sábado, 6 de maio de 2017

As favoritas de Maria Antonieta

 


 









Versalhes,verão de 1775







Para suportar a convivência com o Rei Luís XVI - que sofria de uma disfunção sexual e não conseguia consumar o casamento - a Rainha da França Maria Antonieta envolveu-se numa roda viva de festas, bailes e mesas de jogo onde gastava somas astronômicas.

As saídas noturnas com amigos eram constantes, assim também ligações muito íntimas com belas nobres que eram chamadas suas “favoritas”.  
A partir do verão de 1775 - auge daquela vida desregrada - duas amigas, verdadeiras rainhas sem coroa, passaram à História : a Princesa de Lamballe e a Duquesa de Polignac.


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Nascida em Viena em 2 de Novembro de 1755, era a quarta filha do Imperador Francisco I da Lorena e da rainha Maria Thereza da Áustria.

 Com o objetivo de reconciliar a monarquia francesa com a Casa dos Habsbourg, o Ministro francês Choiseul - o nome mais importante do governo - se encarregou pessoalmente das negociações que terminaram com o casamento em 5 de Maio de 1770 de Maria Antonieta com Luís Augusto ( o Dauphin, como era chamado o herdeiro do trono), neto do Rei Luís XV.


A noiva de 15 anos conquistou toda a corte. Era - segundo definiram seus contemporâneos - “deliciosa” : alta, magra, loura, branca e rosa, cheia de graça.
 
Os interesses do casal, entretanto, eram completamente diversos: ele gostava de caçar, da vida doméstica e de ficar sozinho.
 Ela era fascinada por artes, moda, danças, jogo e vida noturna. Havia ainda o problema da consumação do casamento: Luis XVI não conseguia sustentar uma ereção. 
Adorada no início pelo povo que lhe pedia sempre um herdeiro para a França, conheceu os maiores índices de popularidade jamais recebidos por um membro de família real na Europa.  
Anos mais tarde, uma cirurgia de fimose resolveu o problema e nasceram quatro filhos.

“Madame la Dauphine” vira Rainha da França


Em 1774, depois da coroação de Luís Augusto como Luís XVI, o Palácio de Versalhes não abrigava só o rei e toda sua família. 
Cerca de 4 mil privilegiados portadores de sangue”azul” ali também residiam em 226 apartamentos completos e 500 quartos.

O Palácio era aberto ao público e frequentado todos os dias por mais de dez mil visitantes.

O acesso era livre, bastava a pessoa estar vestida “decentemente” e portar uma espada. O que era providenciado pelas muitas barracas instaladas no pátio de entrada : alugavam espadas e vendiam lembranças.

Os plebeus se deslumbravam com a Galeria dos Espelhos,
onde esbarravam com as mais importantes personalidades do Reino.

Maria Antonieta, sempre graciosa, circulava entre as sutilezas do protocolo, ouvindo aquelas famosas “mentiras sinceras” que, através dos tempos, sempre ajudaram a tornar menos tediosas as vidas dos que estão no Poder. .

Mas logo se deixou levar pelos mexericos, escândalos e intrigas da corte, fato agravado pelo desinteresse que demonstrava seu jovem marido. Precisou esperar oito anos - período em que foi considerada estéril - para dar à luz sua primeira filha.



Princesa de Lamballe




Antes da coroacão, a Dauphine não havia conseguido formar um grupo de amigos na corte e logo que conheceu Marie Therese Louise de Savoia Carignan, Princesa de Lamballe , sentiu-se atraída pela aristocrata discreta, quase de sua idade, e tão sensível que seus desmaios por qualquer motivo se tornaram motivo de zombaria.

Nascida em Turim, ficou viúva depois de um ano de casamento com um marido devasso que havia contraído sífilis.

A vida da Princesa de Lamballe era um tanto ociosa, dividida entre viajar pelos castelos do sogro e frequentar a corte em Versalhes.

Depois de algum tempo, a rotina e uma personalidade sem imaginação desgastaram a relação. Quando a estrela da Princesa de Lamballe começou a se apagar, Antonieta conseguiu que fosse recriado para a amiga o extinto cargo honorífico (mas muito bem pago) de Superintendente da Residência da Rainha.

Mesmo tendo oportunidade, a Princesa de Lamballe preferiu não se exilar e morreu na forca jurando fidelidade à sua amiga.


Duquesa de Polignac



Longe de suas origens, decepcionada com o marido que não a satisfazia sexualmente e com uma família cujo brilho era nenhum, quanto mais passava o tempo mais a jovem rainha se entregava à roda viva de prazeres e extravagâncias.

O responsável pelo Cerimonial do Palácio de Versalhes, Papillon de la Ferté, não dava conta das ordens impacientes e dos acessos de autoritarismo.

O seu desprezo pelas convenções havia afastado os cortesãos do tempo de Luís XV. Solitária, ao ver Yolande Martine Gabrielle de Polastron - a Duquesa de Polignac - Maria Antonieta logo ficou convencida que havia encontrado sua amiga do coração.




Lindo rosto, olhos azuis, voz melodiosa, sorriso inocente, gênio agradável e temperamento calmo, Polignac tinha pouca fortuna e não podia frequentar a Corte com assiduidade. 

Por isso era usada como intermediária por nobres que precisavam uma aproximação maior com os monarcas e patrocinavam suas viagens.




Maria Antonieta e a Duquesa de Polignac ficaram de tal forma ligadas no verão de 1775 que - no final da temporada em Fontainebleau - ao assistir uma cena de despedida efusiva, através de uma porta que ficara aberta , o cunhado da Rainha, Conde de Artois se afastou dizendo entre risadas e em voz alta: “ Senhoras, não façam cerimônia !”


Um “tablóide” da época - “Nouvelles de la Cour” - baseado na amizade apaixonada que Maria Antonieta devotava em público à sua favorita, dedicou-lhes vários artigos satíricos. A Rainha relatou este fato em correspondência à mãe.


Começo do Fim

 
Rainha aos 19 anos, mulher de um Rei fraco e despersonalizado, com seu problema íntimo exposto ao público em geral e alvo de ridículo entre seus próprios cortesãos, era Maria Antonieta quem governava.

E disso seus “amigos” se aproveitavam. Ela mandava empregar todos os parentes, amigos de parentes, qualquer um que suas favoritas e amigos lhe indicassem.


Em 1870, depois da morte da mãe - a Imperatriz Maria Thereza - todos os conselhos que recebia diretamente de Viena deixaram de ser levados em consideração.


A partir daí, Maria Antonieta cometeu erros sobre erros, ao se imiscuir na política para apoiar seu irmão Francisco José. Por ocasião da assinatura de um contrato não favorável à França, passou a ser chamada “A Austríaca” .


Em 1785, o “Caso do Colar”, em que a rainha - inocente de tudo que se passava - foi representada por uma sósia para adquirir um colar muito valioso acabou por afetar a coroa francesa, enredando no escândalo o Cardeal Rohan.


Detestada por todos, em especial pelo povo, culpada até pelas más colheitas - apelidada “Madame Deficit” - acabou por ser também acusada pela falência do Tesouro Francês.


Morreu na guilhotina, em 1793.

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Sofia Copolla, a diretora premiada com o Oscar em 2004, filmou a vida de Maria Antonieta, estrela principal do conflito de classes que terminou por mudar os destinos do mundo - a Revolução Francesa.
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