sábado, 29 de setembro de 2012

Hilda Hilst -Direto de Marduk



O grande charme de ser livre  


A partir de 1966, Hilda Hilst, poetisa e escritora, viveu isolada.
Mas cercada de amigos humanos e dezenas de amigos caninos e felinos, na Casa do Sol, uma villa de estilo mexicano a 11 km de Campinas, SP.
Autora de 41 livros - vários publicados em francês, italiano, inglês e alemão - foi tachada de imoral, provocativa e pornográfica pela linguagem libertina que usava nas anos sessenta. "Meu grande charme é ser livre", disse em uma entrevista.
 Frustrada pela falta de reconhecimento em termos materiais e detonada pela crítica, teve uma atitude extrema - em 1990, publicou o livro pornô “O Caderno Rosa de Lory Lambi”.

No ano seguinte, mais dois contos eróticos: Contos d'Escárnio e Cartas de um Sedutor.

A trilogia erótica teve o efeito de uma bomba.
Mesmo reprovada pelos críticos, como sempre, a repercussão foi enorme. Em 1994, Contos d’Escárnio ou Contes Sarcastiques atravessou o oceano para receber a chancela do L'Arpenteur, uma divisão da Editions Gallimard e o jornal francês ''Libération'' foi entrevistá-la em casa.

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 Hilda Hilst nasceu na cidade de Jaú, interior paulista, no dia 21 de abril de 1930.
 Filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso.
Teve uma infância complicada, marcada pela separação dos pais e a doença mental de ambos, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos (SP).

Por oito anos estudou como interna no Colégio Santa Marcelina, na cidade de São Paulo. Em 1945, matriculou-se na Escola Mackenzie onde fez o curso clássico.
 Como legítima representante do high society, cometeu a ousadia de morar sozinha num apartamento na Alameda Santos, acopmpanhada da governanta Marta.
 Aos 16 anos, ao visitar o pai - totalmente desequilibrado e internado numa clínica psiquiátrica - teve uma experiência terrível: ele a confundiu com a ex-mulher e implorava "só 3 noites de amor, só 3 noites de amor".

Em 1948, começou a estudar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco e ali, entre livros e copos, iniciou uma vida boêmia. Descendente, pelo lado paterno, da tradicional família Almeida Prado, chocava a sociedade com seu comportamento julgado livre e despertou paixões arrasadoras em empresários, artistas e poetas.

Em 1950, publicou “Presságios”, romance sobre a história de amor de dois marginais. O escândalo continuou com a publcação de "Balada de Alzira", um ano depois. Concluiu o curso de Direito em 1952, advogou por algum tempo, mas se dizia “aterrorizada” com o ofício.

Em cerimônia na Faculdade, Hilda saudou a grande Cecília Meirelles que, ao ler num verso de Hilda a frase “Somos iguais à morte/Ignorados e puros" comentou “quem disse isso precisa dizer mais”.  


Hilda disse muito mais

 Em 1955, publicou "Balada do Festival" e até 2002 produziu 38 livros falando sobre morte, sexo, loucura, existência de Deus e a decadência que traz a velhice.
As obras mais importantes dessa fase foram “Sete cantos do poeta para o anjo”, “Roteiro do silêncio”, “Trovas de muito amor para um amado senhor” e “Cartas de um sedutor”.

 Depois das mortes dos pais - ocorridas com poucos meses de diferença - renunciou à vida social, deixou a capital e passou a morar na Casa do Sol, em Campinas, sítio herdado da mãe, local onde viveu até a morte.
Ali casou-se (1968) e divorciou-se(1980) do escultor Dante Casarini e decidiu não ter filhos para que nenhum herdasse o desequilíbrio mental de seus pais.
 Este corte radical foi influenciado pela “Carta a El Greco”, do escritor grego Nikos Kazantzakis, que defendia a necessidade do isolamento para que, no silêncio da meditação o conhecimento humano emergisse.

