quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Bullying -também fui vítima

"Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender" **************************************************
Vinte e três de meus cromossomos são goys (não judeus) mas os outros 23 vieram diretamente da guerreira Frau Frieda Mildenberg , avó paterna, que por três anos e meio serviu no campo de trabalho de Teresienstadt ( na atual República Tcheca) e sobreviveu,sendo liberada pelos russos no final da 2a guerra mundial.
Ferrada a fogo, como gado, tinha no pulso um número que a identificava, a marca da "vergonha"
Meu pai,jovem e promissor atleta olímpico,
um Diego Hypólito de seu tempo, da nata do Reichswahr, tropa de elite do exército alemão, viu seu futuro, sua carreira e sua vida desmoronarem por questões raciais.
Judeu na Alemanha, alemão no Brasil,duplo azar do destino,caraca,malandro!,foi parar na Ilha das Flores como preso político aqui e apátrida lá. Simplesmente porque-após todas as maleitas e a febre amarela que teve como colono, durante anos, no Paraná -procurou destino melhor.
Ganhava seu pão de cada dia numa empresa alemã com sede no Rio, a Pneus Continental, que apenas agora está voltando a atuar no mercado brasileiro.

Eu nasci com o estigma de ser filha de inimigo da pátria nos anos pós segunda guerra mundial e aprendi na carne,literalmente,o que é sofrer preconceito e discriminação.

Minha única professora do princípio ao fim do curso primário do Grupo Escolar do Instituto de Educação separava numa fila especial os filhos de estrangeiros, nós,os excomungados,os indesejados e ficava admiradíssima de minha melhor amiguinha ser filha de franceses,o que era um mistério que eu não conseguia desvendar.
Tinha uma gana especial contra alemães e me beliscava com suas unhas pontiagudas pintadas de vermelho vivo e resto de giz,de um jeito tão competente que ficava parecendo picada de mosquito.
Somente depois de adulta e de ter lido no obituário do O GLOBO o anúncio da morte dela é que tive coragem de comentar em casa as barbaridades que a criatura praticava..
Que o Pão de Açúcar lhe seja leve ,bruxa xenófoba filha da puta.
Ganhei cidadania alemã numa dura batalha judicial que durou 16 anos (isso mesmo,dezesseis anos),o que não apagará jamais as humilhações sofridas, a autoestima perdida e só recuperada após anos de terapia.
Embora achando frescura o termo usado ser em inglês (porque temos
exclusão que faz o mesmo efeito) ,junto minha voz- quer dizer-meus dedos e minhas teclas à campanha agora iniciada e veiculada nos meios de comunicação.
Respeito é bom e a gente gosta.
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Um comentário:

Anônimo disse...

Tetê
Não apague meu comenmtário
Foi feito de coração
Paulo C.