sábado, 8 de outubro de 2011

Cora Coralina (1889-1965)

A VOZ DA TERRA
"Em Goiás existiam muitas Anas por causa da padroeira da cidade e eu não queria ser xará. Cora vem de coração, coralina é a cor vermelha" ,dizia Cora.E há 26 anos ela se foi.
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Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, Cora Coralina, cozinheira, doceira, jornalista, poetisa, declamadora e contista, nasceu em 20 de agosto de 1889 e cresceu na mesma casa velha da ponte em Goiás (GO), construída por escravos em 1770, para morada de Antonio Souza Telles (capitão-mor de Villa Boa de Goyaz).
Aos 13 anos criou, com duas amigas, o jornal de poemas femininos ”A Rosa” e, aos 14, começou a carreira literária com a publicacão do conto "Tragédia na Roça".
Aos 15, adotou o pseudônimo Cora Coralina (coração vermelho) porque, em seu tempo moças de família não se envolviam profissionalmente com arte de qualquer espécie.
Aos 20-escândalo!- durante uma tertúlia literária, conheceu Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas, recém-nomeado chefe de Polícia de Villa Boa, separado, com 3 filhos em São Paulo e uma filha no norte de Goiás (criada, mais tarde, pela poetisa), com quem fugiu para Jaboticabal (interior de São Paulo), onde publicava artigos, contos e poesias no jornal local.
Em 1922, foi convidada por Monteiro Lobato a participar da Semana de Arte Moderna, mas, proibida pelo marido, teve que dizer - a contragosto - um “não” ao escritor. Ana e Cantídio casaram-se oficialmente em 1926 e deixaram uma descendência de seis filhos, 15 netos e 19 bisnetos.
Em 1932, já morando em São Paulo, alistou-se como enfermeira e costureira na Revolução Constitucionalista. Derrotados os revoltosos, encontrou outra causa pela qual batalhar: tentou organizar um partido político feminino.
Depois da morte do marido em Palmital (1934) foi colaboradora do jornal O Estado de São Paulo, vendedora de livros porta a porta da Editora José Olympio manteve uma pensão onde também cozinhava, montou um pequeno armarinho “Casa de Retalhos” em Penápolis e, depois, uma loja especializada em artigos femininos. ” Casa da Borboleta”.
Doceira famosa - escreveu um livro de receitas - com a venda de seus quitutes, especialmente os doces cristalizados, conseguiu economizar dinheiro suficiente para comprar, em leilão, a Casa Velha da Ponte, onde nasceu.
Ali, depois de ter vivido 45 anos fora de Goiás, aprendeu a datilografar para escrever seus textos com maior rapidez e eficiência. Aos 75 anos, levou seus escritos à Editora José Olympio, a mesma de quem havia sido vendedora, e teve seu primeiro livro publicado.
Reconhecimento
Aos 90, Carlos Drummond de Andrade tomou conhecimento da obra de Cora Coralina e se encarregou de apresenta-la ao mundo literário brasileiro.
A partir daí, seus livros - Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, Estórias da Casa Velha da Ponte, Os Meninos Verdes, Meu Livro de Cordel, O Tesouro da Velha Casa e Vintém de Cobre - passaram a ter sucessivas edições. Em 1983, foi eleita “Intelectual do Ano” pelo livro livro “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”.
Em 1984, a Associação Paulista de Críticos de Arte a distinguiu com o Grande Prêmio da Crítica/Literatura e a União Brasileira de Escritores. com o Troféu Juca Pato.
Neste mesmo ano, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito do Trabalho, concedida pelo governo federal por sua luta pelas causas justas e progresso cultural de Goiás. A menina de poucas letras, mas enorme sensibilidade, fez os estudos primários com a professora Silvina Ermelinda Xavier de Brito (Mestra Silvina).
Recebeu da Universidade Federal de Goiás o título de “Doutora Honoris Causa” ou, como ela preferia dizer, “doutora feita pela vida”. Faleceu em Goiânia aos 96 anos, em 10 de abril de 1985, e seu corpo, velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponta, foi enterrado no Cemitério da cidade de Goiás Velho.
Como quase sempre viveu longe das grandes cidades os textos de Cora Coralina - recheados de citações sobre doces e a terra natal e ricos em situações sobre o dia-a-dia do interior - são considerados por muitos estudiosos um belo registro histórico-social-antropológico do Brasil do século XX.
Em 1985, logo após sua morte, foi criada em Goiás (GO) a Fundação Casa de Cora Coralina.
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