quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dercy Gonçalves- só ia morrer quando ELA quisesse

E ela assim o quís

O blog homenageia Dolores Gonçalves Costa, mais conhecida como Dercy Gonçalves (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907/Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008)
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Valeram mais uma vez as palavras ditas aos 94 anos "eu só vou morrer quando EU quiser". Faltando poucos dias para a data oficial do centenário, Dercy Gonçalves escapou ilesa de um acidente automobilístico. Também havia tirado de letra a tuberculose, num momento da história da medicina em que, na luta pela vida, o bacilo causador da doença era quase sempre o vencedor.
Em 1991, recém-saída de uma cirurgia melindrosa, desfilou com os seios à mostra, como destaque da Escola de Samba Unidos do Viradouro >E como resposta a um repórter incrédulo que perguntou como tinha conseguido superar câncer no estômago - sendo do conhecimento de todos que acabara de subir na alegoria - Dercy gritou lá de cima o nome do supositório que usava e mais uma meia dúzia de palavrões, pra fechar o raciocínio.
Na vida particular, esta grande figura era mãe, avó, bisavó amantíssima e cidadã engajada, sempre participando dos movimentos populares contra a censura e das lutas salariais de sua classe.
O CARO PREÇO DA LIBERDADE
A pequena Santa Maria Madalena - na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, a 237 km da capital (foto) - era pequena demais mesmo para Dolores Gonçalves Costa, filha do alfaiate Manoel e da lavadeira Margarida, (que a deixou ainda pequenina, com mais seis irmãos, quando soube que o marido tinha uma amante).
  • Em entrevista à "ISTO É", Dercy, neta de coveiro, contou:
    "Quem me criou foi o tempo, foi o ar. Ninguém me criou. Aprendi como as galinhas, ciscando, o que não me fazia sofrer eu achava bom".
Aos 17 anos, trabalhando como bilheteira de cinema e horrorizando a hipocrisia local ao se maquiar como as atrizes que via na tela, dançar em festinhas e quermesses em troca de comida, fugiu num trem em direção a Macaé, onde pretendia juntar-se a um circo que havia visitado a sua cidade.
Eugênio Pascoal, cantor de grupo mambembe, foi o desvirginador de Dercy, que, no ato, vestia uma camisola feita de saco de arroz com uma inscrição que acabou ficando sobre os seios de adolescente: "Indústria Brasileira de Arroz Agulhinha, arroz de primeira".
A violência da primeira vez acabou o romance, assustou a mocinha mas a amizade continuou. De Pascoal também ficou, como lembrança, o contágio pela tuberculose.
Waldemar Martins, mineiro exportador de café, casado e católico cuidou da doente, pagou-lhe as despesas do sanatório nas vizinhanças de Juiz de Fora e, depois da alta médica, instalou-a num hotel na Praça Tiradentes.
Da união, nasceu Decimar, filha única, que teve educação primorosa.

CARREIRA e AMORES
Estrela de comédias na mesma Praça Tiradentes e nas revistas do Cassino da Urca, escolheu os palavrões como marca registrada.
Atuou em 36 filmes e, desde 1957, trabalhou em televisão.
Comandou o Consultório Sentimental, na TV Globo, uma espécie de talk-show, que chegou a bater 90% de audiência. O convidado saía destruído, detonado, estraçalhado pelas suas perguntas irreverentes - o público vibrava. Na década de 40, casou-se com o jornalista Danilo Bastos, dez anos mais jovem e viveu um caso com o acrobata Vico Tadei.
No entanto, o primeiro, inocente e grande amor foi com Luís Pontes, um jovem conterrâneo - "amor verdadeiro, de chorar".
HOMENAGENS MAIS DO QUE JUSTAS
Já octogenária, roubada por um empresário inescrupuloso, perdeu tudo e teve que voltar a trabalhar. Em 1985, ganhou o Troféu Mambembe em categoria especialmente criada para ela: melhor personagem de teatro.
Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de cidadã honorária da cidade de São Paulo A cidade que praticamente a enxotou, agora a homenageia com um museu e faz de sua mais importante filha um símbolo do dístico gravado no mausoléu: "Força e Coragem".
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FILMOGRAFIA
(Fonte: Wikipedia) 2000 - Célia & Rosita (curta-metragem) 1993 - Oceano Atlantis 1983 - O Menino Arco-Íris 1980 - Bububu no Bobobó 1970 - Se Meu Dólar Falasse 1963 - Sonhando com Milhões 1960 - Com Minha Sogra em Paquetá 1960 - Dona Violante Miranda 1960 - Só Naquela Base 1960 - A Viúva Valentina 960 - Entrei de Gaiato 1959 - Minervina Vem Aí 1959 - Cala a Boca, Etelvina 1958 - A Grande Vedete 1958 - Uma certa Lucrécia 1957 - Absolutamente Certo 1957 - A Baronesa Transviada 1957 - Feitiço do Amazonas 1956 - Depois Eu Conto 1948 - Folias Cariocas 1946 - Caídos do Céu 1 944 - Abacaxi Azul 1944 - Romance Proibido 1943 - Samba em Berlim
TELEVISÃO
(Fonte:Wikipedia) 1996 - Caça Talentos 1992 - Deus nos Acuda 1990 - La Mamma 1989 - Que Rei Sou Eu? 1980 - Dulcinéa vai à guerra 1980 - Cavalo Amarelo - Troféu Imprensa de Melhor Atriz (empate com Dina Sfat)
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