segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Oitenta anos de Adrienne Rich,poeta e ativista

                                                                                             Tributo à coerência   


 
                           (31 de agosto,2009)
2009 é o ano em que Adrienne Rich.poeta,ensaísta e ativista das causas feministas completa seus oitenta anos.
Considerada das mais lidas poetas norte americanas da segunda metade do século XX ,estende a rede que lhe concede uma biografia de intelectual engajada para tentar proteger os marginalizados e oprimidos, sem distinçaõ e usando a solidariedade como força propulsora.
Participa,por exemplo, do movimento
Jewish Voice for Peace (Vozes Judaicas a Favor da Paz) que, nos Estados Unidos, se coloca contra a ocupação dos territórios palestinos.
“Com quem acreditas estar lançada a tua sina? De onde vem a tua força?
Adrienne Cécile Rich nasceu em em 16 de maio de 1929, em Baltimore,Maryland,a mais velha das duas filhas do Dr. Arnold Rich,medico e professor de patologia da Johns Hopkins University e de Helen Jones Rich,talentosa compositora e pianista que preferiu desistir da carreira para se dedicar a formar uma família.
A menina cresceu em meio à presença intelectual do pai e aos tensos conflitos religiosos sem palavras (são os piores) entre o judaísmo paterno e a herança cultural sulista da mãe protestante,tudo marcado pelo forte desejo de aprovação paterna (o mais sofrido dos desejos de aprovação..)
É é consenso que não há uma intelectual contemporânea tão completa com presença em tantas areas do conhecimento como Adrienne que,há décadas, vem militando em areas diversas:política, cultura,sexualidade,tentando evitar conflitos racias e l
ast but not the least feminismo.
São dezenove obras publicadas:3 coleções de ensaios
On Lies, Secrets and Silence (1979), Blood, Bread and Poetry ( Sangue,Pão e Poesia1986), What Is Found There: Notebooks on Poetry and Politics (algo tipo “O que se achou lá: anotações sobre Poesia e Política,1993), estudos sobre maternidade em Of Woman Born: Motherhood as Experience e Institution ( mais ou menos Sobre natalidade:maternidade como experiência e instituição,1976),artigos inumeráveis em jornais de orientação feminista, militância constante contra racismo,millitarismo,homofobia. Filhos de pais judeus e mães não judias não são considerados judeus,mas Adrienne tomou para si as dores do antisemistismo.
Infelizmente,ainda muito pouco traduzida em português,peço especiais desculpas por ousar- eu mesma- traduzir os títulos das obras.
“O que não posso dizer, sou. Para isso vim”.
Num longo poema autobiográfico
"Sources" ( Fontes,1983) e no ensaio (Blood, Bread and Poetry) estão todas as perplexidades e conflitos desse coquetel racial, que divide uma pessoa por dentro. Em 1951, aos 22 anos, dois fatos marcantes:sua graduação em Radcliff e a conquista de um troféu:o Yale Younger Poets Prize pelo primeiro livro A Change of World (Mudança do mundo)Quem avalizou a conquista do prêmio como ao presidiente o juri que escolheu a vencedora foi,nada mais nada menos que W. H. Auden Em 1953, aconteceu o casamento com o economista Alfred Conrad, e a mudança Cambridge, Massassuchets ,onde o casal teve 3 filhos e Adrienne dedicou nove anos a cuidar deles.
Qualquer mulher intelectualizada e com um mínimo de sensibildade, fica dividida entre os deveres e prêmios da maternidade e o desgosto por ralentar o sopro criativo.

