quinta-feira, 20 de agosto de 2015

24 de agosto de 1572-Noite de São Bartolomeu

 


            Bodas de Sangue
Apesar da constante perseguição, o calvinismo teve grande impacto nas cidades, universidades e na nobreza da França no início do século 16. Esta evangelização protestante era feita por um grupo de pastores procedentes de Genebra, sob a coordenacão de João Calvino.
Ao se converter à reforma religiosa em 1533,Calvino foi obrigado a deixar a França, se instalando na Suíça. O rei Henrique II aboliu o protestantismo. No entanto, sua morte, logo em seguida à proibição, foi interpretada como sinal divino e o número de conversões se multiplicou.
Subiu ao trono um jovem de 15 anos - Francisco I - abertamente manipulado pela família católica de Guisa (Francisco de Guisa é o Cardeal de Lorena).
Sob esta influência, decidiu continuar a campanha de perseguição aos protestantes, iniciada pelo pai.
Em1560, uma trama preparada por membros da nobreza para sequestrar o rei foi descoberta em Amboise e acabou em fracasso.
Como vinham da Suiça estes “hereges” liderados por Calvino eram chamados“eidgenessen” (cidadãos suiços), expressão que evoluiu para huguenotes.
Este grupo minoritário religioso se transformou em partido político e tinha em suas fileiras nomes destacados como Henrique de Navarra, Antonio de Burbon ,o almirante Coligny e Luis de Condé, o mais influente militar francês da época.
Em 1562, começou uma guerra civil religiosa intermitente. Esta época de caça às bruxas durou até 1594, marcada por uma série de crimes e massacres sem precedentes.
O fato mais marcante deste período foi a matança de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, quando os dirigentes huguenotes foram a Paris assistir o casamento de seu rei Henrique de Navarra (protestante) com Margarida de Valois (católica) tramado pela mãe da noiva, Catarina de Medicis.
O que deveria ser um símbolo da reconciliação entre católicos e protestantes se converteu no princípio de grandes assassinatos em massa.
Para o casamento Valois - Navarra y Burbón vieram a Paris quase todos os huguenotes e a rainha Catarina (sobrinha do papa Clemente VII), imaginou que assim ficaria fácil destruí-los, praticamente, com um só golpe.

O único huguenote poupado ainda no calor de seu leito conjugal foi o recém- casado Henrique, depois Henrique IV.

Segundo estimativas, 3.000 huguenotes foram eliminados naquela noite e, nas semanas seguintes, a orgia de morte ceifou a vida de mais 20 mil em todas as províncias do país.

3 horas da manhã de 24 de agosto de 1572, Dia de São Bertolomeu
Os fanáticos vindos do Louvre - então sede do Império - e apoiados pela nobreza católica arrancaram os hugenotes de suas camas e os degolaram, asfixiaram ou mataram a tiros. Já tinham ido a residência do Almirante Coligny, chefe dos huguenotes, onde seus parentes foram assassinados e ele - ferido dois dias antes num atentado -foi apunhalado e jogado pela janela.
Muitos membros protestantes da alta nobreza também morreram.
Com este massacre a casa real de Valois e a Liga Católica dirigida pelo Duque de Guisa acreditaram ter resolvido definitivamente a questão dos huguenotes, mas muito sangue ainda iria correr debaixo das pontes levadiças. Luis XIV, por influência dos jesuítas, revogou o Édito de Nantes, de 1685 e os huguenotes foram expulsos para a Holanda, Suíça, Inglaterra e Brandenburgo (uma das antigas regiões da Alemanha do leste).

O “Édito de Nantes” tornava a Igreja Católica oficial na França, concedia direitos religiosos aos huguenotes (cerca de 15% da população) como liberdade de culto (exceto num raio de 30 km ao redor de Paris) e, também, direitos civis, como tribunais próprios e elegibilidade para cargos públicos, direitos políticos e 200 locais fortificados (entre os quais La Rochelle e Montpellier).
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