quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Perdão real para Alan Turing





A vida trágica do pai dos computadores

No dia 10/9/2009,o governo britânico  havia se desculpado oficialmente pelo tratamento dado a Alan Turing há mais de 50 anos. Neta 3a-feira,24 de dezembro de 2013,o perdão foi oficializado.


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O Primeiro Ministro Gordon Brown ficou sensibilizado pelas milhares de assinaturas numa petição online que recebeu,pedindo justiça para o cientista pela forma desumana como foi tratado .
Explicou que,embora tudo tenha sido feito com apoio da lei, ele não mereceu.
Disse que não se pode voltar no tempo e esse pedido de desculpas póstumo seria uma forma de expressar quanto o governo inglês sente o que aconteceu e em nome do país, agradeceu pelo muito que Alan contribuiu para a Ciência. 
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Em 7 de junho de 1954, Alan Turing - considerado o pai dos computadores, matemático, criptólogo que decifrou as mensagens da máquina Enigma que mandava as ordens de Hitler para seus comandados - mordeu uma maçã mergulhada em cianureto de potássio no seu quarto em Wilmslow, Cheshire.
Por ironia, ao dar queixa à polícia de roubo praticado por um namorado, passou de vítima a réu.Condenado por prática de homossexualidade, teve o “benefício” de optar entre o encarceramento e se submeter a tratamento hormonal - uma espécie de castração química.

Touring optou pela segunda hipótese mas não resistiu à depressão causada pelos efeitos dos estrogênios, hormônios femininos inoculados em seu organismo.

Apenas em 1969, o Reino Unido descriminalizou a opção de quem “pensava diferente”

Uma lenda diz que o logo criado para o lançamento da Apple (1977) - uma maçã mordida com as cores do arco íris - seria referência e homenagem da empresa ao cientista, considerado um dos maiores gênios do século XX.


Solidão profunda e auto superação

O diplomata britânico, servindo na índia, Julius Mathison Turing e sua esposa grávida Ethel Sarah desejavam que seu filho ou filha tivesse nacionalidade inglesa e partiram de Chatrapur em direção a Paddington, onde Alan Mathison Turing nasceu, em 23 de junho de 1912.
Deixaram o bebê e seu irmão mais velho com amigos ingleses até a idade escolar, pois eram “muito solicitados para viagens”.
No período de seis anos, compreendido entre o aparente abandono explicado como o “desejo de não colocar em perigo a saúde das crianças, que estariam em constante contato com as moléstias existentes na colônia inglesa” e a matrícula no Colégio St. Michael, o menino aprendeu a ler sozinho em 3 semanas e mostrou grande interesse por números e quebra-cabeças. 

A genialidade, logo percebida por todos os professores, fez com que fosse matriculado em Sherbone (em Dorset), aos 14 anos.
O primeiro dia de aula coincidiu com uma greve geral no país. Turing estava tão ansioso que correu os mais de 30 km que separavam Southampton da nova escola, em tempo recorde. A façanha foi noticiada na imprensa local. Tomou gosto pelo desafio do esporte e tornou-se maratonista. (foto )
Primeiros estudos sobre computação
Em 1938, depois de passar dois anos na Universidade de Princeton, orientado por Alonzo Church, obteve seu Doutorado. A tese era sobre o conceito de hipercomputação.
Alan imaginou uma máquina capaz de fazer qualquer tipo de cálculo, desde que lhes fossem dadas as instruções necessárias. Não se falava em chips ou processadores, apenas fórmulas matemáticas, mas, ali estava a descrição do que conhecemos hoje como computador e que permite que eu esteja teclando e ,você, me lendo. 

No estudo "Os números computáveis aplicados ao "Entscheidungsproblem" ( decisão ou,mais exatamente, solução do problema ) publicado em 1936, foi reformulada a linguagem formal universal para o que se conhece como “Máquina de Turing”: resolve qualquer problema matemático que se possa representar por um algorítmo
Continua sendo uma importante ferramenta para estudos de Matemática Pura. O Pai do moderno computador é considerado,também, o fundador da ciência de computação e o primeiro a desenvolver o conceito de inteligência artificial.  

Decifrando o Enigma

Durante a segunda guerra mundial, Alan Turing foi um dos principais pesquisadores em Bletchley Park - centro secreto do serviço de inteligência britânico. Ali, realizou trabalho fundamental de criptografia, que ajudou a mudar os rumos da segunda guerra mundial: quebrou o código de comunicações entre o alto comando de Hitler. A máquina, chamada Enigma, usava um sistema de engrenagens que misturava as letras - como cartas de um baralho - antes de serem transmitidas pelos telégrafos.

Turing imaginou o Colossus - que um biógrafo chamou de “tataravô do PC “ - e chegou a decodificar cerca de 50 mil mensagens por mês.
Enquanto homossexuais usavam triângulo rosa nos campos de concentração, um matemático homossexual literalmente zombava de Hitler, ajudando a abater submarinos e aviões germânicos e inventava um teste - Teste de Turing - para decidir se máquinas pensam ou não.
Em 1942, foi aos Estados Unidos decodificar os códigos japoneses. A quebra do código do Enigma foi mantida em segredo até os anos 70.
Nem amigos mais próximos e nem a família jamais tiveram idéia do que se passou.
Tempos finais Em 1952, um garoto de programa encontrado ao acaso e acompanhado de um cúmplice assalta a casa do gênio.

Durante a queixa, dada na delegacia próxima, o policial pergunta como conheceu o acusado.Acontece que, naqueles tempos, assumir a orientação sexual significava receber acusação de “manifesta indecência e perversão “, segundo as leis britânicas sobre sodomia.
A mídia internacional acompanhou cada segundo do julgamento e informou a sentença: ou dois anos de encarceramento ou um ano de tratamento de “redução da libido”, à base de hormônios femininos. Cresceram os seios e muitos outros efeitos secundários da overdose de estrogênios, mas Turing optou pela possibilidade de, livre, continuar trabalhando.

Consagrado em 1951 como membro da Royal Society of Sciences, a partir do episódio de 1952 foi eliminado dos grandes projetos científicos.

Na manhã de 8 de junho de 1954, a faxineira encontrou o corpo de Turing. Na véspera, revelou a necrópsia, ele havia se deitado e mordido uma maçã mergulhada numa jarra com cianureto de potássio.
Era admirador fanático do filme de Walt Disney “Branca de neve e os 7 anões” que viu pela primeira vez em 1938, em Cambridge, e assistiu dezenas de vezes.

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