quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Carnaval 2 - Pequena História do Carnaval A festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas. Travestismo consentido Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir o desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada. Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade Ritual O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença. O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado. O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte. ( foto:máscaras/réplicas do Carnaval da Veneza medieval) Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores. Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança. Origem da palavra Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma. Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas. Entrudo A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo. As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret) O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores. A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) [inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada . Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral. Desigualdade carnavalesca Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim. Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro. Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala. Crepes, brioches e croissants Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans. Malhação do Judas e Rei Momo A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias. Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado. Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo. **************************************

  Pequena História do Carnaval




A festa  de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.


Travestismo consentido
Nos álbuns fotográficos das famílias cariocas, no passado recente, havia pelo menos um grupo carnavalesco alegre, saindo para um banho de mar à fantasia, uma batalha de confetes ou para assitir o desfile das Sociedades e Préstitos, os avós da moderna Escola de Samba patrocinada.
Numa dessas fotos : banal, simples e corriqueira, minha mãe, ainda solteira,de terno de tropical branco, chapéu panamá e bigodes feitos com rolha queimada, acompanha seus três irmãos vestidos de baiana, havaiana e melindrosa, maquiados e com unhas pintadas.num travestismo consentido e estimulado pela e pela sociedade
Ritual
O Carnaval foi Introduzido entre nós pelos portugueses no século 17, com o nome de entrudo, festejo remanescente das festas da Grécia antiga, das bacanais romanas, das danças macabras medievais, todas elas depois aglutinadas e transformadas nos bailes de máscaras da Renascença.
O Carnaval não era uma festa, mas um ritual. A data móvel de sua celebracão é herança do momento histórico em que se decupava o tempo em períodos de 40 dias. A Quaresma, período que vai da Epifiânia ( Dia de Reis) à quarta-feira de Cinzas, servia para ligar o profano ao sagrado. O Carnaval permitia os derradeiros excessos quando a Igreja, em seus
primeiros séculos, preparava o cerne da festa de Páscoa, vinda das antigas comemorações pelo término do inverno no Hemisfério Norte.
( foto:máscaras/réplicas do Carnaval da Veneza medieval)
Neste momento, as regras sociais eram invertidas: os senhores se fantasiavam de escravos e, durante 5 dias, os escravos se transformavam em senhores.
Na Idade Média, a festa se realizava nas igrejas e a missa era dita ao contrário - começava com a Eucaristia e terminava com os Atos de Penitência - os ricos se fantasiavam de pobres, os pobres de ricos, as crianças se vestiam de adultos e os adultos de criança.
Origem da palavra
Com a cristianização do calendário, as festas pagãs foram rebatizadas. Fevereiro era o tempo de “Carne levare levamen”, quando eram degustados pela útlima vez os pratos gordurosos, antes da entrada em quarentena, a ”quadragésima”, palavra que evoluiu para Quaresma.
Quarenta dias de comidas “magras” até a chegada da Páscoa. Outras teorias remontam o termo a "carrus navalis”, carro que distribuía vinho ao povo durante a festa de Isis, deusa egípcia adotada por gregos e romanos. No século 13, a festa de rua já era chamada de "carnevalo” e assim viajou no tempo até a “Belle Epoque” - final de século 19/comecinho do século 20 - quando continuava a atrair as populações que vinham admirar carros decorados e pessoas fantasiadas.
Entrudo
A palavra portuguesa "entrudo" e o galês "entroido" vieram do Latim "introitu", que significava entrar na Quaresma e, por metonímia, o tempo que vem antes da Quaresma. Ou seja, o Carnaval. Mascarados, os foliões se aproveitavam do anonimato para atitudes ilícitas e imorais. 

A Igreja em Portugal, que criou o "Jubileu das 40 horas” e decretou leis severas em 1817, mesmo assim não conseguiu conter a violência da festa e nem o terremoto que praticamente destruíu Lisboa em 1755 e diminuiu a sanha das brincadeiras agressivas. A festa popular chegou por aqui durante o período colonial e se estendeu pela monarquia, com toques de sadismo.
As pessoas atiravam umas nas outras água em limões de cera ou saquinhos com pó, farinha, cal ou o que tivessem nas mãos.(imagem:quadro de Debret)
O primeiro baile de carnaval aconteceu no Rio de Janeiro em 1840, organizado para divertir a Corte. Em 1846, foi criado o “Zé Pereira”, grupo de foliões com bumbo e tambores.
A Maestrina Chiquinha Gonzaga (foto) [inovou os festejos com seu “Abre Alas”(1899). A partir daí, o Carnaval passou a ter composições especialmente elaboradas : marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada
.
Com a chegada do automóvel, o corso - desfile de carros decorados - levava famílias inteiras ao centro das cidades, onde as batalhas de confete e serpentina faziam a alegria geral.
Desigualdade carnavalesca
Proibido pela violência que continha, o entrudo evoluiu para brincadeiras mais amenas com elementos lúdicos como os citados confete, serpentina e mais o famoso lança-perfume. Até ser proibido pelo breve Presidente Jânio Quadros - nove meses de governo, até renunciar em 25/8/1961 - o lança-perfume era elemento indispensável na bolsinha/adereço de qualquer folião, mesmo mirim.
 


Mesmo ali prevalecia o desnível social: os mais privilegiados usavam o importado “Rodo Metálico”,(foto) o povão mais simples ia de “Colibri”, em sua embalagem de vidro.
Totalmente permitido e até incentivado como o travestismo do album de fotos familiar, o “lança” era encontrado nas matinês dos clubes infantis e aspirado nos bailes de gala.
Crepes, brioches e croissants
Na véspera do dia em que começava a proibição de consumir carne e gorduras durante a Quaresma (terça-feira gorda), as pessoas usavam o que havia restado de gordura em casa para festejar, consumindo frituras e pães super calóricos. Neste tempo do peixe contra a carne e do comedimento contra os excessos, o consumo de ovos era igualmente interditado. Assim, surgiu a crepe – panqueca, aqui no Brasil - feita de farinha e leite. Nos países anglofônicos festeja-se o “Pancake Tuesday”, nos francofônicos o “Mardi Gras”, que veio a dar nome ao festejo popular mais importante de Nova Orléans.


Malhação do Judas e Rei Momo
A partir do século XI, um boneco encarnando o Rei do Carnaval - nosso Rei Momo - fazia parte dos desfiles, sendo queimado pelos habitantes das cidades ao final das folias.
Atualmente, estas manifestações ainda sobrevivem e, no Rio de Janeiro, a alma alegre do povo chama este boneco de Judas. A cada sábado de Aleluia, ao meio dia em ponto, um " Judas" é "malhado.

Com o correr dos séculos,as tradições que a gente encontrava nas fotos de album de família foram se formando,se firmando e acabaram po transformar o Carnaval (principalmente no Brasil)na festa popular mais diversificada e culturalmente rica do mundo.

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