domingo, 6 de novembro de 2016

Eva Perón


O texto original é de 27 de julho de 2012, sessenta anos da morte de Evita.

 


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Eva Peron- 60 anos de sua morte

  Ultimamente,nas madrugadas do Leblon,tento tornar a insônia  ,
(já instalada) em insônia criativa e não tenho feito outra coisa senão ler livros,visitar sites e assistir vídeos no Youtube sobre Eva Peron .


Revi o filme estrelado por Madonna,procurei inúmeros sites que "envelhecem" via Photoshop,na tentativa de saber como ela seria aos 80,90 anos.

Os discursos de improviso dessa mulher sem cultura formal são surpreendentes, peças de oratória,direto na veia dos pobres. 
E ninguém  pode negar o que fez pelo feminismo. O  direito de voto para mulheres na Argentina se deve a ela.
Um olhar mais delicado sobre a miséria e a escolha de se dedicar aos "descamisados",também.

"Trabalhar `as vezes 16,18 horas por dia "é mais útil do que frequentar festas oficiais", como ela dizia em seus discursos.
Mas.. e os brilhantes, os colares e anéis e vestidos de grife? "Os   meus descamisados gostam de me ver assim", explicava.
Evita foi um produto mercadológico e devemos seu inesquecível perfil de camafeu a Julio Alcaraz, o cabeleireiro das estrelas da época.
 
Se estivesse viva, Eva Perón, teria completado  93 anos de idade em  7 de maio de 2012.
Carismática e elegante, a então primeira dama foi figura fundamental para mudar o curso da política argentina.
O casal Kirchner foi  um braço do movimento peronista ,Cristina Kirchner, a define  como "icone das causas sociais" e os manifestantes de esquerda levam fotos de Evita em seus protesto por justiça social. 

Famosa pelo carisma e elegância, foi essencial para a ascenção do marido. 
O peronismo ,movimento populista,serviu para que Juan Domingo Perón fortalecesse as massas formadas por pobres urbanos  e as classes trabalhadoras, ao atender suas reivindicações dando-lhes participação política. 
A elite argentina desaprovou o regime que cultivava as imagens dele e de Evita como se fossem santos canonizados. E acusava Perón de demagogo.

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Maria Eva Duarte nasceu em Los Toldos, província de Buenos Aires, em 1919. 
Ela, a mãe - Juana Ibarguren - e seus quatro irmãos formavam a família secreta de Juan Duarte, que morreu quando Evita tinha cerca de seis anos. e era a única não reconhecida pelo pai.
Com 15 anos, foi para Buenos Aires tentar a carreira artística, 
Ali fez participacões em radionovelas e trabalhou no cinema.
Em 1944 conheceu Perón, então vice-presidente da Argentina e viúvo.Casaram-se e ele foi eleito presidente em 1946.

Evita passou a ser a mãe dos pobres, ou, como ela os chamava, dos descamisados, deu-lhes  atenção total e, de primeira dama e celebridade,tornou-se um ser etéreo. 

Ao trabalhar para lhes oferecer casa, comida e educação por meio de sua "Fundação Para o Bem-Estar Social Eva Peron" deixou de ser mera celebridade para tornar-se venerada. 
A morte prematura de câncer  em 26  julho de 1952, aos 33 anos, causou um grave abalo na causa peronista. 

Em uma efusão de luto nacional, seu funeral, com honras de chefe de Estado, estendeu-se por quatro dias.

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Eu gostaria de sugerir a leitura ,entre tantos existentes, de dois livros editados pela Companhia das Letras:  o primeiro  é"A Paixão e a Exceção" da crítica literária Beatriz Sarlo que faz um paralelo entre Evita ,cuja estrela brilhou e se apagou num incrível espaço de apenas sete anos e Jorge Luís Borges,antiperonista conhecido. 
Beatriz Sarlo observa todos os detalhes de Evita: roupas, jóias,fotos e discursos para definir o "Evitismo"

O segundo,"Santa Evita" de Tomás Eloy Martínez,além de biografar Evita com requintes poéticos, conta a macabra trajetória do cadáver embalsamado,sequestrado pelo Serviço de Inteligência do Exército, que vagou durante semanas pelas ruas de Buenos Aires, ficou escondido nos fundos de um cinema e reapareceu ,depois de 16 anos, na Europa.
Finalmente de volta à casa, os restos repousam no Cemitério da Recoleta,ponto turístico obrigatório em Buenos Aires. 

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