terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Dez anos sem Cássia Eller


Publico a contribuição da leitora
Lucia Helena Pulcherio de Medeiros ,com agradecimentos
"Por obséquio, Na sua biografia acrescente que Cássia explodiu em Brasília-DF, no grande e bom local a época pertencente a Cristina Roberto.
O Local chamava "Bom Demais.
"


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Jeito durão escondia a gentileza de quem deixou uma sensação de trabalho inacabado
"Quem sabe ainda sou uma garotinha..."
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Em Ipanema, pelos lados da Barão da Torre com Farme de Amoedo, existia (e ainda existe) um restaurante natureba muito concorrido, com mesinhas do lado de fora.
E por ali vinha eu, nos idos do final do século passado, cabeça nas estrelas como sempre, pensando em textos e pesquisas e leads e sub­títulos, quando tropecei nos pensamentos. E me estabaquei. Um desses tombos bobos que abrem bolsa, espalham objetos pessoais na calçada e podem causar fraturas.
Atravessou a rua, em desabalada carreira, uma moça de cabelos curtinhos que começou a recolher minhas coisas enquanto perguntava e repetia e insistia em saber se eu estava bem, se precisava de ajuda, e se nada doía. Tantos e tantos foram os cuidados e a vontade de apoiar uma completa estranha em situação embaraçosa, que levantei os olhos para ver de quem se tratava.
Largar uma refeição e amigos e correr risco de ser atropelada num lugar movimentado para ajudar é (ou foi) a cara de Cássia Rejane Eller
.
Um amigo que dividiu um sobradinho com a moça em Pinheiros assim que ela foi de Brasília para São Paulo, me contou que - atrás daquele jeito aparentemente durão - ela era uma gentileza só.
Batalha Judicial
Cássia morreu às 19h05 do dia 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, vítima de quatro paradas cardiorrespiratórias num hospital em Laranjeiras, zona sul do Rio.
Houve uma grande balbúrdia a respeito, com a hipótese apontada inicialmente de overdose como causa da morte, sendo depois desmentida pela perícia do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. O laudo final do inquérito falava em erro médico e foi arquivado pelo Ministério Público.
Cássia vivia uma relação estável e morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins. Juntas, criavam o filho da cantora, Francisco - o Chicão - então com oito anos.
O pai do menino era o baixista Otávio Fialho, morto em um acidente de automóvel alguns dias antes do nascimento da criança.
Começou uma guerra muito feia pela guarda de Chicão por parte de Altair Eller, pai da cantora, numa metralhadora giratória de agressões e acusações.A mãe e as irmãs apoiaram a companheira.
Decisão Histórica
O Senado era a mais antiga magistratura romana. Nada mais vetusto e pomposo do que uma menção, em forma de discurso, saída de lá.
E em nossos dias, é a câmara alta nos governos que possuem duas assembleias legislativas e tribunal de última instância em alguns países.
Aqui no Brasil sempre foi a casa do conservadorismo e da tradição (e sempre sob a nova velha direção. Nem me falem!).
Mas,em 10 de março de 2003, dando prosseguimento às comemorações do Dia Internacional da Mulher daquele ano, Maria Eugenia Vieira Martins foi homenageada pela Casa.
Passando à frente de seu tempo ao assumir publicamente um casamento homossexual, ela e Cássia se encarregavam da criação de Chicão - hoje um adolescente de 15 anos. Por ter sido a primeira lésbica a obter a concessão da tutela definitiva do filho da companheira numa decisão histórica da Justiça brasileira, Maria Eugênia mudou a história da luta pelos direitos dos casais LGBT.
Uma pequenina biografia
Eclética. Cássia, com seu timbre de contralto - uma das vozes com mais personalidade no cenário artístico brasileiro - cantava óperas e frevos, ao mesmo tempo em que interpretava trabalhos de grandes astros do rock nacional e internacional como Renato Russo e Cazuza, Mutantes, Jimi Hendrix, Nirvana e Beatles; de papas da MBP como Chico Buarque e Caetano Veloso e do pop, como Nando Reis e sambas de Riachão, compositor baiano. Surpreendia ao interpretar Wally Salomão e Arrigo Barnabé.
Tocava surdo,violão e guitarra.
Em São
Paulo, gravou uma fita demo patrocinada pelo tio Anderson, seu primeiro empresário. Foi tio Anderson que a levou para audição na Polygram. Foi contratada pela gravadora ao voltar ao Rio, em 1990. Depois, gravou pela Universal Music e pela Som Livre.
Com cerca de dez álbuns nos 12 anos de carreira, impressionava pela presença no palco. Gostava de cantar ao vivo e era sempre convidada para participações especiais, valorizando a postura de intérprete.
Começou em bares de Brasília, fez teste para participar de um musical de Oswaldo Montenegro e trabalhou em duas óperas como corista. Cantou em grupo de forró e participou por dois anos do primeiro trio-elétrico do Planalto, o Massa Real.
Viajou para Minas Gerais e trabalhou como servente de pedreiro, fazendo massa e assentando tijolos. Foi garçonete e cozinheira em bares e, por três dias, tentou ser secretária no Ministério da Agricultura. "Fui demitida no terceiro dia. Aí resolvi só cantar", declarou numa entrevista.
Seu sonho era ser cantora de ópera.
Aos 18 anos chegou a Brasília, vinda do Rio, de Santarém e de Belo Horizonte, percorrendo o Brasil por conta da carreira do pai, sargento paraquedista do Exército. A mãe, dona Nancy, era dona-de-casa. Rúbia e Carla eram as irmãs

Cássia Rejane Eller nasceu no Rio de Janeiro em 10 de dezembro de 1962. A avó, devota de Santa Rita de Cássia, sugeriu o nome.
Na malha da Rede Globo existe um programa chamado "Por toda minha vida", que homenageia artistas mortos. Começou como Especial de fim de ano e depois ganhou maior periodicidade. Na pauta para 2009, esteve o nome dela .
Gostaria de termin
ar o texto com as palavras do editor Irving Alves, ao comentar sobre a figura que escolhi para a biografia da quinzena para o site Mixbrasil: "Já faz algum tempo que ela se foi, mas continua tão presente. Assim como tantos outros que deixaram a sensação de trabalho inacabado".

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