sexta-feira, 29 de junho de 2012

Safra de 58-Domenico Dolce & Stefano Gabana





(mamadeira com seu estojo da coleção D&G  Junior)



Um casal que virou logomarca poderosa



A safra de 1958 -ano do cachorro no horóscopo chinês e regido pelo arcano 5 do Tarot, o Papa- foi excelente.
As energias deviam estar muito harmonizadas, pois os frutos que ali brotaram são da melhor qualidade.

 Morto o papa Pio XII, assumiu no Vaticano o progressista João XXIII (Giuseppe Roncalli) autor da encíclica sobre os problemas da vida social contemporânea, a MaterD et Magistra, que sacudiu as estruturas da Igreja.

O submarino nuclear US Nautilus foi o primeiro a atravessar o Pólo Norte sob a água. O Chade, a República do Congo, Gabão e República Centro-Africana se tornaram independentes da França.

Aqui no Patropi, nasceu a Bossa Nova, ganhamos a primeira Copa do Mundo e perdemos, para sempre, o tal "complexo de vira-lata" em se tratando de futebol, como dizia o grande Nelson Rodrigues.
O primeiro carro fabricado pela indústria nacional, um Fusca, começou a rodar pelas ruas da pátria.

Nasceram para as artes Madonna, Michael Jackson, Cazuza, Lúcia Veríssimo, Eduardo Dusek. E, entre tantos talentos daqui e lá de  fora, ele que é tema de nossa mini-mini biografia de hoje: Domenico Dolce.
Em 1985, com seu sócio nos negócios e até agora ex-companheiro na vida pessoal, Stefano Gabana, revolucionou o mundo da moda, criando uma grife que hoje emprega cerca de 3.140 pessoas.


O destino os uniu, a vida os tornou logomarca



Domenico Dolce nasceu em Polizzi Generosa, perto de Palermo, na Sicília, no dia 13 agosto de 1958.
Filho de um alfaiate, cresceu trabalhando na loja do pai cortando e costurando.

A mãe era comerciante na cidade natal, onde vendia roupas, acessórios para costura, enxovais de cama e mesa, lingeries e aviamentos de armarinho.
Desde cedo, o pequeno Dolce fazia roupas de casamento para bonecas e daí a tornar-se um impecável costureiro com grande competência para o corte, foi um pulo.

Matriculou-se numa universidade e começou a estudar Ciências, mas a rotina se tornou chata demais para a mente tão criativa.
Transferido para um curso de artes gráficas, ali se realizou. Logo se mudou para Milão em busca da fama e da fortuna.

Começou num estúdio de design e aí, meus leitores, não tem jeito: obrigatoriamente tenho que anexar ao texto a figura de Stefano Gabana, milanês, nascido em 14 de novembro de 1962, também formado em design industrial.

Os dois trabalhavam na mesma empresa e iniciaram uma vida afetiva pós-expediente.

Depois de um ano e meio juntos, decidiram abandonar o emprego remunerado, o ordenado certo no fim do mês e se lançaram no mundo fashion.

Enquanto desenvolviam sua marca, continuaram a fazer design freelancer.

Em 1995, a Camera Nazionale - órgão governamental de Milão que se ocupa da moda e se dedica a prospectar talentos - convidou a  dupla para desfilar a primeira coleção de roupa feminina. Batizada de "Royal Woman", desfilou durante a semana de moda da cidade.

Design (tendo a moda como seu mais importante conceito) tem sido, ao longo da história, um dos principais produtos de exportação de Milão.

A junção das forças fez nascer, na hora certa, a marca Dolce & Gabana, que logo se expandiu com coleções de roupas de praia, lingerie, bolsas, óculos de sol, sapatos e uma linha masculina de perfumes.
A primeira loja foi aberta em 1989, em Tóquio, e só em seguida vieram as de Milão e Hong Kong. Em 2005, o par terminou a relação mas continuou a parceria profissional, abrindo em outubro do ano seguinte o restaurante "Gold", na Via Poerio, com o interior totalmente dourado.

Em 2008, a fragrância Light Blue Pour Homme recebeu o primeiro prêmio na Academia del Profumo Italiano e o Fifi Award, o Oscar dos Perfumes nos Estados Unidos.

A Maison D&G veste as mais charmosas personalidades do mundo, entre elas Tom Cruise, Brian Ferry, Brad Pitt, Bruce Willis, Isabella Rossellini, Demi Moore e Nicole Kidman. Mas a favorita continua sendo Madonna, outra maravilha da safra de 58 - e a admiração e carinho entre os três são recíprocos.

Villa Volpe

Situada no coração de Milão, a Villa Volpe - residência oficial dos amigos - um palazzo do século 19, é a emblemática prova de sucesso na vida.

Quem chega ao patamar de D&G pode se dar ao luxo de ser cafona por hobby.

A Villa é sempre alvo de muita fofoca na imprensa internacional que descreve o espaço como kitsch, com papel de parede de oncinha nos closets, tapetes de seda violeta, sofás de veludo vermelho e um corredor iluminado por candelabros de igrejas.

Extravagâncias consentidas à parte, o discurso da dupla sempre foi muito coerente. Em entrevista citadíssima ao "The Guardian Weekend Magazine", Dolce declarou: "A sociedade de hoje é que separou homens e mulheres e os tornou tão diferentes. Seria bom que as pessoas dessem um mergulho interior para descobrir a pequena parte do outro sexo que existe dentro de cada um. Não tem nada a ver com sexualidade ou com ser gay. Todos nós temos esse lado".

Informação de última hora: Segundo as últimas matérias publicadas por ocasião do cinquentenário, Domenico e Stefano estão, nesse momento, retomando o relacionamento. Todos saem ganhando, principalmente o mundo da moda.
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