domingo, 22 de dezembro de 2013

Nada contra o peru !



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25 de dezembro : apenas uma data no calendário,mas como dói..

Ho Ho Ho, a época permite um texto levemente confessional.


Nos jurássicos Natais antes da globalização, lá na Idade da Pedra das emoções,o quesito consumo - salvo nas casas milionárias - era fraquíssimo.
Cada criança recebia “ O” presente, e que lambesse os beiços. Lá pelas tantas, ganhei a tão esperada boneca, acrescida de cabelos naturais, um plus originário dos bulbos de alguma trança desconhecida. Encantada com as madeixas e com o brinquedo, batizei-a, imediatamente, de Elizabeth. Como a jovem e sorridente Rainha da Inglaterra.
Comida havia, e muita, ao redor da mesa de Natal. Culpa? Acho que sim, mas enrustida.. talvez na tentativa de suprir o que faltava nos outros 364 dias. E quando se descobria que Papai Noel não existia, era uma tragédia.E,escaldada pela decepção, jamais fiz isso de iludir meus filhos.
Mesmo com as famílias detonando a cabeça das crianças, não havia a popularizacão da psicanálise e quem ia a um terapeuta dizia que a consulta era com um neurologista.
E passava a ser olhado de lado, com desconfiança, era maluco.
Em compensação, não havia endividamento estimulado pela mídia, já que- quando você compra seu carrão em 90 meses, estimulado pelos anestesiantes comerciais de tv- fica devendo até a próxima data magna da cristandade ou pelo resto da vida.E haja psicanálise para segurar a onda.
A verdadeira História
Teria sido bem mais simples se tivessem nos contado a verdade. Inspirado em São Nicolau (barba branca, roupa vermelha), o Papai Noel da lenda viajava num trenó puxado por renas, enquanto o Santo montava um burrico.
A reforma protestante do século 16 eliminou a festa de São Nicolau, mas os holandeses preservaram seu Sinter Klaas ( nome holandês para São Nicolau).
Quando emigraram para os Estados Unido, Sinter Klaus virou Santa Claus. Um conto de 1821, de autoria de Clement Clarke, “The night before Christmas” (A véspera de Natal), contava que Papai Noel  visitava a Terra em sua carruagem puxada por 9 renas. Em 1863, o ilustrador Thomas Nast, do jornalnovaiorquino “ Harper's Illustrated Weekly “ , desenhou a figura barriguda, jovial, de barbas brancas e nariz lustroso que chegou até nós.
Curioso que no Brasil, salvo no Nordeste, no interior e em alguns lares mais conscientizados das cidades grandes, o aniversariante do dia 25, o que nasceu na manjedoura, é esquecido. em prol da figura criada em 1931 para campanha publicitária da Coca Cola (foto)com fins específicos de incrementar o consumo da bebida e o comércio dos brinquedos.
  • É surreal um Papai Noel com neve nas barbas,derretendo no clima tropical de dezembro no Brasil.
  • Acho um absurdo, aliás, o povo se empapuçar de nozes,castanhas a avelãs num calorão desses.Aqui em casa, sirvo gelatinas,tortas frias e comidas leves.

Esqueceram do aniversariante(perdão pela obviedade)
Os primeiros presépios apareceram nas igrejas no século 16,montados pelos jesuítas.Os presépios das igrejas de Praga-construídos em 1562, estão entre os mais antigos conhecidos.
Aos poucos foram entrando nos lares,feitos de pequenas figuras de vidro,porcelana,cera, miolos de pão ou esculpidos em madeira.
Nos anos 30 aqui no Brasil, os integralistas tentaram introduzir no nosso Natal a figura do "Vovô Índio",saído das florestas,de tanga e cocar , trazendo briquedos educativos para as crianças brasileiras.É ruim,hein? Não rolou.
Cristovam Camargo, criador do personagem,chegou a publicar um livro sobre o assunto,com lendas aborígenes para ver se convencia e incrementava a mudança.Também não rolou.
Para seguir a tradição, manda o protocolo que neste dia tão especial  se reúna o agrupamento heterogêneo chamado família,ao invés da confraternização com os amigos, aqueles que participam do dia a dia, que guardam segredos, aconselham e consolam.
Com eles a gente toma um café antes ou depois da festa,todos nós reféns do calendário.
O Natal, não deveria ser (mas ainda é) aquela festa linda em que as famîlias dispersadas durante o ano, se reúnem frente ao peru assado.
Espero que, com o tempo, a mesma globalização que liquidou bonequinhas de porcelana com nome de rainha ajude a abrir as mentes e os coracões.

Nada contra o peru!
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