quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

QUINZE ANOS SEM CHICO SCIENCE


A musicalidade, naturalmente presente em  todos os nordestinos, fez surgir no Recife - no começos dos anos 90 - um rítmo que misturava música pop internacional de vanguarda com os gêneros tradicionais da música pernambucana: maracatu, coco, ciranda e caboclinho.

Chamado no início de “Mangue Bit” (bit , unidade de memória dos computadores), o movimento teve como bandeira o manifesto
“Caranguejos com Cérebro” - publicado na imprensa local - e que tinha como símbolo uma antena parabólica enfiada na lama.


Chico Science (Francisco França, nascido em  13 de março de 1966), grande estrela do movimento, era integrante da Legião Hip Hop, dança de rua  que imita os breakers americanos. Com  Lucio Maia e Alexandre Dengue participou do grupo Lustal.

A fusão do Lustal com o bloco Lamento Negro  resultou na Nação Zumbi (Junho de 1991).

Foi na Soparia de Roger e no bar Arte Viva, no Recife, que as primeiras manifestacões do novo som aconteceram.
Propagada por Chico Science e pela banda Mundo Livre, a batida do Mangue ( agora batizada como Mangue Beat)  veio para  o Sudeste.

As principais gravadoras do país logo se interessaram por aquele ritmo tão novo, vindo  curiosamente de uma cidade com tanta tradição musical.

Lançados em 1993, os CDs  “Da lama ao Caos” e “Samba Esquema Noise”  tiveram grande reconhecimento  pela crítica.

O Abril Pró Rock, festival anual que se restringia ao Recife, ao abrir as portas para  a nova onda passou  a ser o mais importante evento da música pop no Brasil .
Depois de conquistarem o país com seu estranho e instigante ritmo, Chico Science e a NaçãoZumbi fizeram uma turnê européia em 1995, acompanhando os Paralamas do Sucesso ( foram atração principal em alguns dos shows).


Em 1996 apareceu sua obra prima  “Afrociberdelia,” com participação de Gilberto Gil.
No auge do sucesso,  a 2 de fevereiro de 1997, Chico Science morreu num acidente automobilístico.

O que parecia ser o fim do movimento, pois toda uma geração de mangueboys e manguegirls ficou órfã, foi transformado e reciclado na procura  de novos caminhos, sempre  dentro da diversidade.

Otto, percussionista do Mundo Livre, teve seu disco “Samba pra Burro” escolhido como o melhor de 1998 pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Stella Campos, cantora e tecladista e  DJ Dolores   continuam ampliando os horizontes de  suas cada vez mais  bem sucedidas carreiras.

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MARACATU ATÔMICO


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