quinta-feira, 19 de maio de 2016

O meu Leblon

O Leblon virou bairro prá valer pelo decreto municipal de 22 de março de 1919, assinado pelo prefeito Paulo de Frontin.
Antes era um loteamento das terras do francês conhecido como Charles ,le blond (o louro),que entrou num período de grande urbanizacão durante alguns meses daquele ano.


Eu me associo aos festejos do quase centenário famoso.

Aqui moro desde 1977.


Quando nos instalamos no prédio ainda em construção,sem vidros nas varandas e sem gás, tudo era uma cidade do interior, acreditem.
Ruas sem calçamento, vizinhos solidários a quem a gente pedia uma xícara de farinha para completar a receita de bolo e, depois, levava umas fatias do quitute,para agradecer. Continuam sendo solidários,o que é uma raridade na zona sul.

 

Os nossos descendentes,nascidos em Ipanema,se criaram aqui.
A neta teve sua primeira infância no Clube Federal, frequentou a pracinha, o primeiro alimento sólido que ela ingeriu foi no Celeiro- quando ainda não era ponto de paparazzi e o preço era para gente normal.
E íamos `a praia,ainda sem famosos da "Caras" e os mesmos paparazzi na perseguição. 


Aviso os forasteiros: se estiverem no bairro e avistarem um "famoso", finjam que não reconheceram.Não paguem o mico inenarrável de pedir autógrafos ou posar para uma foto.

O Fellini, na General Urquiza, é a sala de jantar da gente- porque carioca não convida para casa, fora os socialites e milionários,aqueles que aparecem na novela e que não existem (visíveis) no pedaço.
A gente marca com os amigos lá para uma refeição `a noite, ou na Livraria Argumento,pra comer uma crepe e tomar um capuccino. Ou em qualquer um dos muitos e variados restaurantes de todas as etnias.
E as tortas de camadinhas do Kurt e doces diet maravilhosos do Kurt?
Como disse a minha filha ao votar na doceria na qualidade de jurada para escolher os melhores bares e restaurantes do Rio ,'tem gosto de festa na nossa família".
O Dudu,querido maltês misto de cachorro e parente, recebe os cuidados do pet shop na Bartolomeu Mitre e vai ao Dr.Maurício, seu super veterinário, na quadra seguinte,esquina da João Lyra.
 

O filho, antes de imigrar e virar paulistano com sotaque e tudo, foi leblonense,
Sou cliente dos mesmos negociantes,vou andando e cumprimentando todo mundo.
Subo em direção ao Alto Leblon com frequência,um lanche com amigos no Clube Campestre- local do antigo quilombo do Sr Seixas, abolicionista que cultivava camélias, é sempre um programa que acalma.
 

E,ao contrário de tantos vizinhos, não me revolto com a popularizacão do nosso cantinho,depois das novelas do Manoel Carlos.
*Aumentou o IPTU? sim,muuuitooo.
 

*Quando você situa o endereço para comerciantes de outros bairros, os orçamentos triplicam? sim
 

*Os imóveis se valorizaram e as massas de turistas que nos visitam e entopem as lojas e restaurantes da Dias Ferrera obstruem as calçadas? sim e são muito bem vindas.Mas continuo com a impressão de viver numa cidade do interior, de qualquer forma. 

Temos festa junina na pracinha do ponto final do ônibus " frescão" e festival de jazz na Praça Cazuza.
Muito teria que lembrar nesses 39 anos.


É apenas mais um registro de parabéns pelos teus 97 anos, Leblon.


***********************************************************************

*********

Nenhum comentário: