quinta-feira, 7 de março de 2013

8 de março -Dia Internacional da Mulher


 Repostagem/retrospectiva

O livro Meninas Alfa (Alpha Girls- Barnes & Noble/2006),de Dan Kindlon, psicólogo e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, traz para o feminino uma expressão usada na biologia animal: o “macho alfa” - o líder, o mais forte do grupo, o que coleta mais alimentos e ganha as melhores fêmeas.

Kindlon, ele mesmo pai de duas adolescentes, reuniu entrevistas, estudos e estatísticas sobre a nova geração de meninas americanas, com idade entre 15 e 20 anos e tem certeza de que elas estão prontas para enfrentar o mundo.

O filósofo francês Gilles Lipovetsky, autor de “A terceira Mulher (Companhia das Letras)” acha que "nenhuma transformação social de nossos tempos foi tão profunda, rápida e rica de possibilidades futuras quanto a emancipação feminina".
  E completa: "a situação presente é marcada por tal defasagem entre as qualificações das mulheres e sua posição hierárquica que a pressão para o topo é quase inevitável".


No Brasil, o fenômeno já começou a acontecer, inclusive no primeiro escalão:  temos uma Presidente e varias Ministras,inúneras Senadoras,Ministras do Supremo,Prefeitas.Estamos por toda parte.
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E contamos com a Lei Maria da Penha,   as recentes restrições aos direitos da vítimas, que deviam encarar – elas mesmas - os agressores, geralmente maridos e companheiros que as ameaçaram antes das audiências foram reformadas.

A Lei número 11.340, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula em 7 de agosto de 2006, ficou conhecida como Lei Maria da Penha - uma homenagem à garra e coragem da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes (foto),que foi espancada pelo marido durante anos, até ficar paralítica.

A lei alterou o Código Penal Brasileiro e determinou que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada.

Dilma Rouseff é nossa presidente com um elenco de ministras,

Leonor de Espanha um dia será rainha, Angela Merkel governa a Alemanha, Cristina Kirchner, a Argentina. Ellen Johnson-Sirleaf foi eleita primeira presidente de um país africano, Michele Bachelet terminou dignamente seu mandato no Chile e Hillary Clinton foi até poucas semanas mulher mais poderosa dos Estados Unidos e,por tabela, do mundo.
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No entanto,as teses de Kindlon e Lipovetsky e mais todas as conquistas e avanços continuados em seis séculos de militância feminista não conseguiram impedir, até hoje, o sacrifício de nossas irmãs nigerianas mutiladas na genitália para que não sintam prazer sexual.

 Nem que, segundo a lei islâmica denominada Sharia (Shari'ah ou Charia) e com o aval de um tribunal religioso, uma mulher considerada adúltera seja enterrada até o pescoço (ou as axilas) e apedrejada até a morte pelos vizinhos e parentes da parte que se julga ofendida.

Sakineh Mohammadi Ashtiani. confessou sob tortura,foi condenada a 90 açoites por relacionamento sexual ilegítimo. Depois, veio a sentença de morte por apedrejamento.Agora, aguarda a hora do enforcamento . Sakineh continua viva por conta da militância dos direitos humanos com o apoio da comunidade internacional,mas até quando?
Muitas outras iranianas esperam sua vez de morrer.
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Cronologia do desejo de igualdade


1405 - Cristine de Pisan - viúva e mãe de 3 filhos, considerada pelas feministas como a primeira mulher a protestar de forma veemente contra o preconceito e descriminação - escreveu o livro "La Cité des Dames". A obra tentava reformular, em pleno século XV, o papel da mulher na sociedade.

1789 - A revolução francesa trouxe como novidade o uso das palavras "cidadão" e "cidadã" para simbolizar a igualdade.

1866 - Inspirado pelo economista John Stuart Mill, o feminismo se manifestou na Inglaterra através de ações de impacto (e muitas vezes agressivas) para a obtenção do direito de voto.

1899 - Nos Estados Unidos, algumas senhoras pertencentes a grupos anti-escravagistas participaram da primeira convenção pelos Direitos das Mulheres no estado de New York e formaram a primeira associação oficial de mulheres (International Council of Women).

1903 - Emmeline Pankhurst fundou a União Feminina, Social e Política, cujas militantes, que atuaram até o início da Primeira Guerra, ficaram conhecidas como suffragettes.

Agosto de 1910 - Por iniciativa da jornalista alemã Clara Zetkin, mulheres de 17 nacionalidades reuniram-se em Copenhagen com o objetivo de criar um "Dia Internacional da Mulher, aglutinando assim os esforços na luta para obtenção do direito do voto feminino.

25 de Março de 1911 - Ocorreu a tragédia da fábrica de camisas Triangle, em Washington Place, Nova York. Cento e trinta e nove trabalhadoras, jovens imigrantes italianas e judias, morreram devido à falta de segurança nas instalações. Este fato dramático passou a fazer parte do imaginário coletivo e é sempre  relembrado, desde que o Dia Internacional da Mulher foi oficialmente fixado em 8 de Março, pela Assembléia Geral da ONU, a partir de 1975.

1923 - O Japão, numa atitude simbólica, mas impactante, abriu as portas de suas academias de artes marciais às mulheres.

1960 - Surge o Novo Feminismo, congregando as militantes nas lutas dos negros norte-americanos pelos direitos civis e as do movimento contra a Guerra do Vietnã. A americana Betty Friedan funda a NOW (National Organization for Women), de onde se origina o Movimento de Liberação da Mulher.

1975 - 1985 - Uma ação da ONU concentrada no México aprovou a Década da Mulher e definiu metas a serem atingidas nos dez anos seguintes para eliminar a discriminação. No Brasil, durante o Encontro Feminista de Valinhos, em São Paulo, é divulgado o lema: "Quem ama não mata". A partir daí é criado o SOS-Mulher.

1985 - É instalada a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São Paulo. Rapidamente, outras são implantadas em vários Estados brasileiros e a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei no. 7353, que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
1988 - Mulheres brasileiras representadas por diversas feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, obtêm um importante avanço: através do "Lobby do Batom" é feita uma emenda na Constituição Federal, garantindo igualdade a todos os brasileiros e brasileiras perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.
1995 - O Congresso Nacional incluiu o sistema de cotas na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos políticos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres em suas chapas proporcionais (Lei nº 9.100/95 - § 3º, art. 11).
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Dr.Nelson Carneiro e a Lei do Divórcio



O grande responsável pela mudança do status feminino no Brasil foi um homem: o Dr.Nelson Carneiro (1910-1996).
Advogado especializado em Direito de Família que, comovido com as tragédias pessoais de suas clientes, dedicou sua vida a reverter este quadro.


É o autor de todas as leis que apoiam as mulheres brasileiras, inclusive a Lei do Divórcio e a que beneficia a companheira.Cumpriu 3 mandatos de Deputado Federal e 3 de Senador, em 50 anos ininterruptos de vida pública honesta e limpa.




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Da solitária sonhadora Christine de Pisan na Idade Média à mais radical militante século do século 21 e às nascentes Mulheres-Alfa, todas expressam uma vontade comum de mudar a vida em geral e suas vidas em particular, redefinindo com consciência os fundamentos culturais e políticos da sociedade.
E termino com o que a revista The Economist publicou: "Esqueça a China, a Índia ou a internet. O mais poderoso motor do crescimento global são as mulheres".



Adoramos homenagens, mas continuamos desejando merecer respeito.
Parabéns para todas nós.


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