu primo alemão, esteve pela primeira vez país e ficou hospedado aqui em nosso apartamento,não conseguiu disfarçar a surpresa ao conhecer o que chamam de "dependências de empregada" ( e olha que o que tenho é uma ajudante que vem 3 vezes por semana e com carteira assinada e direitos asseegurados,férias, 13º,vale transporte e etc).
Historiador doutorado em Göttingen e estudioso de Gilberto Freyre,resumiu tudo numa pérola
sociológica:disse que nunca imaginou que ainda existisse no Brasil a separacão entre a casa grande e a senzala.
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O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravidão,num processo que desenrolou de forma gradual.
Trinta e oito anos se passaram entre a Lei Eusébio de Queirós de 1850 regulamentando,reprimindo e preparando a extinção do tráfico de africanos e a Lei Áurea em 1888.
Neste intervalo de tempo,foram sancionadas a Lei do Ventre Livre de 1871 e a Lei dos Sexagenários de 1885.
Em 1893,proclamada a República, o prefeito Candido Barata Ribeiro mandou demolir o cortiço Cabeça de Porco que era considerado o maior da cidade e mais tarde, em 1904,um projeto de reforma urbana desalojou cerca de 3000 pessoas que viviam em 614 casas demolidas por ordem do prefeito Pereira Passos.
Famílias desabrigadas começaram a ocupar os morros da cidade e em 1897,no Morro da Favela, surgiu a primeira comunidade,no centro da cidade.
A aglomeração humana passou a ser chamada de "favela" e tomou o nome do morro em que estava localizada na Praça da Aclamação, hoje Praça da República. Seus moradores eram ex-escravos vindos das fazendas do Vale do Paraíba e soldados da Guerra de Canudos.
O local,atualmente, chama-se Favela da Providência e está ali, bem atrás da Central do Brasil, entre os bairros do Santo Cristo e da Gamboa.
No século 20,a partir da década de 1910, as favelas cresceram e alcançaram a zona sul, já que os empregados em todo o tipo de atividade que moravam em locais distantes e sem infraestrututa de transporte adequada,sempre desejaram ficar próximos a seus locais de trabalho.

A ocupação do espaço geográfico mostrava que os subúrbios recebiam as camadas menos favorecidas da população e a zona sul com suas praias,passou a ser a preferida da camada mais abastada da população.
E pelo descaso e conivência das autoridades constituídas ajudada pela topografia dos terreno,s pela íntima convivência com essa classe mais favorecida,pelo consumeirismo trazido pela globalização e pelo efeito demonstração tão louvado na criação de campanhas publicitárias cada vez mais cresceu a distância lógica entre o desejo e a possibilidade de adquirir bens materiais.
A manufatura e comércio das drogas leves ou pesadas que são, ao mesmo tempo, entorpecentes e estupefaciantes encontraram nesse contexto um ninho seguro para sua expansão. E o resto é o que o mundo vê nesse momento tão difícil.
Nós, que (ainda) não estamos na linha de fogo, desestimulemos a boataria, cooperemos com as forças repressoras e não cedamos espaço aos bandidos do narcotráfico(que são chefiados por bandidos moradores do asfalto do metro quadrado mais caro do país) tentando levar uma vida o mais normal possível porque o medo não é boa estratégia.
Dias melhores virão.
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