Cansada do não reconhecimento da crítica e certa de seu talento, resolveu virar a mesa. Escreveu ‘O caderno rosa de Lori Lamby" que consagra a fase pornográfica, iniciada em "A obscena senhora D". Hilda dá adeus à “literatura séria" (1990) e decide vender mais e ter mais público interessado em seu trabalho.

Inicia, também, uma carreira de dramaturga, escrevendo oito peças teatrais, algumas encenadas na Escola de Arte Dramática, no Teatro Veredas, pelo Grupo Experimental Mauá (Gema), e no Teatro Anchieta (como exame dos alunos) - todas sob a direção de Terezinha Aguiar, também responsável pela montagem de “O rato no muro”, apresentada no Festival de Teatro de Manizales, na Colômbia.

Os compositores Adoniram Barbosa, Gilberto Mendes, José Antônio de Almeida Prado, (primo da escritora) e, mais recentemente, Zeca Baleiro, inspiraram-se nos textos mais significativos de Hilda para ilustrar suas melodias.
Depois de ganhar prêmos e ver seu trabalho finalmente reconhecido, Hilda Hilst parou de escrever em 2002, "por já ter dito tudo que pretendia dizer”.  

Hilda telefona para o além

 No início da década de 70, preoocupada com a imortalidade da alma e inspirada pelos casos relatados em “Telefone para o além", do pesquisador sueco Friedrich Juergenson começou a gravar, pelas ondas radiofônicas, vozes que seriam de pessoas mortas e divulgou que discos voadores visitaram sua fazenda.
César Lattes, Mário Schenberg e Newton Bernardes, físicos de grande renome, acompanharam meio incrédulos mas interessados alguns dos experimentos.

Gravadores cassetes acoplados com duas estacões de rádio sintonizadas ao mesmo tempo possibilitaram captação de ruídos nunca decodificados que, segundo Hilda, formavam frases.

Dessas experiências, nasceu o desejo de construir em suas terras um “Centro de Estudos da Imortalidade” onde questões referentes ao tema seriam apreciadas sob o ângulo da metafísica e as idéias de Stephane Lupasco, segundo as quais a a alma é composta de matéria quântica.

Marduk, onde Hilda dizia sempre que gostaria de chegar bem informada, é um planeta hipotético, mas estudado por Zecharia Sitchin, que estava convencido que as civilizações antigas se desenvolveram graças a contatos com extraterrestres.

Nas teorías de Sitchin sobre a cosmologia suméria, Marduk é um planeta de nosso sistema solar que estaria em órbita elíptica em torno da Terra num período entre 3.600 e 3.760 anos.

Uma colisão entre um de seus satélites e Timat, planeta que existia entre Marte e Júpiter, seria a origem da Terra e do cinturão de asteróides que a envolve. Marduk era habitado pelos alienígenas Anunnaki.
Depois da colisão, ainda segundo Sitchin (baseado em dados da civilização Maia), Marduk ficou afastado do sistema solar.
 Os cientistas argumentam que uma órbita assim se transformaria em órbita circular, ou escaparia da atração do Sol e passaria a vagar pelo espaço.
O escritor e pesquisador turco Burak Eldem, apresentou uma nova teoria a respeito, em seu livro "2012": os 3.661 anos do período orbital de Marduk se fecharão em 2012. Eldem afirma que 3.661 - 1/7 de 25.627 - é o ciclo total dos "de 5 anos mundiais", segundo o calendário Maia.

Na última passagem de Marduk, em 1649 aC, grandes catástrofes ocorreram na Terra.

Hilda se intressava por espiritismo, esoterismo, vida após a morte e comunicação com uma outra dimensão além do plano físico. Certa da imortalidade, desejava viajar após morte para Marduk, o hipotético planeta onde morariam figuras ilustres das letras e das ciências.

A escritora emplogava-se com o tema: ''Nunca acreditei que fosse só isso: nascimento, vida, morte e apodrecimento''. Hilda seguiu para Marduk, direto de Campinas, às 3h50 do 4 de fevereiro de 2004. *****************************************************************************************


 Página oficial de Hilda Hilst, coordenada por Yuri V. Santos:

http://hildahilst.cjb.net

2 comentários:

Anônimo disse...
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