segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Páscoa e os Ovos Fabergé


 


 Páscoa de 2017



Fabergé, o joalheiro dos czares


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Tradição da religião ortodoxa, a distribuição de ovos decorados como símbolo de esperança e vida renovada transformava a Páscoa na mais colorida celebração do calendário russo.

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Na Páscoa de 1884, Peter Karl Fabergé - o joalheiro oficial da corte - recebeu uma encomenda especial: criar uma jóia para que o Czar Alexandre III presenteasse a Czarina Maria Feodorovna, no seu vigésimo aniversário de casamento.
Fabergé criou um ovo de ouro e pedras preciosas que foi entregue no domingo festivo, como se fosse um simples embrulho. Para surpresa e deleite da Czarina havia dentro um ovo de ouro encimado pela miniatura, em diamantes, da coroa imperial.


A partir de então,o joalheiro passou a receber "a" encomenda de um novo presente a cada ano, com a condição de que a peça fosse única e contivesse, no seu interior, uma surpresa inesquecível para a Imperatriz.Com grande criatividade e talento técnico, Fabergé anualmente superava o desafio, buscando inspiração em fatos da vida do casal imperial
O ovo Fabergé passou a ser cobiçado por toda a corte. Os motivos se tornaram temáticos: cenas da história da Rússia, a inauguração da estrada de ferro que ligava Moscou à Sibéria e atos de bravura dos militares.
Dez anos mais tarde, em outubro de 1894, com a morte súbita de Alexandre III, aconteceram - no curto intervalo de 25 dias - o casamento de seu herdeiro com a princesa alemã Alix de Hessen-Darmstadt e sua coroação, como Nicolau II.

Na exposição internacional de Paris, em 1900 os ovos foram mostrados ao público pela primeira vez. O juri, extasiado, distribuiu prêmios e honrarias.A concepção criativa e a opulência na confecção ajudaram a difundir a fama das jóias Fabergé por toda


a Europa. A partir de 1906, a joalheria ampliou seus negócios e surgiram ateliers, supervisionados pelo próprio Fabergé, em Kiev, Moscou e Londres.

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Nicolau gostava da pompa e dos rituais da vida militar, mas quando devia mostrar aptidão para seu papel histórico mostrava vacilação e suas atitudes contraditórias colaboraram para que uma firme oposição se desenvolvesse.A famÌlia real se manteve ilhada na esfera doméstica, onde as decisões a serem tomadas eram bem mais simples.



A Czarina vivia em enorme depressão causada pela hemofilia do filho varão e herdeiro e se tornou dependente de Rasputin,ora chamado de "homem santo", ora de charlatão.
Fabergé pesquisava os interesses dos Romanov,transformando os feitos importantes de suas vidas em presentes de Páscoa, para agradar e surpreender.
A cada ano os ovos da Páscoa Imperial ficavam mais extravagantes. Segundo o expert Géza von Habsburg "até hoje são o topo supremo, o apogeu do artesanato em jóias”.
Todos os elementos importantes da saga dos Romanov estão presentes na elegância do ovo do 15º aniversário, um verdadeiro álbum de famÌlia.Detalhes dos mais notáveis feitos do reinado de Nicolau II e cada um de seus familiares - os cinco lindos filhos, o czar e a czarina.

A Primeira Guerra Mundial forçou a utilização - com mais frequência - de materiais semipreciosos.
Naquele instante, a já indisfarçável impopularidade do Czar foi congelada pela união em defesa da Rússia, mas a caótica administração e as condições econômicas catastróficas tornaram impossível o esforço de guerra que Nicolau II comandava.



G
reves e boicotes, com multidões em busca de alimentos começaram a explodir em Moscou e São Petesburgo e até as tropas imperiais se juntaram ao povo descontente.
Os movimentos sociais, que culminaram na Revolução Russa, fizeram com que Fabergé decidisse pelo fechamento de seu atelier em 1916.Sem o apoio da aristocracia, em 15 de Março de 1917, Nicolau abdicou.
No dia seguinte, um decreto do novo governo ordenou a prisão do Czar e de sua família, que foram enviados à Sibéria. Em 17 de julho de 1918, Nicolau, Alexandra e seus cinco filhos - Olga, Tatiana, Maria, Anastasia e Alexei - foram executados.


Da família apenas a rainha mãe, Imperatriz Maria Fedorovna, escapou da fúria assassina.

Ao fugir para a Inglaterra, a bordo do navio Marlborough, ela levou o ovo da Ordem de São Jorge , o último que recebeu de seu filho, o Czar de todas as Rússias.


O Ovo da Cruz de São Jorge foi feito em prata e esmalte, no lugar de ouro e diamantes, para homenagear Nicolau II pela bravura à frente do exército russo, durante a 1a. Guerra Mundial.
Logo após a revolução, os bens dos Romanov foram confiscados pelos bolcheviques.A maioria dos Ovos Fabergé foi inventariada, empacotada e enviada ao Kremlin.
Muitos desapareceram durante a pilhagem ocorrida nos palácios.Ligados à decadência do Império Russo, os Ovos Fabergé tiveram seus preços, inicialmente, desvalorizados.

O filho de Fabergé, Agathon, foi preso pelos revolucionários, mas conseguiu negociar uma anistia para avaliar as jóias e pedras preciosas 



O advento do regime comunista não significou o final da lenda.Ao contrário, agregando a aura da tragédia, estes tesouros se transformaram em peças disputadíssimas por colecionadores, atingindo valores astronômicos no mercado internacional. De acordo com estimativas, entre 1884 e 1916, teriam sido confeccionados 56 ovos para a corte imperial.Até 1998, haviam sido localizados 44 destes exemplares

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Em 2008, o noticiário internacional um dava conta que um ovo Imperial foi arrematado num leilão em Londres por 12 e meio milhões de euros
Atualmente, são cidadãos americanos os 5 maiores colecionadores das jóias e ovos Fabergé: Matilda Geddings Gray, Lillian Thomas Pratt, Marjorie Merriweather Post, India Early Minshall e Malcolm S. Forbes.
Eu vi luxuriante exposição de réplicas, no Museu de Artes Decorativas em Paris, mostrando ao mundo, no início do  século 21, a maravilhosa arte  que dos tempos do Czar.

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