segunda-feira, 22 de março de 2010

O Crime do Tenente Bandeira

Morte na Ladeira do Sacopã

No dia 7 de abril de 1952, um automóvel Citroën foi encontrado na Ladeira do Sacopã,nas imediações da Lagoa Rodrigo de Freitas,zona sul do Rio com um corpo de homem com três perfurações de bala de calibre 32 e várias marcas de coronhadas..
O morto, mais tarde identificado como Afrânio Arsênio de Lemos .Era funcionário do Banco do Brasil e tinha 31 anos.
Entre seus pertences havia a foto de uma moça, Marina Andrade Costa,que seria sua namorada do e teria terminado o relacionamento ao descobrir que o bancário era desquitado.
As impressões digitais encontradas não foram suficientes para uma identificação e o comissário Rui Dourado,que se ocupava do caso, logo descobriu o paradeiro da moça e a levou a uma delegacia para prestar esclarecimentos.
Um Tenente da Força Aérea Brasileira, devidamente fardado, Alberto Jorge Franco Bandeira foi `a delegacia e se apresentou ao mesmo Rui Dourado como namorado de Marina.Estava configurado o triângulo amoroso.

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Uma pausa para meditação antes da continuação do texto
Desquite era,nos tempos pré-divórcio,uma solução estranha.
Pois a pessoa nem era casado(a) e muito menos livre para um novo relacionamento amparado pela lei. Era feita uma simulação,o "casamento no Uruguai": o casal ia (ou não ) para Montevideo,casava pelas leis uruguais (ou não) e voltava pronto para receber chuva de arroz dos amigos. Havia, na Penha (subúrbio carioca),uma solução mais barata e mais pragmática:a Igreja Católica Brasileira,comandada pelo Bispo de Maura,D Carlos Duarte Costa (1888 — 1961) bispo católico excomungado pela Santa Sé,que casava desquitados
Um desquitado era visto pelas famílias como o próprio Belzebu.
Em compensação ,um funcionário do Banco do Brasil e/ou um jovem oficial da FAB se equiparavam em gênero,número e grau na escala de valores das senhoras mães dos brotos da época

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O Tenente Bandeira passou a ser suspeito,apesar de ter apresentado um álibi: estava em casa de sua avó,em Botafogo, na noite do crime. A polícia achou que o álibi era falso. O fato ganhou enorme repercussão na imprensa e o Tenente foi indiciado.
Em 23 de maio de 1952 ,o advogado Leopoldo Heitor apresentou uma "testemunha" - Walton Avancini - contando que- durante uma carona que recebeu do morto-teve a informação de um encontro com o tenente Bandeira para tratar do triângulo amoroso.
Considerado um galã na época e contando com a torcida do público feminino,Bandeira foi a juri popular em1954, num dos julgamentos famosos no Rio de Janeiro,

com repercussões no exterior ,foi declarado culpado e condenado a 15 anos de prisão.Cumpriu sete em regime fechado
O político e jornalista Tenório Cavalcanti,declarando que tinha havido um grave erro judiciário,apresentou no semanário "O Cruzeiro" -a revista de maior circulação no país-o nome do que considerava verdadeiro assassino: Joventino Galvão da Silva um matador profissional paraibano.
Avancini,a partir de então, foi considerado testemunha falsa e o julgamento foi anulado
Bandeira cumpriu metade da pena,recebeu liberdade condicional e o indulto do Presidente Juscelino Kubitschek.
Foi reintegrado nos quadros da Aeronáutica como Capitão e morreu em julho de 2006, aos 77 anos.
Um boato correu o país e não foi desmentido até hoje:a filha de uma figura importante da política teria tido um caso com Afrânio e a própria família se encarregou de fazer justiça

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Um comentário:

Jorge Sader Filho disse...

Foi um rumoroso caso criminal no foro do Rio de Janeiro.
O tenente Bandeira tinha muitas evidências contra si, daí a condenação.
Uma vez em liberdade condicional, Bandeira viu seu julgamento sem efeito, e seria novamente levado a Júri. Seu advogado era o famoso criminalista Romeiro Neto.
O crime estava próximo da prescrição, uma das causas que liquidam o processo. Era questão de dias, com julgamento marcado. Romeiro Neto prometeu ao juiz que apresentaria o ex-tenente, que se encontrava desaparecido.
Não apresentou, e poucos dias depois o crime prescreveu. Bandeira não mais poderia ser julgado, e o resto é todo conforme a autora descreveu.
Até hoje não se sabe se o oficial cometeu o crime, embora as evidências fossem contra ele. Mas evidência não pode levar ninguém para longa prisão, e sim prova.