sábado, 26 de outubro de 2013

Mario Quintana



 "Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão... eu passarinho!"
Mario de Miranda Quintana, assim mesmo - sem acentuação - como gostava de frisar, nasceu em 30.07.1906 em Alegrete (RS) e morreu em Porto Alegre em 05.05.1994.
Filho do farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda Quintana, trabalhou com o pai na manipulação de medicamentos o que o fez trazer para seus poemas a noção de medida exata.
Foi jornalista a vida inteira, escritor e poeta da segunda geração do Movimento Modernista, autor de livros e poesias para crianças.
Traduziu cerca de 130 livros, entre eles obras de Charles Morgan, Virginia Woolf, Rosamund Lehman, Proust, Aldous Huxley, Balzac, Giovanni Papini, Joseph Conrad, Lin Yutang, Marcel Proust, Merimée, Somerset Maughan e Voltaire .Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre entre 1919 e 1924 e colaborou na revista Hyloa, editada pelos alunos.O primeiro trabalho fora de casa foi cuidar da seção de literatura estrangeira da LIvraria Globo.
A família Quintana, totalmente francófila, enquanto conspirava contra o governo só falava francês para despistar os empregados. Mario alistou-se como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre, em 1930, na tomada de governo por Getúlio Vargas. Também ele amarrou cavalo no Obelisco e morou no Rio durante seis meses.Depois, voltou para Porto Alegre e de lá nunca mais saiu.
"AVISO PARA TURISTAS:Viajar é mudar o cenário de nossa solidão"
Logo começaram as colaborações na imprensa gaúcha: (O Estado do Rio Grande, Correio do Povo e Revista Globo)
Em, 1940, saiu seu primeiro livro: "A Rua dos Cataventos", 35 poemas que surpreenderam o mundo cultural brasileiro, pelo conteúdo que incluía haicais e epigramas e pela transgressão de todas as formas e regras de rima e metro.Este livro e mais Sapato Florido (1948), O Aprendiz de Feiticeiro (1950 ) e Espelho Mágico (1951) são considerados o melhor de sua produção, que ia do intimismo às divagações surrealistas, com lirismo e bom humor.
Mario Quintana rebateu com suas equações concretistas a militância combativa da geração de 1945, tornando-se próximo de Manuel Bandeira, Cecília Meireles e do conterrâneo Érico Veríssimo.No Correio do Povo, contratado por Breno Caldas, dono do jornal, tinha total autonomia para produzir, não podia ser repreendido nem interrompido e não tinha horário a cumprir.Em junho de 1953, estreou, no mesmo jornal, seu "Caderno H" - ali, segundo um crítico, "gerações de gaúchos aprenderam a ler".
"Linha Curva: O caminho mais agradável entre dois pontos."
Manuel Bandeira, que não conseguia definir o estilo do amigo (provérbios? máximas? aforismos?) escreveu:
Meu Quintana, os teus cantares"Não são, Quintana, cantares:São, Quintana, quintanares,Quinta essência de cantares...Insólitos, singulares..Cantares? Não! Quintanares!"
"Quintanares", acabou virando título de um livro de Quintana, publicado em 1976
.Três vezes derrotado nas eleições da Academia Brasileira de Letras, com muito bom humor, escreveu o "Poeminha do Contra", que inicia esta mini biografia.
"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso".
Como um eremita urbano, Mario Quintana nunca teve pouso próprio.
Sempre morou em hotéis, ficando no famoso Hotel Majestic no centro Velho de Porto Alegre, até que o imóvel foi fechado e vendido. Enquanto o poeta ainda vivia o prédio foi foi tombado, reformado e transformado em Casa de Cultura Mario Quintana.
Escreveu ali até poucas horas antes de morrer e costumava vagar pelo local constantemente.
O jogador de futebol Falcão o acolheu durante seus últimos anos
O governo do estado do Rio Grande do Sul,através do decreto 43.810, de 24 de maio de 2005 fez de 2006 o "Ano do Centenário de Mario Quintana".Os Correios também prestaram-lhe homenagem, colocando sua efígie nos selos de oitenta centavos de real.
Como no poema de Fernando Pessoa, colega português no gênio e na solidão, entre a data de nascimento e a da morte todos os dias foram dele.
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