segunda-feira, 22 de março de 2010

Dois crimes que chocaram o Rio na década de 50


O caso Aída Curi e o Crime do Sacopã, tristemente célebres, aconteceram numa época em que o acesso à televisão era restrito e as revistas semanais precisavam (como até hoje) multiplicar as vendas.
Sem os recursos de divulgação imediata que a globalização possibilita, chocaram o Rio e o país e provocaram grandes discussões a propósito dos costumes morais e do visual dos protagonistas e seus acessórios: lambretas,camisas vermelhas,fardas militares e politicos influentes
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Caso Aída Curi
Noite de 14 de julho de 1958,Avenida Atlântica,Copacabana,Rio
Um corpo que cai

(esta parte do texto é baseada no relato de familiares da mocinha.)
AÍDA JACOB CURI ,filha de Gattás Assad Curi (falecido na época do crime)e de D.Jamila Jacob Curi, imigrantes vindos de Saydnaya, na Síria.nasceu em Belo Horizonte e tinha quatro irmãos.Ao ficar viúva, D.Jamila veio morar no Riachuelo bairro da zona norte do Rio. Aída estudou como interna num colégio de freiras espanholas do bairro,o Educandário Gonçalves de Araújo
Aos 18 anos,aída do colégio,estava se preparando para começar a trabalhar anos fazendo um curso de datilografia na Escola Remington,filial Copacabana,na Rua Miguel Lemos.
Ali havia um grupo de rapazes das chamadas “melhores famílias”,a "Turma da Miguel Lemos”, já bem conhecida por suas façanhas, entre elas ter ateado fogo a um morador de rua que dormia,mas o caso foi abafado,sem registro policial.

A abordagem

Aída e uma colega de curso(de 36 anos), esperando ôinibus para voltar para casa. foram abordadas por 4 jovens, entre 16 e 22 anos.
Um deles tomou seu estojo com os óculos e, em seguida, sua bolsa.
A moça se recusa também a beijar o desconhecido,condição para que os objetos fossem devolvidos.
Segundo os autos do processo(”( fls. 516), a coleg se afastou e Aída tentou recuperar seus pertences, seguindo os rapazes já perto da porta do Edifício Rio Nobre.

Lembro ao leitor que o Túnel Rebouças que une as zona norte e sul da cidade só foi construído na década de 70,assim sendo havia anos-luz de distância entre um jovem da praia de Copacabana e uma menina do Riachuelo e a “curra”(violação sexual)era prática não muito rara.
A violência física começou no hall social ,com a facilitação do porteiro do prédio ( com 27 anos,na época).
Duas testemunhas que preferiram o anonimato declararam terem ouvido gritos dentro do elevador.Chegando ao 12º andar,entram no apartamento 1201, ainda em construção,sem luz e com entulho da obra.Aída começou a ser agredida ,tropeçou nas esquadrias de madeira(fls 241 do processo) e desmaiou após lutar com os agressores.
Foi levada à cobertura, colocada sobre o peitoril e jogada.

Momentos depois, surgiram ,ao lado do cadáver,os objetos (bolsa,óculos,etc) .
A anágua (espécie de saia engomada para “armar” a vestimenta) e o soutien estavam rasgados.(fls 363 dos autos.)Durante o processo,os réus declararam que Aída disse poucas palavras
"Me deixem ir embora" e "Eu sou virgem".

No dia seguinte ao crime,foi liberado o texto do exame cadavérico” equimoses, escoriações e vestígios evidentes de sevícias diversas, foi colhida e distendida em lâmina, para pesquisa de espermatozóide, substância retirada dos condutos vaginal e ano-retal (fls. 60 v ) assim como foram examinados fragmentos de tecido de malha de cor negra. No dia primeiro de agosto os médicos legistas deram as conclusões das pesquisas : Negativo.(fls. 172”) ou seja: Aída morreu virgem

Suicídio? Homicídio?
O porteiro informou que “no mesmo is=nstante em que a moça entrou no prédio…caiu”Quantos mais estariam esperando para participar dos ‘encontros amorosos” dos amigos?Aída já estaria morta quando foi jogada do 12º andar ou apenas desmaiada?
O perito criminal Seraphim da Silva Pimentel excluiu a hipótese de suicídio.Mais tarde, foi “afastado do processo e substituído por alguém ligado à família de um dos implicados”
Muitos fatos permaneceram sem explicação :os ferimentos profundos no seio e a não-apresentação das suéteres usadas pelos assassinos durante a luta com a vítima
Um dos agressores era enteado de alta patente das forças armadas e facilitou a fuga do porteiro que ficou foragido até o crime ser prescrito.Acobertada pelas mesmas pessoas influentes ,segundo a família,a estratégia foi deixar recair toda a culpa sobre o agressor menor de idade.
O Promotor Maurílio Bruno de Oliveira Firmo, que atuou no caso, falou de “um mar de lama” devido `a impronúncia dos réus por um dos juízes , após a condenação a grande pena pelo Tribunal do Juri, presidido pelo juiz Octávio Pinto.
Grande revolta popular fez com que o Curador João Baptista Cordeiro Guerra declarasse nula a Impronúncia.Em novo juri,um dos implicados foi finalmente condenado a 8 anos de prisão e o enquanto o segundo não foi julgado por estar foragido.

Em 1975, dois anos antes de morrer,a mãe de Aída num lindo gesto de grandeza humana perdoou todos os assassinos, em nome de seus quatro filhos, Nelson, Roberto, Maurício e Waldir.
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Texto publicado no blog "Casos de Justiça" em 26/7/2004

casosparafina2004.zip.net

"Foi na tarde de 14 de julho de 1958 que Aída conheceu Ronaldo após sair do curso de datilografia em Copacabana com a amiga Ione Arruda Gomes. A conversa de "malandro" do Ronaldo funcionou. Ele dissera que levaria Aída na casa de um amigo para ela ter uma melhor visão da praia (Copacabana). Já que o amigo não encontrava-se no apartamento os dois desceram a rua Aires Saldanha que localiza-se atrás da avenida Atlântica, onde encontraram um amigo de Ronaldo chamado Monoel Antônio da Silva Costa.

Rapidamente, Ronaldo afastou-se de Aída e perguntou a Manoel sobre Cácio Murillo Ferreira da Silva que era aproximado do síndico de um prédio próximo. Geralmente Cácio emprestava as chaves de um terraço para onde os rapazes levavam as meninas para namorar. Manoel pediu a Cácio a chave e obteve como resposta sim (Cácio emprestou-a). Devido a inocência de Aída ela não fazia idéia do que estava para acontecer.
Ela subiu com Ronaldo pelo elevador social do prédio, mas logo desceram, pois as chaves que foram emprestadas por Cácio só abriam pelos fundos do edifício. Ao descerem Aída e Ronaldo encontraram Cácio no andar térreo do edício. Cácio levou-os até o último andar, 12º, em seguida subiram uma escada para a cobertura. Logo em seguida ele apagou o isqueiro que usou para guiá-los até a cobertura escura e fingiu descer as escadas novamente. O rapaz apertou o botão para o térreo, mas não foi, pelo contrário, ele escondeu-se em um canto para observá-los. Era senha para que o porteiro Antônio João de Souza subir à cobertura.
Enquanto a jovem Aída deslumbrava-se com a vista Rodolfo tentou agarrá-la, ela lutou e deixou-o mais agressivo. Os outos dois outros, Cácio e Antônio ajudaram Rodolfo a espancá-la. Os três arrancaram a saia de Aída e tentaram estuprá-la. Aída continuou resistindo até desfalecer (desmaiar).
Então os três decidiram fazer uma simulação de suicídio, porque pensaram que ela estava morta. Jogaram-a da cobertura do edifício. O corpo dela chegou ao solo em menos de 3 segundos.
Após o crime, Ronaldo foi submetido a três julgamentos, até ter sua pena definitiva fixada em oito anos e nove meses de prisão por homicídio e tentativa de estupro. O porteiro Antônio foi absolvido após o segundo julgamento e fugiu. Cácio, que era menor de idade na época do crime, foi encaminhado ao Serviço de Assistência ao Menor. O assassinato de Aída Curi ficou marcado como o acontecimento que representou o fim da inocência do bairro de Copacabana".

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