terça-feira, 11 de outubro de 2011

A separação segundo Alfonso Chase

Tomei emprestado- por ter ficado encantada e emocionada-um post do blog "Olhares,pensares e cantares" da querida amiga, fotógrafa e tradutora paranaense Vera Vieira (na lista aqui ao lado, à direita).
Vera nos conta que o autor do poema sobre separação , Alfonso Chase , nasceu em 1944 na cidade de Cartago-Costa Rica.
Sua obra consta de poesia, ficção, ensaio e livros para crianças e adolescentes. Ganhou o Prêmio Nacional de Poesia e Prêmio Nacional de Cultura.
E sugere que saibamos mais sobre ele em
http://www.artepoetica.net/Alfonso_Chase.htm
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"Quando dois que se amaram se separam
─ para sempre ─ algo se quebra na ordem interna da noite.
A mão chama a luva perdida
e um hálito pousa tibiamente na herdade da árvore.
Q
uando dois se dizem adeus diante do espelho sem tocar-se apoiando os dedos nas sombras a forma detém o tempo, e na água a luz adquire imagem de janela.
Pode ser que esta luz
em forma deslumbrante se expanda como o mundo e um pássaro multicolor caia desmaiado, ferido pela sede que penetra no instante desses dois que alguma vez se amaram para sempre.
Q
uando dois que se amam ainda
─ se separam ─ algo os cobre suavemente e uma linguagem tácita nasce no lugar que esses dois deixaram a recíproca tortura de esquecer-se.
Algo envelhece para sempre sobre o ar.
Possivelmente se suicide um anjo de tristeza
ao ver quando esses dois desaparecem ─ separados por passos e por beijos ─ inventando histórias e cantando, molhados e escuros de uma chuva que reflete o rumor de suas palavras.
Q
uando dois que se amaram se separam,
o verão sobe sobre as asas da noite e uma folha, sobre o azul do céu, abre os olhos e oculta o seu estupor com uma conjura.
Q
uando dois que se amam se separam
- sem rancores ou espadas – um fantasma encantado ganha vida e se inclina para recolher esses dois lábios, desnudos para sempre de linguagens". **********
Texto extraído do livro "Poetas da América de Canto Castelhano". Thiago de Mello, seleção, tradução e notas. São Paulo: Global, 2011.

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