quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os 180 anos da imigração alemã no Paraná


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Pai, só depois que mergulhei de cabeça nas profundezas do teu idioma materno  quando já não podias mais me reconhecer ,devastado que estavas pelo Mal de Alzheimer(  o idioma  foi nosso tardio ponto de encontro - ou desencontro?)  e quando me tornei -pela lei -cidadã alemã e fui,de certa forma,ressarcida dos sofrimentos que também me couberam na vida pela tua ausência física, é que comecei a te entender  melhor.
Saudades.
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"Subindo... Sim, estou subindo novamente e estou contente por isso.Há muito tempo senti que as alternativas para mim eram subir ou desaparecer.E o destino fez com que eu encontrasse, quando estava no "ponto morto"gente que me tratou de igual para igual,com dignidade,humanidade e camaradagem.Conheci os irmãos Hinrichsen.
Quando perceberam que tinha levado um tombo em minha vida,não comentaram como os outros faziam, que era "lamentável"ou coisa parecida.. Eles simplesmente trataram de indicar o caminho para eu me encontrar novamente.
Devo a eles o ensinamento de vencer as adversidades com garra, raça e disposição férrea. Gostaria de demosntrar ,no futuro, o reconhecimento por tudo que fizeram por mim, retribuindo com a mais profunda gratidão..... ....Foram as privações que modificaram minha personalidade me submetendo a provas duríssimas...
...Muita gente devia passar,pelo menos, um ano no mato,de bonito muito pouco guardo,de dificuldades,bastante mais.....
...Não estou em condições agora de avaliar como este período influenciou minha vida,mudou minha mentalidade....
 .....Tanto tempo em terra estranha, com gente e circunstâncias diferentes..digo que nunca vou esquecer o que isso me proporcionou de ensinamento valioso para o resto de minha vida....
........Mais 3 dias e vou deixar definitivamente a Colônia Rolândia.com o cano de descarga totalmente aberto,espalhando fumaça e fazendo barulho.
Rolândia- com tudo em redor-ADEUS!!!! ""
(tradução de trechos do diário de meu pai, à direita na foto acima,imigrante em Rolândia,Paraná, apátrida, fugitivo das barbaridades cometidas por Hitler,atleta olímpico, cadete do Reichswehr,tropa de elite  e crème de la crème do exército alemão...... e judeu) *******************************************************************
A logomarca comemorativa dos 180 anos da imigração alemã no Paraná traz a imagem de 3 pinhas nas cores da bandeira alemã:amarelo,vermelho e preto
A pinha ,fruto da araucária  e sua semente, o pinhão,são característicos da região.
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Num período de quase cem anos, nos séculos 19 e 20, aconteceu uma corrente migratória de alemães para diversas partes do Brasil.
Os problemas sócio-econômicos causados por guerras e revoluções pareciam ter encontrado como solução a fartura das terras no imenso território brasileiro de tal forma que cerca de 10% dos brasileiros (uns 18 milhões)possuem,pelo menos, um antepassado alemão Junto com os italianos, os alemães são a principal etnia do sul do Brasil..A primeira colônia alemã no Paraná:Rio Negro, fundada em 1829 ,está completando 180 anos.
Em 1855, alemães originários da Prússia se estabelecem nas Colônias de Terra Nova e Santa Leopoldina, em Castro.
Entre 1877 e 1879, chegaram os alemães vindos da Rússia.
Mais imigrantes chegaram no início do século XX, vindos diretamente da Alemanha, para povoar  as regiões leste e sul (em cidades como Curitiba, Ponta Grossa, Palmeira, Rio Negro, Ivaí, Irati, Cruz Machado, entre outras).
Em meados dos anos 1950, pessoas oriundas de colônias alemãs em Santa Catarina e Rio Grande do Sul também migraram para a Região Oeste e Sudoeste do estado.
Nesta mesma época, imigrantes da região do Rio Danúbio criaram Entre Rios, em Guarapuava, e os de de Danzig ocuparam a região de Cambé e Rolândia, no norte do estado.
Curitiba,onde chegaram a partir de 1833,tem forte influência germânica na cultura e na economia .
Para preservar suas raízes, os imigrantes se juntaram em sociedades teuto-brasileiras:Clube Concórdia, Clube Rio Branco, Duque de Caxias, Clube Thalia, Graciosa Country Club e o Coritiba FC.
Hoje, a maior colônia de alemães paranaenses está no município de Marechal Cândido Rondon
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3 comentários:

Anônimo disse...

Parece até que estou vendo como você se emocionou ao se expor tanto, escrevendo as primeiras linhas para seu falecido pai e transcrevendo pedaços do diário dele.
Não deixa de ser um gesto de perdão,Tetê
E perdoar é um ato superior.
Um beijo da
Maria Helena

VERA VIEIRA disse...

The, minha irmã: compreendo tudo e admiro a sua alma e coração, ambos gentis, onde o perdão tem trânsito livre. Não gosto muito da expressão, mas, enfim, hoje houve um arrebatamento: um beijo em seu coração! Com o carinho de sempre,
Vera Vieira.

Thereza Pires disse...

Obrigada,Leninha

Obrigada,Vera,que no dia do seu próprio aniversário, mais uma vez veio trazer como presente pra mim o carinho de irmã da alma.

Quem me conhece MESMO sabe a falta que sempre senti da presença física do meu pai e (como vocês duas fizeram de jeito tão bonito,)pode avaliar o parto que foi eu abrir meu jogo publicamente,

Que sirva como exemplo para quem tem esse tipo de mágoa.O tempo atenua as dores e adoça as lembranças,
De minha parte, está tudo perdoado.
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