quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Joan Baez, cantora e ativista







Muito linda a trajetória desta cantora folk e gospel com alcance vocal de 3 oitavas (do grave ao agudo), expoente da música country, guitarrista e compositora com oito discos de ouro e seis indicações para o Grammy e pelos mais de 30 álbuns em oito línguas, inclusive português. 
Foram incontáveis os shows gratuitos que fez, como barulhenta ativista política e militante, para angariar fundos e visibilidade na luta pelos direitos humanos.
Em 1978, cantou contra a Proposition 6 (também conhecida como Briggs Initiative) que bania professores abertamente gays das escolas públicas da Califórnia e eparticipou das marchas contra o assassinato de Harvey Milk,


A semente e os frutos

Joan Chandos Baez nasceu em 9 de janeiro de 1941 em Staten Island, Nova York, filha de mãe irlandesa militante política e pai mexicano.


O Dr Albert Baez foi cientista, co-inventor do raio X microscópico e autor de um dos mais vendidos livros didáticos nos Estados Unidos.


Ele recusou-se, inclusive, a trabalhar no "Manhattan Project", instituído para construir uma bomba atômica em Los Alamos. Esta postura pacifista da família influenciou a jovem Joan e deu seus frutos quando ela, já famosa, recusou patrocínios comprometidos com a indústria bélica durante a Guerra Fria.


Joan viveu na França, na Suíça, na Itália, no Oriente Médio e no Iraque e, ainda menina de dez anos, desenvolveu uma grande compaixão pelos semelhantes.

Mais tarde, escreveu na autobiografia que “sente certa afinidade com os pedintes das ruas e que Bagdá e o sofrimento dos povos se tornaram uma parte de suas raízes”.

Em 1956, conheceu o jovem pregador Martin Luther King Jr, que falava de não violência, mudanças sociais e direitos civis.


Tempos depois, já amigos, marcharam e protestaram juntos em várias ocasiões. Neste mesmo ano, comprou a primeira guitarra e cantava para os colegas de escola, como meio de se aproximar e fazer amizades.


Era discriminada pelos americanos de origem hispânica por não falar espanhol e pelos “brancos legítimos” pela pele morena e sobrenome mexicano.

Em 1958, o Dr. Baez passou a trabalhar no Massachussets Institute of Technology e a família mudou-se para Belmont - perto de Boston -, que era centro emissor da folk music, e Joan, matriculada na Boston University, começou a tocar em bares e clubes. 

Carreira, amores 

A carreira profissional, iniciada em 1959 no Festival de New Port, foi meteórica. Durante os anos 60 foi a líder da cena folk americana. Em 1963 conheceu Bob Dylan(foto) com quem viveu um "affair" 

e suas composições tomaram rumos políticos.

Militância constante Em 1971, de passagem pelo Festival de Cannes onde foi defender a “Balada de Sacco e Vanzetti”, de sua autoria, e "Ennio Morricone" - tema do filme italiano de mesmo nome -, deu dois concertos beneficentes pela democracia na Espanha, que vivia sob a mão de ferro do ditador Francisco Franco (1892-1975).
O momento culminante da carreira foi o álbum "Diamonds and Rust" e os trabalhos dos anos 80 foram gravados na Europa.

No final daquela década, como boa filha, voltou para casa, presenteando o público americano com "Recently", álbum contendo as composições engajadas de Peter Gabriel e U2, e "Speaking of Dreams", em duos com Paul Simon e Jackson Browne.


Em 1995 saiu "Ring Them Bells", trabalho feminista com Dar Williams, Indigo Girls e outras cantoras folk. Gravando novidades hoje em dia, tem seus antigos sucessos sempre reeditados.


Esteve e está sempre envolvida com grandes causas: segregação racial, Anistia Internacional, movimento feminista, luta contra a guerra do Vietnã(passou o Natal de 1972 em Hanoi) e contra o apartheid.


É militante ambientalista e vegetariana convicta, trabalhou pela paz entre o povo de Israel e da Faixa de Gaza.

Quando cantou em um festival comunista na Tchecoslováquia (1988), sua aparelhagem de som foi destruída após a saudação que fez aos membros do Charter 77, um grupo de direitos humanos.

Joan continuou a cantar a cappella para o público de milhares de pessoas.

O futuro presidente Vaclav Havel, um simples espectador naquela noite, citou a cantora e seu gesto corajoso como sua grande inspiração dali em diante.
Nos anos 90 viajou para a Bósnia-Herzegovina e foi a primeira artista a se apresentar em Sarajevo desde o começo da guerra civil naquela região. E também foi a primeira grande atração internacional que cantou na Ilha de Alcatraz (antiga penitenciária federal) em benefício da obra social Bread & Roses de sua falecida irmã Mimi Farina.

Observando as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho, decidiu fundar seu próprio grupo pelos direitos humanos,o Humanitas International, focado em reprimir opressão de qualquer tipo, criticando regimes fortes de esquerda ou direita.


Visitou Chile, Brasil e Argentina 

Em uma segunda viagem ao Sudeste asiático, Joan ajudou na distribuição de medicamentos e comida no Cambodja e participou da Conferência Humanitária da ONU em Kampuchea.

Em 6/6/2006, no concerto ao vivo de Bruce Springsteen em San Francisco, cantou "Pay Me My Money Down", quase um hino nos tempos do movimento pelos direitos civis.
Em 17 de julho de 2008, recebeu a comenda da "Legal Community Against Violence" pela vida de trabalho dedicado à não-violência em qualquer instância.

*********************************


Joan Baez esteve novamente no Brasil em março de 2014


 Em 2008, a cantora comemorou 50 anos de carreira musical com turnês pelos Estados Unidos e Europa. Também lançou o CD Day After Tomorrow, produzido pelo cantor e compositor Steve Earle. 
O álbum marcou a volta de Joan ao Top 200 da Billboard, alcançando na semana de lançamento a posição de número 128, após 29 anos, desde Honest Lullaby.
 Ao lado de Bob Dylan a cantora foi o principal nome de protest songs, sendo inclusive proibida, em 1981, pelo Governo Militar de realizar shows no Brasil. 
Ela se apresentou em Porto Alegre   no Rio de Janeiro e em São Paulo 


Nenhum comentário: