sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

1922-2012 - Os Noventa Anos da Semana De Arte Moderna


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"Demoiselles dÁvignon" -Picasso
No final do século 19 e início  do século 20,os novos artistas europeus começaram a romper os paradigmas dos Mestres do passado.A Teoria da relatividade e a Psicanálise foram um reflexo dessa mudança.
 Historiadores identificam  o início da Arte Moderna com a chegada do Impressionismo , do Fauvismo, do Cubismo e a popularizacão da escultura africana e da arte oriental.

O grupamento das tendências se materializa com "Les Demoiselles d'Avignon" (imagem acima) de Pablo Picasso, considerada como   obra ponto de partida do cubismo

Este período da História da Arte se completa a partir dos anos 60,com os trabalhos dos vanguardistas : o fauvismo, o futurismo,expressionismo, dadaísmo e,mesmo, o surrealismo.


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Alguns dos participantes
Entre 13 e 18  de fevereiro de 1922,aproveitando as comemorações do centenário da Independência do ,a chamada Semana de 22-uma exposição no Teatro Municipal de São Paulo, com cerca de cem obras e três encontros literários cercados de reações negativas do público -foi a primeira manifestacão coletiva pública dessa mudança na história cultural  do Brasil.

Paulo Prado

Participaram,entre outros, os pintores  Anita Malfatti,Emiliano  Di Cavalcanti, Ferrignac, John Graz, Vicente do Rego Monteiro, Zina Aita, Yan de Almeida Prado e Antônio Paim Vieira, o carioca Alberto Martins Ribeiro (que teve seu trabalho repercutido além da Semana de 22), os escultores Victor Brecheret, Wilhelm Haarberg e Hildegardo Velloso; os arquitetos Antônio Moya e Georg Przyrembel; os escritores e poetas  Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, Renato de Almeida, Ronald de Carvalho, Tácito de Almeida, e  Manuel Bandeira com a leitura do poema Os Sapos e  o  Maestro Heitor Villa Lobos, que teve suas composições interpretadas por Guiomar Novaes e Hermani Braga.


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 Debates sobre a necessidade de renovação no  campo das artes já se realizavam desde os anos 10 do século passado.Textos publicados em revistas especializadas  e a exposição de Anita Malfatti, em 1917 mostram que a Semana não foi manifestação isolada e desprovida de propósito.
obra de Anita Malfatti

Intelectuais do porte de  Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia pensaram a possibilidade de aproveitar as comemorações do centenário da Independência para alavancar um movimento de "emancipação artística".

A Semana de Festejos de Deauville (na França) serviu como modelo e o mecenas Paulo da Silva Prado,da tradicionalíssima família paulista, tornou o projeto realidade,conseguindo que outros "barões do café" ,através de generosas doações, encampassem a idéia.
Graça Aranha

 Foi Paulo Prado que convenceu Graça Aranha a aderir à causa.  Romancista famoso e recém-chegado da Europa, sua presença foi fundamental para avalizar as propostas dos jovens e desconhecidos modernistas.



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Terminado o evento,a Semana ficou caracterizada  mais como tentativa de romper com o conservatorismo existente na literatura,música e artes visuais  do que como criação de nova "linguagem" .Nota-se, com a perpectiva do tempo,a presença do ideal futurista na sociedade já inserida no contexto científico. 
  
Durante sua conferência  na tarde de 15 de fevereiro de 1922,Oswald de Andrade faz uma das primeiras formulacões de idéias estéticas e modernas no Brasil.

Esta conferência, desenvolvida em forma de ensaio,foi publicada em 1925 com o nome de  "A Escrava Não É Isaura".

Diz  um crítico literário sobre a obra:"o autor entrevê a importância de moderar a importacão de estética moderna que se opõe ao nativismo, movimento de retorno às raízes da cultura popular brasileira"

Nos anos seguintes à Semana,essa questão da dinâmica entre o que é nacional e o que é importado foi a principal preocupação dos artistas que participaram do movimento. 
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   Gostaria de terminar o texto sobre a Semana de 1922 citando o chamado  Salão Revolucionário,ou a   38ª Exposição Geral de Belas Artes ou o Salão de 1931, sua consequência lógica  e,para isso, utilizando como fonte  o site do itaú Cultural: 
Abaporu-Tarsila do Amaral 1928

"É como Salão Revolucionário que fica conhecida a 38ª Exposição Geral de Belas Artes de 1931, em razão de ter abrigado, pela primeira vez, artistas de perfil moderno e modernista. 

Realizado no curto período de Lucio Costa na direção da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, de 1930 a 1931, o Salão Revolucionário sinaliza o esforço do arquiteto de modernizar o ensino de arte no país e de abrir as mostras oficiais, até então dominadas pelos artistas acadêmicos, à arte moderna

 A própria composição da comissão organizadora do Salão, a partir de então, indica sua vocação renovadora: além de Lucio Costa, Manuel Bandeira (1886 - 1968), Anita Malfatti, Candido Portinari e Celso Antônio, todos ligados ao movimento moderno 

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