Imaginemos,então, como deve ter sido esse momento para Adrienne,que em seus escritos confessava se sentir “um monstro” ao misturar amor pelos filhos e raiva por estagnar o que pretendia dizer ao mundo. .
Então veio a mudança para Nova York (1966) porque o marido recebeu um convite para lecionar no City College.
Ela começou a ensinar no programa SEEK,para ajudar negros,pobres e estudantes vindos do terceiro mundo a entender as diferenças culturais que ela tanto dissecou em suas obras, muito iinfluenciada pelo exemplo de Simone de Beauvoir.
O casal Conrad estava envolvido nos movimentos pela justiça social e Adrienne mergulhou de cabeça no movimento feminista,
Durante esses anos de aparente recesso, foi professora adjunta
Swarthmore College e na Columbia University School of the Arts,o que-parece- não bastou para tão competente ser humano. Os probelmas no casamento ,que haviam começado no início da década de 60,antes da mudança geográfica, levaram o casal ao divórcio, seguido do suicídio de Alfred,em 1970.                     
Um novo tempo
Num livro em linguagem muito pessoal,
Snapshots of a Daughter-in-Law.( qualquer coisa como “Anotações de uma nora”),ela começa a examinar sua identidade como mulher, que se assumiria lésbica em 1976,quando publicou-como já vimos Of Woman Born: Motherhood as Experience and Institution e nas obras que cito a seguir: Twenty-One Love Poems ( Vinte e um poemas de amor,1977) e Dream of a Common Language (Sonho de uma linguagem comum1978) , A Wild Patience Has Taken Me This Far (Uma paciência selvagem me levou assim tão longe,1981) e alguns dos poemas de The Fact of a Doorframe (2001). Estes trabalhos consolidaram a orientação sexual e a levaram a escrever grande número de ensaios,incluindo, Compulsory Heterosexuality and Lesbian Existence (Heterossexualidade compulsória e existência lésbica)
Adrienne Rich abraça a causa da igualdade e do apoio à diversidade e passa a lecionar,até 1979, no City College e na Rutgers University Para completar a nova vida, mudou-se para Massachusstss com a companheira Michelle Cliff no início dos anos 80s.
Atualmente as duas moram na California,onde Adrienne continua sua carreira de conferencista,professora, poeta e ensaísta           
  
Ativismo

Desde a década de 60 do século passado,o comprometimento sempre foi total com movimentos estudantis e antibelicismo.
Quando se mudou para Nova York,abraçou a causa dos direitos das mulheres
Em 1964 filiou-se ao partido político
New Left (Nova Esquerda) e a adesão ao movimento feminista aparece bem nítida,quase radical. em seus poemas e textos da época. Em 1974 a coletânea Diving Into the Wreck(Mergulhando nos escombros). recebeu o National Book Award for Poetry,mas Adrienne Rich se recusou a recebê-lo sozinha,
Fez questão de dividir a honra com as poetas Alice Walker and Audre Lorde, explicando que era sua forma de compartilhare o sofrimento das mulheres de todo mundo que não podem se expressar .Também recusou a
National Medal of Arts, patrocinada pela Casa Branca, por achar que ‘'a arte é incompatível com a política hipócrita dos administradores do país'.
A sua poesia continua engajada nos premiados livros
An Atlas of the Difficult World  (Um Atlas do difícil mundo(1991) e Dark Fields of the Republic ( Os campos negros da República,1995)
Foi nesse momento da vida que se tornou membro do Fundo Feminino de Boston.da União Nacional de Escritores, da Irmandade em apoio `as irmãs da Africa do Sul e das Vozes Judaicas em favor da paz.
Ganhou dois prêmios
Guggenheim Fellowships, o primeiro Prêmio Ruth Lilly para Poesia, o Prêmio William Whitehead pelo conjunto da obra e o Prêmio da Associação Americana de Poesia,por relevantes serviços prestados à Arte.
No poema
"Tear Gas," ela afirma "The will to change begins in the body not in the mind/My politics is in my body." (o desejo de mudar começa no corpo,não em minha mente.Minha política está no meu corpo” )
Adrienne Rich é um exemplo vivo de coerência e faz parte do cada vez menor grupo de pessoas que vivem como pensam.
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Um comentário:

Fabrizio Lyra disse...

Li hoje que Adrienne Rich faleceu aos 82 anos em seu obituario no Times. Coloquei uma nota em meu facebook e fiquei muito feliz por encontrar seu texto com muitas informações em português sobre ela. Feliz e agradecido pois pude enriquecer o texto em inglês que coloquei sobre o falecimento dela com seu belo artigo em português. Isso fará muitas pessoas conhecerem melhor o trabalho de Adrienne. Te agradeço por isso. Obrigado. Será que existe um local em que possamos reivindicar para que traduzam as suas obras?

Abraços!