quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Carnaval- II

Os clóvis rodam a baiana
   Porque-como disse hoje  o meu amigo Professor Feijó:" carnaval  e cultura combinam muito bem e esse nosso povo precisa de ambos:carnaval,para sua catarse e cultura para sua base"

  Qualquer carioca de mais de 40 anos, em algum momento de seus verões infantis,se apavorou com um “clóvis”.
Era durante o carnaval que o “bicho papão”,tão invocado na hora das punições e castigos, aparecia ao vivo e a cores.
Normalmente no final da tarde,porque o calor de fevereiro e o peso da fantasia não eram(são) de brincadeira:para ser um “clóvis”, o folião tinha e tem que ter uma saúde de ferro.

O nome desses personagens do carnaval carioca,as vezes chamados de “bate-bola”,é uma corruptela de clown (palhaço,em inglês)
Com seus amplos macacões coloridos,usando perucas com franjas, vestidos de caveira,morcego,palhaço e nega-maluca, sempre andavam em grupo.
As máscaras,importadas da Alemanha,feitas de malha e entretela,por serem muito quentes foram substituídas por outras,transparentes,produzidas com as meias de nylon das senhoras das família. O orifício no lugar da boca era preenchido com uma chupeta ou um apito. Para assustar criancinhas,traziam uma bexiga amarrada a uma vara.
O som da bexiga arranhando o asfalto escaldante era de arrepiar os cabelos. Oriundos de Santa Cruz,um município da Zona Oeste do Rio de Janeiro,e logo espalhados por toda a cidade,os “clóvis’ se assemelhavam aos arlequins,colombinas,dominós e pierrots medievais, que também usavam bastões para agredir e as bexigas de porco ou de boi,compradas em matadouro.

 Rodar a baiana
Todo um ritual era cumprido: quando um grupo encontrava outro grupo havia a“cruza” ou “roda-baiana” o momento de glória de um ‘clóvis (pedido de passagem)

Quanto maior a metragem de tecido usado no macacão,maior a roda.Girando o corpo,o “clóvis” conseguia imitar o movimento da saia de baiana inflada.
Se a permissão não era concedida,o tempo ,literalmente, esquentava e as bexigadas se generalizavam Talvez venha daí a hoje tão difundida expressão carioca “rodar a baiana”.
Os “clóvis” nunca falavam,se comunicavam por mímica ou pelo som do apito.Alguns usavam perfume na água da bexiga,para customizar o personagem.

Para manter a tradição do carnaval de rua,a Prefeitura do Rio  voltou a estimular a apresentação dos ‘clóvis” em vários bairos, oferecendo prêmios para os melhores grupos. Políticos.personalidades,pessoas benquistas (ou não) das comunidades ou acontecimentos de relevância continuam sendo os temas preferidos para as críticas.

Os próprios “clóvis” confeccionam suas roupas e preparam as coreografias
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Um comentário:

Renan. disse...

Essa turma ai é a VAIDADE DE JPA!