sábado, 29 de outubro de 2011

Francis Bacon,o pintor


Anárquico e incoerente, um enigma no limite do suportável
Edward Bacon, pai de Francis e que se dizia descendente do filósofo elizabetano homônimo de seu filho - era treinador de cavalos de corrida.
Homem de modos rudes, intolerante, ditatorial e preconceituoso. Além de não admitir a debilidade do segundo dos cinco filhos e seu mau desempenho escolar, aplicava-lhe chicotadas durante as crises de asma, por achar que se tratava de "doença não-masculina".
Francis desenvolveu um comportamento de oposição à absurda postura paterna. Provável que sua rebeldia interior tenha se originado ali, ao "abortar" as crises de asma. Uma postura presente na fixação por rostos deformados e corpos desfeitos, pedofilia, dissecação forense, homoerotismo, fuídos e dejetos corporais.
O menino asmático e alérgico a vários alimentos cresceu, desconheceu qualquer limite de censura na idade adulta e acabou considerado o mais famoso pintor inglês do século XX e o mais bem sucedido em termos financeiros.
Ao reproduzir a Europa traumatizada pelas guerras do século passado, a pintura de Francis Bacon marcou a fascinação pelo masoquismo e as formas como este fetiche pode ser representado.
A tentação mora em casa
Nascido em 28/10/1909 em Dublin, Irlanda, foi testemunha da vida familiar conturbada pela guerra civil irlandesa, conflito no qual os ingleses eram considerados inimigos.
Numa entrevista, já maduro, admitiu que esta experiência foi o início de sua fascinação pela violência.
Aos 16 anos, depois de ter sido surpreendido diante de um espelho vestindo a lingerie materna , foi "convidado" a sair de casa pelo pai, que patrocinou a mudança. Foi acompanhado por um tio, considerado modelo de virilidade, que tinha como missão mudar a cabeça do sobrinho.
Na viagem por toda a Europa, com suas mochilas nas costas, Francis descobriu que o tio era mesmo uma pessoa sexualmente muito ativa. Só que não selecionava os parceiros por sexo nem por laços familiares.
Assim, o que deveria ser uma lição de moral terminou... na cama.
Depois de dois anos na rota Paris-Berlim, onde a liberalidade de costumes era total, encontrou trabalho fixo em Londres, como designer de interiores e de móveis. Seus projetos, inspirados na Bauhaus, foram publicados em revistas de decoração.
Os desenhos para o mobiliário de aço e vidro, os espelhos de vidro branco e preto e os tapetes art-deco foram, de certa forma, reproduzidos nas telas dos anos 60 e 70.
Os amigos próximos nesta época eram artistas do peso de Grosz, Otto Dix e Max Beckmann. Mas foi a influência de Picasso, que conheceu em 1930 na exposição da Galerie Paul Rosenberg, que o levou à pintura.
Roy de Maistre
Como era hábito no meio, Francis Bacon estabeleceu uma íntima relação mestre-discípulo, ao se tornar o aluno mais novo e amante de Roy de Maistre, um pintor muito conhecido. Direcionou sua inspiração para uma série de "Crucificações" semi-abstratas que participariam da International Surrealist Exhibition, na Galleria New Burlington.
Os trabalhos foram rejeitados, por "não serem suficientemente surrealistas". Temperamental, Bacon destruiu as telas. Destruir obras que não estavam exatamente dentro das expectativas, tornou-se a marca da sua carreira.
Aos 35 anos, frustrado, sentiu que havia uma grande distância entre o modo de ver o mundo e a habilidade para imprimir este sentimento numa tela.
Chamado a servir durante a guerra, desta vez a asma foi bem-vinda e proporcionou-lhe um posto no Corpo de Defesa Civil inglês.
Roda da fortuna
A sorte começou a mudar em 1944. "Três figuras na base de uma crucificação", obra distorcida e fálica inspirada na "Crucificação" de Picasso, foi aprovada pela crítica e marcou o ponto inicial da brilhante carreira artística. Bacon participou da coletiva das Galerias Lefevre e Redfern e da mostra internacional patrocinada pela UNESCO, em Paris.
O lucro financeiro destas exposições ficou nas roletas de Monte Carlo, onde passou uma boa parte do tempo que lhe restou.
Em maio de 2009 foi inaugurada grande retrospectiva don artista no MOMa Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque Com cerca de 130 obras, das quais 65 são pinturas, peças cedidas por colecionadores particulares.
O chamado "Mestre do Grotesco" morreu a 28 de Abril de 1992,em Madri. Um de seus trabalhos e um detalhe do bagunçadissimo estúdio viraram selos na Irlanda (fotos abaixo) mas-desculpem a franqueza e o que pode parecer falta de erudição desta que vos tecla tão mal digitados caracteres -dão aflição de olhar.
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2 comentários:

Augusto Branco disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
LG disse...

Concordo com sua aflição, realmente a pintura e o estúdio dele são medonhos!
Parabéns pela resenha porque após a venda da obra dele por cerca de R$ 300 milhões queria saber quem era esse pintor homônimo do conhecido filósofo!